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Marcos Roberto Rosa 06/05/2009


Faculdade Municipal de Palhoça
Ciências Políticas Prof. Emerson Martins

Roteiro de estudos – Montesquieu. WEFFORT (v. 1, pp. 111-120)

Por suas obras, Montesquieu aparece, quase sempre, como aquele que, na ciência
política, desenvolveu a teoria dos três poderes, que ainda hoje permanece como uma das condições
de funcionamento do Estado de direito.
Sua obra trata da questão do funcionamento dos regimes políticos. Além disso,
Montesquieu é um membro da nobreza que, no entanto, não tem como objeto de reflexão política a
restauração do poder de sua classe, mas sim como tirar partido de certas características do poder nos
regimes monárquicos, para dotar de maior estabilidade os regimes que viriam a resultar das
revoluções democráticas.
Sua preocupação central foi a de compreender, em primeiro lugar, as razões da
decadência das monarquias, os conflitos intensos que minaram sua estabilidade, mas também os
mecanismos que garantiram, por tantos séculos, sua estabilidade, e que Montesquieu identifica na
noção de moderação. A moderação é a pe3dra de toque do funcionamento estável dos governos, e é
preciso encontrar os mecanismos que a produziram nos regimes do passado e do presente para
propor um regime ideal para o futuro.
Essa busca, que aponta para os mecanismos de moderação, está presente em dois
aspectos da obra de Montesquieu: a tipologia dos governos, ou a teoria dos princípios e da natureza
dos regimes; e a teoria dos três poderes, ou a teoria da separação dos poderes.
O conceito de lei:
Montesquieu introduz o conceito de lei no início de sua obra fundamental, O espírito
das leis, definindo lei como “relações necessárias que derivam da natureza das coisas”, ele está
dizendo, em primeiro lugar, que é possível encontrar uniformidades, constância na variação dos
comportamentos e formas de organizar os homens, assim como é possível encontrá-las nas relações
entre os corpos físicos. Seria como uma metáfora sobre quem exerce o poder e como ele é exercido.
O objeto de Montesquieu é o espírito das leis, isto é, as relações entre as leis
(positiva) e “diversas coisas”, tais como o clima, as dimensões do Estado, a organização do
comércio, as relações entre as classes etc.
Os três governos:
Montesquieu constata que o estado de sociedade comporta uma variedade imensa de
formas de realização, e que elas se acomodam mal ou bem a uma diversidade de povos, com
costumes diferentes, formas de organizar a sociedade, o comércio e o governo. Essa imensa
diversidade não se explica pela natureza do poder e deve, portanto, ser explicada. O que deve ser
investigado não é, portanto, a existência de instituições propriamente políticas, mas sim a maneira
como elas funcionam.
Ele vai considerar duas dimensões do funcionamento político das instituições: a
natureza e o princípio de governo. A natureza do governo diz respeito a quem detém o poder: na
monarquia, um só governa, através de leis fixas e instituições; na república, governa o povo no todo
ou em parte (repúblicas aristocráticas); no despotismo, governa a vontade de um só.
O princípio de governo é a paixão que o move, é o modo de funcionamento dos
governos. São três os princípios, cada um correspondendo em tese a um governo: o princípio da
monarquia é a honra (uma paixão social, corresponde a um sentimento de classe, a paixão da

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desigualdade, o amor aos privilégios e prerrogativas que caracterizam a nobreza); o da república é a


virtude (uma paixão propriamente política, o espírito cívico, a supremacia do bem público sobre os
interesses particulares); e o do despotismo é o medo.
A combinação do princípio com a natureza do regime permite-nos entender melhor a
teoria dos três governos. O despotismo é menos que um regime, não possui instituições, é
impolítico, é um governo cuja natureza é não ter princípios. No governo republicano o regime
depende dos homens, sem republicanos não se faz república, trata-se de um regime muito frágil,
porque repousa na virtude dos homens. A monarquia não precisa de virtude, e mesmo as paixões
desonestas da nobreza a favorecem, pois nessa curiosa conjunção entre o princípio e a natureza da
monarquia fica claro que ela apenas repousa em instituições.
O despotismo está condenado à autofagia: ele leva necessariamente à desagregação
ou à rebeliões. A república não tem princípio de moderação: ela depende de que os homens mais
virtuosos contenham seus próprios apetites e contenham os demais. Na monarquia, são as
instituições que contêm os impulsos da autoridade executiva e os apetites dos poderes intermediários,
o poder está dividido e, portanto, o poder contraria o poder. Essa capacidade de conter o poder, que
só outro poder possui, é a chave da moderação dos governos monárquicos.
Os três poderes:
Na sua versão mais divulgada, a teoria dos poderes é conhecida como a separação dos
poderes ou a equipotência. De acordo com essa versão, Montesquieu estabeleceria como condição
para o Estado de direito, a separação dos poderes executivo, legislativo e judiciário e a
independência entre eles. A idéia de equivalência consiste em que essas três funções deveriam ser
dotadas de igual poder.
Trata-se de assegurar a existência de um poder que seja capaz de contrariar outro
poder. Isto é, trata-se de encontrar uma instância independente capaz de moderar o poder do rei (do
executivo). É um problema político, de correlação de forças, e não um problema jurídico-
administrativo, de organização de funções.
A estabilidade do regime ideal está em que a correlação entre as forças reais da
sociedade possa se expressar também nas instituições políticas, seria necessário que o funcionamento
das instituições permitisse que o poder das forças sociais contrariasse e, portanto, moderasse o poder
das demais.
A teoria dos poderes de Montesquieu se torna vertiginosamente contemporânea, ela se
inscreve na linha direta das teorias democráticas que apontam a necessidade de arranjos
institucionais que impeçam que alguma força política possa a priori prevalecer sobre as demais.

Dúvidas:
1. Como Montesquieu sabia sobre os regimes que viriam a resultar das revoluções
democráticas? De onde ele tirou esta “visão” do futuro?
2. Aparentemente Montesquieu não foi um contratualista, como podemos “enquadrá-lo”?