You are on page 1of 478

COLETÂNEA DE TEXTOS

SOBRE MONOGRAFIAS
DO CURSO DE
VIGILÂNCIA AMBIENTAL
EM SAÚDE
Diretoria de Vigilância e Secretaria de Saúde do
Controle Sanitário Núcleo de Estudos de
Estado da Bahia
(DIVISA) Saúde Coletiva

Universidade Federal do Rio de Janeiro


Centro de Ciências da Saúde
Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva
Curso de Especialização em Vigilância Ambiental em Saúde

TEXTOS SOBRE MONOGRAFIAS DO CURSO DE


ESPECIALIZAÇÃO EM VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

Organizadores:

Volney de M. Câmara (NESC/UFRJ)


Anamaria Testa Tambellini (NESC/UFRJ)
Raylene Logrado Barreto (DIVISA/SESAB)
Denise Magalhães da Costa (DIVISA/SESAB)

- 2004 -
Ficha Catalográfica
Elaborada por: Regina Rezende dos Santos CRB. 5 / 1326

Textos sobre monografias do curso de Especialização em


Vigilância Ambienta em Saúde / Volney de M. Câmara... [et al.] -
Salvador-BA:
DIVISA, 2004.
479p.

1. Textos sobre monografias 2. Monografias do Curso de


Especialização em Vigilância Ambiental em Saúde.
I. Câmara, Volney de M. II. Universidade Federal do Rio de
Janeiro/ Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva. III. Diretoria
de Vigilância e Controle Sanitário. IV. Título.
EQUIPE TÉCNICA

ORGANIZADORES
Volney de M. Câmara (NESC/UFRJ)
Anamaria Testa Tambellini (NESC/UFRJ)
Raylene Logrado Barreto (DIVISA/SESAB)
Denise Magalhães da Costa (DIVISA/SESAB)

ORIENTADORES DE MONOGRAFIAS
Anamaria Testa Tambellini
Carmem Froes Asmus
Heloísa Pacheco Ferreira
Maria de Fátima Siliansky de Andreazzi
Maria Imaculada Medina Lima
Maria Izabel de Freitas Filhote
Roberto Medronho
Volney de M. Câmara

Este documento foi parcialmente realizado com recursos do Convênio realizado


entre o NESC/UFRJ e a DIVISA através do projeto Contribuição para o
Desenvolvimento da Vigilância Ambiental em Saúde para a Diretoria de Vigilância e
Controle Sanitário – Divisa, da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia.
II CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

Coordenação do Curso
Volney de M. Câmara

Docentes do NESC/UFRJ
Adriano da Rocha Ramos
Ana Maria Testa Tambellini
Antonio José Leal da Costa
Carmem Froes Asmus
Heloísa Pacheco Ferrreira
Maria Imaculada Medina Lima
Maria Izabel de Freitas Filhote
Maria de Fátima Siliansky de Andreazzi.
Monica Magnanini.
Roberto Medronho.
Volney de M. Câmara

Docentes Convidados
Alexandre Pessoa Silva, AMBIOS – São Paulo
Alonzo Herling, CGVAM/SVS/Ministério da Saúde
Estela Maria Bonini, CGVAM/SVS/Ministério da Saúde
Fernando Ferreira Carneiro, CGVAM/SVS/Ministério da Saúde
Flávio Pereira Nunes, CGVAM/SVS/Ministério da Saúde
Maria da Glória Teixeira, Universidade Federal da Bahia
Jorge H. Machado, Fundação Oswaldo Cruz
José A. Escamilla, Representação da OPAS no Brasil
José Antônio Cejudo
Luiz Moraes, Universidade Federal da Bahia
Maria Conceição Q. O. Riccio, SUVISA/SESAB
Marta Dantas, CGVAM/SVS/Ministério da Saúde
Olaf Malm, Instituto de Biofísica da UFRJ
Raquel Rigotto Universidade Federal do Ceará
Raylene Logrado Barreto, DIVISA/SESAB
Tadeu Dias Pais, Sub-Prefeito, Capela do Socorro, São Paulo
Tânia Franco, Universidade Federal da Bahia

Secretaria Executiva na DIVISA/SESAB


Denise Magalhães da Costa (Coordenação Executiva)
Raylene Logrado Barreto

Realização
Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro

Apoio
Divisão de Vigilância e Controle Sanitário (DIVISA) da Secretaria de Saúde do
Estado da Bahia
Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade
Federal do Rio de Janeiro
Representação no Brasil da Organização Pan Americana da Saúde (OPAS)
LISTA DE ALUNOS APROVADOS

ANA CRISTINA SAMPAIO DE CERQUEIRA RÊGO


ANA MARIA SANTOS MESSEDER DE CASTRO
ANA ZULEIDE MENDANHA SANTOS ROSA
ANDREA HELENA ARGOLO FERRARO
ARUZIA DE OLIVEIRA LUNA E ALMEIDA
CARLOS LOPES DOS SANTOS
CRISTINA MARIA MOTA GESTEIRA
CASSIA SILENE OLIVEIRA
DARCI SANTOS SILVA
DENISE MAGALHÃES DA COSTA
ELIZETE AMARAL GOMES GONÇALVES
IONE ROSAS CASAIS E SILVA
ISAIR DE ABREU FARIAS
JANETE DOS SANTOS BENJAMIN
MÁRCIA GOMES DUARTE
MÁRCIA MOISES
MARCUS FERNANDES CARDOSO
MARIA CONCEIÇÃO QUEIROZ OLIVEIRA RICCIO
MARIA DA CONCEIÇÃO SALES RIBEIRO
MARIA CRISTINA PASSOS PRESÍDIO
MARIA TEREZA VARGAS LEAL MASCARENHAS
MARLY PEDREIRA DANTAS
NELSON LUIZ DA CUNHA
NÚBIA REGINA SILVA SANTOS
ORION DE QUEIROZ CARREIRA FILHO
RAYLENE LOGRADO BARRETO
ROSANA DE CASTRO PEREIRA
RUBEM CERQUEIRA DE SOUZA
SHEILA ANDRADE VIEIRA
SILVIO ROBERTO DOS ANJOS E SILVA
SONIA SANTOS OLIVEIRA
ULISSES NASCIMENTO NEVES FILHO
9
CONTRIBUIÇÃO PARA A VIGILÂNCIA EM SAÚDE AMBIENTAL
NO ESTADO DA BAHIA

Volney de M. Câmara
Anamaria Testa Tambellini
Raylene Logrado Barreto
Denise Magalhães da Costa
(Organizadores)

Questões como a poluição dos diversos compartimentos ambientais, a


qualidade da água para consumo humano, os desastres naturais e por produtos
perigosos encontram-se na agenda dos países e instituições internacionais. A
complexidade destas questões evidenciam as dificuldades com que o Sistema
Único de Saúde (SUS) precisa se confrontar para realizar com êxito a promoção
de uma vida saudável às populações e garantir às futuras gerações um ambiente
mais propício à saúde das coletividades que compõem o mosaico de identidades
definidoras da nação brasileira. Este é o principal papel da Vigilância Ambiental
em Saúde (VAS).

A VAS compreende atividades que visam a obtenção de informações e


ações para conhecer os fatores do ambiente que se considera cientificamente
como determinantes e condicionantes da saúde do homem, com a finalidade de
recomendar e adotar medidas de prevenção e controle. A sua implementação no
Brasil teve como principal marco legal a Portaria do Ministério da Saúde no. 1399
de 15 de dezembro de 1999 e vem sendo conduzida pela Coordenação Geral de
Vigilância Ambiental em Saúde (CGVAM), atualmente setor da Secretaria de
Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, antes contida na Fundação Nacional
da Saúde.

A complexidade das situações de risco presentes no ambiente e de seus


efeitos à saúde das populações a elas expostas exigem para o seu enfrentamento
uma infra-estrutura do SUS que inclua recursos humanos capacitados,
equipamentos, apoio para análises laboratoriais e desenvolvimento de programas
especiais de prevenção e controle. Também devem ser privilegiados
diagnósticos/ações que tenham como premissas os preceitos da ética, uma
abordagem interdisciplinar, a articulação com os diversos setores do aparelho de
estado e a participação da população e de seus representantes na sociedade civil
na gestão, tomada de decisões e realização das atividades deste campo.
10
Visando contribuir para a formação de recursos humanos nesta área, o
Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva desenvolveu o II Curso de Especialização
em Vigilância Ambiental em Saúde (VAS) em Salvador, Estado da Bahia, no
período de julho a dezembro de 2003. No primeiro curso, participaram alunos que
eram os coordenadores da Vigilância Ambiental em Saúde de diversos estados
brasileiros. A escolha da Bahia como local para este segundo curso teve como
principal critério o fato deste estado apresentar-se em um estágio de realização
do programa bastante desenvolvido, estando em fase de implantação as
atividades desta vigilância nas regionais de saúde (DIRES) que são responsáveis
pela atuação de diversos municípios, tendo a DIVISA manifestado interesse para
co-participar da realização deste curso em todos os níveis que se fizessem
necessários. Por outro lado, para o NESC a realização deste curso foi uma
experiência relevante, porque foi possível avaliar uma metodologia para
treinamento de profissionais inseridos na área visando a hierarquização de
atividades através do SUS em um estado e a contribuição para obtenção de maior
competência técnico científica neste campo de atuação.

Este curso visou discutir conceitos e metodologias para o desenvolvimento


de programas de Vigilância Ambiental em Saúde. Foi privilegiada uma abordagem
conceitual interdisciplinar/intersetorial das questões e pretendeu-se desta forma
que o profissional da Vigilância contribua, nos locais onde estiver trabalhando,
para a efetiva promoção das condições de saúde da população em parceria com
a comunidade e demais profissionais que atuam nesta área. Visou também:

• Analisar o planejamento e programação das ações dos programas de


vigilância inseridos no Sistema de Saúde.
• Conhecer os conceitos e fundamentos da Toxicologia Ambiental.
• Identificar os principais fundamentos e métodos da Epidemiologia e da
Bioestatística e sua aplicação no desenvolvimento dos programas de
vigilância.
• Conhecer os principais programas de computação úteis para a Vigilância
Ambiental em Saúde.
• Identificar as metodologias para monitoramento ambiental dos poluentes
ambientais.
• Avaliar as metodologias para monitoramento biológico e dos efeitos adversos
na saúde dos poluentes ambientais.
11
• Avaliar as medidas disponíveis para monitorar, prevenir e controlar a
exposição e os efeitos adversos das situações de risco presentes no
ambiente.
• Elaborar uma proposta de programa de Vigilância Ambiental em Saúde
aplicável ao município, local ou instituição do aluno.

Foram preenchidas 33 vagas durante o processo de seleção. Somente


foram aceitas inscrições dos candidatos com apresentação do diploma de
graduação reconhecido pelo Ministério da Educação. A avaliação discente
consistiu-se de provas e conceitos baseados no desempenho de atividades
didáticas. Destes 33 alunos, 32 foram aprovados e receberam o título de
especialista. A avaliação do curso foi realizada através da comparação de dois
questionários aplicados nas fases anterior e posterior do curso, na qual os alunos
pontuavam seus conhecimentos sobre os pontos levantados.

A carga horária total do curso foi de 360 horas e utilizou como principais
instrumentos didáticos seis disciplinas e a realização, por parte de cada aluno, de
uma monografia sobre temas de interesse em Vigilância em Saúde Ambiental. O
QUADRO 1 apresenta cada uma das disciplinas, bem como os principais temas
ministrados.

Quanto às monografias, principal objeto deste documento, os Professores


do curso indicaram duas possibilidades. A primeira seria o estudo da estrutura da
Vigilância Ambiental em Saúde do local de atuação do profissional/aluno, quer
seja o estado, a regional ou o município, sendo para isso, sugerido um roteiro que
incluía, entre outras questões, as políticas, estrutura, atividades existentes e
programadas, elaboração de diagnóstico em Saúde Ambiental e propostas a
serem implementadas. A segunda possibilidade incluiria a análise de temas
específicos de interesse para a VAS, de livre escolha dos alunos.

Esta publicação apresenta monografias que foram adaptadas sob a forma


de artigo, sendo as quatro primeiras sobre a estruturação/implementação
propriamente dita da VAS, seguidas de outras treze que analisam temas
específicos de interesse desta vigilância, incluindo: desenvolvimento institucional,
pactuação das ações de vigilância, capacitação, sistema de informação, atenção
primária ambiental, água para consumo humano (quatro monografias), acidentes
12
com produtos químicos, transporte de materiais radioativos e exposição ao
mercúrio.

A primeira monografia adaptada foi a de Raylene Logrado Barreto, que


contemplou uma avaliação da implantação da Vigilância Ambiental em Saúde no
Estado da Bahia, com destaque para a promoção de capacitações, especificando
a implantação do programa de vigilância e controle da qualidade da água para
consumo humano; o investimento no sentido da implantação da vigilância
relacionada à qualidade do ar e a vigilância relacionada à desastres e acidentes
em geral que envolvam substâncias químicas.

A implantação de uma proposta de estruturação da VAS no Município de


Salvador foi o tema de Ulisses N. N. Filho, que descreveu os principais aspectos
que caracterizam sua estrutura, enfatizando o contexto histórico, político,
institucional e organizacional.

A terceira monografia analisou a estruturação da Vigilância Ambiental em


Saúde no Município de Jequié. Darci Santos Silva, desenvolveu seu estudo com o
objetivo definir um modelo de implantação para orientar a prática da vigilância à
saúde em geral, auxiliando na instrumentalização específica do Sistema de
Vigilância Ambiental em Saúde, nos diferentes níveis de gestão.

Como convidada de outro estado, Sheila Vieira contribuiu apresentando


uma proposta de estruturação da VAS para o Acre. Entre outros, são descritos
aspectos históricos, geográficos e ambientais do Estado e a importância desse
setor dentro da organização da atenção à saúde. Foram destacados os
indicadores de vigilância ambiental em saúde, com a finalidade de direcionar e
auxiliar as pesquisas operacionais que servirão para embasar a VAS, sem perder
a visão da importância do trabalho interdisciplinar, as atividades em conjunto das
vigilâncias, a articulação com os diferentes atores institucionais públicos, privados
e com a comunidade.

Ana Zuleide M. Rosa avaliou o desenvolvimento institucional da área de


vigilância ambiental no âmbito do Ministério da Saúde. Abrangeu a sua trajetória a
partir dos anos 70 até os dias atuais, enfatizando a área da Coordenação Geral
de Vigilância Ambiental em Saúde - CGVAM da Secretaria de Vigilância em
Saúde – SVS.
13
A sexta monografia refere-se ao estudo realizado por Andréa Helena
Argolo Ferraro sobre a pactuação das ações da VAS no estado da Bahia em
2003. Seus resultados mostram a contribuição da Vigilância Sanitária para a
programação local de ações da VAS com especial referência àquelas que
objetivam atuar sobre os fatores não biológicos, ficando as ações destinadas aos
fatores biológicos com a Divisão de Vigilância Epidemiológica.

O desenvolvimento do Curso Básico de Vigilância Ambiental no Estado da


Bahia (CBVA) enfocando criticamente suas mudanças foi o tema apresentado por
Sonia Santos Oliveira, destacando o número expressivo de profissionais das
vigilâncias municipais e regionais participantes; a utilização dos princípios da
pedagogia da problematização; a diversificação metodológica; a necessidade de
revisão do material; e a aplicação do curso conforme programação atual, isto é,
com carga horária de oitenta horas para concentração e trinta de dispersão.

Marcia Gomes Duarte foi responsável pela oitava monografia, que


representa um termo de referência para o desenvolvimento de um sistema de
informação geográfico (GIS) como elemento de uma avaliação integral de riscos
ambientais que possa contribuir para a tomada de decisão dotados de maior
eficácia para a saúde pública através da avaliação integral dos riscos ambientais
a que uma população está exposta. Propõe-se o aproveitamento das informações
disponíveis nos sistemas já desenvolvidos e que estão sendo utilizados pelos
órgãos de controle ambiental de forma individualizada, o cruzamento destas
informações com dados de saúde e sua visualização cartográfica.

A estratégia da Atenção Primária Ambiental - APA e os desafios e


propostas para a sua implementação no Brasil são apresentados por Márcia
Moisés, através do relato dos eventos organizados pela Coordenação de
Vigilância Ambiental em Saúde - CGVAM da Secretaria de Vigilância em Saúde -
SVS/MS que contribuíram para a implementação da estratégia da Atenção
Primária Ambiental – APA no Brasil. A autora propõe recomendações, apontando
sugestões para nortear futuras ações a ser realizadas por técnicos, militantes,
ativistas e líderes que atuam ou venham a atuar na área de saúde e ambiente.

Maria Cristina Passos Presídio desenvolveu uma análise da qualidade da


água para consumo humano dos sistemas de abastecimento de água da 1ª
Diretoria Regional de Saúde (DIRES), composta pelos municípios de Candeias,
14
Camaçari, Dias D’Ávila, Itaparica, Lauro de Freitas, Madre Deus, Salvador,
Simões Filho, São Francisco do Conde, Santo Amaro e Vera Cruz, através do
banco de dados do sistema de informação de vigilância da qualidade da água
para consumo humano – SISÁGUA. Concluiu que a água fornecida pela rede de
abastecimento de água da regional, na maioria dos meses do ano de 2002,
apresentava sub-sistemas com amostras fora dos padrões estabelecidos pela
Portaria 36/90.

Ana Maria Santos Messeder de Castro fez uma avaliação do programa de


vigilância da qualidade da água para consumo humano para Salvador com o
objetivo de analisar os dados referentes ao cadastro, controle e vigilância. Os
resultados encontram-se em desacordo com a Portaria no 36/90GM e em relação
às ações de vigilância.

O padrão de potabilidade da água para consumo humano, na área de


abrangência da 6ª regional de saúde, mais especificamente as áreas urbanas do
município de Itacaré, foi analisado por Núbia Regina Silva Santos. Visou, entre
outros objetivos, realizar um levantamento e análise tendo em vista a
disponibilidade e caracterização desses recursos hídricos, como também traçar
um perfil das condições de saneamento das doenças de maior prevalência e de
assistência à saúde para as comunidades em estudo.

Cristina Maria Mota Gesteira contemplou em sua monografia um estudo da


fluoretação em água de abastecimento público no Município de Salvador,
verificando se os teores de flúor na água de abastecimento situavam-se acima,
abaixo ou na concentração recomendada e observou que grande parte das
amostras encontravam-se inadequadas, considerando-se os riscos/benefícios da
fluoretação da água.

Um levantamento preliminar dos acidentes com produtos químicos no


estado da Bahia representou a contribuição de Denise Magalhães da Costa para
a vigilância dos acidentes com produtos perigosos. As conclusões enfatizam o
predomínio dos acidentes marítimos, industriais e rodoviários, sendo os dois
últimos mais graves para o ambiente e a saúde. Também foi verificada que a
atuação dos setor saúde, apesar de incipiente, está começando a se estruturar
nesse sentido, buscando trabalhar articulado com os diversos órgãos envolvidos
no assunto através de um trabalho intersetorial e multidisciplinar.
15
Marly Pedreira Dantas avaliou as condições do transporte das fontes
radioativas a serem utilizadas nos 11 (onze) serviços de Medicina Nuclear de
Salvador/BA, baseando-se nos requisitos exigidos como meios de proteção e
segurança pela legislação pertinente em vigor. Observou que diversos itens
pesquisados na operacionalização do transporte das fontes radioativas,
contrariam o disposto nas normatizações vigentes, alguns considerados como
infrações graves sob o aspecto da proteção radiológica.

Cássia Silene Lima Oliveira descreveu o amálgama dentário, sua


composição, manipulação e uso, assim como o reconhecimento dos resíduos e
seu destino (lixo e esgotamento sanitário), dado o risco de uma metilação sutil na
presença de fatores facilitadores. Os dados foram obtidos por visitas em
consultórios e faculdade de Odontologia para observações de procedimentos de
trabalho, qualidade dos componentes do próprio amálgama, a qualidade
profissional dos serviços de restauração em amálgama, os procedimentos no
processo de trabalho que podem gerar mais resíduos e a ausência de
estruturação para a recuperação do mercúrio do amálgama dentário.

Por fim, Maria Conceição Queiroz Oliveira Riccio fez uma avaliação a
respeito da implementação da política de vigilância ambiental em saúde proposta
para o país , incluindo aspectos da sua estruturação organizacional no âmbito da
Secretaria de saúde do Estado da Bahia – SESAB, iniciada em 1999, no contexto
da vigilância à saúde.
16
QUADRO 1: TÍTULO, CARGA HORÁRIA E COORDENADORES DAS
DISCIPLINAS DO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM VIGILÂNCIA AMBIENTAL
EM SAÚDE DA UFRJ, 2003.
TÍTULO, CARGA HORÁRIA E
COORDENAÇÃO DA DISCIPLINA EMENTA/TEMAS

Aspectos Conceituais, Estratégias e 1ª parte: Conceitos, objetivos e componentes dos programas de


Medidas de Prevenção e Controle da Vigilância Ambiental em Saúde: Elementos e atividades; as
Vigilância Ambiental em Saúde (90 horas). situações de risco nos ambientes ocupacional e geral; fontes de
informação; seleção de contaminantes químicos prioritários para
Coordenação: Maria Izabel de Freitas
inclusão nos programas de vigilância; e estudos de caso.
Filhote e Volney de Magalhães Câmara.
2ª parte: A identificação e gestão dos riscos; a determinação de
níveis seguros de exposição e estabelecimento de normas de
exposição; o processo de adoção de decisões; a comunicação dos
riscos; a elaboração de programas educativos.

Organização do Setor Saúde e Vigilância Sistema de Saúde - formas de organização e principais diretrizes e
Ambiental em Saúde (45 horas). instrumentos jurídico-administrativos; processos e metodologia de
programação de ações de saúde e diagnósticos administrativos; o
Coordenação: Anamaria Testa
programa de Vigilância Ambiental em Saúde e sua inserção no
Tambellini e Maria de Fátima Siliansky
Sistema de Saúde; critérios multi-setoriais da vigilância; conceitos
de hieraquização e descentralização e os níveis Federal, Estadual e
Municipal de atuação do programa.
Noções de Toxicologia Ambiental Conceitos básicos; toxicocinética; mecanismos de ação tóxica;
(45 horas). avaliação da toxicidade; elementos da avaliação de risco; fontes de
informação toxicológica; avaliação toxicológica.
Coordenação: Carmen Asmus.

Elementos de Epidemiologia para Medições apropriadas para fins de vigilância; calculo de taxas de
a Vigilância Ambiental em Saúde (90 morbidade e mortalidade; noções básicas de probabilidade e
horas). principais testes estatísticos; participação da Epidemiologia na
avaliação de riscos; os aportes da Epidemiologia descritiva (estudos
Coordenação: Roberto Medronho ecológicos) e analítica aos programas de vigilância.

Noções Básicas para a Utilização Apresentação dos programas e treinamento em computadores;


de Programas Computacionais em exercícios; aspectos didáticos sobre os temas abordados.
Atividades de Vigilância (45 horas).
Coordenação: Monica Magnanini

O Monitoramento Ambiental e dos Aspectos conceituais do monitoramento ambiental; fontes nacionais


Efeitos Adversos à Saúde dos Agentes e locais de dados de monitoramento, redes de monitoramento,
Químicos (45 horas). estatísticas sobre qualidade toxicológica de água, ar e alimentos;
coleta e análise de amostras de ar; coleta e análise de amostras em
Coordenação: Heloísa Pacheco- água e alimentos; coleta e análise de amostras em solos e
Ferreira sedimentos; utilização da rede de laboratórios de toxicologia e o
controle da qualidade analítica; bases conceituais do monitoramento
biológico e monitoramento clínico; principais efeitos adversos;
principais manifestações adversas dos metais no sistema nervoso e
testes neurológicos úteis para o monitoramento; alterações de
comportamento; uso de testes psicológicos para monitoramento;
coleta e análise de amostras de sangue e urina; coleta e análise de
amostras de cabelo; uso dos Centros de Informação Toxicológica.

SUMÁRIO

1 - Raylene Logrado Barreto


18
Estruturação da Vigilância Ambiental no Estado da Bahia - 13 – 31

2 - Ulisses Nascimento Neves Filho


Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador - 32 – 60

3 - Darci Santos Silva


A Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Jequié-Ba: Oportunidades para
melhoria da Qualidade de Vida – 61 – 77

4 - Sheila Andrade Vieira


Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre – 78 – 110

5 - Ana Zuleide Mendanha Santos Rosa


Desenvolvimento Institucional da Área de Vigilância Ambiental no Âmbito do Ministério da
Saúde – 111 - 133

6 - Andréa Helena Argolo Ferraro


Estudo da Pactuação das Ações de Vigilância Ambiental no Estado da Bahia no ano de 2003: a
contribuição da divisa – 134 - 145

7 - Sonia Santos Oliveira


O Desenvolvimento do Curso Básico de Vigilância Ambiental no Estado da Bahia – 146 - 164

8 - Márcia Gomes Duarte


Termo de Referência para o Desenvolvimento de um Sistema de Informação Geográfico para
Vigilância Ambiental em Saúde – 165 - 185

9 - Márcia Moisés
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios e propostas para a
suaimplementação no Brasil – 186 - 214

10 - Maria Cristina Passos Presídio


Uma análise da qualidade da água para consumo humano dos sistemas de abastecimento de água
da 1ª diretoria regional de saúde através do banco de dados do sistema de informação de vigilância
da qualidade da água para consumo humano – Siságua – 217 - 250

11 - Ana Maria Santos Messeder de Castro


Uma avaliação do programa de vigilância da qualidade da água para consumo humano em Salvador,
Estado da Bahia. – 251 - 269

12 - Núbia Regina Silva Santos


Padrão de potabilidade da água para consumo humano, na área de abrangência da 6ª regional de
saúde: Áreas urbanas do município de Itacaré. – 270 - 282

13 - Cristina Maria Mota Gesteira


A fluoretação em água de abastecimento público no município de Salvador. – 283 - 312

14 - Denise Magalhães da Costa


Levantamento preliminar dos acidentes com produtos químicos no Estado da Bahia - uma
contribuição para a vigilância ambiental em saúde dos acidentes com produtos perigosos – 314 - 340

15 - Marly Pedreira Dantas


O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de Medicina Nuclear Instalados no Município
de Salvador/Ba – 341 - 374

16 - Cássia Silene Lima Oliveira


Mercúrio de amálgama dentária: disponibilização para o Meio Ambiente – 375 – 409

17 – Maria Conceição Queiroz Oliveria Riccio


Estruturação da Vigilância Ambiental, no Contexto da Vigilância à Saúde, do Estado da Bahia – 410 -
442

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO


CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
NÚCLEO DE ESTUDOS DE SAÚDE COLETIVA
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

ESTRUTURAÇÃO DA VIGILÂNCIA AMBIENTAL NO ESTADO DA BAHIA

Raylene Logrado Barreto

Adaptação da Monografia apresentada ao


Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva como
pré-requisito para a obtenção do Titulo de
Especialista em Vigilância Ambiental em
Saúde

- 2003 -
RESUMO

Neste documento é realizada uma avaliação da implantação da Vigilância

Ambiental em Saúde no Estado da Bahia iniciada em 1999 e regulamentada

através do Decreto nº 7.546 de março de 1999, onde situa a Vigilância Ambiental

na Diretoria de Vigilância e Controle Sanitário. O estudo foi do tipo exploratório,

de natureza descritiva e visou obter um diagnóstico da situação atual da

estruturação da vigilância Ambiental em Saúde no Estado da Bahia, utilizando

leitura e análise de documentos, coleta de dados em arquivos e observação.

Entre os resultados destacam-se: promoção de capacitações, incluindo o Curso

de Especialização em Vigilância Ambiental em Saúde, Curso Básico de Vigilância

Ambiental (CBVA), Curso de Epidemiologia Ambiental, Avaliação e

Gerenciamento de Riscos Ambientais, entre outros; a implantação do Programa

de Vigilância e Controle da Qualidade da Água para Consumo Humano; o

investimento no sentido da implantação da Vigilância relacionada à Qualidade do

Ar no município de Camaçari e a vigilância relacionada à Desastres e Acidentes

com Produtos Perigosos em Camaçari e Feira de Santana. No final são

apresentadas recomendações com vistas à melhoria da estruturação da Vigilância

Ambiental em Saúde.

Palavras-chave: Saúde; Ambiente; Vigilância; Estruturação; Saúde Ambiental.


22
Estruturação da Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Raylene Logrado Barreto

INTRODUÇAO

A realização deste estudo se justifica em face da inexistência de uma


descrição da estruturação da Vigilância Ambiental (VAS) no Estado da Bahia. Ao
realizá-lo pretende-se refletir sobre esta questão e contribuir para a produção de
conhecimento na dimensão política-organizativa, necessária ao desenvolvimento
da Vigilância Ambiental em Saúde, e melhoria das práticas de sua gestão.

Assim, o estudo da implantação da Vigilância Ambiental em Saúde


contemplando a estrutura organizacional, atividades existentes e programadas,
diagnóstico em saúde ambiental e propostas de trabalho, é uma das
possibilidades de se identificar limites e perspectivas da implantação das ações
de Vigilância Ambiental. Outrossim, pode-se estabelecer quais são as
perspectivas para o avanço da mesma no Estado da Bahia. Para examinar tal
questão, partiu-se do pressuposto de que o grau de implantação das ações de
vigilância em Saúde Ambiental no estado varia em função da capacidade dos
gestores em priorizar a promoção e proteção da saúde. Sob este enfoque, o atual
desenvolvimento e organização das ações de vigilância ambiental no Estado da
Bahia serão objetos de estudo deste documento, que contempla os seguintes
objetivos específicos: Identificar e analisar as políticas gerais de interesse para a
Vigilância Ambiental em Saúde; descrever as atividades existentes e
programadas, incluindo capacitação, atividades de monitoramento ambiental e
prevenção e controle; identificar os principais problemas ambientais de interesse
para a saúde e propostas do estado na área de Vigilância Ambiental em Saúde.

A partir da década de 1980, várias conferências internacionais foram


realizadas pela Organização Mundial da Saúde que evidenciaram a importância
da relação entre o ambiente e a saúde das populações. Na área acadêmica,
aumentou o número de pesquisas no campo da Saúde Ambiental que apontaram
o impacto na saúde relacionado com diversas situações de risco como presença
de poluição química em diversos compartimentos ambientais, ausência de
saneamento ambiental, alterações climáticas, projetos de desenvolvimento que
23
Estruturação da Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Raylene Logrado Barreto

alteraram características ambientais, entre outros (Augusto et al, 2001; Esrey et


al, 1990; Câmara & Tambellini, 2002).

No Brasil, a nível nacional a Vigilância Ambiental em Saúde (VAS) foi


estruturada a partir da implantação do Projeto VIGISUS pela Fundação Nacional
de Saúde. Sua regulamentação ocorreu através da Instrução Normativa nº 1 de
25 de setembro de 2001 da Fundação Nacional de Saúde/Ministério da Saúde
que definiu competências no âmbito federal, estadual e municipal. A VAS é
definida como um conjunto de ações e serviços prestados por órgãos e entidades
públicas e privadas relativas à Vigilância Ambiental em Saúde, visando o
conhecimento e detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores
determinantes e condicionantes do ambiente que interferem na saúde humana,
com a finalidade de recomendar e adotar medidas de prevenção e controle de
riscos relacionados às doenças e outros agravos à saúde. Estabelece-se como
prioridade a informação de fatores biológicos (vetores, hospedeiros, reservatórios,
animais peçonhentos), qualidade da água para consumo humano, poluentes
ambientais físicos e químicos que possam interferir na qualidade da água, ar e
solo e os riscos decorrentes de desastres naturais e acidentes com produtos
perigosos (Franco Netto e Carneiro, 2003; Tambellini & Câmara, 2002).

A Vigilância Ambiental em Saúde engloba as áreas de vigilância da


qualidade da água para consumo humano, vigilância e controle de fatores
biológicos, contaminantes ambientais e as questões de saúde relacionadas aos
desastres e acidentes com produtos perigosos. O Sistema de Informação deve
possibilitar a coleta de dados e a agregação destes em informações complexas
que formarão os indicadores (Franco Netto e Carneiro, 2002).

A Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) com base no Decreto nº 3.450,


de 09 de maio de 2000 estabeleceu como sua competência institucional a “gestão
do sistema nacional de vigilância ambiental” e, através da Instrução Normativa nº
1, de 25 de setembro de 2001, regulamenta a Portaria MS nº 1.399 de 15 de
dezembro de 1999, no que se refere às competências da União, Estados,
Municípios e Distrito Federal, na área da Vigilância Ambiental em Saúde.
24
Estruturação da Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Raylene Logrado Barreto

A Bahia é o quinto estado do país em extensão territorial e corresponde a


36,3% da área total do Nordeste brasileiro. Da área de 564.692,67 km2, cerca de
68,7% encontram-se na região semi-árida, enquanto o litoral medindo 1.183 km,
abriga vários tipos de ecossistemas, favorecendo a atividade turística por sua rara
beleza. Tendo como eixo polarizador à cidade de Feira de Santana, o sistema
rodoviário tem como vias principais a BR-242, que liga a cidade de Salvador ao
oeste do estado e a capital federal; a BR-101 de sentido norte/sul com traçado
paralelo ao litoral; a BR-116 que liga a metrópole ao sudoeste (SEI, 2002) 5.

A população do estado, segundo dados do Censo 2000 (IBGE, 2001)6 é de


13.070.250 habitantes, sendo que a taxa anual de incremento demográfico vem
caindo. Entre 1980 e 1991 era de 2,1%, caindo para 1,1% no período de
1991/2000. Nesse mesmo período a população urbana cresce a um ritmo duas
vezes superior ao da população total, e as áreas rurais do estado já apresentam
redução absoluta de população. No entanto, a população rural da Bahia ainda é a
maior do país. O processo de urbanização baiano é marcado, por um lado, pela
concentração de parcela expressiva da população urbana na capital e, por outro,
pela dispersão desta população em centenas de centros urbanos de pequeno
porte. O setor primário, sobretudo o relacionado às atividades agrícolas, é
responsável por 38,3% da ocupação total na Bahia e entre 1999 e 2001, sofreu
um decréscimo de 361 mil ocupados. Durante este mesmo período, a ocupação
no setor secundário também diminuiu, às custas da Industria de Transformação.
Já o setor terciário, detém 47% das ocupações no estado, sobretudo no comércio
e na prestação de serviços.

O índice de mortalidade infantil em 2001 foi de 44,0 óbitos de menores de 1


ano por 1000 nascidos vivos. Quanto às principais causas de morte de menores
de 1 ano, nota-se a persistência, de doenças mais relacionadas com precárias
condições de vida da população (doenças infecciosas e parasitárias, as do
aparelho respiratório e as doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas), ao
lado do avanço das afecções do período perinatal, ligadas à qualidade da
assistência à gestante, ao parto e à criança.
25
Estruturação da Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Raylene Logrado Barreto

PLANO DIRETOR DE REGIONALIZACAO DA ASSISTÊNCIA À SAÚDE

Um dos maiores desafios na construção do Sistema Único de Saúde é


exatamente o de organizar um sistema que leve em conta a grande
heterogeneidade dos municípios e estados brasileiros, tanto do ponto de vista da
capacidade instalada em termos da prestação de serviços, quanto da capacidade
gerencial existente. Considera-se que, “para o aprofundamento do processo de
descentralização, deve-se ampliar a ênfase na regionalização e no aumento da
equidade, buscando a organização de sistemas de saúde funcionais com todos os
níveis de atenção, não necessariamente confinados aos territórios municipais e,
portanto, sob responsabilidade coordenadora das Secretarias Estaduais de
Saúde” (Portaria 95, de 25/01/01 p. 2).

Nessa perspectiva, o Ministério da Saúde em 2001 aprovou a Norma


Operacional de Assistência a Saúde (NOAS), que “amplia as responsabilidades
dos municípios na Atenção Básica, define o processo de regionalização da
assistência, cria mecanismos para o fortalecimento da capacidade de gestão do
SUS e procede a atualização dos critérios de habilitação dos estados e
municípios” (Portaria nº 95, de 25/01/01), assumindo, portanto, a regionalização
da assistência como uma estratégia de hierarquização dos serviços de saúde, a
ser desenvolvida em todo território nacional.

Para a implementação dessa estratégia, a Norma Operacional 2001 –


NOAS revisada e reeditada em 2002, Portaria nº 373 de 227 de fevereiro de 2002
– institui o Plano Diretor de Regionalização – PDR como instrumento ordenador
do processo em cada estado e no Distrito Federal, definindo como
responsabilidade das Secretarias Estaduais de Saúde, a elaboração deste Plano,
a ser submetido a CIB – Comissão Intergestores Bipartite, ao CES – Conselho
Estadual de Saúde. O PDR faz parte do conjunto de requisitos a serem cumpridos
pelos Estados para qualificação a Norma.

A Secretaria Estadual de Saúde da Bahia – SESAB, através da


Superintendência de Apoio a Descentralização – SUDESC, assumiu a
26
Estruturação da Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Raylene Logrado Barreto

responsabilidade de coordenar a elaboração do Plano Diretor de Regionalização,


para o que foi formado um grupo técnico que desenvolveu os estudos necessários
discutido em 26 Seminários Regionais, envolvendo os secretários municipais de
saúde dos 417 municípios do Estado.

A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia conta com 30 (trinta) Diretorias


Regionais de Saúde foi subdividido em seis macro-regiões de Saúde, que
correspondem a grandes áreas com características físicas e socioeconômicas
relativamente peculiares.

Ao nível central, representado pela Diretoria de Vigilância e Controle


Sanitário (DIVISA), compete: planejar, coordenar, assessorar, supervisionar,
acompanhar e avaliar o desenvolvimento das atividades pelas Regionais e
municípios, assim como desenvolver atividades de capacitação de recursos
humanos que atuam na área, além de executar atividades exclusivas do Estado
pela sua complexidade ou abrangência, e ainda o desenvolvimento de atividades
em nível complementar ou suplementar às desenvolvidas pelos demais.

A região Nordeste abrange o litoral norte do Estado e o Recôncavo, onde


se encontra localizada a Região Metropolitana de Salvador. Nela estão situados
111 municípios, com uma população total de 5.515.943 habitantes, que
representam cerca de 41,7% da população do Estado.

A região Sul abrange a zona agropecuária de Jequié e a zona cacaueira,


onde situam-se as cidades de Ilhéus e Itabuna. Esta Macro-região inclui 79
municípios, com uma população total de 1.933.269 habitantes, cerca de 14,6% do
Estado.

A região do Extremo Sul, de vocação eminentemente turística, é onde se


localiza Porto Seguro. Nela estão situados 21 municípios, com uma população
total de 680.239 hab., cerca de 5,2% da população do Estado.

A região Sudoeste do Estado tem como centros socioeconômicos Vitória


da Conquista e Guanambi. Aqui existem 64 municípios, com uma população total
de 1.516.994 habitantes, cerca de 11,5% da população do Estado.
27
Estruturação da Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Raylene Logrado Barreto

Na região Oeste, banhada pelo Rio São Francisco, encontra-se Barreiras.


Nessa localidade encontram-se 36 municípios, com uma população total de
776.124 habitantes, cerca de 5,9% da população do Estado.

Na região Norte, onde se situa Juazeiro, na divisa com Pernambuco,


também foi incluída a região de Feira de Santana, entroncamento rodoviário para
todo o Estado. Essa extensão abrange 106 municípios, com uma população total
de 2.791.545 hab., cerca de 21,1% da população do Estado.

Conforme o desenho definido no PDR, a DIVISA em 2002 passou por uma


reestruturação interna, funcionando com três coordenações: Suporte Estratégico,
Suporte Operacional e Vigilância Sanitária e Ambiental. Objetivando resolver os
problemas de fracionamento do processo de controle de estabelecimentos
sujeitos à fiscalização sanitária, de modo a atingir-se uma melhor eficiência nas
atividades desenvolvidas, a Coordenação de Vigilância Sanitária e Ambiental é
composta por seis núcleos, abrangendo as seis macro-regiões do Estado. Conta
com profissionais multidisciplinares que são responsáveis pelas ações de
vigilância sanitária e ambiental dos respectivos núcleos, proporcionando assim
uma maior proximidade com as Diretorias Regionais de Saúde e municípios,
determinando processo de organização destes níveis, a partir das ações de
monitoramento e supervisão.

O Decreto nº 7.546 de 24 de março de 1999 que trata do Regimento da


Secretaria da Saúde situa a Coordenação de Vigilância Ambiental na Diretoria de
Vigilância e Controle Sanitário da Superintendência de Vigilância e Proteção da
Saúde. Posteriormente, foi aprovado o novo regimento da Secretaria da Saúde,
através do Decreto nº 8.392 de dezembro de 2002. Este regimento estabelece a
nova estrutura organizacional da Diretoria de Vigilância e Controle Sanitário,
instituindo a Coordenação de Vigilância Sanitária e Ambiental com as seguintes
competências:

• Acompanhar e fiscalizar o cumprimento das normas técnicas aplicáveis à


vigilância sanitária e ambiental;
• Executar as ações de inspeção de tecnologia de produtos e da prestação
de serviços relacionados direta e indiretamente com a identificação,
28
Estruturação da Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Raylene Logrado Barreto

eliminação ou controle de riscos e perigos potenciais, aplicando medidas


previstas na legislação vigente, visando garantir a qualidade de serviços e
produtos colocados à disposição da comunidade e subsidiar processos na
área de defesa do consumidor e/ou outras instituições afins, que se refere
a sua área de atuação;
• Supervisionar e assessorar os grupos de trabalho de vigilância sanitária e
ambiental dos órgãos regionais da Secretaria da Saúde do Estado e das
Secretarias Municipais de Saúde, visando assegurar o exercício de
praticas adequadas de atenção à saúde;
• Implementar o processo de articulação institucional com as esferas de
governo, visando garantir níveis de desempenho técnico satisfatório;
• Coordenar e supervisionar as ações de vigilância sanitária e ambiental,
assegurando como principio norteador a multidisciplinariedade técnica das
equipes de trabalho;
• Promover os meios para o intercambio de experiências em vigilância
sanitária e ambiental, visando universalizar o conhecimento e tratamento
das questões afetas às diversas regiões do Estado;
• Fornecer dados para os sistemas estaduais de informação sanitária e
ambiental, oriundos de estudos e projetos;
• Realizar estudos e inventários de recursos naturais e outros estudos, em
seu âmbito de atuação;
• Realizar análises técnicas em sua esfera de competência, para subsidiar
outros órgãos do Estado no licenciamento de empreendimentos ou
atividades potencialmente geradoras de impactos sanitários e ambientais;
• Autorizar a concessão de alvarás sanitários e outros documentos previstos
na legislação vigente concernentes à produtos, serviços e ambiente,
relacionados direta ou indiretamente com a saúde;
• Exercer ações de vigilância sanitária sobre o exercício de profissões,
ocupações técnicas e auxiliares, relacionadas direta ou indiretamente com
a saúde;
• Coordenar e executar o processo de registro de produtos na sua esfera de
competência.
29
Estruturação da Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Raylene Logrado Barreto

A atuação da Vigilância Ambiental em Saúde em todos os níveis de


governo requer articulação constante com os diferentes atores institucionais
públicos, privados e com a comunidade para que as ações integradas sejam
implantadas de forma eficiente, a fim de assegurar que os setores assumam suas
responsabilidades de atuar sobre os problemas de saúde e ambiente em suas
respectivas áreas (Franco Netto e Carneiro, 2003).

O financiamento das ações da Vigilância Ambiental em Saúde é realizado


por meio do Orçamento da União, pela Programação Pactuada Integrada de
Epidemiologia e Controle de Doenças (PPI/ECD), onde são estabelecidas metas
a serem cumpridas pelos estados e municípios, no sentido de controlar e prevenir
doenças e outros agravos e, em relação à Vigilância Ambiental em Saúde.

Com a implementação do Projeto de Estruturação da Vigilância Ambiental


em Saúde - VIGISUS a partir de 1999, o Centro Nacional de Epidemiologia
(CENEPI)/ FUNASA, viabilizou o apoio financeiro para a execução das atividades
de vigilância ambiental em saúde em todos os estados.

A DIVISA, para o desenvolvimento das atividades de sua competência,


conta com recursos financeiros do Estado, quer seja da fonte do tesouro estadual
ou recursos oriundos do SUS, através de repasse fundo a fundo para o Fundo
Estadual de Saúde, como também de recursos provenientes do Termo de Ajuste
e Metas, assim como, recursos do Projeto VIGISUS, oriundos do Banco Mundial
no componente de desenvolvimento das ações de Vigilância Ambiental, projeto
este gerenciado pela DIVISA com gestão dos recursos financeiros pela
Superintendência de Vigilância e Proteção à Saúde (SUVISA). Dentro do Projeto
VIGISUS são desenvolvidas ações conjuntas com o Centro de Estudos da Saúde
do Trabalhador (CESAT), Laboratório Central de Saúde Publica (LACEN), ambas
diretorias da estrutura da SUVISA, além de trabalhos com outras instancias a
exemplo do Centro de Informação Anti-Veneno (CIAVE), visando o exercício da
vigilância da saúde humana a partir do monitoramento de situações de riscos
ambientais, desenvolvendo desse modo parcerias com órgãos efetivamente
executores na área ambiental, a exemplo do Centro de Recursos Ambientais
(CRA), entre outros.
30
Estruturação da Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Raylene Logrado Barreto

Os recursos financeiros provenientes da Programação Pactuada Integrada


de Epidemiologia e Controle de Doenças - PPI-ECD, definidos pela Portaria nº
1399/99 que estabelece ações de vigilância da qualidade da água para consumo
humano não estão sendo utilizados especificamente pela vigilância ambiental.

ATIVIDADES EXISTENTES E PROGRAMDAS

Os Recursos Humanos para a Vigilância Ambiental em Saúde

A DIVISA conta com 199 (cento e noventa e nove) servidores, sendo que
101 (cento e um) são de nível superior e 89 (oitenta e nove) de nível médio e
elementar. Objetivando desenvolver habilidades e competências nos profissionais
de Vigilância Sanitária e Ambiental do Estado, de modo a facilitar o enfrentamento
dos desafios organizacionais e cumprir o seu papel institucional de assessoria aos
municípios, por conseguinte, garantir uma racionalização dos serviços prestados
com conseqüente melhoria na qualidade de vida da população, foram promovidas
importantes capacitações na área de Vigilância Ambiental em Saúde, descritas na
tabela 1.

Entre os 48 cursos realizados para um total de 1690 participantes destaca-


se destaca o Curso Básico de Vigilância Ambiental em Saúde – CBVA, que
capacitou equipes dos níveis central, regional e municipal, tendo-se alcançado um
total de 518 técnicos treinados, buscando desta forma instrumentalizá-los para
estruturação da vigilância ambiental em saúde nos níveis regional e municipal.
31
Estruturação da Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Raylene Logrado Barreto

Tabela 1 – Principais capacitações realizadas pela DIVISA de 1999 à 2003 na


área de Vigilância Ambiental em Saúde.

Nº PESSOAS
CURSO QUANTIDADE TREINADAS
1. Curso Básico de Vigilância Ambiental em 17 518
Saúde
2. Curso de Vigilância e Controle da Qualidade 08 420
da Água para Consumo Humano
3. Curso de Avaliação e Gerenciamento de 01 30
Riscos
4. Curso de Nivelamento para Vigilância 01 32
Ambiental em Saúde e Qualidade do Ar
5. Curso de Epidemiologia para Vigilância 02 60
Ambiental em Saúde
6. Treinamento Sistema de Informação em 06 150
Vigilância da Qualidade da Água - SISÁGUA
7. Seminário sobre Acidentes Químicos 01 42
Ampliados
8. Oficina de Vigilância Ambiental em 03 86
Agrotóxicos
9. Curso Básico Vigilância Ambiental em 05 120
Agrotóxicos
10. Curso de Especialização em Vigilância 01 32
Ambiental em Saúde
11. Curso Internacional para Gerentes sobre 01 27
Saúde, Desastres e Desenvolvimento
12. Seminário Nacional para Avaliação da 01 140
Portaria MS nº 1469 pelo setor Saúde
13. Curso de Vigilância Epidemiológica dos 01 35
Efeitos Adversos dos Agrotóxicos sobre a
Saúde Humana
TOTAL 48 1692

A Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano

O Estado, desde 1999, vem desenvolvendo ações com vistas à


estruturação da vigilância ambiental relacionada à qualidade da água para
consumo humano, sendo esta a área que está mais avançada no processo de
estruturação da VAS. O Estado da Bahia foi escolhido como área piloto para
32
Estruturação da Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Raylene Logrado Barreto

estruturação desta modalidade de vigilância, juntamente com os estados de São


Paulo, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Paraná. Entre as atividades realizadas
pode-se destacar:

• Cadastramento dos sistemas e fontes alternativas de abastecimento de


água para consumo humano.
• A estruturação da rede laboratorial para suporte às ações de vigilância da
qualidade da água para consumo humano. Implantados 05 laboratórios (2ª,
4ª, 6ª, 19ª e 20ª DIRES). Em fase de implantação: 3ª, 12ª, 14ª DIRES,
proporcionando o monitoramento da qualidade da água nestas regiões.
• A disponibilização pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da
Saúde em 2004 de 14 kits de equipamentos destinados à estruturação de
laboratórios de baixa complexidade com vistas ao cumprimento da Portaria
MS 1469/00 para o Estado.
• A implantação do SISÁGUA na 2ª Dires e municípios da Região
Metropolitana de Salvador. Uma das dificuldades encontradas no Estado
para implantar o SISÁGUA é devido o mesmo funcionar on-line e as
Regionais e Municípios não ter acesso à internet. A partir de março/2004, a
CGVAM/SVS estará disponibilizando para os Estados a versão SISÁGUA
of-line e, com isso estaremos avançando na descentralização do referido
sistema para as Regionais e Municípios.

A Vigilância da Qualidade do Ar

Com referencia à vigilância da qualidade do ar, o estado da Bahia também


se apresenta como área piloto na estruturação da vigilância. Técnicos da DIVISA
participaram de cursos, reuniões e eventos promovidos pela CGVAM/SVS/MS,
como também de um seminário realizado em Volta Redonda/RJ com o objetivo de
conhecer as ações que estão sendo desenvolvidas pelo município, que também
é piloto na implantação do programa.

No estado da Bahia, o município de Camaçari foi escolhido como local


piloto para implantação da vigilância da qualidade do ar, tendo em vista a
33
Estruturação da Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Raylene Logrado Barreto

existência neste município do Pólo Petroquímico. Já foram realizadas reuniões


com participação do referido município, Centro de Recursos Ambientais – CRA,
Secretaria de Meio Ambiente, Fundação Nacional de Saúde – FUNASA, no
sentido de criar um grupo intersetorial com vistas a contribuir na identificação e
avaliação dos efeitos agudos e crônicos oriundos da contaminação do ar sobre a
saúde das populações expostas. Os padrões da qualidade do ar existentes serão
avaliados, buscando relação com o perfil epidemiológico do município.

A Vigilância dos Desastres Naturais e com Produtos Perigosos

O estado da Bahia também participa a nível nacional como piloto na


implantação desta área, tendo sido definidos como municípios alvo os de
Camaçari e Feira de Santana. Foram realizados diversos eventos, reuniões e
seminário com a participação de técnicos da área da Saúde, Meio Ambiente,
Defesa Civil, Polícia Rodoviária Estadual, Corpo de Bombeiros, com o objetivo de
estruturar a área no estado, com vistas à criação de estratégias de trabalho para
prevenção de danos maiores às populações afetadas e expostas aos efeitos dos
mesmos.

Foi realizado um curso promovido pela CETESB na área de Preparação e


Respostas a Acidentes Químicos Ampliados de representantes da área da saúde
(estadual e municipal), meio ambiente e policia rodoviária estadual.

Na área de desastres naturais destaca-se a realização do curso


Internacional para Gerentes sobre Saúde, Desastres e Desenvolvimento no
período de 22/09 à 03/10/03 em Salvador com participação de 27 técnicos.

A Vigilância da Qualidade do Solo

O Estado da Bahia, juntamente com o Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito


Federal, foram definidos como aqueles onde sendo testada a implantação da
vigilância da qualidade do solo. Na Bahia, foi contemplado o município de Santo
34
Estruturação da Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Raylene Logrado Barreto

Amaro no estudo de avaliação de riscos à saúde humana com a utilização da


metodologia ATSDR (Agência para as Substâncias Tóxicas e o Registro de
Doenças dos EUA). O município teve o solo contaminado pela Companhia
Brasileira de Chumbo (COBRAC), instalada no município em 1960 e incorporada
em 1989 pela PLUMBUM, tendo sido desativada em 1993. Já foi apresentado
relatório pela SVS/MS com as recomendações da avaliação de riscos á saúde
humana e, a SESAB, Secretaria Municipal de Saúde de Santo Amaro, CGVAM e
demais órgãos envolvidos estão trabalhando no sentido de montar estratégia para
atuação na remediação da área contaminada e na identificação e avaliação de
saúde da população exposta, organizando e implantando um programa de
vigilância e assistência à saúde.

As ações de Vigilância Ambiental em Saúde para serem efetivamente


implementadas pelos níveis estadual, regional e municipal exigem a incorporação
de conhecimentos científicos e tecnológicos. Neste sentido, tem-se lançado mão
de vários instrumentos e estratégias, a exemplo de treinamentos, oficinas, troca
de experiências, solicitação de consultorias ao nível federal e Universidades,
contratação de consultoria, dentre outros.

Recentemente, foi firmado contrato de prestação de serviços de consultoria


técnica com o Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva da Universidade Federal do
Rio de Janeiro com o objetivo de contribuir com a implantação da Vigilância
Ambiental em Saúde no Estado, identificando e prevenindo riscos à saúde
humana oriundos da contaminação do meio ambiente.

Os produtos desta consultoria deverão contemplar:

• Diagnóstico ecológico – social e sanitário da Bahia, definindo


prioridades para atuação nas seis macro-regiões do Estado da
Bahia;

• Elaboração de rotinas para investigação de casos epidemiológicos


por poluentes ambientais;

• Treinamento da equipe da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia


na investigação de casos epidêmicos por poluentes ambientais;
35
Estruturação da Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Raylene Logrado Barreto

• Desenvolvimento de um sistema de informação em


geoprocessamento para Vigilância Ambiental em Saúde;

• Realizar estudo epidemiológico sobre o caso de poluição na


localidade de Coroa Vermelha.

O Diagnóstico das Questões de Interesse para a VAS

Os principais problemas de saúde relacionados com aspectos do ambiente


incluem:

• Impacto ambiental das atividades agrárias extensivas e intensivas,


implicando em desmatamento, contaminação atmosférica com
queimadas, perda da fertilidade e compactação do solo,
contaminação dos solos, águas e população pelo uso intensivo de
agrotóxicos;

• Impacto ambiental devido à atividade industrial afetando a


atmosfera, os solos e águas, incluindo as subterrâneas, causando
sérios danos ao meio ambiente, à saúde dos trabalhadores e
populações expostas;

• Impacto devido à destinação inadequada dos resíduos sólidos,


contribuindo para incidência por doenças diarréicas, ascaridíase,
dentre outras.

• Intermitência no abastecimento de água;

• Destinação inadequada do esgotamento sanitário;

• Acidentes com produtos perigosos, devido à presença do Pólo


Petroquímico de Camaçari e o tráfego rodoviário no Estado;

• Deslizamentos de terra, principalmente devido aos morros


ocupados, existentes na Região Metropolitana de Salvador;
36
Estruturação da Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Raylene Logrado Barreto

• Contaminação de solos e águas, por conta de depósitos de resíduos


industriais, de mineração, dentre outros.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pode-se afirmar que no processo de estruturação da Vigilância Ambiental


em Saúde na Bahia o investimento na capacitação de recursos humanos dos
níveis central, regional e municipal foi o principal instrumento utilizado para a
consolidação da área, possibilitando aos profissionais condições para o
enfrentamento das questões ambientais que interferem na saúde humana.

Para continuidade do processo de estruturação desta área, merece


destaque a importância de buscar articulação com os órgãos ambientais e outras
entidades públicas e privadas, considerando-se que as atividades de vigilância e
controle de riscos ambientais devem ser realizadas com o envolvimento dos
diversos setores, de modo assegurar que estes assumam suas responsabilidades
em relação aos problemas de saúde e ambiente.

Deve-se incentivar a supervisão aos municípios para acompanhar a


implantação e/ou implementação das atividades de vigilância ambiental em saúde
relacionadas a água, ar, solo e desastres e acidentes com produtos perigosos,
garantindo que as ações cheguem aos municípios.

Verificou-se que os maiores obstáculos para estruturação da Vigilância


Ambiental em Saúde dependem na verdade, de condicionantes políticos,
administrativos e organizativos, que estão presentes principalmente na estrutura
do espaço de trabalho da área como: o número insuficiente de técnicos, infra-
estrutura deficiente nas regionais e municípios, insuficiência de equipamentos e
laboratórios para suporte às ações.

Evidenciam-se limites e possibilidades, avanços significativos, problemas e


nós críticos para o aperfeiçoamento operacional, muitos dos quais levarão tempo
para que sejam superados.
37
Estruturação da Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Raylene Logrado Barreto

Entre as recomendações que se pode julgar de levada pertinência para os


próximos quatro anos, incluem-se: garantir o acesso da população às informações
necessárias ao controle social; promover o processo de educação continuada
para apoio às atividades de Vigilância Ambiental em Saúde das equipes técnicas
dos níveis estadual, regional e municipal; incorporar a intersetorialidade como
prática necessária ao cumprimento do controle dos riscos a que a sociedade está
exposta; rever a atual estrutura organizacional da DIVISA, contemplando área
estratégica de vigilância ambiental; realizar concurso público para garantir equipe
técnica para atender as demandas da vigilância ambiental em saúde, tendo como
objetivo dar um maior apoio técnico aos municípios; Intensificar supervisão de
forma sistemática do nível estadual para os níveis regional e municipal; fortalecer
as instâncias regionais, com vistas à consolidação da descentralização das ações
e serviços de saúde; estruturar laboratórios de Vigilância Ambiental em Saúde de
baixa complexidade em regionais de saúde; Adquirir novos equipamentos de
informática; implantar/implementar os subsistemas de ar, contaminação do solo,
desastres e acidentes com produtos perigosos.
38
Estruturação da Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Raylene Logrado Barreto

REFERÊNCIAS

Augusto, L.G.S., Florêncio, L. e Carneiro R.M. Pesquisa (Ação) em Saúde


Ambiental. Recife; Editora Universitária, 2001

Tambellini, A. T. & Câmara, V. M. Vigilância Ambiental em Saúde: Conceitos,


caminhos e interfaces com outros tipos de vigilância. Rio de Janeiro,
Cadernos de Saúde Coletiva, ISSN 1414-462x, 10 (1): 77-93, jan-jun, 2002.

Franco Netto & Carneiro, F.F. Vigilância Ambiental em Saúde e a promoção de


ambientes saudáveis. Revista da Saúde, ano IV, nº 4, p. 31-32, abril/2003.

Franco Netto, G & Carneiro, F.F. Vigilância Ambiental em Saúde no Brasil.


Ciência & Ambiente, Santa Maria, v. 25, p. 47-58, jul/dez, 2002.

SUPERINTENDÊNCIA DE ESTUDOS ECONÔMICOS E SOCIAIS DA BAHIA.


Bahia em Números. Salvador: Superintendência de Estudos Econômicos e
Sociais da Bahia - SEI, 2002. V. 4.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico


do Estado da Bahia. Rio de Janeiro: IBGE, 2001.

Câmara, V.M. & Tambellini, A. T. Considerações sobre o uso da epidemiologia


nos estudos em saúde ambiental. Revista Brasileira de Epidemiologia, Rio
de Janeiro, 6 (2): 95-104 , junho/2003.

MINISTERIO DA SAÚDE. Projeto VIGISUS – Estruturação do Sistema de


Vigilância em Saúde. 2ª ed. Revisada. Brasília, DF: Fundação Nacional da
Saúde, 1998.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
NÚCLEO DE ESTUDOS DE SAÚDE COLETIVA
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

PROPOSTA DE ESTRUTURAÇÃO DA VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE


NO MUNICÍPIO DE SALVADOR

Ulisses Nascimento Neves Filho

Adaptação da Monografia apresentada ao


Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva como
pré-requisito para a obtenção do Titulo de
Especialista em Vigilância Ambiental em
Saúde

- 2003 -
41
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

INTRODUÇÃO

O Brasil é um país em desenvolvimento, com uma população de


aproximadamente 170 milhões de habitantes, existindo precárias condições de
saneamento e baixos investimentos em saneamento ambiental em algumas
áreas, onde os recursos disponíveis para o desenvolvimento social são restritos, o
que acarreta algumas conseqüências para a saúde da população (NETTO &
CARNEIRO, 2002; IBGE, 2000). Segundo Netto & Carneiro (2002) o processo de
desenvolvimento social (urbanização acelerada, saneamento precário,
desmatamentos e contaminação ambiental) e econômico tem repercussões nas
relações que ocorrem nos ecossistemas, causando impactos e agravos sobre a
saúde dos seres humanos.

No Brasil, as ações de prevenção nos sistemas de saúde estruturam-se por


intermédio das várias formas de vigilância, influenciadas por modelos envolvendo
relações entre agentes e hospedeiros, ou de fatores de risco biológicos, tendo por
objeto central o controle dos modos de transmissão das doenças e dos fatores de
risco, os quais possibilitou alguma governabilidade e eficácia de sua ação no
âmbito do setor saúde, principalmente para as doenças infecto-contagiosas
clássicas (VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE, 2002).

Sendo assim, destacam-se as Vigilâncias Epidemiológicas (sobre


populações), Sanitária (de produtos e serviços), Saúde do Trabalhador (das
condições e riscos à saúde no ambiente de trabalho) e Ambiental (dos riscos
sócios-ambientais) (NETTO & CARNEIRO, 2002).

Em alguns municípios brasileiros, as vigilâncias supracitadas não se


encontram estruturadas, citando-se como exemplo a Vigilância Ambiental em
Saúde do município de Salvador, na Bahia. Desta maneira, o escopo do presente
trabalho é descrever, analisar e retratar uma proposta de Estruturação da
Vigilância Ambiental em Saúde (VAS) no município de Salvador, capital do Estado
da Bahia, a terceira cidade brasileira em termos populacionais, com mais de 2,0
milhões de habitantes e que tem apresentado nos últimos anos um grande
processo de urbanização caracterizado por mudanças sócio - econômicas e
42
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

geográficas que combina em sua atualidade o moderno e o antigo; um dos custos


de vida mais elevados do país e serviços urbanos insuficientes, riqueza e miséria.
Salvador, ocupa uma área de 313 Km2 e limitando-se com os municípios de
Candeias, Lauro de Freitas, São Francisco do Conde, Simões Filho, Madre de
Deus, com o Oceano Atlântico e a Baía de Todos os Santos. (CEI, 1994; IBGE,
1991).

OBJETIVOS

OBJETIVO GERAL

Este trabalho objetiva descrever os principais aspectos que caracterizam a


Estrutura da Vigilância Ambiental em Saúde no município de Salvador,
enfatizando o seu contexto histórico, político, institucional e organizacional.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

• Contribuir para a promoção da Saúde Pública no município do Salvador por


meio de implementações de ações de prevenção, controle e intervenção,
através de articulações com órgãos intra e inter institucionais.

• Atuar em todos os fatores ambientais de riscos que interferem na saúde


humana da população de Salvador.

• Analisar e interpretar todos dados e/ou informações relacionadas com a


saúde e sua interface com os processos produtivos.

• Utilizar a Epidemiologia Ambiental como instrumento de vigilância e


controle da saúde e do meio ambiente.

• Adotar como medidas de prevenção à riscos ambientais e de saúde, os


procedimentos de Avaliação e Gerenciamento Ambiental.

• Construir Indicadores de Saúde e Ambiente.


43
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

• Contribuir com o Sistema de Informação de Vigilância Ambiental em


Saúde.

• Realizar estudos e pesquisas na área de Vigilância Ambiental em Saúde


que relacionem os efeitos sobre a saúde de determinados fatores
ambientais.

METODOLOGIA

A metodologia empregada para o desenvolvimento do presente trabalho,


baseou-se em pesquisas bibliográficas, notas de aulas, palestras ministradas
durante o curso, visitas realizadas às Secretarias Estaduais e Municipais de
Saúde, Instituições de Ensino Público de Saúde Coletiva, Órgãos de Meio
Ambiente da Bahia e revisão de literatura sobre o referido assunto.

DESENVOLVIMENTO

POLÍTICAS

“O conceito de política refere-se aos processos sociais que conduzem a


adoção e execução de decisões através das quais se estabelecem valores para
toda a sociedade. Pode ser definida, também, como uma forma de distribuição do
poder na sociedade ou num setor como é o caso da saúde” (CURSO DE
ESPECIALIZAÇÃO EM SAÚDE COLETIVA COM ÁREA DE CONCENTRAÇÃO
EM GESTÃO DE SISTEMAS E SERVIÇOS DE SAÚDE, SUB-MÓDULO DE
POLÍTICAS DE SAÚDE, 2003, p.02).

Historicamente, no Brasil, as atividades no campo da vigilância e saúde


ambiental organizaram-se de forma fragmentada e pontual, visando dar respostas
imediatas a problemas emergenciais acarretando a dispersão destas atividades
por diferentes níveis de governo (Federal, Estadual e Municipal) e diferentes
setores destes níveis (Saúde, Agricultura, Meio Ambiente, Trabalho,
Abastecimento, Habitação, etc) (MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, 2003).
44
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

A reforma do sistema brasileiro de saúde iniciou-se com os Programas das


Ações Integradas da Saúde – AIS (1984), dos sistemas Unificados
Descentralizados de Saúde – SUDS (1987), a Constituição Federal de 1988 e as
Leis Federais 8.080 (Lei Orgânica da Saúde) e 8.142 (ISC, 2003).

A partir da Constituição Federal de 1988, o setor saúde foi ordenado


institucionalmente com a constituição do Sistema Único da Saúde (SUS) cujas
ações e serviços de público de saúde integram uma rede regionalizada e
hierarquizada, obedecendo às diretrizes de descentralização, com direção única
em cada esfera de governo, atendimento integral com prioridade para as
atividades preventivas e participação da comunidade no seu controle e
administração (MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, 2003). Salienta-se que a Lei Federal
8.142 de 28 de dezembro de 1990 ampliou ainda mais a participação dos
usuários na gestão do SUS.

O artigo 196 da CF informa que:

“A saúde é direito de todos e dever do estado, garantido mediante políticas


sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros
agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para a sua
promoção, proteção e recuperação”.

Da mesma forma, o artigo 198, Parágrafo Único, desta Lei, determina, que
o financiamento para às ações e serviços oferecidos pelo SUS se dará com
“recursos do orçamento da Seguridade Social, da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, além de outras fontes”

Ressalta-se, que a Lei Federal No 8.080 (1990) que dispõe sobre as


condições de promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o
funcionamento dos serviços de saúde informa que “o conjunto de ações e
serviços de saúde, prestados por órgãos e instituições públicas federais,
estaduais e municipais, da administração direta e indireta e das fundações
mantidas pelo Poder Público, constituem o Sistema Único de Saúde”.
45
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

A Portaria do Ministério da Saúde No 1.399 (1999), o Decreto No 3.450


(2000) e a Instrução Normativa No 1 (2001) que regulamenta a Portaria No 1.399
(1999), definem que “a gestão do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica
e Ambiental, é de competência do Ministério da Saúde, através da Fundação
Nacional de Saúde (FUNASA), dos Estados, dos Municípios e do Distrito
Federal”, destacando-se:

“O Sistema Nacional de Vigilância Ambiental em Saúde – SINVAS,


compreende o conjunto de ações e serviços prestados por órgãos e
entidades públicas e privadas relativos a vigilância ambiental em saúde,
visando conhecimento e detecção ou prevenção de qualquer mudança
nos fatores determinantes e condicionantes do meio ambiente que
interferem na saúde humana, com a finalidade de recomendar e adotar
medidas de prevenção e controle dos fatores de riscos relacionados às
doenças e outros agravos à saúde, em especial: I - vetores ; II -
reservatórios e hospedeiros ; III - animais perçonhentos ; IV - água para
o consumo humano ; V – ar ; VI - solo; VII - contaminantes ambientais ;
VIII - desastres naturais e IX - acidentes de produtos perigosos”.
(FUNASA, 2001, p.01).

“Compete à FUNASA, às Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde


ou órgãos equivalentes nos estados e municípios, a gestão do
componente federal, estadual e municipal do SINVAS, respectivamente,
conforme definido nesta Instrução Normativa”. (FUNASA, 2001. p. 02)

Percebe-se assim, que a Vigilância Ambiental tem um caráter


interdisciplinar e intersetorial, sendo priorizada a vigilância dos fatores do
ambiente que interferem na saúde tais, como: fatores biológicos, contaminantes
ambientais físicos e químicos (mercúrio, chumbo, agrotóxicos), vigilância da
qualidade da água, dentre outros (DIVISA, 2002).

Desta maneira, através da análise deste contexto, percebe-se que a


Vigilância Ambiental em Saúde encontra-se inserida no SUS por meio de
legislações federais (leis, decretos, portarias e instruções normativas) que dão
46
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

suporte legal a sua implementação, restando sua implementação e estruturação


nos diversos municípios brasileiros.

POLÍTICA DO ESTADO DA BAHIA/SALVADOR SOBRE A VAS

De acordo, com Políticas Sociais Na Bahia: Saúde e Saneamento (1997,


p. 01) :

“o processo de descentralização tem, ainda, na enorme heterogeneidade


territorial, econômica e social do país, importante fator a pesar na sua
dinâmica de resultados. Assim, embora a importância das transferências
federais nos orçamentos estaduais e municipais seja um fenômeno
nacional, verifica-se que nas áreas mais desenvolvidas há maior
capacidade tributária gerando recursos próprios e uma certa autonomia
para implementar políticas públicas. Na maioria dos casos, contudo, e
sobretudo no Nordeste, os municípios têm economia pouco diversificadas,
estagnadas ou em crise, necessitando do apoio estadual e federal o que,
em princípio, lhes impede o ingresso em uma efetiva descentralização”.

Da mesma forma, no documento Políticas sociais na Bahia: saúde e


saneamento VIEIRA Apud FLEURY (1988), ressalta que “a descentralização é
definida como o processo de investir de autoridades as estruturas político-
administrativas locais para a formulação de suas políticas e o desempenho das
funções de natureza local”.

No contexto atual sobre a municipalização das ações e serviços de saúde


deve-se distinguir a diferença entre Gerenciamento de Unidades de Saúde e
Gestão do Sistema de Saúde. No primeiro caso o município assume a gerência e
a administração interna de unidades ambulatoriais ou hospitalares que pertenciam
ao Estado ou a União, enquanto no segundo o município além de assumir o
gerenciamento, assume a Gestão do Sistema Municipal de Saúde.
47
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

A Secretaria de Assistência à Saúde do Ministério da Saúde, (1995)


especifica:

“a descentralização da gestão do sistema implica em transferir ao


Município a possibilidade e as condições de planejar seu Sistema de
Saúde, a competência de se relacionar com os prestadores, a definição
dos tetos e metas, por prestador, da totalidade dos serviços localizados no
Município, bem como a efetiva gerência de todos os instrumentos técnicos
e administrativos de gestão como, por exemplo, o Sistema de Informações
Ambulatoriais e o Sistema de Informações Hospitalares”.

Nessa perspectiva, o que caracteriza a descentralização do SUS,


respeitando às competências próprias de cada nível político-administrativo do
governo, é a municipalização da gestão do sistema, com a organização
regionalizada e hierarquizada da rede de serviços, e não só a transferência da
gerência de unidades do Município.

Esta situação pode ser evidenciada, como exemplo, através da


Incorporação do extinto INAMPS pelo Ministério da Saúde que provocou a
absorção das estruturas, funções e competências das superintendências
Regionais pelas Secretarias Estaduais de Saúde, no caso da Bahia a Secretaria
Estadual de Saúde. Da mesma forma, algumas atribuições e atividades da
SESAB, estão sendo repassadas para os municípios como o de Salvador, capital
do Estado da Bahia como pode ser vista nas citações abaixo:

“Quanto às unidades cedidas pela SESAB aos municípios, (208) foram


repassadas em 1994, registrando-se ainda um número significativo de
transferências em 95 (194), mantendo-se o processo de cessão de uso em
1996 (120) e 1997 (115). Cabe observar que as unidades cedidas, em sua
maioria, são Postos e Centros de saúde, integrantes da rede básica, às
quais se acrescentam casas de partos e hospitais locais” (ver Políticas
sociais na Bahia: saúde e saneamento, op. cit., p. 30.).
48
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

“Paralelamente às transferências de recursos financeiros, quer através da


distribuição de cotas de AIHs (Autorizações de Internações Hospitalares)
aos hospitais da rede municipal, quer mediante a celebração de convênios
entre a SESAB e os municípios, ocorreu a transferência de bens móveis e
imóveis, por meio de termos de cessão de uso de unidades construídas
pela SESAB, bem como de cessão de material permanente, direta e
indiretamente, através de transferências de recursos financeiros da fonte
(recursos provenientes do Tesouro estadual).

O Ministério da Saúde editou em 1993 e 1996 às Normas Operacionais


Básicas que normatizaram e estimularam o processo de municipalização. A partir
de 1993, com a Norma Operacional Básica 001/93 (Brasil, 1993), são
estabelecidos os critérios para a intensificação do processo de descentralização
de funções e responsabilidades, atribuindo-se aos municípios o papel de principal
prestador de serviços, mediante cessão progressiva de unidades federais e
estaduais, bem como pela re-alocação dos recursos humanos.

O cumprimento da NOB 001/93 implica a transferência de recursos


financeiros aos municípios (mediante a apresentação da produção de serviços
ambulatoriais e hospitalares da rede própria), a transferência e recursos físicos e
humanos (mediante cumprimento de uma série de requisitos, em processo
negociado) e a transferência da gestão dos recursos destinados ao pagamento da
rede privada contratada e conveniada (mediante cumprimento de outros
requisitos, de forma negociada). Além disso, a NOB 001/93 prevê duas formas
alternativas de recursos: o Fundo de Apoio ao Estado (FAE) e o Fundo de Apoio
ao Município (FAM), calculando os repasses a partir de critérios populacionais
(ISC, 2003).

Conforme, os parâmetros da NOB 001/93 um dos requisitos mínimos para


a municipalização é a criação do Fundo Municipal de Saúde, do Conselho
Municipal de Saúde e a elaboração de um Plano Municipal de Saúde. Atualmente,
os requisitos para a municipalização atende os requisitos estabelecidos na Norma
Operacional Básica do Sistema Único de Saúde – SUS (NOB – SUS/96) que é
49
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

decorrente, sobretudo, da experiência ditada pela prática dos instrumentos


operacionais anteriores – em especial da NOB 1993 – o que possibilitou o
fortalecimento da crença na viabilidade e na importância do SUS para a saúde de
todos os brasileiros (NOB – SUS, 1996) e da Norma Operacional da Assistência à
Saúde – NOAS/SUS 02/2002 que considera a necessidade de dar continuidade
ao processo de descentralização e organização do SUS que amplia as
responsabilidades dos municípios na Atenção Básica; estabelece o processo de
regionalização como estratégia de hierarquização dos serviços de saúde e de
busca de maior equidade cria mecanismos para o fortalecimento da capacidade
de gestão do SUS e procede à atualização de critérios de habilitação de estados
e municípios (ISC, 2003).

A criação e desenvolvimento de Conselhos de Saúde, ao nível Federal,


Estadual e Municipal, ocorreu a partir de 1993, através da participação paritária
dos representantes dos Usuários, Trabalhadores de Saúde, Prestadores de
Serviços e Governo nas decisões Político-Gerenciais acerca do Sistema de
Saúde (POLÍTICAS SOCIAIS NA BAHIA: SAÚDE E SANEAMENTO, op. cit., p 13)

Esta situação contribui para constituir o SUS como um espaço de cidadania


por meio discussões e soluções sobre os principais problemas em termos da
organização e produção dos Serviços no Sistema Estadual de Saúde, como a
implementação de propostas e estratégias de que visam a organização da oferta
de ações e serviços segundo a lógica da “vigilância da Saúde” proposta pela
Vigilância da Saúde (DIVISA) e de assistência da saúde (DEPAS), no âmbito do
Conselho Estadual de saúde. Hoje além do Conselho Nacional de Saúde e dos 26
Conselhos Estaduais, já se contam mais de 3.000,00 Conselhos Municipais de
Saúde.

Na Bahia, o Subsistema de Saúde do Estado, as medidas de promoção,


proteção e recuperação de saúde, são organizados e regulamentados pelo
disposto na Lei Estadual 3.982, de 29 de dezembro de 1981, no Decreto Estadual
29.414 de 05 de janeiro de 1983 e demais norma complementares estabelecidas
pela Secretaria de Saúde.
50
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

O Decreto Estadual 29.414 de 05 de janeiro de 1983 informa que os


municípios do Estado da Bahia, por intermédio de seus órgãos de saúde
competentes, apresentam às seguintes competências, dentre outras:

“articular seus planos locais de saúde com os planos federais e estaduais


para às áreas respectivas com vistas a uma gradual interiorização das
ações”; integrar seus serviços de promoção, proteção e recuperação da
saúde, no subsistema estadual de saúde”.; manter e operar os serviços de
interesse da população local, especialmente os de primeiros socorros,
observadas as diretrizes da Política Nacional de Saúde, os Planos e
Programas Nacionais e Estaduais de saúde e de desenvolvimento,
ajustados às condições sócio-econômicas”.

No município de Salvador, os direitos e obrigações que se relacionam com


a saúde e o bem estar individual e coletivo são regulados pela Lei Municipal
5.504/99 (Código Municipal de Saúde) que determina:

“a saúde é um direito fundamental de todo ser humano, sendo dever de


todo município, que integra com a União e o estado o Sistema Único de
saúde – SUS, concomitantemente com a coletividade e o indivíduo, adotar
as medidas necessárias ao seu pleno exercício”.

“para o planejamento e organização dos serviços, serão estabelecidos


mecanismo de atuação intersetorial e interinstitucional com outros órgãos
governamentais ou não governamentais, objetivando proporcionar melhor
aproveitamento de recursos efetividade das ações e serviços”.

“A Secretaria Municipal de Saúde submeterá à apreciação à apreciação do


Conselho Municipal de Saúde, os relatórios trimestrais de atividades e
acompanhados dos resumos da execução orçamentária e das prestação
de contas dos recursos movimentados pelo Fundo Municipal de Saúde, de
acordo com as normas legais e disposto no inciso XIII do artigo 3o , do
Regimento Interno do Conselho Municipal de Saúde”.
51
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

“Aos conselhos locais de saúde caberá o acompanhamento dos Programas


de Saúde ao nível de Saúde da Rede Municipal”.

“O Sistema Municipal de Saúde de Vigilância a Saúde em salvador, deve


se articular com órgãos da administração municipal, instituições
governamentais e não governamentais destinados a promoção da saúde,
sendo composto pelos seguintes órgãos da estrutura da secretaria
municipal de saúde; A nível central, os órgãos da SMS, que desenvolvem
atribuições de promoção, prevenção, proteção e recuperação da saúde ; A
nível distrital, as unidades de saúde pertencentes a rede de serviços e as
unidades especiais que compões os distritos sanitários da SMS,
responsáveis pela organização, planejamento e execução das ações e
serviços, pela vigilância sanitária e vigilância epidemiológica, em suas
respectivas áreas de abrangência ; os órgãos, as unidades de serviços de
saúde e as unidades especiais integrantes do Sistema Municipal de
Vigilância à Saúde atuarão em colaboração entre si e em articulação com
os demais órgãos pertinentes nas diferentes esferas do governo”.

Ressalta-se que, segundo CARRERO (2000), o conjunto de leis


promulgadas ou decretadas dadas a um povo denomina-se legislação. Desta
forma, percebe-se que no Brasil, à proteção a SAÚDE è estabelecida com base
em inúmeras leis, decretos, portarias, resoluções e regulamentos, sendo que
estas se encontram organizadas e hierarquizadas, seguindo um ordenamento
jurídico (CARRERO, 2000)

ESTRUTURA

ESTRUTURA GERAL DA VAS

Por definição, a vigilância ambiental em saúde se configura como um


conjunto de ações que proporcionam o conhecimento e a detecção de qualquer
mudança nos fatores determinantes e condicionantes do ambiente que interferem
52
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

na saúde humana, com a finalidade de identificar as medidas de prevenção e


controle dos fatores de riscos e das doenças ou outros agravos à saúde
relacionadas ao ambiente e às atividades produtivas. Conforme, supracitado a
Vigilância Ambiental em Saúde divide-se em duas subáreas: Vigilância e Controle
de Fatores de Risco Biológico (Vetores, Hospedeiros e Reservatórios e animais
peçonhentos) e Vigilância e Controle de Fatores de Riscos Não Biológicos (Água
para Consumo Humano, Contaminantes Ambientais, Ar, Resíduos Tóxicos e
Desastres Naturais e Tecnológicos) que requer ações e informações integradas
de diferentes setores com o objetivo de prevenir e controlar os fatores de riscos
de doenças e de outros agravos à saúde decorrente do ambiente e de atividades
produtivas.

No município de Salvador, a Vigilância Ambiental em Saúde não se


encontra estruturada como pode ser vista no organograma d Estrutura
Organizacional da Secretaria Municipal de Saúde de Salvador (v. Figura I) ,
sugerindo-se de imediato, a seguinte Proposta de Readequação da Estrutura
Organizacional da SMS com inclusão de uma Subcoordenadoria de Vigilância
Ambiental em Saúde, com participação dos usuários na gestão através da
existência dos Conselhos Municipais, Distritais e Locais de Saúde (v. Figura II),
que encontra respaldo legal sua implementação, por meio da Programação
Pactuada e Integrada de Epidemiologia e Controle de Doenças (PPI-ECD) através
da FUNASA e de projetos estruturantes com apoio financeiro do Projeto de
Estruturação do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde do Sistema Único de
Saúde VIGISUS – e outras fontes de financiamento que venham a ser
identificadas.
ESTRUTURA ORGANIZACIONAL DA SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE -
SMS
FIGURA 1
Subcoordenadoria da
Central de Regulação de
Vagas e Internação

Coordenadoria de Subcoordenadoria de

Regulação e Avaliação Informação em Saúde

Subcoordenadoria de
Controle dos Serviços de
Saúde

Subcoordenadoria de
Conselho Acomp. e Desenv. e
Municipal de Distrito Sanitário

Saúde Coordenadoria de
Subcoordenadoria de
Atenção e Promoção à
Atenção à Saúde da
Conselhos Saúde Comunidade

Distritais de Saúde Subcoordenadoria de


Assistência Hospitalar e
Pronto Atendimento Subcoordenadoria de
Atenção e Vigilância à
Conselhos Locais Subcoordenadoria
Saúde
de Saúde de Vigilância
Subcoordenadoria de
Epidemiológica
Acompanhamento

Subcoordenadoria de Distrital
Coordenadoria de Saúde
Vigilância Sanitária
Ambiental
Gabinete
Subcoordenadoria
do Subcoordenadoria de Administrativa
Secretário Controle de Zoonoses

Gerência de Unidade de
Saúde Tipo Especial

Coordenadoria de Gerência de Unidade de


SECRETÁRIO

Distritos Sanitários Saúde Tipo IV


(12)
(16)

Gerência de Unidade de
Saúde Tipo III

Subgerência
Gerência de Unidade de
Administrativa Hospitalar
Saúde Tipo II
(03)

Subgerência de Atenção
Gerência Hospitalar Gerência de Unidade de
à Saúde Hospitalar (03)
(03) Saúde Tipo I

Subgerência de Pronto
Assessoria Atendimento Hospitalar

Técnica (03)
Ouvidoria em Saúde

Subcoordenadoria de
Núcleo de
Controle de Contas
Execução
Orçamentária e
Coordenadoria
Subcoordenadoria de
Executiva do Fundo Contabilidade
Municipal de Saúde

Subcoordenadoria de
Liquidação de Despesas
Auditoria

Subcoordenadoria de

Coordenadoria de Administração de
Pessoal
Desenvolvimento de
Subcoordenadoria de
Recursos Humanos Capacitação e
Desenvolvimento de

Subcoordenadoria de
Coordenadoria Apoio Administrativo
Administrativa
Subcoordenadoria de
Material e
Patrimônio

Subcoordenadoria de
informática
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

PROPOSTA DE ORGANOGRAMA PARA A VAS - SALVADOR

SUBCOORDENADORIA
DE
FIGURA II
VIGILANCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

Núcleo de
Núcleo de Núcleo de Manejo e Núcleo de Núcleo de
Fatores de Risco Entomologia e Controle da Informação e Fatores de Risco
Biológicos Pesquisa População Avaliação da VAs não Biológicos
Operacional Animal

Setor de Água Setor de Setor de Controle


Setor de Vetores Setor de e
Setor de
para Consumo Contaminantes Resíduos Tóxicos e
Hospedeiros e Animais Humano Poluição do Ar Desastres Naturais
Ambientais
Reservatórios Peçonhentos e Tecnológicos

Gerência
Macroregional
de Controle de
Vetores

*FONTE - ADAPTADO DA PROPOSTA DE ORGONOGRAMA DA SES/PB 2003


55
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

Depreende-se da análise do Organograma proposto que a estrutura geral


da Vigilância Ambiental em Saúde estaria ligada a Coordenadoria de Saúde
Ambiental, órgão da Administração Direta da SMS e a Subcoordenadoria da
Vigilância Ambiental em Saúde, sendo constituídos pelos Núcleos de Vigilância
de Fatores de Risco Biológicos e Setores de Vetores, Hospedeiros e
Reservatórios e Animais Peçonhentos, bem como, de Fatores de Riscos Não
Biológicos e Setores de Água para Consumo Humano, Contaminantes
Ambientais, Ar, Resíduos Tóxicos e Desastres Naturais e Tecnológicos, além dos
Núcleos de Entomologia e Pesquisa Operacional, de Manejo e Controle da
População Animal e de Informação e Avaliação da VAS (FIGURA II).

No nível da Coordenação, compete às ações de coordenar, apoiar,


monitorar e avaliar às ações relacionadas a fatores determinantes para a saúde,
referentes a produtos, serviços e meio ambiente, nele incluído o ambiente de
trabalho, incluídas as atividades de Supervisão, Assessoria Técnica,
Planejamento/PPI-ECD, Controle e Avaliação, Gestão de Insumos Estratégicos:
medicamentos específicos, EPI, Equipamentos de Asperção de Inseticidas,
Treinamento, Normatização Complementar (SES/PB, 2003); (CÓDIGO
MUNICIPAL DE SAÚDE DE SALVADOR, 2002).

No nível de subcoordenação, compete assessorar os núcleos de Vigilância


Ambiental em Saúde, inclusive nos Distritos Sanitários, normatizar rotinas e
procedimentos, dar apoio técnico e operacional para o desenvolvimento de
programas, projetos e atividades de Vigilância Ambiental em Saúde, manter
articulação inter e intra institucional, analisar e emitir parecer em processos
administrativo decorrente de ações de Vigilância Ambiental em Saúde, exercer
outras competências correlatas (CÓDIGO MUNICIPAL DE SAÚDE DE
SALVADOR, 2002).

No nível de execução compete às ações de Supervisão áreas e dos


programas de controle vetorial, ações de vigilância, programas de controle,
identificação, monitoramento ambiental para pesquisa e classificação de vetores,
suporte laboratorial com análise físico-química e bacteriológica da água e
aplicação de inseticida (SES/PB, 2003).
56
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

ARTICULAÇÕES INTRA E EXTRASETORIAIS

A atuação da Vigilância Ambiental em Saúde, em todos os níveis de


governo, requer articulação constante com os diferentes atores institucionais
públicos, privados e com a comunidade, para que ações integradas sejam
implementadas de forma eficiente, assegurando que os setores assumam suas
responsabilidades frente aos problemas de saúde e ambiente, em suas
respectivas áreas (VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE, 2002). Desta forma, a
VAS deverá trabalhar articulada com órgãos Intra Institucional como Vigilância
Epidemiológica, Vigilância Sanitária, Vigilância da Saúde do Trabalhador, Sistema
Nacional de Laboratórios de Saúde Pública, Engenharia de Saúde Pública,
Sistema de Informação em Saúde, e Inter Institucional tais como: órgãos
responsáveis pelo meio ambiente (Ministério do Meio Ambiente, CRA/BA,
Secretaria Municipal de Meio Ambiente, outros), órgãos responsáveis pela
Limpeza Pública (LIMPURB), órgãos responsáveis pelos sistemas coletivos de
abastecimento d’água (EMBASA) e saúde (ANVISA, FUNASA) e ONG’S que
atuam na defesa do meio ambiente (SES/PB, 2003; VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM
SAÚDE , 2002).

NECESSIDADE/EXISTÊNCIA DE RECURSOS HUMANOS, MATERIAIS,


FINACEIROS E ATIVIDADES DE CAPACITAÇÃO/FORMAÇÃO REALIZADAS E
PLANEJADAS.

A implantação do sistema deverá ser garantida através da transferência


dos recursos humanos e materiais já existentes, e, também através da
capacitação de novos recursos humanos e da alocação de recursos materiais
necessários ao aprimoramento das atividades já desenvolvidas (MUNICÍPIO DE
SÃO PAULO, op. cit., p. 05). Assim, considerando as atribuições de cada um dos
níveis do sistema de saúde, deveremos contar, com uma equipe de profissionais
de nível superior (multidisciplinar – formação em Biologia, Engenharia Sanitária,
57
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

Medicina, Medicina Veterinária, Nutrição, Biologia, Química, Enfermagem,


Farmácia, Bioquímica, Física Nuclear), responsáveis pela coordenação,
orientação e execução das atividades de Vigilância Ambiental; profissionais de
nível médio profissionalizante com curso técnico em saneamento, edificações,
alimentos, química, nutrição, patologia clínica, agronomia, agropecuária,
segurança do trabalho, envolvidos em atividades externas; e profissionais de nível
básico, envolvidos na execução de atividades administrativas e de suporte
(MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, op.cit., p. 05). É necessário que estas equipes
contem com o apoio jurídico especializado em Direito Sanitário, que poderá se
localizar a nível regional ou central, e que terá a função de orientar as equipes
nas questões que, freqüentemente, resvalam para o terreno jurídico (ISC, 2002;
MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, op.cit., p. 05).

Ressalta-se que é relevante que estes profissionais contem com pessoal


de apoio em número suficiente para que não ocorram deficiências no desenrolar
das atividades.

A Secretaria Estadual de Saúde pode e deve atuar, em conjunto com a


Secretaria Municipal, neste caso a do município de Salvador, capacitando e
reciclando os recursos humanos e garantir o apoio técnico e profissional
necessário à implantação e ao desenvolvimento das atividades de Vigilância
Ambiental em Saúde (MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, op.cit., p. 06).

Quanto aos Recursos Materiais considera-se importante a existência de


uma Ouvidoria e do Disque-denúncia exclusiva para uso da população, que será
um dos meios de recebimento de informações e atuação das atividades de
Vigilância Ambiental em Saúde, além da disponibilidade de veículos, em número
suficiente para o desempenho das atividades. O edifício ou prédio nos quais estão
instalados a Vigilância deverão possuir adequadas condições de infra-esrutura
(ambientes climatizados naturalmente ou artificialmente, boa circulação e
materiais de revestimento de fácil higienização), podendo ser de propriedade do
município, alugado ou cedido pelo Estado ou União por um período de tempo
acordado entre às instituições.
58
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

Os equipamentos necessários ao desenvolvimento das ações de Vigilância


(EPI’s, máquina fotográfica, câmara de vídeo, outros), devem incluir planos e
proposta de manutenção para os mesmos.

Sugere-se, a elaboração de um plano de capacitação e/ou criação de


Laboratórios que sejam voltados para o atendimento das necessidades geradas
pelo funcionamento do sistema, atuando de forma integrada com outros
laboratórios (LACEN/BA) obedecendo aos mesmos padrões de qualidade
adotados por àquela instituição.

Quanto aos Recursos financeiros, salienta-se, que o SINVAS é financiado


com recursos públicos da União por meio de ações, programas e projetos
específicos e da sistemática de financiamento estabelecida pelas Portarias do
Ministério da Saúde Nos 1.399/99 e 01/2002 que é extensiva aos estados e
municípios por meio do atendimento à critérios e procedimentos. Destaca-se,
como formas de financiamento para a implementação e Estruturação da Vigilância
Ambiental em saúde, conforme já mencionado anteriormente o PPI-ECD e o
VIGISUS.

ATIVIDADES EXISTENTES E PROGRAMADAS

Como a Vigilância Ambiental em Saúde no município de Salvador não se


encontra estruturada, não existe Atividades Existentes e Programadas, sugerindo-
se, conforme Proposta de Estrutura para VAS às seguintes atividades
programadas, de monitoramento ambiental e de prevenção e controle (SES PB,
2003):

Para o Núcleo de Vigilância dos Fatores não Biológicos - Cadastramento


das Fontes de Abastecimento D’água e manutenção e/ ou adequação do SIS –
Água, criação de 01 (hum) Laboratórios para análise da água par consumo
humano, Implantação, em conjunto com a ANVISA, da vigilância de Agrotóxicos,
em áreas de risco” (SES/PB, 2003). Para o Núcleo de Informação e Avaliação -
levantamento de dados e analise das metas da VAS, na PPI/EC, consolidação e
59
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

analise de dados dos Programas de Controle Vetores, produção de informativo da


VAS.

Para o Núcleo de Manejo e Controle da População Animal - planejamento


da campanha de Vacinação contra Raiva Animal, acompanhamento e avaliação
das ações de profilaxia de Raiva Humana, desenvolvidas pela SMS,
Treinamentos em Profilaxia da Raiva Humana e Animal, para profissionais das
SMS e monitoramento da Raiva Animal.

Para o Núcleo de controle de Vetores - acompanhamento e avaliação das


ações de controle vetorial, desenvolvidas pelas SMS.

Para o Núcleo de Entomologia e Pesquisa Operacional - realização de


atividades inerentes a condição de Núcleo de Monitoramento da resistência de
Aedes Aegypti.

AVALIAÇÃO DAS ATIVIDADES QUANTO A SUA EFETIVIDADE

Ressalta-se que a efetividade ou eficácia das ações e/ou atividades de


Vigilância Ambiental em Saúde estão condicionadas a integração intra ou extra
setorial tendo em vista a dificuldade de “realizar atividades de vigilância e controle
de riscos ambientais para a saúde humana relacionados a qualquer de seus
fatores, sem uma avaliação e ação conjunta de todos os setores envolvidos com o
meio ambiente e a saúde humana” (VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE, 2002).

Salienta-se que a efetividade destas ações pode e deve ser avaliada


através de um conjunto de indicadores que permitam mensurar as mudanças
ocorridas com relação ao conhecimento relacionado e sua transmissão, como
também, através de práticas positivas associadas à proteção individual, domiciliar
e coletiva.

Deve-se utilizar e/ou escolher indicadores que reflitam as transformações


na qualidade de vida no decorrer das diferentes fases do projeto. Sendo assim,
deverão ser utilizados dados referentes à cobertura das ações de saneamento,
saúde, saúde do trabalhador, outros. Aliados a esses indicadores serão coletados
60
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

indicadores econômicos como, por exemplo, renda média da população e


indicadores sociais, como grau de escolaridade.

Combinadas essas informações, pode-se ter uma idéia da qualidade de


vida da população, das mudanças decorrentes da implantação das atividades
estabelecidas no projeto e da relação existente entre esses indicadores e a
presença do dengue.

INDICADORES DE SAÚDE PARA A VAS

Um importante instrumento para orientação prática das atividades


vigilância, visando o entendimento do conjunto de ações de promoção, prevenção
e controle dos riscos ambientais e a melhoria das condições de meio ambiente e
saúde das populações, é a construção ou formulação de Indicadores de Vigilância
Ambiental em Saúde, pois propicia diagnósticos mais seguros que subsidiam o
Sistema de Informação em Vigilância Ambiental em Saúde. Estes (Indicadores),
devem seguir o modelo proposto pela OMS, através da utilização de uma Matriz
de Causa-Efeito, que mostra a relação das situações de exposição do homem e
as condições de saúde e doença em que se encontram, devendo ser: os mais
específicos possíveis, sensíveis a mudanças específicas nas condições de
interesse, cientificamente imparciais, confiáveis, de máximo benefício e utilidade e
representativo das condições de interesse (INDICADORES DE VIGILÂNCIA
AMBIENTAL EM SAÚDE, 1999).

Ressalta-se que para cada setor da VAS (água para consumo humano, ar,
outros), serão definidos indicadores que vão subsidiar as ações propostas,
citando-se como exemplo a água para o consumo humano que apresenta
Indicadores da Qualidade Física (cor, turbidez, sabor e odor), Química
(alcalinidade, fósforo, DBO e DQO) e Biológicos (coliformes e algas) (MOTA,
1995), além da utilização de Indicadores de Saúde Tradicionais como Coeficiente
de Mortalidade Geral (CMG), Esperança de Vida, Mortalidade Infantil, Materna,
outros.
61
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

ATIVIDADES DE MONITORAMENTO AMBIENTAL E DE PREVENÇÃO E


CONTROLE

São atribuídas, entre outras, às seguintes atividades e/ou atribuições para


a Vigilância Ambiental em Saúde: monitorar as condições de saúde e ambiente,
assegurando a descentralização das ações e as prioridades locais (inferindo-se
as DIRES, os Distritos e, outros); utilizar indicadores que relacionem saúde e
condições de vida, produzindo estimativas da contribuição de diferentes fatores
ambientais e sócio-econômicos para problemas de saúde; analisar as
necessidades e exigências para a saúde nos vários setores do desenvolvimento,
tais como habitação, agricultura, ocupação urbana, mineração, transporte e
indústria; formular políticas de vigilância ambiental em saúde em parceria com
setores afins; promover a ênfase nas questões de saúde e ambiente, junto às
agências, organizações públicas, privadas e comunidades, em todos os níveis,
para inclusão nos seus trabalhos, planos e programas das questões referentes a
vigilância ambiental; apoiar a execução de pesquisas visando a melhor
compreensão, avaliação e gerenciamento de riscos ambientais e subsidiar as
políticas e o planejamento, a avaliação e o desenvolvimento de recursos humanos
e institucionais na área de vigilância ambiental em saúde e nos diferentes níveis
de gestão.

Da análise do contexto acima, destaca-se que algumas destas atividades


acima mencionadas (formulação de políticas, planejamento, pesquisas e, outras)
estão de acordo com a citação de Mota Apud Rouqueirol (1995), “prevenção, em
Saúde Pública, é ação antecipada, tendo por objetivo interceptar ou anular a
evolução de uma doença”.

Sendo assim, menciona-se a importância dos Sistemas de Informações de


Serviços de Saúde “Por definição, todo Sistema de Informação de Serviços de
Saúde, enquanto instrumento gerencial deve estar apto a fornecer subsídios para
a operação e organização dos serviços, auxiliando o processo de tomada de
decisão a partir do monitoramento e avaliação das ações desenvolvidas. Deve,
ainda ser capaz de facilitar a investigação e o planejamento, com vistas ao
62
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

controle de doenças. Destaca-se os Sistemas de Informação de Mortalidade


(SIM), de Nascidos Vivos (SINASC), de Agravos de Notificação (SINAN), de
Acesso à Base de dados, Sistema de Informações Ambulatoriais, Sistema de
Informações Hospitalares, e outros (ver documento A experiência da construção
de um sistema de informação geográfica em um serviço básico de assistência à
saúde Apud Moraes, 2003).

DIAGNÓSTICO EM SAÚDE AMBIENTAL, PRINCIPAIS PROBLEMAS


AMBIENTAIS DE INTERESSE PARA A VAS E COBERTURA DOS
PROBLEMAS NO ATUAL PROGRAMA

“As condições ambientais têm grande influência sobre a saúde da


população, desta forma, um ambiente onde não há água de boa qualidade, onde
os resíduos são dispostos de forma inadequada, favorecendo à proliferação de
organismos patogênicos ou de substâncias nocivas, contribui para a existência de
muitas doenças” (MOTTA, 1995).

A cidade do Salvador apresenta alguns problemas ambientais como


ausência de sistemas de esgotamento sanitário, abastecimento e coleta regular,
respectivamente, de água potável e resíduos sólidos, em determinados Bairros
como o Subúrbio Ferroviário localizado na “Cidade Baixa”, bem como, a Epidemia
da Dengue, a Qualidade do Ar Interior em Ambientes Climatizados Artificialmente
de Uso Público ou Privado como nos Shoppings Centers e a Qualidade do Ar em
áreas urbanas, sendo que este último será tratado (resumidamente) aqui com
maior ênfase, por ser um assunto de grande interesse para a Saúde Pública e
bastante difundido ou divulgado para a população e nos meios de comunicação.

Como o município de Salvador não dispõe de Serviços de Monitoramento


da Qualidade do Ar às informações abaixo mencionadas referem-se a estudos e
pesquisas realizadas nas cidades brasileiras de São Paulo e Rio de Janeiro que
contam com tais serviços, servindo para chamar a atenção da importância e
existência e Monitoramento dos Serviços da Qualidade do Ar (EPIDEMIOLOGIA
E SERVIÇOS DE SAÚDE, 2003, p.30).
63
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

Ainda este documento cita que “no Brasil, alguns estudos investigatórios
dos efeitos da poluição do ar na saúde encontraram associações estatisticamente
significantes com a mortalidade infantil, mortalidade em idosos e hospitalizações
em crianças e adultos por causas respiratórias, casos vivenciados em são Paulo e
no Rio de Janeiro”, sabendo-se que as crianças e os idosos são mais pré-
dispostos aos efeitos da poluição do ar.

É bom salientar que todos os Problemas Ambientais acima mencionados


estão cobertos ou serão monitorados por setores específicos, conforme proposta
de organograma para a VAS.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na concepção de vida atual, desenvolvimento social e populacional, e


reiterando que os recursos disponíveis para o desenvolvimento social são
restritos, existe uma preocupação muito grande dos efeitos sobre a saúde
relacionados ao meio ambiente.

Em conformidade com, Indicadores de Vigilância Ambiental em Saúde


(1999, p.02) uma resposta do Setor Saúde ao movimento geral em que todas as
atividades do homem se reúnem na busca de compatibilizar o desenvolvimento
social com as necessidades humanas, é a Estruturação da Vigilância Ambiental
em Saúde, sobressaltando: “o setor saúde passa a ter um interlocutor natural
junto aos outros setores, estabelecendo um inter-relacionamento entre questões
de desenvolvimento, ambiente e saúde, buscando dar respostas para o
atendimento das necessidades e para a melhoria da qualidade de vida das
populações”.

Entende-se, a partir desta, a grande importância dos estudos e tarefas


desenvolvidas tais, como: a análise dos processos de produção, a integração inter
e intra-institucional, o processamento e interpretação de informações visando o
conhecimento, detecção, prevenção e controle dos problemas de saúde
existentes e relacionados aos fatores ambientais. (VIGILÂNCIA AMBIENTAL,
2003)
64
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

Para que estas metas e finalidades sejam alcançadas, propõe-se de


imediato, para a VAS de Salvador a criação e/ou reestruturação do banco de
dados de seu interesse, a sistematização de informações a ela relativas, a
implementação de programas de educação em saúde e a implantação da carreira
do Agente, Técnico, Inspetor ou Fiscal de Vigilância Ambiental.

Pretende-se assim, buscar um desenvolvimento social e econômico


compatível com as necessidades humanas com participação da sociedade e
visando a melhoria da qualidade de vida em saúde de toda a população
soteropolitana.
65
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

A REORGANIZAÇÃO DAS ATIVIDADES DE SAÚDE AMBIENTAL E VIGILÂNCIA


NO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO. São Paulo: Cooperazione Italiana, 2003. 06
p.

BAHIA. Lei No 3.982, de 29 de dezembro de 1981. Dispõe sobre o Subsistema de


Saúde do Estado da Bahia, aprova a Legislação Básica sobre, promoção,
proteção, e recuperação da saúde e dá outras providências. Diário Oficial do
Estado da Bahia. Bahia, 1981.

BRASIL. Constituição Federal (1988). Constituição da República Federativa do


Brasil. Brasília. DF: Senado Federal. 1988.

BRASIL. Decreto No 3.450, de 09 de maio de 2000. Aprova o Estatuto da


FUNASA. Brasília, 2000.

BRASIL. Instrução Normativa No 01.399, de 25 de setembro de 2001.


Regulamenta a Portaria MS No 1.399, de 25 de setembro de 2001, no que
refere às competências da União, Estados, Municípios e Distrito Federal, na
área de Vigilância Ambiental em saúde. Brasília, 2001.

BRASIL. Lei No 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições


para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o
funcionamento dos serviços correspondentes e das outras providências.
Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, 1990.

________ Lei No 8.142, de 28 de dezembro de 1990. Dispõe sobre a participação


da comunidade na Gestão do SUS e sobre as transferências
intergovernamentais de recursos financeiros na área da saúde e dá outras
providências. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, 1990.

BRASIL. Norma Operacional Básica do Sistema Único de Saúde (NOB - SUS/96)


de 06 de novembro de 1996. Diário Oficial da União. Brasília, 1997.

BRASIL. Portaria No 1.399, de 15 de dezembro de 1999. Regulamenta a NOB


SUS 01/96 no que refere às competências da União, Estados, Municípios e
66
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

Distrito Federal, na área de epidemiologia e controle doenças, define a


sistemática de financiamento e dá outras providências. Brasília, 1999.

_______. Portaria No 373, de 27 de fevereiro de 2002. Aprova na Forma do Anexo


i desta Portaria, a Norma Operacional da Assistência à Saúde (NOAS-
SUS/02). Brasília, 2002.

CARRERO, A. A. Curso de Especialização em Engenharia de Segurança do


Trabalho: Legislação e Normas Técnicas. Salvador, 2000. p. 09.

CENTRO DE ESTATÍSTICAS E INFORMAÇÕES. Informações Básicas dos


Municípios Baianos. Salvador: CEI, 1994.

DIRETORIA DE VIGILÂNCIA E CONTROLE SANITÁRIA. Vigilância Sanitária e


Ambiental: Informações Gerais. Bahia: DIVISA, 2002.

EPIDEMIOLOGIA E SERVIÇOS DE SAÚDE. Rio de Janeiro, 2003.

FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. Vigilância Ambiental em Saúde. Brasília:


FUNASA, 2002.

GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA, 2002. Curso de Nivelamento para Vigilância


Ambiental em Saúde e Qualidade do Ar. Salvador: SESAB, 2002.

GOVERNO DO ESTADO DA PARAÍBA, 2003. Programa de Estruturação da


Vigilância Ambiental. João Pessoa: Secretaria de Estado da Saúde, 2003.

GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA, 1997. Políticas Sociais na Bahia: Saúde e


Saneamento. Descentralização no Brasil. Salvador: IPEA-SEI/SEPLANTEC,
1997.

GOVERNO DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO. A reorganização das atividades de


Saúde Ambiental e vigilância no município de São Paulo, mimeo, 2003.

IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo Demográfico de 2000.


Rio de janeiro, 2000. p. 01

INFORME EPIDEMIOLÓGICO DO SUS, 1999. Indicadores de Vigilância


Ambiental em Saúde. Brasília, 1999.

INSTITUTO DE SAÚDE COLETIVA. Curso de Extensão em Direito Sanitário.


Salvador: UFBA/CEPEDISA/FSP/USP/DIVISA, 2002.
67
Proposta de Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de Salvador
Ulisses Nascimento Neves Filho

INSTITUTO DE SAÚDE COLETIVA. Curso de especialização em Saúde Coletiva


com área de concentração em gestão de sistemas e serviços de saúde. Sub
Módulo Políticas de Saúde. Salvador: ISC/UFBA – UESC-UEFS-UESB, 2003.

MINISTÉRIO DA SAÚDE, 199. Secretaria de Assistência à Saúde. Brasília, 1995.

MOTA, Suetônio. Introdução à Engenharia Ambiental. Rio de Janeiro, 1995.

NETTO, G. F.; CARNEIRO, F. F. Vigilância Ambiental em Saúde no Brasil.


Revista Ciência & Ambiente. Rio de Janeiro, 2002. p. 12.

SALVADOR. Lei No 5.504, de 01 de março de 1999. Institui o Código Municipal de


Saúde. Diário Oficial do Município de Salvador. Salvador, 1999.

SECRETARIA DE ADMINISTRAÇÃO DE ARACAJU, 2003. Concurso Público


para a área de Saúde. SEAD/Aracaju, 2003.

SEGUNDO RELATÓRIO DO COMITÊ DE ESPECIALISTA DA OMS. O Controle


da Esquistossomose. Rio de Janeiro: Fiocruz, cap, 1-3 ; 5-7 ; 13 e 20, 1993.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
NÚCLEO DE ESTUDOS DE SAÚDE COLETIVA
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

A ESTRUTURAÇÃO DA VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE NO MUNICÍPIO


DE JEQUIÉ-BA: OPORTUNIDADES PARA MELHORIA DA QUALIDADE DE
VIDA

Darci Santos Silva

Adaptação da Monografia apresentada ao


Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva como
pré-requisito para a obtenção do Titulo de
Especialista em Vigilância Ambiental em
Saúde

- 2003 -
RESUMO

Este documento apresenta uma proposta ao processo Estruturação da


Vigilância Ambiental no município de Jequié/BA, com o objetivo de definir um
modelo de implantação que poderá orientar a prática da vigilância à saúde,
auxiliando na instrumentalização do Sistema de Vigilância Ambiental em Saúde,
nos diferentes níveis de gestão, sobretudo para outros municípios.

O referencial teórico compõe-se dos conceitos de saúde-ambiente, além de


levantamentos sobre articulação setorial dos serviços de vigilância à saúde,
dentro Sistema Único de Saúde-SUS. A opção metodológica foi o levantamento
bibliográfico de conteúdos relacionados ao tema proposto, com ênfase na
situação organizacional do sistema de saúde vigente, visando sempre a
identificação de fatores que possam ser incorporados ao modelo de estruturação
a ser implantado no município, além da incorporação de novos fatores ao modelo
desenvolvido.

Palavras Chaves: Vigilância Ambiental; Saúde; Vigilância Sanitária


72
A Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de
Jequié-Ba: Oportunidades para melhoria da Qualidade de Vida
Darci Santos Silva

INTRODUÇÃO

Vigilância Ambiental em Saúde: Oportunidades para melhoria da qualidade


de vida.

As políticas de Vigilância Ambiental em Saúde são influenciadas pela


dinâmica do processo de desenvolvimento do país e dos intercâmbios com outras
sociedades pelos acontecimentos, cenários, atores sociais, políticos e
institucionais e seus recursos e interações, de confronto e cooperação. Partindo
desse princípio, para compreender a trajetória das políticas desta nova forma de
vigilância, é preciso conhecer os diferentes contextos social, econômico e político
do país, buscando evitar o senso comum que, por um lado, focaliza e reduz seus
problemas e, por outro, os amplia como fossem somente seus.

Dessas características decorre a observação de que não existe uma


Vigilância Ambiental desvinculada de políticas local, regional, nacional e
internacional como também dissociada das demais formas de vigilância e dos
conhecimentos técnicos e científicos detidos por outras instituições. Por tratar-se
de uma atividade inerente ao Estado, ela “orienta a execução de ações de
controle dos fatores ambientais que interferem na saúde humana” além de
instrumentalizar princípios e políticas para o setor, em uma dada conjuntura.

O atual momento do Sistema de Saúde brasileiro configura uma arena


política e ideológica, marcada pelo conflito entre as necessidades de saúde do
dito homem moderno e os interesses da antiga cultura hegemônica do capital,
cujo principal interesse é a universalização da miséria e globalização da
excludência.

Por este motivo, principalmente nos tempos atuais, os sistemas locais de


saúde enfrentam o importante desafio de identificar seus avanços, pontos de
retrocessos e ainda de gerirem suas dificuldades, de modo a promover impacto
positivo sobre as condições de vida e saúde da população.
73
A Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de
Jequié-Ba: Oportunidades para melhoria da Qualidade de Vida
Darci Santos Silva

Caracterização do Município.

O Município de Jequié possui uma área total de 3.035 KM2, localizando-se


a uma altitude de 216 m, latitude 13’85” Sul e longitude 40’08” W. Situa-se na
região sudeste do Estado, distando 364 Km em relação à Capital Estadual,
Salvador, especificamente entre a zona da mata e Caatinga, fato este que lhe
confere um clima quente e úmido com temperaturas oscilando entre 130 (junho) e
36o (fevereiro) (IBGE, 2000). A população de Jequié possui as características
apresentas a seguir:

Quadro 01: Distribuição por Faixa Etária da População do Município de Jequié/Ba,


2000.
ASPECTOS DEMOGRÁFICOS
DADOS POPULACIONAIS
1. TOTAL 2. URBANA 3. RURAL
147.202 130.296 16.906
5. DISTRIBUIÇÃO DA FAIXA ETÁRIA
Faixa Etária SEXO TOTAL
MASC FEM.
TOTAL 71.899 75.303 147.202
Fonte: IBGE/2000

Os dados descritos acima demonstram que a população Jequieense é de


147.202 habitantes, o que, quando relacionado com a distribuição das pessoas ao
longo do espaço territorial, apresenta uma densidade demográfica de 48.5
hab/km2. Assim, é importante ressaltar que, de acordo com o IBGE 2000, o
crescimento vegetativo da população Jequieense é negativo (-2.88%), vez que a
população estimada para o ano 2000 era de 183.472. Evidenciando a
predominância da população urbana, com a concentração de 88.5 % do
contingente populacional nesta área, conseqüência do êxodo rural. Uma das
principais conseqüências de tal fato é a deposição de grandes massas
populacionais nas periferias da cidade, desempenhando atividades de
subemprego e constituindo os chamados “Bolsões de Pobreza” (IBGE, 2000).
74
A Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de
Jequié-Ba: Oportunidades para melhoria da Qualidade de Vida
Darci Santos Silva

Outro dado que também pode ser percebido ao observarmos o quadro 01 é


o fato de que há uma equivalência percentual entre a população masculina
(48.80%) e feminina (51.20%). Tal fato é de grande importância Epidemiológica
visto que, devido ao processo de apropriação histórico-cultural do gênero
masculino no que se refere às relações de trabalho (geralmente extradomiciliar,
braçal), causas externas e permissividade cultural (maior aceitação de alguns
costumes, vícios e comportamentos), morrem um número maior de homens em
relação às mulheres, gerando desagregação familiar, aumento dos gastos com a
previdência social devido ao pagamento de pensões e benefícios etc.

Aspectos Ambientais

São notáveis as transformações pelas quais a paisagem natural de Jequié


vem sendo submetida. Tal fato pode ser demonstrado principalmente na morte
precoce da grande maioria dos principais rios da região, inclusive o Rio de Contas
e Jequiezinho (que cortam a cidade), promovida principalmente pela retirada de
areia de seus leitos e lançamento de dejetos domiciliares e industriais. Também
são freqüentes as queimadas e o desmatamento com a finalidade de cultivar
pastos para a criação de gado de corte e produção de leite.

O órgão responsável pelo saneamento básico da cidade é a Empresa


Baiana de Água e Saneamento S/A – EMBASA. Segundo informações da referida
empresa, 31.415 (81 %) domicílios são abastecidos com água tratada, sendo que
destes apenas 18.535 (59%) possuem hidrômetro. Na maioria dos distritos o
abastecimento é realizado através da simples captação, armazenagem e
distribuição sem que a mesma sofra qualquer processo de tratamento; ao passo
que em outros a água consumida é proveniente de poços artesianos, nascentes,
fontes e rios.

No que se refere ao esgotamento sanitário, 17.278 (55%) residências são


ligadas à rede de esgoto geral, tendo seus dejetos tratados em moderna estação
de tratamento. Quando lançados ao meio ambiente, os mesmos encontram-se em
condições compatíveis com a saúde e preservação da natureza.
75
A Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de
Jequié-Ba: Oportunidades para melhoria da Qualidade de Vida
Darci Santos Silva

A coleta de lixo é realizada pela Prefeitura Municipal – Departamento de


Obras. Nas áreas centrais da cidade as coletas são diárias com rotas e horários
preestabelecidos. Nas áreas periféricas, são utilizados contêineres para
armazenagem, donde são recolhidos de 02 em 02 dias. O destino final de tais
produtos é um aterro sanitário, localizado aproximadamente 08 Km em relação ao
centro da Cidade.

ESTRUTURAÇÃO DA VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

Marco Legal

A principal iniciativa no âmbito do Ministério da Saúde, relacionadas à


temática entre saúde e ambiente, é a estruturação de uma área de vigilância
ambiental em saúde na FUNASA.

Para a implementação da Vigilância Ambiental em Saúde já existem


instrumentos legais do SUS, definidos por meio de leis, decretos e portarias.

A Lei n.º 8.080, de 19 de setembro de 1990, que nos artigos 3º, 6º, 7º, 15º
e 16º, se refere à organização do Sistema Único de Saúde (SUS) e as atribuições
relacionadas à área de saúde ambiental, conforme transcrito a seguir:

A Portaria nº 1.399, de 15 de dezembro de 1999, regulamenta a NOB SUS


01/96 no que se refere às competências da União, estados, municípios e do
Distrito Federal, na área de epidemiologia e controle de doenças e define a
sistemática de financiamento; define os critérios para habilitação e certificação de
estados e municípios e estabelece a competência da FUNASA, dos estados, dos
municípios e do Distrito Federal, na gestão do Sistema Nacional de Vigilância
Epidemiológica e Ambiental em Saúde.

O Decreto nº 3.450, de 9 de maio de 2000, aprova o estatuto da FUNASA,


estabelecendo como sua competência a gestão do Sistema Nacional de Vigilância
Epidemiológica e Ambiental em Saúde.
76
A Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de
Jequié-Ba: Oportunidades para melhoria da Qualidade de Vida
Darci Santos Silva

A Portaria FUNASA nº 410, de 10 de agosto de 2000, aprova o Regimento


Interno da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), estabelecendo, nos artigos
92°, 93° e 94° as competências da Coordenação Geral de Vigilância Ambiental
em Saúde (CGVAM), no âmbito do CENEPI.

Aspectos Gerais

Em linhas gerais, a Vigilância Ambiental em Saúde está estruturada da


seguinte forma: No âmbito da União, existem diversos órgãos que desenvolvem
projetos e ações relacionados à saúde ambiental, são eles:

• FUNASA, responsável pela implementação e coordenação;

• Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA, responsável pela


fiscalização de produtos, serviços de saúde, ambientes de trabalho e
ambientes de risco à saúde pública;

• Fundação Oswaldo Cruz - FIOCRUZ, responsável pelo


desenvolvimento de diversos programas e projetos de ciência e
tecnologia e desenvolvimento de recursos humanos em saúde
ambiental;

• Secretaria de Políticas de Saúde – SPS/MS coordena ações no


Programa Cidade dos Meninos através do Departamento de Ciência
e Tecnologia, além de coordenar o Grupo Técnico de Saúde do
Trabalhador pelo Departamento de Ações Programáticas;

• Assessoria de Assuntos Internacionais – AISA/MS coordena e


articula os trabalhos referentes ao cumprimento de acordos
internacionais na área de saúde ambiental.

Devido ao seu caráter integrador a estruturação e a operacionalização da


Vigilância Ambiental em Saúde demandam articulação com outros ministérios
como o Ministério do Meio Ambiente, Ministério do Trabalho, Ministério das
77
A Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de
Jequié-Ba: Oportunidades para melhoria da Qualidade de Vida
Darci Santos Silva

Relações Exteriores, Ministério da Educação e o Ministério do Planejamento,


além de outros órgãos e agências do Governo Federal.

Organização e Funcionamento da Saúde no Município.

A Secretaria Municipal de Saúde foi criada através de Lei 187/91 de 02 de


Janeiro de 1991. Em 24.12.1997, como conseqüência do avanço no processo
de Municipalização das Ações de Saúde, a mesma foi modificada pelo Legislativo
Municipal através da Lei no 1433/97. Nesta ocasião, criou-se Departamentos e
processou-se a extinção de alguns cargos. Assim, atualmente encontra-se
estruturada da seguinte forma:

• Secretário de Saúde;

• Departamento de Planejamento Acompanhamento e Avaliação;

• Departamento Administrativo e Financeiro.

• Departamento de Auditoria;

• Departamento de Assistência à Saúde;

• Departamento de Vigilância Sanitária e Ambiental;

• Departamento de Vigilância Epidemiológica e Saúde do


Trabalhador;

Em março de 2001 a Secretaria Municipal de Saúde assumiu a Gestão


Plena do Sistema Municipal de Saúde (NOB/SUS 01/96), tendo sido adequada
conforme requisito da NOAS/SUS/2001, em 21 de setembro de 2001 (Comissão
Intergestora Bipartite).

A locação de serviços e distribuição do poder de decisão é dada segundo o


organograma a seguir:
Organograma - Estrutura da Secretaria Municipal de Saúde de Jequié.

Prefeito

Secretária da Saúde Conselho


Municipal de

Departamento de Planejamento, Departamento de Auditoria


Acompanhamento e avaliação
CC2

Coord. Núcleo de Informações de saúde

Departamento Administrativo Departamento de Assistência a Departamento de Vigilância Departamento de Vigilância


Financeiro Saúde Sanitária Epidemiológica e Ambiental
CC2 e Ambiental CC2

Coord. Serv. Financeiro Coord. Serv. Médicos Coord. Serv. Vig. Epidemiológica
Coord. Serv. Administrativo Coord. Serv. Odontológicos Coord. Serv. Saúde do Trabalhador
Coord. Serv. R. Humanos Coord. Serv. Enfermagem Coord. Serv. Alimentar e Nutricional
Coord. Material e Patrimônio Coord. Serv. Saúde Comunidade
79
A Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de
Jequié-Ba: Oportunidades para melhoria da Qualidade de Vida
Darci Santos Silva

De acordo com a estrutura descrita acima, as atividades relacionadas à


vigilância e controle de riscos ambientais para a saúde humana no município de
Jequié são de competência da Vigilância Sanitária e Ambiental. As ações
desenvolvidas nesta área dividem espaço com outras relacionadas à vigilância de
produtos, serviços de saúde, medicamentos, além de outras que compõem o
âmbito da vigilância sanitária.

Sabendo que a vigilância ambiental possui caráter integrador e, salientando


que a sua implementação demanda de uma sistematização, principalmente na
determinação das atribuições de cada componente desse sistema, se faz
necessária então, a criação de uma subcoordenação dentro do Departamento de
Vigilância Sanitária, que concentre ações no campo de saúde e ambiente.

Diante da atual estrutura da saúde no município, não se torna possível a


organização de uma vigilância ambiental atuante. Tal fato é expresso, pela falta
de capacitação dos profissionais que atuam nos órgãos que a ela estão ligados.
Como por exemplo: a Vigilância Epidemiológica desenvolve ações de combate a
vetores, e todos os projetos que são desenvolvidos no município, somente são
para combate, tratamento, e outras medidas terapêuticas. Em alguns casos não
conseguem sequer exterminar um foco, devido à dificuldade enfrentada pelos
agentes em entrar em determinado local (residência, estabelecimento comercial,
etc.). A existência de uma vigilância ambiental estruturada resolveria este
problema, visto que sua articulação com outros órgãos como Promotoria,
Secretaria de Segurança Pública, dentre outros, concentraria os esforços obtendo
maior resolutividade.

As atividades relacionadas ao controle e monitoramento ambiental no


município ficam na dispensação do governo do estado através do Centro de
Recursos Ambientais-CRA, Secretaria de Recursos Hídricos-SRH, e Instituto
Brasileiro de Meio Ambiente-IBAMA. Porém, a visão de ambiente existente nestes
órgãos, é completamente dissociada às questões de saúde da comunidade, pois
se uma empresa que emite poluentes atmosféricos passa por uma inspeção
ambiental, das observações proferidas, estão os lançamentos sanitários e
atmosféricos, se é possuidor de fossa séptica e filtros de fumaça, além de outros.
80
A Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de
Jequié-Ba: Oportunidades para melhoria da Qualidade de Vida
Darci Santos Silva

Porém não se questiona se o referido estabelecimento atende às condições


mínimas de higiene; se as atividades desenvolvidas constituem-se em atividades
de risco à saúde dos trabalhadores. Demonstrando uma fragmentação do grande
conjunto ambiente e saúde.

Faces da Problemática Saúde/Ambiente

São muitos os problemas ambientais existentes em Jequié. Se partirmos


do princípio da relação dos fatores físicos com os de saúde, veremos que os
maiores problemas existentes são de interesse da saúde.

• Falta de saneamento básico em algumas regiões periféricas do


município, levando as pessoas a utilizarem fontes alternativas de
obtenção de água para seu consumo, estando esta última, na
maioria das vezes contaminada;
• Poluição dos rios, contribuindo para a proliferação de elevada
incidência de esquistossomose mansônica, conforme dados
levantados pela Secretaria Municipal de Saúde;
• Elevada incidência de cisticercose, atribuído ao consumo de carne
de porco criados em meio aos esgotos a céu aberto existentes nos
bairros mais pobres da periferia e até mesmo na zona rural;
• Elevada incidência de dengue na população geral do município;
• Elevada incidência de leishmaniose tegumentar na população
periférica e rural, provenientes do desmatamento florestal; da
extinção de espécies animais (hospedeiros primários); fatores
culturais, relacionados à utilização dos recursos naturais; fatores
econômicos;
• Grande incidência de problemas de saúde relacionados ao ambiente
de trabalho, provenientes das empresas de grande porte dos
diversos setores como: calçados, construção civil, exploração de
pedras, dentre outras;
• Embora o município também desenvolva atividades ligadas à
agricultura, não se tem constatado a existência de maiores
problemas relacionados a utilização de agrotóxicos, fato este
justificado, talvez, pelo tamanho dessas culturas.

Os problemas descritos acima representam a cristalização das


necessidades da população em relação aos serviços de saúde e modos de vida,
81
A Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de
Jequié-Ba: Oportunidades para melhoria da Qualidade de Vida
Darci Santos Silva

tendo todos eles um condicionamento ambiental. Sua identificação, transforma


esta parte do estudo em um momento de extrema importância à reorientação
estratégica da política de saúde no nível local, fazendo com que o enfrentamento
dos mesmos se torne, além de um desafio uma necessidade.

PROPOSTAS PARA ESTRUTURAÇÃO DA VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM


SAÚDE NO MUNICÍPIO

A implantação da Vigilância Ambiental em Jequié, seguiria ao modelo


adotado pelo Estado da Bahia, onde se encontra inserida dentro da Vigilância
Sanitária e Ambiental, embora já se tenha definido o seu papel. Na estruturação
dos serviços, o Departamento de Vigilância Sanitária e Ambiental passaria por
uma reformulação onde seriam criadas algumas coordenações:

• Coordenação de Alimentos;

• Coordenação de Vigilância Ambiental em Saúde;

• Coordenação dos Serviços de Saúde;

• Coordenação de Medicamentos.

Vigilância Sanitária e Ambiental

Coordenação de Coordenação de Vigilância Coordenação dos Coordenação de


Alimentos Ambiental em Saúde Serviços de Saúde Medicamentos

Riscos Riscos Não


Biológicos Biológicos

Vetores Hospedeiros Reservatórios Água Solo Ar Contaminantes Desastres


82
A Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de
Jequié-Ba: Oportunidades para melhoria da Qualidade de Vida
Darci Santos Silva

Vale salientar, que este modelo de estruturação não significa fragmentar a


vigilância sanitária e ambiental, mas, sobretudo organizá-la, a fim de que suas
ações sejam melhor desenvolvidas.

Dentro desta perspectiva, faz-se necessário, que o município através de


seus gestores, amplie a redação do código de postura existente atualmente,
incorporando a este, competências relacionadas ao controle do meio ambiente,
como condicionante da qualidade de saúde da comunidade.

A atuação da Vigilância Ambiental em Saúde requer uma articulação com


os diversos segmentos que compõem a sociedade a fim de tornar efetiva a sua
atuação. Existem no município alguns órgãos, oficiais ou na; setores da
comunidade que desenvolvem alguns programas e projetos relacionados ao meio
ambiente que por sua vez correlaciona-se com a saúde:

- O Centro de Recursos Ambientais (CRA), responsável pelo controle e


proteção do meio ambiente no município e região;
- A Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), responsável pelo controle dos
recursos hídricos do município, trabalhando na preservação das bacias
hidrográficas existentes na região;
- A Secretaria de Desenvolvimento Econômico Municipal, responsável pela
elaboração e implementação de projetos voltados ao desenvolvimento
municipal;
- O Departamento de Vigilância Epidemiológica e Saúde do Trabalhador,
responsável pelo controle dos fatores de riscos biológicos (vetores,
hospedeiros, animais peçonhentos) e saúde do trabalhador;
- O Departamento de Vigilância Sanitária e Ambiental (DEVISAM),
responsável pela fiscalização de produtos e serviços de saúde bem como
dos fatores de risco não biológicos (qualidade da água para consumo
humano, contaminantes ambientais)
- A Secretaria de Infra Estrutura e Meio Ambiente; responsável pelos
projetos de desenvolvimento urbano, arborização, saneamento, coleta
seletiva de lixo;
83
A Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de
Jequié-Ba: Oportunidades para melhoria da Qualidade de Vida
Darci Santos Silva

- O Ministério Público gerencia e fiscaliza, os recursos destinados ao


desenvolvimento de projetos na área ambiental, bem como atua em
conjunto com outros órgãos para efetivação de suas atividades;
- O Corpo de bombeiros, responsável pelo combate à incêndios, controle de
produtos perigosos e atividades de risco à comunidade;
- O Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST), atua na
fiscalização dos ambientes de trabalho verificando a exposição dos
trabalhadores a determinados fatores de risco, no tratamento de saúde
ocupacional;
- A Empresa Bahiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), atua na
implantação e implementação de projetos relacionados à agricultura;
- A Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (ADAB), responsável pela
fiscalização dos produtos de origem animal, controle da pecuária;
- O Grupo Ecológico Rio das Contas (GERC), órgão não-governamental,
atua no desenvolvimento de projeto de prevenção da mata atlântica, na
conservação dos recursos hídricos, acompanhando o uso dos recursos
utilizados pelo gestor municipal no desenvolvimento dos projetos;

Tendo em vista a necessidade de uma assessoria para implantação e


implementação da Vigilância Ambiental em Saúde, é necessário, a articulação do
município com outros órgãos nas instâncias estaduais e federais para fomentar e
apoiar a estruturação. No âmbito da saúde, por exemplo, caberá aos órgãos do
Estado (SESAB/DIVISA) a elaboração da Programação Pactuada Integrada (PPI)
em conjunto com o município, e apoio a estruturação através do Projeto VIGISUS,
além de outras fontes de financiamentos.

Para esta estruturação, o município deverá dispor de uma equipe


multiprofissional articulada e capacitada, que possibilite para uma maior
resolutividade dos problemas a serem enfrentados. Dessa forma é imprescindível
a qualificação do corpo técnico de níveis superior e médio, em cursos
relacionados a esta área de conhecimento, geralmente fornecidos pela
coordenação estadual. Também não podemos deixar de citar a criação de termos
de cooperação técnica entre as instâncias que já desenvolvem atividades
84
A Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de
Jequié-Ba: Oportunidades para melhoria da Qualidade de Vida
Darci Santos Silva

relacionadas com o meio ambiente e saúde, como ONG’s, Universidades e outros


órgãos oficiais e não oficiais.

A estrutura referida poderá assumir algumas reformulações, na medida que


suas atividades demonstrarem necessidades.

CONCLUSÃO

A estruturação de uma vigilância, que atenda às exigências adequadas ao


bom desenvolvimento do município, preservando a sua integridade física e de sua
população, nem sempre é um caminho fácil, pelo contrário, é longo e as
mudanças continuarão sendo as mais difíceis, pois sabemos que os modelos de
desenvolvimento econômico defendidos atualmente têm sido inversamente
proporcionais à preservação ambiental e, aliado ao modelo de saúde médico-
assistencialista, torna ainda mais difícil se trabalhar devido a sua complexidade,
exigindo abordagens inovadoras, criativas, com bases técnico-científicas.

A reavaliação dos problemas de saúde relacionados ao meio ambiente,


com uma visão otimista, nos permite adquirir uma habilidade emocional, e um
maior crescimento como pessoa, melhorando as relações indivíduo-ambiente,
tornando-as mais saudáveis. Sendo que, para começar, devemos adotar uma
visão panorâmica da reação que temos à vida, fruto de um aprendizado. É
necessário desaprender maus hábitos e aprender novos valores, novas formas de
agir, pensar e encarar “os problemas”, não permitindo o estado de inércia e de
solidão como ator desse novo processo de mudança.

“Assim, para se entender e intervir na saúde, no momento atual, torna-se


necessário combinar distintas abordagens e enfoques, reestruturação produtiva
na globalização da economia, mudanças urbanas, transformações
organizacionais do trabalho, fatores de riscos industriais e ambientais e aspectos
de saúde psicofísica do trabalhador” (DIAS, 2000).

Durante a análise deste estudo, podemos concluir que a Secretaria


Municipal de Saúde de Jequié possui em sua estrutura um sistema de
85
A Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de
Jequié-Ba: Oportunidades para melhoria da Qualidade de Vida
Darci Santos Silva

gestão/gerência dos serviços de Saúde do tipo participativo, com a formação do


Conselho Local de Saúde paritário e deliberativo, favorecendo a construção e
implementação de um sistema Integrado de Vigilância Ambiental em Saúde.

Como ficou evidenciado, a discussão saúde e ambiente aponta para a


necessidade imediata de se rever à forma como é exercida e praticada a gestão
do meio ambiente e da vigilância em saúde mo município de Jequié. A
estruturação de uma nova forma de vigilância, de caráter integrador, buscando a
reorientação do modelo de saúde rompendo o paradigma ambiental vigente e
estabelecendo uma relação de co-responsabilidade entre os atores sociais com
as questões da coletividade corroborando para uma melhor qualidade de vida.

BIBLIOGRAFIA REFERIDA E CONSULTADA

BRASIL, 1990. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as


condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização
e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências.
Brasília.

BRASIL, 1999. Portaria nº 1.399, de 15 de dezembro de 1999. Regulamenta a


NOB SUS 01/96 no que se refere às competências da União, estados,
município e Distrito Federal na área de epidemiologia e controle de doenças,
define a sistemática de financiamento e dá outras providências. Brasília.

BRASIL, 2001. Instrução Normativa nº 1, de 25 de setembro de 2001.


Regulamenta a Portaria MS n.º 1.399, de 15 de dezembro de 1999, no que se
refere as competências da União, estados, municípios e Distrito Federal,na
área de vigilância ambiental em saúde. Brasília.

Brasil. Fundação Nacional de Saúde. Vigilância ambiental em saúde/Fundação


Nacional de Sáude. – Brasília: FUNASA, 2002.
86
A Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Município de
Jequié-Ba: Oportunidades para melhoria da Qualidade de Vida
Darci Santos Silva

CÂMARA, V. de M. e Galvão, L.A.C. (1995). A patolodia do trabalho numa


perpecitva ambiental. In Mendes, A Patologia do Trabalho. São Paulo, Editora
Atheneu.

COSTA, E. A., 1999. Vigilância Sanitária. Proteção e defesa da saúde. São Paulo:
Ed. Hucitec e Sociedade Brasileira de Vigilância de Medicamentos.

DIAS, E.C.; JÚNIOR, M.F Organização da atenção à saúde no trabalho. Temas


básicos para o profissional que cuida da saúde dos trabalhadores. São Paulo:
Editora Roca Ltda, 2000. 357 p.

IBGE. Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo


Demográfico brasileiro de 2000. Rio de Janeiro, 2003.

MENDES, E. V. Um novo paradigma sanitário: a produção social da saúde. São


Paulo: Hucitec, 1996, cap. 4, p. 233-300.

OPAS (Organização Panamericana da Saúde), 2000. Atenção Primária


Ambiental.Washington DC

TAMBELLINI, A.T. & Câmara, V. M. A temática saúde e ambiente no processo de


desenvolvimento do campo de saúde coletiva: Aspectos históricos,
conceituais e metodológicos. Ciência e Saúde Coletiva, Abrasco, RJ Ciência
& Saúde Coletiva. Vol 3(2):47-59.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
NÚCLEO DE ESTUDOS DE SAÚDE COLETIVA
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

ESTRUTURAÇÃO DA VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE NO ESTADO DO


ACRE

Sheila Andrade Vieira

Adaptação da Monografia apresentada ao


Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva como
pré-requisito para a obtenção do Titulo de
Especialista em Vigilância Ambiental em
Saúde

- 2003 -
RESUMO

Esta monografia tem como objetivo a estruturação do nível estadual do


sistema de vigilância ambiental em saúde do Estado do Acre, com o apoio à
estruturação dos núcleos de vigilância ambiental no nível municipal do sistema e
a integração intersetorial do sistema estadual de vigilância ambiental na busca de
soluções para os problemas relacionados ao meio ambiente e ao homem.
Realizou-se um levantamento no que vem sendo discutido no mundo e no Brasil,
apresentando as realizações efetuadas no nível local mesmo que de forma ainda
discreta. Para isto, foram realizadas entrevistas abertas com funcionários de
setores afins à Vigilância Ambiental em Saúde da administração estadual, com
objetivo de identificar as atividades ligadas ao meio ambiente e à saúde que vem
sendo desenvolvidas por alguns setores. São descritos aspectos históricos,
geográficos e ambientais do Estado, a importância desse setor dentro da
organização da saúde, visando a eficiência e a eficácia nos estudos e análises
acerca do adoecer do homem e sua intrínseca relação com o meio ambiente,
tendo como ponto de partida a identificação dos fatores biológicos e não
biológicos. Destacam-se os indicadores de vigilância ambiental em saúde, com a
finalidade de direcionar e auxiliar os estudos, sem perder a visão da importância
do trabalho interdisciplinar, o trabalho em conjunto das vigilâncias, saúde do
trabalhador, a articulação com os diferentes atores institucionais públicos,
privados e com a comunidade.
91
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

INTRODUÇÃO

Este trabalho inicia-se fazendo um breve levantamento bibliográfico de


como surgiu a preocupação da vigilância ambiental em saúde no mundo, o
surgimento das políticas públicas relacionadas ao ambiente saúde.

A intrínseca ligação com as vigilâncias epidemiológica e sanitária, saúde do


trabalhador, são aqui descritas levando em consideração a importância da
interdisciplinaridade para um estudo que busque prevenir os riscos e efeitos
adversos à saúde e ao ambiente, são também abordados neste trabalho os
indicadores de vigilância ambiental, fundamentais para conhecimento integrado
da realidade saúde/ambiente nos levantamento feitos pelas vigilâncias ou órgãos
afins da vigilância ambiental.

Está apresentado neste texto um breve histórico da questão ambiental no


Brasil, com ênfase nas legislações nas três esferas de governo, chegando ao
Estado do Acre, onde se procura mostrar um pouco dos aspectos históricos e
geográficos, como também os aspectos sócio-ambientais. Segue uma avaliação
da estruturação da vigilância ambiental em saúde, suas atividades realizadas por
área, identificando os setores internos e externos que tem afinidades com a
vigilância ambiental, chegando, por fim na proposta de estruturação da vigilância
ambiental em saúde no Estado do Acre, onde se procurou respeitar as
características geográficas da região.

Com este estudo espera-se contribuir para o entendimento do processo a


vigilância ambiental em saúde e a necessidade de sua estruturação no Estado do
Acre.
92
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

OBJETIVOS

Geral

Estruturar o nível estadual do sistema de vigilância ambiental em saúde do


Estado do Acre.

Específicos

• Apoiar a estruturação dos núcleos de vigilância ambiental no nível


municipal do sistema, através de assessoramento técnico;
• Capacitar recursos humanos para operacionalização das ações de nível
municipal do sistema de vigilância ambiental;
• Realizar acompanhamento e visitas técnicas de supervisão ao nível
municipal;
• Efetivar o sistema estadual de vigilância ambiental no Acre objetivando a
integração intersetorial.

METODOLOGIA

Inicialmente realizou-se um levantamento bibliográfico junto a autores que


trabalham a questão da vigilância ambiental em saúde, como também a busca de
informações sobre a situação sócio-ambiental do Estado do Acre nos órgãos
ligados à administração estadual, no IBGE, em jornais e na Internet. Foram
realizadas entrevistas abertas com funcionários de setores afins à Vigilância
Ambiental em Saúde da administração estadual, com objetivo de identificar: As
atividades ligadas ao meio ambiente e à saúde que vem sendo desenvolvidas
pelo seu setor.

Não se adotou questionários devido ao tempo limitado para elaboração da


pesquisa, como também, para deixar as pessoas (funcionários) à vontade para
repassar as informações solicitadas.
93
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

A pesquisa tem a finalidade de reunir em um único trabalho informações


gerais da vigilância ambiental em saúde através da literatura científica. Desta
forma, foi elaborado um projeto de estruturação da vigilância ambiental do Estado
do Acre para ser desenvolvido em duas etapas:

A primeira etapa será a estruturação do nível estadual para implantação


das ações de vigilância ambiental na Secretaria de Estado de Saúde do Acre e o
apoio estrutural à implantação dos núcleos no nível municipal, através da
aquisição de materiais permanentes, equipamentos de informática e unidades
móveis.

Na segunda etapa serão realizadas capacitações de recursos humanos


para operacionalização das ações nos níveis estaduais e municipais. Porém, os
cursos e treinamentos serão realizados em todos os municípios do Estado. Os
técnicos capacitados em cada município efetuarão o sistema de vigilância
ambiental no Estado.

POLÍTICAS GERAIS DE INTERESSE DA VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

Grandes questões de âmbito mundial são hoje discutidas enfatizando o


relacionamento das características do ambiente com a saúde. Muitas delas foram
incorporadas na luta pela cidadania, entre as quais podem ser citadas: as
alterações terrestres e do ecossistema aquático que provocaram mudanças de
condições específicas provocando agravos à saúde; o aumento da prevalência de
câncer de pele associado à destruição da camada de ozônio; as mudanças de
temperatura e sua influência na dispersão de contaminantes, ocorrendo a
distribuição de várias patologias, com destaque para as doenças infecciosas,
causadas pela interferência ambiental na presença de vetores (TAMBELLINI e
CÂMARA, 1998).

Embora as populações possam ser afetadas por desastres naturais como


erupções vulcânicas ou depósitos naturais de substâncias de elevada toxicidade,
na quase totalidade as poluições ambientais de grandes proporções têm como
principal origem os processos produtivos.
94
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

A relação entre o ambiente e o padrão de saúde de uma população define


um campo de conhecimento referido como “saúde ambiental” ou “saúde e
ambiente”. Segundo a Organização Mundial de Saúde, esta relação incorpora
todos os elementos e fatores que potencialmente afetam a saúde (TAMBELLINI e
CÂMARA, 2002).

Durante um longo período da história as questões ambientais relacionadas


à saúde eram preocupações praticamente exclusivas de instituições voltadas ao
saneamento básico. Na década de 70, com o agravamento dos problemas
ambientais causados pelo crescimento industrial surgiram novas instituições, que
contribuíram para o desenvolvimento de ações de controle de poluição, mas sem
vínculo direto com o sistema de saúde (TAMBELLINI e CÂMARA, 1998).

A saúde do trabalhador foi o elo existente entre as questões do sistema de


saúde e a saúde ambiental, contribuindo para o aumento das preocupações com
os problemas de saúde relacionados com o ambiente (TAMBELLINI e CÂMARA,
1998).

Neste período, crescem os movimentos ecológicos, organização não-


governamentais - ONGs e outras formas organizadas da sociedade civil pela
preservação e conservação do meio ambiente e da saúde. (OPAS, 2000;
TAMBELLINI e CÂMARA, 1998).

A participação ativa da comunidade organizada é importante durante o


processo em busca do desenvolvimento sustentável. Para isso, necessita-se
desenvolver e implantar estratégias que permitam à comunidade participar da
análise de suas próprias necessidades e desenvolver possíveis soluções ou
inovações (OPAS, 2000; TAMBELLINI e CÂMARA, 1998).

Reuniões internacionais sobre saúde, ambiente e desenvolvimento


sustentável vêm sendo realizadas nos últimos anos no intuito de assumirem
compromissos internacionais para melhorar ou amenizar a situação de saúde e o
meio ambiente no mundo. Eventos como a Conferência das Nações Unidas sobre
o Meio Ambiente e o Desenvolvimento ou Cúpula da Terra (ECO – 92, Rio de
Janeiro, 1992); a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento
95
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

Sustentável dos Pequenos Países Insulares em Desenvolvimento (SIDS,


Barbados, 1994); a Conferência de Cúpula das Américas (Miami, 1994); a
Conferência Pan-Americana sobre Saúde e Ambiente no Desenvolvimento
Humano Sustentável (COPASADHS) Washington, D.C., 1995 e as Reuniões de
Cúpula de Santa Cruz de la Sierra (Bolívia, 1996) e Santiago (Chile, 1998);

A Conferência Internacional sobre Atenção Primária à Saúde (APS),


reunida em Alma-Ata, URSS, em setembro de 1978, reiterou firmemente: “que a
saúde, estado de completo bem-estar físico, mental e social e não somente a
ausência de enfermidade ou doença, é um direito humano fundamental e que o
alcance do maior grau possível de saúde é um objetivo social sumamente
importante em todo o mundo, cuja realização exige a intervenção de muitos
outros setores sociais e econômicos, além do da saúde”;

A 25º Conferência Sanitária Pan-Americana, reunida em setembro de 1998,


na cidade de Washington, aprovou as orientações estratégias e programáticas
(OEP) para o período 1999 – 2002, que constituem os delineamentos de políticos
para a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e estão dirigidas ao
alcance da meta mundial de saúde para todos no século XXI; evidenciam que a
conservação e proteção da saúde e do ambiente são o centro da preocupação do
novo modelo de desenvolvimento a ser impulsionado pelos países.
Desenvolvimento humano sustentável (OPAS, 2000; CÂMARA, 2002).

Além dessas reuniões internacionais sobre saúde e meio ambiente, existe


a preocupação com o assunto por parte das organizações internacionais como
Organização Mundial de Saúde – OMS, a Organização Pan Americana de Saúde
– OPAS, o UNICEF. Os governos assumiram compromissos e responsabilidades
e estabeleceram mandatos para orientar a ação dos organismos internacionais e
inter-governamentais (OPAS, 2000).

Para implementar e cumprir os acordos e planos de ações estabelecidos


nas reuniões internacionais à cerca da saúde, meio ambiente e desenvolvimento
sustentável, se faz necessária uma ação multissetorial coordenada, a fim de
assegurar que os distintos setores assumam suas responsabilidades de atuar
sobre os problemas de saúde ambiental em suas respectivas áreas e jurisdições.
96
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

A autonomia dos Estados (em termos de liberdade e responsabilidade) na


promoção ao desenvolvimento econômico tem que estar assegurada. No entanto
este desenvolvimento responda às necessidades de desenvolvimento humano,
das gerações presentes e futuras, incluindo a associação entre desenvolvimento,
proteção do ambiente, preservação da saúde e promoção do bem-estar humano
de forma sustentável.

A VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE NO BRASIL

Ao longo do desenvolvimento das vigilâncias no Brasil, aconteceram fatos


que caracterizam episódios epidêmicos, acidentes e intoxicações. Eles tiveram
como origem situações de risco presentes no ambiente e na saúde humana, que
foram enfrentados indistintamente pelas vigilâncias epidemiológica ou sanitária
nos diferentes estados brasileiros. Com a implantação do Projeto VIGISUS, pelo
Ministério da Saúde, a Fundação Nacional de Saúde iniciou um processo de
institucionalização das ações de vigilância ambiental em saúde que foi
intensificado em 2001 através da estruturação do Sistema Nacional de Vigilância
em Saúde (SINVAS). Este foi regulamentado pela Instrução Normativa Nº. 1 de
25 de setembro de 2001 da Fundação Nacional da Saúde - Ministério da Saúde
que definiu competências no âmbito federal, dos estados, do Distrito Federal e
dos municípios, para estes fins (NETTO e CARNEIRO, 2001).

Este sistema define a vigilância ambiental em saúde como: “Um


conjunto de ações e serviços prestados por órgãos e entidades
públicas e privados, visando o conhecimento, a detecção ou
prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e
condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde
humana, com a finalidade de recomendar e adotar medidas de
prevenção e controle dos fatores de risco relacionados às
doenças e outros agravos à saúde”.(FUNASA, 2001; NETTO e
CARNEIRO, 2001).

Dando prioridades para intervenção:

“Fatores biológicos representados pelos vetores, hospedeiros,


reservatórios e animais peçonhentos e fatores não biológicos, que
incluem a qualidade da água para consumo humano, ar, solo,
97
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

contaminantes ambientais, desastres naturais e acidentes com


produtos perigosos” (FUNASA, 2001).

No Brasil, as principais questões ambientais relacionadas com as


condições de saúde incluíram: o aumento da poluição atmosférica nas grandes
cidades e sua relação com a morbidade e mortalidade, principalmente em idosos;
o processo acelerado de penetração e instalação das relações de produção
capitalista “modernizadoras” na Amazônia, caracterizadas como novas fronteiras
de expansão econômica, trouxeram mudanças no ambiente característico da
região de modo a determinar agravamentos do quadro endêmico e epidêmico de
determinadas morbidades; os depósitos de lixo urbano e de resíduos perigosos
que contaminam o solo por metais pesados; a utilização de substâncias químicas
de elevada toxicidade, tais como pesticidas na agricultura, chumbo, benzeno e
outros na indústria, mercúrio em atividades de mineração, que levam a quadros
sanitários com agravos de diferentes gravidades (TAMBELLINI e CÂMARA,
1998).

Aos pesticidas, além dos riscos gerados no desenvolvimento do trabalho


agrícola e consumo dos produtos, foram acrescidas novas situações relacionadas
com seus resíduos (TAMBELLINI e CÂMARA, 1998).

A portaria Nº. 125/FUNASA, de 14 fevereiro de 1999 – Art. 2º e 10º - cria a


CGVAM e define que à CGVAM compete organizar e orientar, normalizar e
coordenar o sistema de vigilância ambiental, objetivando a ampliação da
capacidade de detectar precocemente situação de risco à saúde humana que
envolvam: fatores físico, químicos e biológicos na água, ar e solo, prevenir e
controlar as zoonoses, estabelecer ações de vigilâncias entomológicas para
monitorar as ações de controle nas doenças transmitidas por vetores e analisar o
impacto de mudanças ambientais e situações de catástrofes e desastres naturais
sobre a saúde das populações, visando o desencadeamento das ações
preventivas.
98
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

Estrutura CGVAM
Secretaria de Vigilância em Saúde

CGVAM
Planejamento Gabinete
Gabinete

Secretaria
Secretaria Apoio
Apoio administrativo
administrativo

Política/Gestão Vigilância
Vigilânciaem
em
Política/Gestão Saúde
SaúdeAmbiental
Ambiental

Água
Água
Política
Metodologia Ar
Ar

Informação Solo
Solo

Acordos Internacionais Desastres


Desastres Naturais
Naturais

Intersetorialidade Sub.
Sub. Químicas
Químicas

Projetos Especiais Acid.Prod.Perigosos


Acid.Prod.Perigosos

Laboratórios Fatores
Fatores Físicos
Físicos

Jurídico Amb.
Amb. Trabalho
Trabalho

Capacitação/Comunicação

O ESTADO DO ACRE

O espaço territorial hoje conhecido como Estado do Acre já foi palco de


muitas discussões diplomáticas entre o Brasil e os países Bolívia e Peru acerca
da sua posse. Vários foram os tratados, acordos e tentativas de demarcação de
fronteiras até chegar à decisão histórica que determinava a anexação do território
acreano ao Brasil através do tratado de Petrópolis, assinado em 1903, cujas
negociações e termos finais do acordo foram conduzidos pelo então Embaixador
José Maria da Silva Paranhos - o brasileiro Barão do Rio Branco (OLIVEIRA,
1970; LIMA, 1994).
99
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

A exemplo de muitos outros Estados brasileiros, o Acre teve a sua


formação histórico–econômica marcada por grandes ciclos de prosperidade
intercalados por outros de profunda decadência.

Com a mudança de estrutura econômica do Acre muda-se toda a filosofia


em torno da terra. No momento do monoextrativismo não havia uma mentalidade
em torno da terra em si, mas sim voltada para as árvores (castanheira,
seringueira, dentre outras). Ou seja, tudo o que interessava era extrair, coletar
desde “drogas do sertão”, borracha, castanha a madeiras-de-lei.

O povoamento no Estado foi induzido pelas rodovias Belém – Brasília e a


São Paulo – Cuiabá, fazendo assim, com que o tráfego rodoviário chegasse ao
Acre. A partir da conclusão da estrada, as terras acreanas passaram a ser
procuradas por grupos empresariais e investidores isolados, em sua maioria
“sulistas”, assim chamados por virem em maior número de São Paulo, Paraná e
Minas Gerais, investiam na compra de terras por preços irrisórios, além dos
incentivos dados pelo governo federal, eles traziam consigo um novo valor para a
terra, o valor comercial (VIEIRA, 2001).

Interessados principalmente no capim, os sulistas acabam expulsando os


seringueiros de dentro das terras, muitas vezes trazendo mão-de-obra do Centro-
Sul e até do Paraguai para derrubarem a mata. Com isso, os seringueiros eram
obrigados a procurar os seringais mais distantes, muitas vezes fora do Brasil
(BECKER, 1974).

O Estado do Acre está localizado no extremo Ocidental da Amazônia


brasileira entre as latitudes de 07º07’S a 11°08’S e as longitudes de 66°30’W a
74°WGr, possui 22 municípios, sua população é de 557.526 habitantes, sendo
33,59% na zona rural e 66,41% na zona urbana (IBGE, 2000).

Sua extensão territorial mede 445 km na direção N/S e quase o dobro (809
km) entre os seus extremos E/W. Faz fronteira internacional (2.183 km) com os
países do Peru e a Bolívia e, com o Estado brasileiro do Amazonas (831 km) e
com o Estado de Rondônia (22 km). (FUNTAC apud PENHA, 1996).
100
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

O clima do Estado é caracterizado pelas altas temperaturas e elevados


índices de precipitações pluviométricas. (RIBEIRO, 1977).

No Estado, o período chuvoso vai de dezembro a abril, sendo que para os


municípios situados na região Leste do Estado apresenta o mês de janeiro. Na
região Central do Estado apresentam o mês de dezembro. Na região Oeste do
Estado apresenta o mês de março. O período seco ocorre no inverno (junho a
agosto) para todas as regiões do Estado.

As temperaturas mínimas absolutas são registradas, freqüentemente,


durante os meses de junho, julho, agosto e setembro, ocasião em que as frentes
frias penetram na região originando as friagens, que permanecem com
temperaturas baixa e com duração média de 05 dias.

Os impactos do clima na população são inúmeros. Com as altas


temperaturas locais, a entrada das massas de ar polar atlântica e
polar continental provocam queda de temperatura, momentânea-
mente, para valores médios próximos de 18ºC, denominadas de
friagem, para em seguida, subirem e atingir valores médios em
torno de 36ºC. Esse movimento brusco das temperaturas provoca
mudanças no organismo humano com a mesma intensidade das
mudanças climáticas. Desta forma, podemos constatar que o
impacto do clima sobre as populações ocorre levando em
consideração os elementos meteorológicos básicos: as
temperaturas máxima e mínima e as chuvas abundantes ou
escassas, distribuídas ao longo das estações do ano
(MESQUITA, 2001).

Essas constantes oscilações no tempo são sentidas principalmente pelos


idosos e pelas crianças, onde em determinados casos chegam a óbitos. O
impacto da descida das temperaturas e a poeira que aparece no ar provocam um
processo respiratório infeccioso na população.

No período seco a situação dos recursos hídricos se torna crítico, pois os


canais passam a receber somente esgotos, águas servidas e resíduos sólidos
oriundos das residências, postos de lavagem e indústrias, sem nenhum tipo de
tratamento, propiciando manifestações de doenças tropicais na população
(MESQUITA, 2001).
101
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

A vegetação é composta por floresta tropical aberta originária dos baixos


platôs aluviais nas áreas de planície e nas áreas de depressão interfluviais, pela
floresta tropical densa, que é originária dos interflúvios sedimentares
(MESQUITA, 2001).

A hidrografia da região norte é bastante complexa. No Acre, assim como na


maior parte da Amazônia brasileira, os rios constituíram no passado, e ainda
constituem hoje, as mais importantes vias de comunicação e de transportes entre
as diversas localidades da região. Possuindo rios sinuosos e volumosos,
escoando suas águas por estreitas planícies fluviais de deposição de sedimentos
(MESQUITA, 2001; VIEIRA, 2002).

Vale salientar a importância desses rios na configuração da região. O Rio


Juruá é o responsável maior pela drenagem da porção oeste do Estado do Acre
e, o Purus que recebe diretamente o Rio Acre como principal afluente, drena o
leste do Estado (VIEIRA, 2002).

Sua geologia encontra-se inserida na província geológica dos depósitos da


era Cenozóica, (era que dividiu o terciário do quaternário) cujos sedimentos são
representados pela formação Solimões, formando solos com argila, silte e areia,
sendo em sua maioria solos aluviões, sujeitos a inundações anuais, sendo dessa
forma, solos jovens e vulneráveis (MESQUITA, 2001).

Geomorfologia extremamente homogênea, sem apresentar no seu relevo


grandes desníveis altimétricos.

Sua fauna apresenta riqueza de variedades de espécies, deste de aves,


peixes, mamíferos, répteis, quelônios, além de várias espécies de invertebrados
(MESQUITA, 2001).

O extrativismo praticado no Estado não causa impacto ambiental e


consistem na coleta de castanha, borracha, óleo, resina, e frutas silvestres. Estas
atividades deram origem às seguintes reservas extrativistas e áreas de proteção
ambiental:

• Estação Ecológica do rio Acre;


• Área indígena da cabeceira do rio Acre;
102
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

• Reserva extrativista Chico Mendes;


• Reserva extrativista Santa Quitéria;
• Reserva extrativista Cachoeira;
• Reserva extrativista São Luiz do Remanso;
• Reserva extrativista do Alto Juruá
• Reserva extrativista Figueira.

Na zona rural, o agricultor realiza o extrativismo da borracha e da castanha


como produto de exportação. A agricultura de subsistência é realizada nas
colônias agrícolas, nos projetos de assentamento (Boa água, Baixa Verde,
Espinhara, Hélio Pimenta, Carão, Colibri, Moreno Maia, Geraldo Mesquita,
Figueira e o Vista Alegre). Das atividades produtivas da zona rural a pecuária
extensiva apresenta-se como a principal atividade econômica (MESQUITA, 2001).

SITUAÇÃO SÓCIO-AMBIENTAL DO ESTADO DO ACRE

O governo do Acre, com o apoio da sociedade, está construindo novo


modelo de gestão voltado integralmente à conservação da cobertura vegetal, sem
abrir mão da possibilidade de crescimento e desenvolvimento econômico.
Valorizando o homem do campo, envolvendo desde comunidades de produtores
rurais até populações tradicionais e incentivando o uso de práticas sustentáveis
através de um conjunto de políticas públicas. Tem sua economia voltada para o
setor primário, com tendência para a industrialização dos produtos da floresta:
borracha, castanha e madeira.

O controle ambiental das atividades impactantes praticado através do


Instituto do Meio Ambiente do Acre - IMAC, embora exercido desde 1989,
defronta-se ainda com inúmeras dificuldades para efetivar o gerenciamento das
atividades existentes e, sobretudo, de atuar preventivamente nas atividades
impactantes previstas para se instalarem em todo o Estado. Entre as dificuldades,
destacam-se a carência de profissionais que possam atuar nos setores
responsáveis pelo licenciamento, fiscalização, monitoramento e educação
ambiental, no que se refere tanto à formação da equipe técnica multidisciplinar
103
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

(qualitativo) que possa melhor subsidiar as decisões a serem tomadas, quanto à


quantidade de técnicos especializados para atender as atividades de rotina do
IMAC.

INDÚSTRIAS / FÁBRICAS

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais - SEMA em


parceria com o Instituto de Meio Ambiente do Acre - IMAC, através do convênio
firmado com o Ministério do Meio Ambiente e apoio financeiro do Fundo Nacional
do Meio Ambiente, está realizando o Inventário Estadual de Resíduos Sólidos
Industriais do Estado do Acre, para dar subsídios a uma política de gestão voltada
para minimização da geração, reutilização, reciclagem, tratamento e destinação
final adequada dos resíduos. Desta forma, procura-se atender o que preconiza a
Resolução CONAMA N° 313/02, através da aplicação um formulário específico
para coleta de informações sobre os resíduos sólidos industriais, causadores de
grande impacto na qualidade do ar, poluição hídrica, poluição do solo e visual.

O inventário tem como objetivo: conhecer e caracterizar os resíduos sólidos


industriais gerados no Estado, subsidiar a política de gestão de resíduos sólidos
industriais do Estado, implantar banco de dados de Resíduos Sólidos Industriais;
disponibilizar relatório final para o inventário nacional e para sociedade.

Diante do exposto, o Estado, através da SEMA e do IMAC, tem se


preocupado com o crescimento das indústrias madeireiras e agro-extrativistas,
observando um acréscimo considerável de resíduos industriais que atualmente
não estão caracterizados impossibilitando a adoção de medidas e tecnologias que
visem sua reutilização e reaproveitamento que e dêem um destino final adequado.

ATIVIDADES INDUSTRIAIS
104
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

• Indústria de Fumo; • Indústria • Indústria de


Cerâmica; Bebidas;
• Indústria de calçados • Padarias; • Marmoraria;
e artefatos de couro;
• Abatedouros (bovino, • Indústria de • Indústria Química;
suíno, frango); Alimentos;
• Torrefação de Café; • Marcenarias • Industria de
Borracha;
• Indústria de • Movelarias • Indústria
Vestuário; Cerâmica;
• Serraria • Indústria de • Indústria de
(desdobramento); Laminados Plástico;
• Distribuidoras de • Manipulação de • Recondicionament
bebidas; utilizadores Medicamentos; o de Pneus;
de Pet;

AGROTÓXICOS

Existe pouca divulgação referente ao estudo e controle do uso de


agrotóxicos em plantas e animais no estado. Alguns experimentos foram
realizados na década de 80, em áreas de pastagens nos municípios de Rio
Branco, Senador Guiomard, Brasiléia e Assis Brasil, onde o processo de
ocupação pela pecuária e agricultura foi mais intenso. Em hortaliças o controle de
pregas vem sendo realizado por Folidol, Dithane, Ovacom, Bemlat, Dipel,
Gramicina, Servim, DDT, Malathion, Decis, Diazenon, Diesel, Aldrim, Fuguran,
Tamaron, Oxicloreto de cobre, Formol e Plantacol.

A utilização do Tordon para erradicação de plantas daninhas pelos


agricultores e pecuaristas tem contribuído, acentuadamente, para aumentar os
problemas de toxidez do solo, contaminação das águas perenes e confinadas.

Para a saúde humana, os agrotóxicos utilizados pelos agricultores do


Estado vêm provocando uma série de distúrbios digestivos, neurológicos e
musculares, devido a sua composição possuir o composto 2,4
(Diclorofenoxiacético). Atualmente, o efeito do uso do agrotóxico vem ocorrendo,
com maior incidência nos municípios de Xapuri, Rio Branco e Brasiléia.
105
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

O Estado do Acre através do IMAC, com auxílio do IDAF, Ministério Público


e órgãos afins, juntamente com os comerciantes de agrotóxicos e a sociedade em
geral, vêm buscando ter um maior controle e fiscalização do uso de agrotóxico
pelos agricultores e pecuaristas, respaldado na Lei Estadual Nº 1.116 de 13 de
janeiro de 1994 e no Decreto Estadual Nº 4.809 de 05 de fevereiro de 2002.

O IDAF cadastrou e vem mantendo atualizados os comércios que vendem


produtos químicos no Estado, servindo para controle e fiscalização por parte dos
órgãos responsáveis.

Foi criada a Associação dos Comerciantes de Produtos Químicos do


Estado do Acre, onde estes estão se organizando no intuito de ter maior
segurança ao vender os produtos químicos e dar igualmente segurança para
quem está comprando, há projetos para a construção de um galpão para
armazenar as embalagens descartadas pelos agricultores e pecuaristas.

A Câmara Técnica de Agrotóxicos do Acre - CTAA, criada como órgão de


apoio ao Conselho Estadual de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia – CEMACT,
é composta por técnicos representantes dos seguintes órgãos: Secretaria de
Estado de Produção, Secretaria Executiva de Agricultura e Pecuária, Secretaria
de Estado de Saúde, Instituto do Meio Ambiente do Acre, Conselho Regional de
Engenharia Arquitetura e Agronomia do Acre, Delegacia Federal de Agricultura,
Embrapa Acre, Universidade Federal do Acre / Departamento de Ciências
Agrárias, Federação de Agricultores do Estado do Acre e Organizações não-
governamentais.

POLUIÇÃO DO AR

Não existe no estado um controle eficaz da qualidade do ar. Porém, existe


um projeto no IMAC para implantação do Plano de Controle de Poluição Veicular
– PCPV para 2004. Entre as dificuldades encontradas para está a falta de
equipamentos adequados.
106
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

DESMATAMENTOS/QUEIMADAS

O processo de ocupação territorial do Acre tem influenciado nos índices de


desmatamento do Estado. A derrubada da floresta e a queima da vegetação por
atividades humanas são grandes transformadoras das paisagens acreanas e têm
crescido muito nas últimas décadas (ZEE/AC, 2000). Isso devido principalmente à
exploração insustentável dos recursos naturais.

Enquanto não havia um Zoneamento Ecológico-Econômico - ZEE no


Estado, a exploração madeireira cresceu sem planejamento e com ritmo
acelerado em toda a região, comprometendo a qualidade ambiental e a saúde da
população, uma vez que inexistia uma política voltada para alternativas de
tratamento dos resíduos gerados por esta atividade.

O incentivo à adoção de práticas sustentáveis, como plano de manejo


sustentado e incentivo econômico para o uso dos produtos madeireiros e não
madeireiros, são políticas públicas desenvolvidas pela gestão do governo no
intuito de minimizar os índices de desmatamento e queimada no Estado, gerando
rendas alternativas e agregando valores aos produtos da floresta.

O manejo florestal e a definição das zonas com aptidão madeireira,


definida pelo ZEE/AC, que veio para nortear as políticas públicas de meio
ambiente no estado, pode assegurar o uso sustentável dos recursos naturais
embora não contemple a utilização posterior desses recursos de forma a
minimizar os impactos gerados.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE,


considerados dados oficiais pelo Governo Brasileiro, o Acre apresenta hoje cerca
de 10% de seu território desmatado e, desde o ano de 1977, apresenta uma taxa
média de desflorestamento aproximada de 0,4%/ano com relação à área do
estado (15.242.648 hectares). Desta forma, estima-se um incremento médio em
torno de 60 mil hectares/ano de área desmatada (ZEE/AC, 2000).

Com base nos dados do ZEE/AC, a região do Estado mais desmatada é o


Vale do Acre, que é dividido em Alto Acre (Assis Brasil, Brasiléia, Epitaciolância,
Xapuri), e Baixo Acre, (Acrelândia, Bujari, Capixaba, Plácido de Castro, Porto
107
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

Acre, Rio Branco e Senador Guiomard), compreendendo cerca de 86% da área


total desflorestada no estado.

Vale ressaltar que nessa região residem cerca de 70% da população do


estado e nelas estão implantadas mais de 50% dos projetos de assentamentos e
de colonização do Acre.

Com base nessas informações, o IMAC desencadeou ações de controle


das atividades de queimadas em 03 frentes de trabalho para a gestão e
gerenciamento das atividades de exploração florestal: 1) Controle Ambiental; 2)
Ações Preventivas e Educativas e 3) Monitoramento e Fiscalização.

Através do Projeto de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais –


PROARCO, que tem como fonte imagens de satélite que mapeiam o sul do Pará
e uma parte do Acre (Sena Madureira, Plácido de Castro e Bujari), o IMAC vem
monitorando os focos de calor nestes municípios considerados os mais críticos do
Estado, e desenvolvendo ações punitivas no intuito de diminuir o desmate e a
queima. Nos demais municípios, assumem uma política preventiva, como é o
caso dos municípios do Vale do Juruá, onde esta sendo desenvolvido o projeto
piloto de Reestruturação e Consolidação do Meio Ambiente.

Além dos projetos acima citados o IMAC ainda desenvolve o Projeto de


Gestão Ambiental Integrada – PGAI, que no primeiro momento estruturou as
ações dentro do IMAC, e atualmente está ajudando a sensibilizar e descentralizar
gradativamente a gestão municipal a assumir as ações do meio ambiente.
Trabalha em parceria com o exército no Sistema de Vigilância Ambiental –
SIVAM.

LIXO/ATERROS (RESÍDUOS SÓLIDOS)

Rio Branco, por ser a maior cidade do Estado, conseqüentemente possui a


maior produção de lixo doméstico, hospitalar, brooks e diversos, chegando a
produzir uma média de 199 toneladas ao dia, desse total são recolhidos ao lixão
cerca de 5.969.612 toneladas/mês (SENSUR, 2002). Mesmo com uma coleta
eficaz a SENSUR, órgão responsável pela coleta de lixo no município, não atende
108
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

a uma grande parcela da população, que acabam jogando o lixo produzido nos
rios: rio Acre, rio São Francisco, rio Fundo, rio Batista, rio Dias Martins, rio
Redenção, rio da Judia e igarapés, sem nenhum tipo de tratamento, pois o Estado
não possui estação de tratamento de esgotos.

No Estado não existem aterros controlados. Em Rio Branco, Xapuri e


Cruzeiro do Sul estão em face de licenciamento, no restante do Estado só
existem lixões.

ÍNDICE DE MORTALIDADE DO ESTADO

Segundo os Indicadores de Saúde da Atenção Básica, o Estado do Acre


teve uma Taxa de Mortalidade Neonatal de 12.78/1.000, Mortalidade Infantil de
22.16/1.000 e Mortalidade Materna de 72.11/100.000. (SESACRE, 2002).

LEGISLAÇÃO ESTADUAL DO MEIO AMBIENTE

• LEI nº 15-A , de 26/10/1964 - Dispõe sobre a Lei Orgânica dos Municípios


do Estado do Acre.
• LEI Nº 851 , de 23/10/1986 – Cria o Instituto de Meio Ambiente do Acre –
IMAC e dá outras providências.
• LEI nº 860 , de 09/04/1987 – Institui a Secretaria do Desenvolvimento
Urbano e Meio Ambiente – SEDUMA, e dá outras providências.
• LEI nº 871 , de 24/09/1987 – Cria a Fundação de Tecnologia do Estado do
Acre – FUNTAC, e dá outras providências.
• LEI nº 1.022 , de 21/01/1992 – Institui o Sistema Estadual de Meio
Ambiente, Ciência e Tecnologia – SEMACT e o Conselho Estadual de Meio
Ambiente, Ciência e Tecnologia – CEMACT, e dá outras providências.
• LEI 1.117 , de 26/01/1994 – Dispõe a política ambiental do Estado do Acre
e dá outras providências.
• LEI nº 1.235 , de 09/07/1997 - Dispõe sobre os instrumentos de controle do
acesso aos recursos genéticos do estado do Acre e dá outras providências.
109
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

• LEI nº 1.238 , de 22/08/1997 – Dispõe sobre alterações de dispositivos da


Lei nº. 1.235 (Lei Recursos Genéticos), de 09 de julho de 1997 e dá outras
providências.
• DECRETO nº 503 , de 06/04/1999 – Institui o programa estadual de
zoneamento ecológico – econômico do estado do Acre (ZEE/AC), e dá
outras providências.
• LEI nº 1.289 , de 07/07/1999 – Dispõe sobre a inspeção e fiscalização
sanitária e industrial dos produtos de origem animal no Estado do Acre e
dá outras providências.
• LEI nº 1.294 , de 08/09/1999 – Institui o Conselho e Cria o Fundo de
Pesquisa e Preservação do Patrimônio Histórico Cultural do Estado do
Acre e dá outras providências.
• LEI Nº 4.771 , de 15/09/1965 – Institui o novo Código Florestal.
• LEI Nº 6.938 , de 31/08/1981 – Dispõe sobre a Política Nacional do Meio
Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação e dá outras
providências.
• DECRETO Nº 96.189 , de 21/06/1988 – Cria, no Estado do Acre, a Floresta
Nacional do Macauã, com limites que especifica, e dá outras providências.
• DECRETO Nº 98.863 , de 23/01/1990 – Cria a Reserva Extrativista do Alto
Juruá.
• DECRETO Nº 99.144 , de 12/03/1990 – Cria a Reserva Extrativista Chico
Mendes.
• LEI Nº 9.605 , de 12/02/1998 - Lei de Crimes Ambientais.
DECRETO Nº 3.179 , de 21/09/1999 - Dispõe sobre a especificação das
sanções aplicáveis às condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e
dá outras providências.
• LEI Nº 9.984 , de 17/07/2000 – Dispõe sobre a criação da Agencia
Nacional de Água – ANA, e dá outras providências.
• LEI Nº 10.165 , de 27/12/2000 – Altera a Lei nº. 6.938, de 31 de agosto de
1981, que dispõe sobre a Política Nacional de Meio Ambiente, seus fins e
mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências.
110
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

• Decreto , de 10/02/2003 - Homologa a demarcação administrativa da Terra


Indígena Jaminawá/Envira, localizada no Município de Feijó, no Estado do
Acre.

Vale salientar que no Estado do Acre não existe legislação específica para
vigilância ambiental em saúde.

VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE NO ACRE

Atualmente a Vigilância Ambiental em Saúde do Estado do Acre, encontra-


se dentro no Departamento Setorial de Ações de Saúde – Coordenação da
Vigilância Epidemiológica, como área técnica.

O antigo setor de endemias que veio da descentralização da FUNASA para o


estado transformou-se na área técnica de vigilância ambiental em saúde, devido ao
tipo de ações que desenvolve e por ter uma quantidade razoável de profissionais,
mesmo assim se encontra na fase de absorção das ações de responsabilidade do
setor que antes estava sendo executadas por outros setores da secretaria de saúde.

ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

Ações de dengue

O Estado do Acre tem 02 municípios já certificados (Rio Branco e Feijó),


sendo que Xapuri e Epitaciolância passam a assumir as ações de dengue a partir
de 12 de dezembro de 2003. Com esses municípios o Estado tem a
responsabilidade de acompanhar, supervisionar e dar apoio técnico quando
necessário. Ficam sob a responsabilidade do estado os demais municípios, onde
são realizadas as seguintes ações:

• Levantamento de índice, incluindo inspeção nos domicílios para detecção,


eliminação de criadouros e tratamento de focos, se necessário, coleta de
amostras para análise;
• Educação sanitária;
111
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

• Inspeção e tratamento em pontos estratégicos (locais com grande


concentração de depósitos, preferências para desova do mosquito);
• Capacitações de profissionais de saúde que atuam na área;
• Campanhas educativas;
• Inspeção em armadilhas nos municípios sem a presença do vetor da
dengue;
• Supervisão das ações nos municípios;
• Digitação e consolidação das informações entomológicas no sistema Febre
Amarela e Dengue – FAD.

Mesmo com a municipalização, fica na responsabilidade do Estado a Ultra


Baixo Volume – UBV, aplicação de inseticida para cortar a cadeia de transmissão
de dengue.

Ações de leishmaniose

• Busca ativa baseada na quantidade de casos que chega no centro de


referência com equipe multiprofissional (médico, enfermeiro, laboratorista);
• Encaminhamento para tratamento;
• Sensibilização dos profissionais de saúde para acompanhamento e
conseqüentemente, fechamento dos casos;
• Manter atualizado o SINAN e, paralelamente, o controle de medicamento
para evitar perda de casos.

Ações da raiva

• Profilaxia da raiva humana;


• Disponibilidade de imunobiológicos;
• Controle da raiva humana;
• Capacitação de profissionais nos municípios em controle da raiva;
• Treinamento em tratamento profilático humano;
• Capacitação em tratamento profilático anti-rábico humano;
112
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

• Notificação e investigação de focos;


• Controle da raiva canina;
• Assessoria aos CCZ em atividades;
• Encaminhamento das amostras de cães para análise laboratorial;
• Controle da cobertura vacinal mínima (= ou > 80%) do Estado;
• Assessoria aos municípios com elaboração das campanhas de vacina anti-
rábica;

Ações de animais peçonhentos

• Assessoria aos municípios;


• Treinamento para profissionais da saúde municipal;
• Supervisão;
• Investigação de surtos nos municípios;
• Ações de controle (projeto para campanhas de vacina, etc,);

Ações do laboratório de entomologia

• Levantamento da presença, densidade, predominância e distribuição


geográfica de espécie da fauna anofélica e flebotomínica no Estado;
• Levantamento da presença, densidade, predominância e distribuição
geográfica de espécie da fauna anofélica, flebotomínica e triatomínicas nas
áreas acometidas de malária, leishmaniose tegumentar americana e nas
localidades com suspeita de casos de doença de chagas, bem como nos
projetos de assentamento feitos pelo Instituto Nacional de Colonização e
Reforma Agrária - INCRA;
• Estudo dos fatores que determinam a prevalência da malária e Ita nas
localidades acometidas (ambiental, ecológica e biológica);
• Estudo do ciclo sazonal da presença, ausência, densidade, predominância
e abundância de espécies da fauna anofélica em 2 bairros do município de
Rio Branco com incidência de malária (Taquari e Santa Cecília);
113
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

• Dar suporte técnico para as escolas, para efeito de oficinas de saúde e


atendimento ao público que solicitado trabalho de pesquisas entomológicas
nas residências, estabelecimentos públicos e privados;

Ações do LACEN

Laboratório de endemias:

• Realiza exames de colenesterase sanguínea de 6 em 6 meses com os


agentes de campo da dengue. Porém, no momento, devido à
municipalização de Rio Branco, esse exame se encontra parado,
esperando saber a qual gestão pertence;
• Revisão de malária,
• Revisão leishmaniose;
• Controle de qualidade de malária e leishmaniose;
• Supervisão técnica nos laboratórios municipais;
• Treinamentos e capacitações para profissionais de saúde do Estado e dos
municípios em malária e leishmaniose;

Laboratório de microbiologia:

• Análise de água (piscina, potável e balneabilidade);


• Pesquisas de coliformes totais;
• Pesquisas de coliformes termotolerantes;
• Pesquisas de E. Coli;
• Verificação do aspecto e do odor;
• Determinação de pH, dureza total, cor e turbidez;
• Pesquisa vibrião colérico “choleral”;
• Análise de 30 amostras de água para consumo humano semanal;
114
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

Não implementadas devido à falta de insumos (vidrarias e reagentes)

• Análise de águas residuais;


• Demanda bioquímica de oxigênio;
• Demanda química de oxigênio;
• Oxigênio dissolvido;

Todas as atividades desenvolvidas no laboratório seguem as normas da


Portaria Nº 1469/2000 e Resolução CONAMA Nº 20 de 18/06/86.

AÇÕES DA QUALIDADE DA ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO

Este setor elaborou um projeto piloto no Estado para conhecer a realidade


da qualidade da água para consumo humano em cinco bairros considerados
periféricos (Alto Alegre, Defesa Civil, Jorge Lavocat, Montanhês e Tancredo
Neves), onde fez articulações com os representantes dos bairros e lideranças, no
intuito de obter apoio para aplicação do mesmo. Em seguida foi realizado
levantamento da quantidade de casas e população existente nos referidos bairros.
Além da população do bairro, procurou parcerias com os agentes comunitários de
saúde, agentes jovens, pastoral da criança, polícia comunitária, grupo de jovens
(igrejas), Secretaria da Juventude, adjunto da solidariedade, direção de escolas,
LACEN, Vigilância Sanitária e Departamento de Esgoto, Água e Saneamento -
DEAS.

A proposta deste trabalho é garantir a distribuição de hipoclorito, viabilizar


a proteção das fontes coletivas de água, desenvolver atividades de educação
ambiental em saúde nas escolas, igrejas e outros espaços comunitários, realizar
análise da água de beber (Pesquisas de coliformes totais, de coliformes
termotolerantes, de E. Coli) (30 amostras semanais), cadastrar fontes alternativas
e coletivas nos referidos bairros.
115
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

Paralelo a esse projeto trabalha-se com o plano de ação da portaria Nº.


1469/2000, juntamente com a implantação do Sistema de Informação de
Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano – SISAGUA.

Dentro do IMAC existe a gerência de recursos hídricos (IMAC) que é


responsável pela autorização para exploração da água, análise da água, recebe
denúncias de possíveis contaminações da água e recursos hídricos de forma
geral, porém, não há comunicação entre saúde e meio ambiente.

SETORES INTERNOS E EXTERNOS INTERLIGADOS A VIGILÂNCIA


AMBIENTAL

A atuação da VAS, em todos os níveis de governo, requer articulação com


os diferentes atores institucionais públicos, privados e com a comunidade, para
que ações integradas sejam implementadas de forma eficiente, assegurando que
os setores assumam suas responsabilidades frente aos problemas de saúde e
ambiente, em suas respectivas áreas de atuação.

Intra-setorial Extra-setorial
• Vigilância sanitária • Instituto do Meio Ambiente do Acre
• Saúde do trabalhador • Universidade Federal do Acre
• Vigilância epidemiológica • IBAMA
• LACEN • Ministério da Agricultura
• Saúde Comunitária • Secretaria de educação
• Fundação de Tecnologia do Acre - FUNTAC
• Ministério público
• Organizações não-governamentais
• Dep. de Esgoto, Água e Saneamento.
116
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A implantação da VAS no Acre ainda é incipiente. Alguns dos profissionais


de saúde que estão envolvidos nesta atividade possuem mais experiências com
Epidemiologia voltada para doença infecciosa e parasitárias de notificação
compulsória, com abordagem diferente da Epidemiologia voltada ao ambiente
saúde. Da mesma forma, encontramos alguns profissionais da área de ambiente
que não são familiarizados com conceitos e objetivos da Epidemiologia voltada
para a saúde ambiente.

As informações dos problemas ambientais existentes no Estado do Acre e


os trabalhos que vem sendo desenvolvidos por órgãos voltados à conservação e
preservação do meio ambiente, em muitos casos, sem levar em consideração a
relação ambiente saúde, nos mostra a grande necessidade de se estruturar de
fato e de direito a vigilância ambiental em saúde no Estado. Esta, além de outras
atividades específicas servirá como órgão articulador entre os setores internos e
externos afins, para estudos, pesquisas, para a compreensão de como utilizar, em
que situações e como analisar os problemas ambientais ligados à saúde humana,
tendo como prioridade a vigilância do ambiente, com o intuito de identificar
situações de riscos que antecedam os efeitos considerados adversos para a
saúde.

Para desenvolver suas atividades dentro da nova proposta apresentada a


VAS necessita ter uma equipe multiprofissional capacitada e com perfil para
trabalhar com ambiente saúde, entre outros: médicos veterinários, biólogos,
engenheiros sanitaristas, engenheiros florestais, enfermeiros, médicos (clínica
geral ou sanitarista), geógrafos (geoprocessamento), bioquímicos, analistas de
sistemas, agrônomos, entre outros profissionais que posam somar
conhecimentos. (Cerca de 30 profissionais de nível superior e 10 níveis médios).

A Secretaria de Estado de Saúde, através da Programação Pactuada


Integrada de Epidemiologia e Controle de Doenças – PPI/ECD de 2003, vem
buscando certificar através de portaria ou outro meio legal a Vigilância Ambiental
em Saúde no Estado, porém, ainda não conseguiu. Contudo, vem desenvolvendo
suas atividades.
117
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

A proposta apresentada a seguir necessita de recursos financeiros,


recursos humanos capacitados e equipamentos, de vontade e determinação
política por parte dos gestores de saúde para a real efetivação da estruturação da
vigilância ambiental em saúde no Estado do Acre. Esses recursos sairão de
parcerias entre as três esferas de governo.

Como resultado, espera-se implantar o sistema de vigilância ambiental nos


dois níveis de gestão (estadual e municipal) buscando a integração intersetorial e
extrasetorial em um prazo de três anos.

A proposta de organograma para vigilância ambiental em saúde do Acre,


que estabelece como meta inicial estruturação no nível central da Secretaria
Estadual de Saúde, divide-se em subáreas.

ORGANOGRAMA PROPOSTO DA COORDENAÇÃO DE VIGILÂNCIA


AMBIENTAL EM SAÚDE

Vigilância Epidemiológica e
Ambiental

Coordenação de Vigilância
Ambiental em Saúde

Riscos Não
Riscos Biológicos
Biológicos
Água
Vetores

Ar
Hospedeiros

Solo

Reservatórios Desastres Naturais

Sub. Químicas

Acid. Prod. Perigosos

Fatores Físicos
118
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

METAS DA PPI / ECD DO ESTADO

Vigilância Ambiental de Fatores Não Biológicos

• Estruturar competência de vigilância ambiental em saúde no nível central


da SES de acordo com a Instrução Normativa FUNASA 01/2001;
• Realizar as atividades de cadastro, controle e vigilância da qualidade da
água para consumo humano de acordo com a portaria Nº 1469/2000, em
50% dos municípios;
• Implementação/implantação o Sistema de Informação de Vigilância da
Qualidade da Água para Consumo Humano – SISAGUA, em 08 municípios,
de acordo com o plano de ação do Estado;

Vigilância de Doenças Transmissíveis por Vetores e Antropozoonoses


Entomológicas

• Realizar identificação e eliminação de focos e/ou criadouros do Aedes


aegypti e Aedes albopictus em imóveis de municípios infestados, (652.968
inspeções);
• Realizar pesquisa larvária de Aedes aegypti em pontos estratégicos em
municípios infestados e não infestados. (12.336 pesquisas);
• Realizar pesquisa larvária de Aedes aegypti com armadilhas em municípios
não infestados, (11.856 pesquisas);
• Realizar visita a imóveis com focos do Aedes aegypti, (113697 visitas);

Controle Vetorial

• Realizar tratamento de imóveis com focos do Aedes aegypti, (87.535


tratamentos);
• Realizar borrificações intradomiciliares para controle da malária (seletivo).
(9.499 borrificações);
• Realizar aplicação de inseticidas residuais em pontos estratégicos, (5.507
tratamentos),
119
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

Imunização de Reservatórios

• Realizar campanha de vacinação anti-rábica em cães e gatos, (80.344


cães e 16.263 gatos);
• Realizar bloqueio de focos de raiva animal, em 100% dos focos notificados.

Controle de Reservatórios

• Realizar captura e apreensão de cães em áreas de Centro de Controle de


Zoonoses, (7.200 cães);
• Realizar exame laboratorial para vigilância de raiva canina, (0,2% /161
animais).

As atividades da Pactuação Integrada de Epidemiologia e Controle de


Doenças – PPI/ECD serão somadas as já realizadas nos referidos setores da
vigilância ambiental em saúde no Estado.

ESTRUTURAÇÃO DE GESTÃO

A Secretaria de Estado de Saúde será responsável pelo gerenciamento e


execução da proposta, através da Coordenação de Vigilância Ambiental em
Saúde.

Os equipamentos e materiais permanentes adquiridos para apoiar a


estruturação nos municípios serão repassados em regime de comodato ou outro
instrumento de equivalente legalidade.

Ações deverão contar com a parceria dos órgãos governamentais e não-


governamentais que tratam do meio ambiente e da cidadania;

Integração das vigilâncias com reuniões e capacitações tendo como


conseqüências ações em conjunto.
120
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ACRE, Secretaria de Estado de Saúde: Departamento Setorial de Ações de


Saúde. Relatório dos Indicadores da Atenção Básica do Estão do Acre.
Rio Branco, 2002.

BECKER, Bertha k. A Amazônia na estrutura espacial do Brasil. Revista


Brasileira de Geografia, Rio de Janeiro, v.36, n.2, p.3-36, abr./jun. 1974.

BRASIL. Ministério da Saúde. Projeto VIGISUS – Estruturação do Sistema de


Vigilância Ambiental em Saúde. 2ª ed. Revisada. Brasília, DF.: Fundação
Nacional de Saúde, 1998.

BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema Nacional de Vigilância Ambiental em


Saúde. Brasília, DF: Fundação Nacional de Saúde, 2001.

BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância Epidemiológica. 5º ed., v. 01


Brasília, DF.: Fundação Nacional de Saúde, 2002.

CÂMARA, Volney de M. Textos de Epidemiologia para vigilância ambiental


em saúde: Brasília: Fundação Nacional de Saúde, 2002.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA Contagem da


população. 1996. Rio de Janeiro, 1997. 2v.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA Característica da


população e dos domicílios. 2000. Rio de Janeiro.

LIMA, Figueiredo. O Acre e suas possibilidades. Coletânea Amazônia Brasileira.


Rio de Janeiro, 1994, p. 297 - 324.

MESQUITA, Claudemir Carvalho e Paiva Régis. Estudos Básicos das


Precipitações do Acre. Rio Branco: Governo do Estado do Acre, 1995.

MESQUITA, Claudemir Carvalho de. Perfil Ambiental da Bacia Hidrográfica do


Rio Acre. Rio Branco: M.M. Paim, 2001.

NETTO, Guilherme Franco.: CARNEIRO, Fernando Ferreira. Vigilância


Ambiental em Saúde no Brasil. Brasília, DF.: Fundação Nacional da Saúde,
2001.

OLIVEIRA, Luiz Antônio Pinto de. O Sertanejo o brabo e o posseiro: a periferia


de Rio Branco e os cem anos de andança da população acreana. Belo
Horizonte: UFMG, 1982.

OLIVEIRA JUNIOR, Arnaldo Braga de. Entrevista concedida à Sheila Andrade


Vieira. Rio Branco- AC, 10 Nov. 2003.
121
Estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde no Estado do Acre
Sheila Andrade Vieira

ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Organização Mundial da Saúde.


Divisão de Saúde e Ambiente. Atenção Primária Ambiental. Washington:
OPAS, 2000.

PENHA, Raimundo Muniz. O distrito industrial – DIRB – No contexto sócio-


ambiental da cidade de Rio Branco e do Estado do Acre. Santa Catarina:
UFSC, 1996. Dissertação (Mestrado em geografia), 1996.

SANTOS, Milton. Metamorfose do espaço habitado. São Paulo: Hucitec, 1988.

SANTOS, Rosana Cavalcante dos. Entrevista concedida à Sheila Andrade


Vieira. Rio Branco- AC, 28 Out. 2003.

SILVA, Renato Nunes da. Migrações internas do estado do Acre: um caso de


urbanização precoce. Fortaleza: UFC, 1981. Dissertação (Mestrado em
planejamento do desenvolvimento), 1981.

TAMBELLINI, A. T.; CÂMARA, V. M.. A temática saúde e ambiente no


processo de desenvolvimento do campo de saúde coletiva: Aspectos
históricos, conceituais e metodológicos. Ciência e Saúde Coletiva. Rio de
Janeiro, v. 3, n.2, p. 47-59, 1998.

TAMBELLINI, A. T.; CÂMARA, V. M.. Vigilância Ambiental em Saúde:


Conceitos, caminhos e interfaces com outros tipos de vigilância. Rio de
Janeiro, Cadernos de Saúde Coletiva. Rio de Janeiro, p. 77-93, 2002.

VIEIRA, Sheila Andrade. O Bairro da Estação Experimental como Subcentro


de Comércio e Serviços da Cidade de Rio Branco. Rio Branco: UFAC,
2001. (Monografia de Graduação).

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO


CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
NÚCLEO DE ESTUDOS DE SAÚDE COLETIVA
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL DA ÁREA DE VIGILÂNCIA


AMBIENTAL NO ÂMBITO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE

Ana Zuleide Mendanha Santos Rosa

Adaptação da Monografia apresentada ao


Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva como
pré-requisito para a obtenção do Titulo de
Especialista em Vigilância Ambiental em
Saúde

- 2003 -
RESUMO

Contextualização do desenvolvimento institucional da Vigilância Ambiental


em Saúde - VAS no Ministério da Saúde - MS e no Sistema Único de Saúde -
SUS. Sua trajetória a partir dos anos 70 até os dias atuais, enfatizando a área da
Coordenação Geral de Vigilância Ambiental em Saúde - CGVAM da Secretaria de
Vigilância em Saúde - SVS, com estrutura ainda em definição no MS.
126

NOTA INTRODUTÓRIA

No sentido de aprimorar os conhecimentos na área de vigilância ambiental


em saúde, é feita uma breve explanação acerca do desenvolvimento da
Coordenação Geral de Vigilância Ambiental em Saúde (CGVAM) da Secretaria de
Vigilância em Saúde (SVS), abordando os aspectos institucionais do seu
desenvolvimento no âmbito do Ministério da Saúde (MS) e no Sistema Único de
Saúde (SUS).

VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

Conceito

De acordo com a Instrução Normativa (IN) nº 01, de 25 de setembro de


2001, da Fundação Nacional de Saúde - FUNASA, entende-se por Vigilância
Ambiental em Saúde - VAS, um conjunto de ações e serviços que visam o
conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores
ambientais que interferem na saúde humana, no sentido de recomendar e adotar
medidas de prevenção e controle dos fatores de riscos relacionados a doenças e
a outros agravos à saúde.

Histórico

A partir dos anos 70, com o novo ciclo industrial observado no Brasil,
especialmente em São Paulo, a poluição cresceu, e com ela os problemas
ambientais foram se agravando e despertando uma certa preocupação por parte
das autoridades, o que possibilitou o surgimento de novas instituições, como a
Companhia Estadual de Tecnologia e Saneamento Básico - CETESB no estado
de São Paulo e a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente - FEEMA
no Rio de Janeiro (CNS/MS, 2003).
127

Em 1972, em Estocolmo, é realizada a Conferência de Meio Ambiente,


onde são discutidos pela primeira vez a nível internacional, os problemas
ambientais. (CNS/MS, 2003).

Em 1974 é criada a Divisão de Ecologia Humana e Meio Ambiente, no


âmbito do Ministério da Saúde - DEHMA/MS (CNS/MS, 2003).

Em 1977 o Ministério da Saúde passa a monitorar a qualidade da água


(CNS/MS, 2003).

Em 1978 A Secretaria de Saúde do Estado do Rio Grande do Sul tem sua


estrutura transformada para Secretaria de Saúde e Meio Ambiente do Rio Grande
do Sul (CNS/MS, 2003).

Na década de 80, com o crescimento da área "Saúde do Trabalhador"


abriu-se caminho para a incorporação da saúde ambiental no Setor Saúde. Foi
criado na Fundação Oswaldo Cruz - FIOCRUZ, o Centro de Estudos de Saúde do
Trabalhador de Ecologia Humana - CESTEH, aproximando saúde e ambiente
(CNS/MS, 2003).

Em 1987 é divulgado pela primeira vez, através do relatório da Comissão


Bruntland, da Organização das Nações Unidas - ONU, o conceito de
desenvolvimento sustentável, que sugere uma forma de desenvolvimento
econômico que atenda as necessidades do presente sem comprometer a
capacidade das futuras gerações no suprimento de suas necessidades (CNS/MS,
2003).

Em 1990 o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - PNUD


passa a utilizar a metodologia do índice do desenvolvimento humano (IDH) para
medir o grau de desenvolvimento dos países, incluindo nesse indicador a
expectativa de vida (CNS/MS, 2003).

Em 1992, no Rio de Janeiro, é realizada a Conferência Nacional das


Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento - UNCED (ECO 92),
despertando nos representantes dos 170 países participantes, uma maior
preocupação com os problemas de saúde relacionados com o meio ambiente.
Nessa Conferência foi aprovada a Agenda 21 Global, que assume o compromisso
128

de mudar o padrão de desenvolvimento do novo século, idealizando a construção


de um plano de ação e de um planejamento participativo em âmbito global,
nacional e local, que seja capaz de permitir, de forma negociada, o nascimento de
um novo modelo de desenvolvimento (FNMA 2003).

Em 1995 é realizada em Washington - EUA, a Conferência Pan-Americana


de Saúde e Ambiente no Contexto do Desenvolvimento Sustentável - COPASAD,
onde o Brasil apresentou diretrizes para implantação do Plano Nacional de Saúde
e Ambiente (CNS/MS, 2003).

Em 1997 é realizada em Kyoto - Japão, a III Conferência das Nações


Unidas sobre Mudança de Clima, tendo como resultado a ratificação do protocolo
que previa redução em nível mundial em 5% das emissões de gases poluentes
(CNS/MS, 2003).

Em 1988 é promulgada a Constituição da República Federativa do Brasil,


que no seu artigo 198 cria o Sistema Único de Saúde - SUS e estabelece suas
diretrizes, entre elas, no Inciso II determina: "...atendimento integral, com
prioridades para as atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços
assistenciais...". No artigo 200, Inciso VIII: "...Colaborar na proteção do meio
ambiente, nele compreendido o do trabalho..." (FUNASA, 2002)

Em 2000 com o Decreto 3.450 de 10 de maio, o estatuto da FUNASA é


aprovado e estabelece como atribuição do CENEPI, a gestão do Sistema
Nacional de Vigilância Ambiental e cria a Coordenação Geral de Vigilância
Ambiental (SVS 2003).

Com a Portaria 410 de 10 de agosto, é aprovado o Regimento Interno da


FUNASA que estabelece as competências da CGVAM no âmbito do CENEPI.
(SVS 2003).

É publicada a Portaria 1469/MS que aprova o controle e a vigilância da


qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade.

Em 2001 é criado o Grupo de Trabalho para Assuntos Internacionais em


Saúde e Ambiente (Portaria MS 922 de 21 de junho), para discutir e internalizar
os aspectos relacionados à saúde e meio ambiente nos acordos, tratados,
129

convenções, protocolos e outros instrumentos de direito internacional público, por


meio do qual, o Ministério da Saúde avalia a implementação da Agenda 21
(NETTO, G. F.; CARNEIRO, F. F., 2003).

A FUNASA/MS cria o Sistema Nacional de Vigilância Ambiental em Saúde


- SINVAS, através da Instrução Normativa nº 1 de 21 de setembro, que
regulamenta a Portaria do Ministério da Saúde - MS nº 1399 de 15 de dezembro
de 1999, estabelecendo nas três esferas de governo as principais atribuições
referentes à vigilância ambiental em saúde, descrevendo suas ações específicas
e as medidas de prevenção e controle dos fatores de riscos físicos, químicos e
biológicos do meio ambiente, relacionados às doenças e agravos à saúde
(NETTO, op cit).

É publicada a Portaria 2253/GM de 11 de dezembro, que institui a


Comissão Permanente de Saúde Ambiental (COPESA), com a incumbência de
construir a política ambiental no âmbito do Ministério da Saúde. Fazem parte
dessa Comissão, a FUNASA, a ANVISA, a Secretaria Executiva/MS o Gabinete
do Ministro/MS e a Secretaria de Vigilância em Saúde/MS (NETTO, op cit.).

É celebrado em 7 de novembro um Termo de Cooperação Técnica entre o


Ministério da Saúde e o Ministério do Meio Ambiente, para desenvolver políticas e
ações integradas de saúde ambiental, com vistas a identificar as áreas de
cooperação prioritárias para integrar um plano de ação plurianual (NETTO, op
cit.).

Em 2002 a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio + 10)


é realizada em Joanesburgo na África do Sul. (CNS/MS, 2003).

É constituída a Portaria 343/GM de 19 de fevereiro, que institui a Comissão


de Biossegurança em Saúde (DOU de 10 de abril, Seção 2 pág. 20).

Em 2003 entra em vigor a Portaria MS1469/2000 que trata do controle e da


vigilância da água para consumo humano e seu padrão de potalidade (CNS/MS,
2003)

Com o Decreto 4.726, de 9 de junho, é criada a Secretaria de Vigilância em


Saúde no Ministério da Saúde - SVS/MS e a CGVAM fica a ela subordinada, uma
130

vez que o CENEPI/FUNASA/MS é extinto e suas ações passam a integrar a SVS


(SVS/2003).

METODOLOGIA

Para desenvolver este trabalho, foi feito um levantamento das publicações


e normas existentes acerca da vigilância ambiental, procurando-se selecionar
aquelas mais centradas no desenvolvimento institucional da CGVAM.
Procedendo-se leituras que proporcionaram um estudo mais aprofundado do
assunto. Além de buscar também, informações nos relatórios de atividades das
áreas.

Em seguida ao levantamento, procedeu-se a leitura dos documentos,


organizando-os em ordem cronológica e por objeto de interesse.

COORDENAÇÃO GERAL DE VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE - CGVAM

Ligada diretamente ao Secretário de Vigilância em Saúde da SVS/MS, a


CGVAM vem se estruturando no âmbito do MS e do SUS - por meio de um
colegiado com reuniões semanais, que conta com representantes de todas as
áreas da SVS -, onde está se definindo o seu Regimento Interno com a
incumbência de coordenação do Sistema Nacional de Vigilância Ambiental em
Saúde - SINVAS e de Fomento e Cooperação Técnica em Saúde Ambiental.

Ainda com estrutura em formação, porém, com metas já definidas no


âmbito do CENEPI/FUNASA, a CGVAM vem dando continuidade às suas
atividades, entre elas a implantação da vigilância ambiental em saúde em todas
as Unidades Federadas (UF) e a elaboração, junto à COPESA, da política de
saúde ambiental para coordenação do SINVAS.
131

Subsistemas

No sentido de melhor coordenar o SINVAS, a CGVAM definiu suas áreas


de atuação em subsistemas (água, ar, solos, desastres, substâncias químicas,
acidentes com produtos perigosos, fatores físicos, ambiente de trabalho). Esses
subsistemas têm atividades específicas, porém, com ações integradas intra e
intersetoriais, com o objetivo de desenvolver estratégias que façam cumprir o
determinado na Instrução Normativa nº 1/00 da FUNASA/MS que cria o SINVAS e
define as competências da área de vigilância ambiental.

Responsabilidades das Áreas

A CGVAM é dirigida por um Coordenador Geral, que é assessorado por um


Gabinete, um Planejamento e por duas Coordenações que estão à frente das
áreas técnicas que compõem à CGVAM, conforme apresentado a seguir:

Coordenador Geral

Gerencia a CGVAM.

a) Gabinete

Presta assessoria direta ao Coordenador Geral e coordena as atividades


administrativas da Secretaria e do Apoio Administrativo.

• Secretaria

Dar suporte ao Coordenador no cumprimento de seus compromissos.

• Apoio Administrativo

Dar suporte à CGVAM na execução de suas atividades.

b) Planejamento

Estrutura e acompanha as ações da CGVAM.

c) Coordenação da Vigilância Ambiental em Saúde.


Coordena a gestão dos sub-sistemas.
• Água
132

Garantir água para o consumo humano de acordo com o padrão de


potalidade previsto na Portaria MS 1469/2000. Principais avanços: elaboração do
"Subsistema Nacional de Vigilância da Qualidade da Água" - VIGIAGUA,
implantado em todas as Unidades Federadas; elaboração do "Sistema de
Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano" -
SISAGUA, também implantado em todas as Unidades Federadas.

• Ar

Reduzir e prevenir os agravos à saúde relacionados à contaminação do ar.


Principais avanços: elaboração do modelo de norma técnica de "Vigilância do Ar"
- VIGIAR, o qual está em estudo no município de Volta Redonda-RJ.

• Solo

Identificar e cadastrar populações expostas em áreas com solos


contaminados ou contaminantes presentes no solo. Principais avanços:
elaboração do "Subsistema de Vigilância em Saúde Ambiental Relacionado à
Contaminação do Solo" - VIGISOLO, através do qual está se articulando com
outras áreas ambientais no sentido de elaborar um modelo de norma e plano de
ação com aplicação de metodologia de avaliação de risco à saúde humana por
substâncias perigosas; elaboração do "Sistema de Informação de Vigilância
Ambiental em Saúde sobre Contaminação de Solo" - SISSOLO.

• Desastres

Área ainda em estruturação, com o objetivo principal de criar um modelo


de vigilância ambiental em saúde na área de desastres.

• Substâncias químicas

Proteger a população dos riscos químicos. Principais avanços: participação


da CGVAM na Comissão Intersetorial de Segurança Química - COPASQ, e no
Fórum Intergovernamental sobre Segurança Química, criado a partir da Agenda
21, onde a CGVAM representa o Ministério da Saúde. O objetivo principal da
COPASQ é estruturar um plano de redução do impacto ambiental e exposição
humana a substâncias químicas. Nesse sentido, foi elaborado um relatório sobre
as ações empreendidas para a redução de riscos causados pelos poluentes
133

(benzeno, asbesto, chumbo, agrotóxicos e mercúrio) de maior prioridade para


prevenção e controle.

• Fatores físicos

Propor, desenvolver e implantar políticas e planos que estruturem ações de


controle e monitoramento de radiações que ameaçam ou afetam a saúde
humana. Principais avanços: instituído Grupo de Trabalho (Portaria 220/2002)
com o Objetivo de propor normas e procedimentos referentes aos limites de
padrões máximos de exposição humana a campos eletromagnéticos
provenientes de linhas de transmissão de alta tensão e de telefonia celular.

• Acidentes com produtos perigosos


Conhecer, prevenir e controlar os fatores de risco à saúde humana.
• Ambiente de trabalho
Promover a saúde do trabalhador.
d) Coordenação de Gestão e Política

Construir mecanismos para a estruturação e operacionalização da


vigilância ambiental em saúde.

• Política

Assessorar a CGVAM na formulação e implementação da Política Nacional


de Saúde Ambiental através da COPESA, uma vez que a mesma foi criada para
viabilizar essa política, construindo uma integração intrasetorial entre seus
representantes - MS, FUNASA, ANVISA, FIOCRUZ.

• Metodologia

Articular com todos os subsistemas no sentido de desenvolver uma


gestão integrada e matricial (horizontal/vertical) entre as áreas da CGVAM.

• Informação
134

Área a ser estruturada com o objetivo de produzir informações estatísticas


que facilite a interpretação da dinâmica com os demais sistemas, no sentido de
construir e identificar indicadores de saúde ambiental.

• Acordos Internacionais

Acompanhar e internalizar os acordos internacionais.

• Intersetorialidade

Acompanhar as questões envolvidas com a segurança química, que busca


prevenir os efeitos adversos para o ser humano e o meio ambiente, decorrentes
da produção, armazenagem, transporte, manuseio, uso e descarte de produtos
químicos.

• Projetos Especiais

Resolver contaminação ambiental e exposição humana.

• Laboratórios

Atuar em conjunto com a Coordenação Geral de Laboratórios - CGLAB


para viabilizar as ações referentes a análises.

• Jurídica

Prestar assessoria jurídica à CGVAM.

• Capacitação/Comunicação

Construir o Plano Diretor de Capacitação de RH para a VAS, com a visão


de integralidade e intersetorialidade entre todas as áreas específicas e
estratégicas, buscando a promoção, prevenção e recuperação da saúde.

Quadro funcional

Desde 1999, quando foi criada, a Vigilância Ambiental vem formando seu
quadro funcional com uma equipe multiprofissional, tendo em vista a coletividade
de suas ações para atuação nos diferentes níveis para detecção e prevenção dos
problemas.
135

Em 2000 contava apenas com 1 Coordenador Geral, 1 Secretária, 3


servidores de nível superior, 2 Consultores e 5 Administrativos. Porém, de 2001
a 2002, através de contrato do VIGISUS (edital público), contratou mais 8
Consultores, além de receber 4 servidores de nível superior que integravam
outras áreas, e assim, pôde ampliar seu quadro técnico, passando de 5 para 17
integrantes. Com a saída de 1 Consultor e 1 servidor de nível superior, passou a
contar com 15 técnicos.

Em 2003 mais 2 Consultores deixaram a CGVAM, porém, através de


contrato da UNESCO (edital público), contratou mais 17 e recebeu mais 2
servidores de nível superior de outras áreas, completando, assim, uma equipe
multiprofissinal de 37 técnicos que atuam na estruturação dos diferentes
subsistemas da CGVAM, de acordo com a formação acadêmica, especialização e
experiência de cada um.

Articulação e interfaces

Articulação com as vigilâncias

Para melhor desenvolver suas ações a CGVAM articula-se com as diversas


vigilâncias, conforme descrito a seguir:

a) "Vigilância Epidemiológica, no tratamento de doenças relacionadas ao


ambiente ecológico-social (vigilância da doença/agravo - (causa/efeito);
b) Vigilância Sanitária, referente aos produtos que produzem efeitos sobre
o ambiente (quais os riscos que este produto pode trazer ao
consumidor);
c) Vigilância da Saúde do trabalhador, relacionado aos processos
produtivos que possam afetar os sistemas ecológico-sociais (vigilância
das condições de trabalho, da exposição a riscos - população exposta
em área de risco);
d) Vigilância Entomológica, na formulação de indicadores para construção
de mapas de risco;
136

e) Vigilância de agentes (causa - atua no sentido de evitar o


encontro/exposição);
f) Vigilância de processos (em situações complexas, compreendidas por
meios processuais (ambientes ecológicos, sociais e do trabalho);
g) Vigilância dos fatores de risco (entre a vigilância de agentes e de
processos);
h) Vigilância dos resíduos/passivos ambientais (resíduos originados de
todas as fases do processo produtivo);
i) Vigilância no ambiente - relacionada à exposição da população em área
de risco "(TAMBELLINI, A. T. & CÂMARA, V. M., 1992).

Interface com outros setores


Além da articulação com as diversas vigilâncias, faz-se necessário a
interface com:
a) Sistema Nacional de Laboratórios de Saúde Pública;
b) Informação em Saúde;
c) Engenharia de Saúde Pública;
d) Atenção Integral à Saúde Indígena;
e) Promoção da Saúde;
f) Ações Básicas de Saúde

Participação em outras instituições como:


a) Conselho Nacional de Saúde - CNS;
b) Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA;
c) Organizações Não-Governamentais - ONGs;
d) Sindicatos;
e) Movimentos Sociais;
f) Conselho Nacional de Recursos Hídricos - CNRH;
g) Conselho Nacional de Defesa Civil - CEDEC;
h) Comitê Executivo Interministerial - criado para estabelecer diretrizes e
coordenar ações relativas à Proteção da Camada de Ozônio
(PROZON);
137

i) Grupo de Trabalho para Assuntos Internacionais em Saúde e Ambiente;


j) Comissão de Biossegurança em Saúde (Portaria 699/GM, de 9 de abril
de 2003);
k) Comissão Coordenadora do Plano de Ação para a Segurança Química -
COPASQ;
l) Comissão sobre o Acesso e Uso do Genoma Humano (Portaria 20/GM,
de 27 de junho de 2002);
m) Conselho Nacional de Recursos Hídricos;
n) COPESA;
o) Agenda 21
p) Fóruns Nacionais e Internacionais;
q) Grupo Temático de Saúde e Ambiente - criado pela Associação
Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), para inserção dessa temática
no campo saúde coletiva.

Fontes de informação

Para desenvolver melhor suas ações, a CGVAM necessita de informações


como: fatores de risco (físicos, químicos, biológicos, mecânicos, psicossociais),
características especiais do ambiente, pessoas expostas, efeitos adversos à
saúde (doenças e acidentes), para tanto, conta com as seguintes fontes de
informação:

a) "Sistema de Vigilância sobre a Qualidade da Água para Consumo


Humano - SISAGUA;
b) Sistema de Informações Hospitalares - SIH/SUS;
c) Sistema de Informações de Mortalidade - SIM;
d) Sistema de Informações Ambulatoriais do DATASUS;
e) Sistema de Notificação de Agravos - SINAN:
f) Sistema de Informações de Nascidos Vivos - SINASC;
g) Sistema de Informações Tóxico-farmacológicas da Fundação Oswaldo
Cruz - SINITOX;
138

h) Censos Demográfico e Agropecuário da Fundação Instituto Brasileiro de


Geografia e Estatística - IBGE;
i) Sistema Nacional de Informações em Saneamento da Secretaria de
Desenvolvimento Urbano;
j) Sistema de Informações Hidrológicas da Agência Nacional de Energia e
Eletricidade - ANEEL;
k) Informações sobre imagens de satélites e monitoramento de queimadas
do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais - INPE;
l) Informações sobre recursos hídricos, qualidade dos assentamentos
humanos, biodiversidade, Amazônia Legal e de políticas de
desenvolvimento sustentável do Ministério do Meio Ambiente - MMA;
m) Sistemas de monitoramento do ar - realizados pelos órgãos ambientais
estaduais: CETESB em São Paulo, e FEEMA no Rio de Janeiro."
(CÂMARA, 2003)

DISCUSSÃO

Espaço físico da CGVAM

Apesar da grande rotatividade de sua equipe, a CGVAM conquistara a


ampliação do seu quadro funcional, mas em conseqüência, criara um problema
sério de espaço físico, uma vez que estava instalada com 45 pessoas em 4
pequenas salas no 7º andar do Prédio da FUNASA, em péssimas condições de
funcionamento, onde a equipe dividia tudo: o computador, a mesa e até mesmo a
cadeira.

No intuito de amenizar essa situação, bem como o de definir papéis e


compromissos de cada área, foi realizada no período de 19 a 21 de setembro de
2003, uma oficina de planejamento da CGVAM, visando uma maior integração
entre sua equipe recém formada, bem como a formulação de estratégias de ação
para sua contribuição na consolidação do SUS.
139

A partir dessa oficina, está se buscando fortalecer o componente de


planejamento da CGVAM, no sentido de construir um sistema que integre todas
as áreas da CGVAM, com monitoramento e avaliação permanentes. Para tanto,
um Plano de Ação elencando as prioridades determinadas na oficina está sendo
desencadeado de forma colegiada e organizada com as áreas, indo de encontro
com às determinações do SINVAS.

Influências negativas

Com o avanço da tecnologia, bem como com a falta de colaboração do


próprio ser humano no sentido de preservar o meio ambiente, o sistema vem
sofrendo influências negativas, como:

“A perda da camada de ozônio, o que pode contribuir para o aumento de


casos de câncer de pele”.

O aumento da contaminação aérea por monóxido de carbono e outros


agentes químicos patógenos contribuindo para o aumento das patologias
cardiovasculares, respiratórias e cânceres.

Os acidentes de grandes proporções em indústrias que contaminam todo o


ambiente do entorno, podendo gerar patologias que afetam a população.

Os processos acelerados de industrialização são responsáveis por


residências em péssimas condições de vida em áreas de periferias dos centros
urbanos que através da água de consumo e condições de saneamento causam
diarréias e outros eventos que podem levar a morte.

Os projetos de desenvolvimento como a construção de hidrelétricas


modificam sistemas ecológicos e geram processos mórbidos.
140

As patologias relacionadas ao uso excessivo de agrotóxicos e outros


poluentes causam intoxicações de diversos tipos de gravidade, poluição
intradomiciliar, entre outros.

O consumo de alimentos e produtos poluídos por formas de produção


inadequadas gera a contaminação bacteriológica de seus produtos (CÂMARA,
2003).

Procurando combater esses efeitos negativos, a vigilância ambiental, ao


longo dos anos, conforme relatado em seu histórico, vem se estruturando, indo de
encontro ao principio da precaução, do crescimento solidário, definindo ações e
intervenções para prevenção e controle desses efeitos negativos ao ambiente.
Para tanto, se relaciona com as áreas afins, no sentido de estimular a interação
entre saúde, meio ambiente e desenvolvimento, na busca de aprofundar o
conhecimento das diversas situações de risco e suas conseqüências, com o
intuito de fazer cumprir seu principal objetivo, ou seja "vigiar para prevenir".

Construindo ambientes saudáveis

No âmbito da COPESA, desde 2001, a CGVAM vem coordenando o


Grupo de Trabalho de Atenção Primária Ambiental/APA, que vem propiciando a
disseminação da vigilância ambiental em saúde e a troca de experiências e
discussões sobre a temática da construção de ambientes saudáveis,
desenvolvendo estratégias de participação da sociedade e das organizações
locais, identificando a solução dos problemas ambientais primários que atingem a
saúde e que limitam a qualidade de vida e do desenvolvimento sustentável, o que
possibilitou a inserção da CGVAM na Agenda 21 local, por meio do Termo de
Cooperação Técnica celebrado entre o Ministério da Saúde e o Ministério do Meio
Ambiente - MMA (FNMA, 2003).

A Agenda 21 local surgiu devido ao reconhecimento pela Agenda 21


Brasileira em acordo com a Agenda 21 Global, da importância do nível local
concretizar políticas públicas sustentáveis, que enfatiza a participação e a
cooperação das autoridades locais como fatores determinantes na realização de
141

seus objetivos, cabendo a cada autoridade local dialogar com seus cidadãos,
organizações locais e empresas privadas e aprovar uma Agenda 21 local (FNMA,
2003).

A articulação com os atores envolvidos em todos os níveis de governo e


com a comunidade possibilita a construção de uma ação integrada, que visa
assegurar que cada setor assuma suas responsabilidades em relação aos
problemas de saúde e ambiente, promovendo a melhoria das condições
ambientais e preservando os recursos naturais.

O tema da Campanha da Fraternidade para 2004 "Água, fonte da vida" é


uma ótima oportunidade para discussão da área de vigilância ambiental como um
todo, não só nas Igrejas como nas escolas, universidades e outras instituições.
Para tanto, faz-se necessário uma integração com a Conferência Nacional dos
Bispos do Brasil - CNBB, no sentido de se desenvolver atividades conjuntas.

Trabalhando com as crianças

Conforme abordado na REVISTA DA SAÚDE. CNS/MS; abril, 2003, O Dia


Mundial da Saúde de 2003 teve como tema: "O futuro da vida: ambientes
saudáveis para as crianças" dedicado a estimular a criação de ambientes mais
seguros para nossas crianças. Nesse sentido, a OPAS recomenda o
desenvolvimento de políticas de ação em âmbito local, regional e nacional, para
prevenir a enfermidade infantil.

A criança está mais exposta aos riscos contaminantes, tendo em vista seu
sistema imunológico mais indefeso, já que ainda está em desenvolvimento, além
da sua inocência em relação aos riscos a que está exposta, cujas conseqüências
são levadas para a idade adulta, já que, muitas doenças e mal hábitos
apresentados no adulto, teve origem a partir de uma infância mal construída.

O tema apresentado é sugestivo de que se pense em investir-se melhor


nesses pequeninos, que serão os adultos de amanhã, e se forem bem
trabalhados na infância, crescerão conscientes dos seus valores e do seu espaço,
e ao invés de destruir, irão construir e preservar o mundo onde vivem.
142

Observando a criança, pode-se perceber o interesse que ela tem em


aprender e repassar. Sente-se importante quando participa de alguma atividade e
é reconhecida. Gosta de ser elogiada e se sente motivada para continuar
desenvolvendo essas atividades que a faz sentir-se importante. Observa-se
também, que a criança tem um bom relacionamento com a natureza, o que se
torna mais fácil defender aquilo de que se gosta e se acredita. Um bom exemplo
disso foi a Conferência Nacional de Meio Ambiente com slogan "Vamos cuidar do
Brasil", realizada em Brasília - DF, no período de 28 a 30 de novembro de 2003,
que promoveu, também, a "Conferência Infanto-Juvenil" integrada por
delegados com idade de 11 a 15 anos que ao final da conferência, conforme
relata a Assessoria de Comunicação do Ministério da Saúde (ASCOM/MS),
elaboraram um documento que foi entregue em mãos para a ministra do Meio
Ambiente, Marina Silva, com propostas relativas aos temas água, escola, seres
vivos, comunidade e alimentos, além de sugerir a formulação de um plano de
ação para conscientizar a população da necessidade de preservação da água,
bem como o desenvolvimento de um projeto de coleta e reciclagem do lixo
produzido na escola, e implantação de hortas comunitárias com a participação de
toda a comunidade e ainda, a criação da Semana Nacional de Vigilância
Sanitária e Cidadania Estudantil. No documento, as crianças dizem esperar que
suas reivindicações sejam atendidas: "Queremos dizer que as leis devem ser
cumpridas e nós vamos cobrar". Concluem o texto com uma frase que lembra a
importância de preservar o meio ambiente: "Apenas no dia em que o homem
poluir o último rio, matar o último peixe e cortar a última árvore ele verá que não
pode alimentar-se de dinheiro" (ASCOM 2003).

É sugestivo, portanto, que seja desenvolvidos trabalhos de conscientização


voltados para as crianças e adolescentes, que sejam divulgados nas escolas, nas
Igrejas, nos parques de diversão. Que sejam promovidas palestras, passeios
ecológicos, camisetas, revistas, panfletos, filmes e outros que abordem a
conscientização popular para a preservação do meio ambiente.

Que os ecoclubes (grupos de crianças e adolescentes que desenvolvem


atividades escolares voltadas para o meio ambiente) sejam fortalecidos e
expandidos para as diversas instituições.
143

CONCLUSÃO

A palavra vigilância, por si só, já dar a idéia de vigiar, cuidar, prevenir para
não deixar acontecer.

E é como um vigilante cuidadoso que a Vigilância Ambiental em Saúde, por


meio de seus atores espalhados por este Brasil afora, busca unir esforços no
sentido de desenvolver estratégias que promovam ações voltadas para a
preservação do meio ambiente, além de buscar parcerias com outras instituições
afins e articular-se com outras áreas e movimentos sociais, no sentido de
mobilizar a sociedade para o enfrentamento dos problemas.

Diante do exposto conclui-se que a CGVAM - embora sendo uma área


nova no âmbito do Ministério da Saúde, e que, apesar das condições ainda
inadequadas de trabalho e com rotatividade de sua equipe técnica, formada,
praticamente, por consultores -, tem dado sua parcela de contribuição para a
consolidação do SUS, buscando desenvolver estratégias que possibilitem na
construção de um modelo de atenção à saúde voltado para a qualidade de vida,
contribuindo, também, com a promoção de ambientes saudáveis, conforme
proposto na 10ª Conferência Nacional de Saúde.

É bom lembrar também, que a grande família CGVAM não mede esforços
para cumprir o seu papel, cada um contribui como pode, seja dividindo
equipamentos, levando trabalho para casa, ou ficando muito além do horário. É
assim, que cada um vem dando a sua parcela de contribuição com a CGVAM e
com o SUS.

O importante é "vestir a camisa e arregaçar as mangas" e ser um vigilante


ambiental não só no trabalho, mas em todos os lugares por onde andar,
educando principalmente nossas crianças, no sentido de fazê-las respeitar a
natureza e defendê-la em todos os lugares que se fizerem presentes, de forma a
conscientizar aqueles que estão a nossa volta, e assim, podermos caminhar com
a consciência tranqüila de que a nossa contribuição está sendo dada em busca
144

de uma qualidade melhor de vida, para nós, para o nosso próximo e para as
futuras gerações.

RECOMENDAÇÕES

Diante da grande importância do assunto abordado, bem como da extensa


demanda de atividades a serem desenvolvidas, levando-se em conta o grande
número de denúncias e sugestões que chegam diariamente à CGVAM,
recomenda-se, que seja retomada a proposta da mesma se estruturar como
um Departamento, uma vez que como Departamento, terá mais autonomia
para viabilizar com mais precisão suas ações que são voltadas diretamente para
a sociedade e para o meio ambiente, no intuito de gerar impacto na qualidade
de vida de cada ser humano, o que, sem dúvida, prevenirá ou retardará o
surgimento da doença.
É recomendável, também, que providências imediatas sejam tomadas, no
sentido de que a CGVAM tenha condições adequadas de trabalho, o que já
melhorou com a conquista da ampliação do seu espaço físico e com a aquisição
de mais computadores, mas suas instalações operacionais ainda deixam muito a
desejar, o que, além de dificultar a execução de suas atividades, ainda está em
contradição com a vigilância do trabalho e do ambiente: "vigiar as condições de
trabalho, a exposição do trabalhador em área de risco". Diante dessa situação,
como recomendar as boas condições ambientais a outras áreas, se a sua própria
não oferece estas boas condições?
145

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARBOSA, J. São importantes as parcerias. Revista da saúde: o Brasil falando


como quer ser tratado. Brasília: CNS/MS; abril, 2003.

CÂMARA, V.M., Processos produtivos e vigilância à saúde: produção,


consumo, transporte e resíduos, apontamentos em sala de aula, Salvador,
2003.

DIRETORIA DE VIGILÂNCIA E CONTROLE SANITÁRIO DO ESTADO DA


BAHIA. Vigilância sanitária e ambiental: informações gerais. Salvador,
2002

GOUVEIA, N; CARNEIRO, F; GIRALDO, L. Relatório da oficina sobre


vigilância em saúde ambiental. CENTRO DE PESQUIAS AGGEU
MAGALHÃES - FIOCRUZ.. Recife, 23 a 24 de setembro/2002.

GT DE SAÚDE E AMBIENTE DA ABRASCO. Vigilância em saúde ambiental.


VII Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva. Brasília, julho/2003.

IESUS VI (2) Abr/Jun 1993.

MINISTÉRIO DA SAÚDE: FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. Controle e


vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de
potalidade. Portaria 1469, Brasília, outubro/2001.

________________________: ________________________________.
Instrução Normativa nº 1, de 25 de setembro de 2001. Diário Oficial da
União nº 0, Seção 1, Quarta-feira, 26 de setembro de 2001.

______________________:. _________________________. Vigilância


ambiental em saúde. Brasília, outubro/2002.

______________________. SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE.


Modernização do Sistema Nacional de Vigilância em Saúde: Vigisus II:
Subcomponente II: Vigilância Ambiental em Saúde, setembro/2003.
146

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. SECRETARIA EXECUTIVA. Construção de


agendas 21 locais, Edital FNMA 2/2003. Brasília, julho/2003.

NETTO, G. F. & CARNEIRO, F. F. Vigilância ambiental em saúde e a


promoção de ambientes saudáveis. Revista da saúde: o Brasil falando
como quer ser tratado. Brasília: CNS/MS; abril, 2003.

NETTO, G. F. & CARNEIRO, F. F. Vigilância Ambiental em Saúde no Brasil.


Relatório. Brasília, 2002.

NÚCLEO DE ESTUDOS DE SAÚDE COLETIVA. II Curso de especialização em


vigilância ambiental em saúde: apontamentos em sala de aula -
NESC/UFRJ e DIVISA - SES/BA.

REVISTA DA SAÚDE, Ambientes saudáveis: Promoção da saúde, qualidade


de vida e bem-estar; O Brasil falando como quer ser tratado; luta por dias
melhores; Brasília: CNS/MS; abril, 2003.

SECRETARIA DE ESTADO DA SAÚDE DA PARAÍBA. Vigilância ambiental de


saúde. Informe oficial da Secretaria de Estado da Saúde: Editado pela
Vigilância Ambiental: Governo do Estado da Paraíba, ANO I, 2003.

SECRETARIA DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE. Oficina de planejamento da


CGVAM. setembro, 2003.

TAMBELLINI, A. T. & CÂMARA, V. M. A temática saúde e ambiente no


processo de desenvolvimento do campo de saúde coletiva: aspectos
históricos, conceituais e metodológicos. Ciência e Saúde Coletiva, ISSN,
1998

__________________ & _____________. Vigilância Ambiental em Saúde:


Conceitos, caminhos e interfaces com outros tipos de vigilância.
Cadernos de Saúde Coletiva. Rio de Janeiro/2002.

TEIXEIRA, C. T; PAIM, J. S; VILASBÔAS, A. L. SUS: modelos assistenciais e


vigilância da saúde. Texto elaborado para a Oficina de Vigilância em Saúde
do IV Congresso Brasileiro de Epidemiologia.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
NÚCLEO DE ESTUDOS DE SAÚDE COLETIVA
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

ESTUDO DA PACTUAÇÃO DAS AÇÕES DE VIGILÂNCIA AMBIENTAL NO


ESTADO DA BAHIA NO ANO DE 2003: A CONTRIBUIÇÃO DA DIVISA

Andréa Helena Argolo Ferraro

Adaptação da Monografia apresentada ao


Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva como
pré-requisito para a obtenção do Titulo de
Especialista em Vigilância Ambiental em
Saúde

- 2003 -
RESUMO

Na Bahia, o órgão coordenador das ações da Vigilância Ambiental em


Saúde - VAS é a Diretoria de Vigilância e Controle Sanitário - DIVISA, enquanto
que, o órgão que programa junto aos municípios a maioria das ações da VAS é a
Diretoria de Vigilância Epidemiológica e Controle de Doenças – DIVEP. Este
artigo propõe analisar a contribuição da DIVISA no processo da Programação
Pactuada e Integrada/PPI, que favoreceram a implementação da - VAS nos
municípios baianos em 2003, a partir da análise documental e entrevistas com
técnicos dos níveis estadual, regional e municipal. Os resultados mostram que a
PPI da Vigilância Sanitária apresenta muitas contribuições para a programação
local de ações da VAS referentes àquelas com fatores não biológicos, ficando as
ações de fatores biológicos com a DIVEP. Conclui-se que a PPI elaborada pela
DIVISA, em 2003, não determina a implementação da VAS no nível municipal,
embora favorece a execução de algumas ações. Por outro lado a DIVISA
promove capacitações as quais auxiliam na construção e sedimentação técnica
dos níveis estadual e municipal, bem como fortalece aquela Diretoria no
cumprimento do seu papel de coordenador Estadual de VAS.

Palavras chave: Programação Pactuada Integrada, Vigilância Ambiental em


Saúde, Vigilância Sanitária.
151
Estudo da Pactuação das Ações de Vigilância Ambiental no
Estado da Bahia no ano de 2003: a contribuição da divisa
Andréa Helena Argolo Ferraro

INTRODUÇÃO

A natureza da Vigilância Sanitária envolve conhecimento de espectro


multidisciplinar, em função de suas ações terem caráter eminentemente
preventivo. (Costa) De acordo com lei federal nº 8.080/90, ela passou a incorporar
a noção de risco à saúde, que deve servir como pano de fundo para as suas
ações. Atualmente, existe grande discussão sobre o conceito de Risco
(Rouquayrol, Diniz - texto elaborado para o Curso de Vigilância Sanitária,
fotocopiado)

Seu campo de atuação se dá diretamente sobre os produtores de bens


(alimentos, medicamentos, equipamentos médicos e odontológicos, produtos
domissanitários, de higiene pessoal, e outros); os prestadores de serviços que
influenciam a saúde das pessoas (profissionais de saúde e afins); a saúde do
trabalhador; e o meio ambiente. (Tambellini, & Câmara) A vigilância ambiental em
saúde, na proposta do Sistema Nacional de Vigilância Ambiental em Saúde –
SINVAS, é definida como: “um conjunto de ações e serviços prestados por órgãos
e entidades públicas e privadas relativas à vigilância ambiental em saúde, visando
o conhecimento e a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores
determinantes e condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde
humana, com a finalidade de recomendar e adotar medidas de prevenção e
controle dos fatores de risco relacionados às doenças e outros agravos à saúde“
(Brasil).

A vigilância ambiental em saúde/VAS está inserida na atenção integral á


saúde, e faz parte da vigilância da saúde, atuando na interface saúde-ambiente.
No nível federal foi criada especificamente para gerir a VAS uma Coordenação
Geral de Vigilância Ambiental (CGVAN). Já nos âmbitos estadual e municipal, não
existe determinação de que órgão deverá executá-la, ficando, até então, a critério
de cada Unidade Federativa a decisão de criar ou não uma unidade gestora da
VAS ou até mesmo de designar a integração das ações da VAS em outra unidade
de Vigilância (Epidemiológica, Sanitária, da saúde do trabalhador). Há, entretanto,
uma recomendação aos estados, apenas, quanto à programação pactuada
integrada, para que não sejam desmembradas as ações da VAS do eixo da
152
Estudo da Pactuação das Ações de Vigilância Ambiental no
Estado da Bahia no ano de 2003: a contribuição da divisa
Andréa Helena Argolo Ferraro

vigilância epidemiológica (Brasil). Dessa forma, os estados podem identificar que


órgão executará tais ações.

No caso da Bahia, as ações da VAS foram incorporadas na Vigilância


Sanitária (Bahia).Diante da compreensão de que os riscos, as previsões e os
possíveis efeitos adversos constituem os instrumentos do enfoque de risco. E
devido ao entendimento de que o objetivo do enfoque de risco seria então,
mensurar os riscos para a saúde da população e identificar os fatores de risco a
eles associados, possibilitando assim que se organize a atenção de acordo com
necessidades melhores definidas, E ORIENTADAS PARA A PREVENÇÃO DE
AGRAVOS E PROMOÇÃO À SAÚDE... (Diniz - texto elaborado para o Curso de
Vigilância Sanitária, fotocopiado) Com base neste enfoque de risco que as ações
de VAS, no estado da Bahia, foram incorporadas a VISA, ao entender que, onde
há risco proveniente dos processos produtivos e ou ambientais e que venha a
atingir grupos populacionais ou indivíduos, são de competência da vigilância
sanitária.

A descentralização entendida enquanto estratégia para a organização da


prestação de serviços de saúde é amplamente discutida na literatura e é marcada
pela ambigüidade e contradições com diferentes entendimentos e aplicações,
além de diferentes focos de análise (Arretche). Contudo, existe certo consenso
em torno das idéias centrais como transferência de recursos financeiros e de
poder decisório, controle social sobre a aplicação de recursos, aumento de
responsabilidades e das competências locais (Guimarães). A municipalização das
ações de saúde particularmente da atenção básica da saúde, se constituiu num
dos focos mais importantes da política de descentralização do SUS.

No Estado da Bahia, ainda que a municipalização da saúde tenha sido


acelerada no período de 1998, o processo de descentralização das ações de
saúde não se deu de forma homogênea entre as diversas ações. É notória a
observação de que, por exemplo, a vigilância epidemiológica é, entre tantas
outras, amplamente executada pelos municípios; entretanto com as ações de
vigilância sanitária, no mesmo período, isso não aconteceu com a mesma
153
Estudo da Pactuação das Ações de Vigilância Ambiental no
Estado da Bahia no ano de 2003: a contribuição da divisa
Andréa Helena Argolo Ferraro

intensidade, como mostra o Relatório da Oficina de Descentralização das Ações


de Vigilância Sanitária no período de maio de 1998 (DIVISA).

A Norma Operacional Básica do SUS - NOB/96 reafirma a necessidade


de aperfeiçoar a gestão do SUS para a reordenação do modelo de atenção à
saúde valorizando os resultados advindos de programação com critérios
epidemiológicos e de desempenho das ações (BRASIL, VRANJAC).

A atribuição das ações de saúde desenvolvidas pelos níveis de governo, no


âmbito do SUS, ainda hoje é definida a partir de uma programação, articulada
com os três níveis, o que vem a ser denominado de Programação Pactuada
Integrada – PPI.

A programação pactuada integrada da epidemiologia e controle de doença


(PPI -ECD) “é o conjunto de atividades, de metas e de recursos financeiros,
pactuados entre FUNASA – Secretarias Estaduais de Saúde e Secretarias
Municipais de Saúde” (Brasil). Criada em 1999, a PPI -ECD pode ser considerada
como um instrumento utilizado para contribuir com o processo de
descentralização das ações básicas de saúde. A pactuação explícita das ações
da vigilância ambiental em saúde na PPI – ECD, até então, se encontra incluída
no eixo da Vigilância Epidemiológica, e, de forma difusa e implícita no eixo da
programação da Vigilância Sanitária.

A PPI auxilia especialmente o planejamento local e estadual a partir da


programação das ações de saúde, possibilitando ao executor local perceber
melhor sua capacidade de atuação. Por outro lado ela é vista, também, como
instrumento para a regulação do Sistema Único de Saúde. Assim, o processo de
elaboração da PPI deve respeitar a autonomia de cada gestor, devendo o Estado
harmonizar as programações municipais, incorporando as ações sob sua
responsabilidade direta, mediante negociações com os demais níveis.

O processo de avaliação da PPI permite ao Estado analisar os avanços e


os limites dos municípios e refletir sobre a sua participação nesse processo, suas
possibilidades e dificuldades. Podendo, assim, executar melhor a sua função de
coordenação, regulação e de cooperação técnica, junto aos municípios. Desta
154
Estudo da Pactuação das Ações de Vigilância Ambiental no
Estado da Bahia no ano de 2003: a contribuição da divisa
Andréa Helena Argolo Ferraro

forma, o Estado avalia também o seu desempenho no alcance das metas


previstas por ações em todo o seu território.

As ações da vigilância sanitária foram incorporadas à PPI, no estado da


Bahia, a partir do ano de 2000 (DIVISA), quando o processo de descentralização
das ações de vigilância estava bem adiantado e, mais de 80% dos municípios já
se encontravam em alguma forma de habilitação na NOB SUS 01/96. Até o
momento, não existe normatização nacional para a programação pactuada
integrada para as ações de vigilância sanitária. A legislação que legitima o eixo da
Vigilância Sanitária é a Portaria da Comissão Intergestora Bipartite (CIB) nº
028/01, a qual define a equipe mínima e o elenco de ações para cada tipo de
modelo de gestão municipal da saúde (DIVISA).

As ações de vigilância sanitária programadas pelos municípios contemplam


ações que vão desde o cadastramento de estabelecimentos, realização de
inspeções nos mais diversos tipos de estabelecimentos, atendimento a
denúncias, controle de qualidade de produtos, educação e comunicação em
vigilância sanitária, passando por elaboração de material informativo e ações
conjuntas de alimentação e manutenção de sistemas de informação.

Diante do exposto fica claro a necessidade de se analisar a contribuição da


Diretoria de Vigilância e Controle Sanitário no processo de Programação
Pactuada Integrada das Ações de Vigilância Ambiental no Estado da Bahia.
Identificando os pontos positivos no processo da pactuação das ações da
vigilância sanitária que favorecem a implantação das ações da VAS municipal no
estado da Bahia; com vistas a aperfeiçoar o papel da Vigilância Sanitária do
Estado no acompanhamento da programação pactuada integrada, nos eixos da
VAS e VISA.

A partir dessa avaliação será possível identificar os avanços e limites e, a


partir daí, buscar soluções no sentido da DIVISA ocupar efetivamente o seu papel
participando do processo de programação e pactuação das ações não só da
Vigilância Sanitária, mas também da Vigilância Ambiental.
155
Estudo da Pactuação das Ações de Vigilância Ambiental no
Estado da Bahia no ano de 2003: a contribuição da divisa
Andréa Helena Argolo Ferraro

METODOLOGIA

O processo de pactuação das ações de VAS foi analisado a partir do


estudo exploratório de documentos oficiais: legislação, manual da Programação
Pactuada Integrada utilizado no ano de 2003 e relatórios de Gestão da DIVISA.
Foram analisadas as planilhas do eixo da vigilância sanitária, e do eixo da
vigilância epidemiológica e controle de doenças.

Depois de aplicado o Termo de Compromisso, foram entrevistados 1(um)


Gestor da Superintendência de Vigilância à Saúde - SUVISA, 1 gestor da DIVISA,
1 técnico de cada uma das 30 Diretorias Regionais de Saúde – DIRES,
responsável pelo momento da programação na regional, bem como 1 gestor dos
20 municípiosa em Gestão Plena do Sistema Municipal. Destes últimos,
participaram da pesquisa 20 técnicos de DIRES e 09 de Municípios. Totalizando –
54 atores.

RESULTADOS

Os resultados obtidos, da pesquisa em relatórios da DIVISA, mostram que


embora os municípios venham programando as ações de VAS na PPI da
Vigilância Epidemiológica e ECD e de forma discreta na PPI da Vigilância
Sanitária, poucos são os municípios que realmente conseguiram ainda que de
forma incipiente implementar e ou desenvolver ações de VAS.

Da entrevista com os técnicos das Diretorias Regionais de Saúde o


problema (ponto negativo) mais argumentado entre os 90% respondentes foi a

a
Municípios em gestão Plena do Sistema Municipal: 1)Alagoinhas, 2)Amargosa, 3)Barra do
Choça, 4)Barreiras, 5)Camaçari, 6)Catu, 7)Eunápolis, 8)Ibotirama 9)Ilhéus, 10)Irecê, 11)Itaberaba,
12)Jequié, 13)Juazeiro, 14)Laje, 15)Medeiros Neto, 16)Porto Seguro, 17)São Sebastião do Passe,
18)Senhor do Bonfim, 19)Teixeira de Freitas, 20)Vitória da Conquista.
156
Estudo da Pactuação das Ações de Vigilância Ambiental no
Estado da Bahia no ano de 2003: a contribuição da divisa
Andréa Helena Argolo Ferraro

não implantação da VAS na regional de saúde e nos municípios, devido à falta de


recursos humanos capacitados. A percepção dos técnicos quanto à influência da
DIVISA na implantação das ações de VAS foi enfatizado por 60% como sendo da
busca da qualificação/capacitação de técnicos e na condução da programação de
ações junto as DIRES e Municípios, enquanto 40% argumentou a dificuldade de
estabelecer uma ligação oficial entre os demais órgãos envolvidos, nas ações
interinstitucionais com o Centro de Recursos Ambientais, Departamento de
Defesa Animal, Vigilância Epidemiológica.

Quanto à entrevista com os técnicos dos municípios em gestão plena do


sistema municipal, o ponto negativo identificado por 60% foi a dificuldade na
compreensão do agir sob a ótica da vigilância em saúde e de forma
interinstitucional. 70% deles identificam o papel da DIVISA também como principal
promotor de capacitação de recursos humanos na área de VAS.

Ao entrevistar a gestora da Superintendência de Controle de Vigilância da


Saúde, verifica-se em seu discurso uma grande tendência de se trabalhar com o
modelo de vigilância em saúde: “uma PPI onde todos as vigilâncias possam
programar e pactuar em um único instrumento de forma integrada”. O mesmo se
pode observar da entrevista com a Diretora da DIVISA.

Pode-se afirmar que a DIVISA, embora ainda não tenha conseguido


acompanhar e analisar com profundidade a programação e execução das metas
pactuadas junto aos municípios fomentou que a planilha da PPI do eixo da
Vigilância Sanitária existisse desde 2000. As ações de vigilância sanitária
programadas pelos municípios contemplam ações desde o cadastramento de
estabelecimentos, realização de inspeções nos mais diversos tipos de
estabelecimentos, atendimento a denúncias, controle de qualidade de produtos,
educação e comunicação em vigilância sanitária, passando por elaboração de
material informativo, ações conjuntas e alimentação e manutenção de sistemas
de informação. Em 2003, a PPI Vigilância Sanitária se consolida com muitas
contribuições para a programação local de ações da vigilância ambiental. Isso
reforça a DIVISA no cumprimento do seu papel, enquanto coordenador estadual
das ações da Vigilância Ambiental em Saúde.
157
Estudo da Pactuação das Ações de Vigilância Ambiental no
Estado da Bahia no ano de 2003: a contribuição da divisa
Andréa Helena Argolo Ferraro

Fica bastante evidente a divisão das ações da Vigilância Ambiental em


Saúde no Estado: ficando as ações relacionadas aos fatores biológicos com a
Vigilância Epidemiológica e as relativas aos fatores não biológicos com a
Vigilância Sanitária e Epidemiológica, o que denota uma falta de articulação entre
as mesmas.

DISCUSSÃO

Segundo o Decreto Estadual nº 7.546 de 24 de março de 1999, a


coordenação das ações da VAS é de responsabilidade da DIVISA. Entretanto,
segundo a orientação da Portaria da FUNASA nº 1.399 de 15/12/99 em seu artigo
22, inciso I, há recomendação às Secretarias Estaduais de Saúde para a não
separação das atividades de vigilância epidemiológica, vigilância ambiental em
saúde e operações de controle de doenças. Impasse que só será resolvido
quando efetivamente o modelo da Vigilância em Saúde passar a vigorar na esfera
estadual da Bahia.

A Avaliação da Programação Pactuada Integrada no que se refere às


ações de vigilância ambiental, pela Diretoria de Vigilância e Controle Sanitário e
Ambiental do Estado da Bahia (DIVISA) é insuficiente para demonstrar o grau de
execução das ações pactuadas, uma vez que a análise completa das ações da
VAS não é realizada em conjunto com a Vigilância Epidemiológica, considerando
que a DIVISA acompanha e coordena as ações por fatores não biológicos e a
DIVEP (Diretoria de Vigilância e Epidemiológica e Controle de Doenças) as ações
biológicas. Possivelmente, pela histórica distância com os demais setores da
Saúde no Estado que a Vigilância Sanitária teve, e vem tentando quebrar, este
fato ainda aconteça. Os dados mostram que a DIVISA, no ano de 2003,
conseguiu uma maior aproximação tanto com a Coordenação Estadual da
Atenção Básica, quanto com a DIVEP, prometendo grandes possibilidades de
aprimoramento da programação das ações da VAS.

A pactuação da Vigilância Sanitária contempla ações que apresentam


interfaces entre a vigilância sanitária e a vigilância ambiental, por isso não há
158
Estudo da Pactuação das Ações de Vigilância Ambiental no
Estado da Bahia no ano de 2003: a contribuição da divisa
Andréa Helena Argolo Ferraro

maiores monitoramentos das ações pactuadas na planilha da Vigilância


Epidemiológica. Tal afirmativa não pode ser evidenciada pela análise documental
nem pelas entrevistas ou. O que se pode observar é que faltavam maiores
esclarecimentos dos envolvidos no processo quanto ao fato da DIVEP estar
programando ações cuja responsabilidade no Estado, é da DIVISA.
Possivelmente, este fato acontecia por que não existe publicado até o momento
recomendação do nível federal para a PPI com ações de vigilância sanitária. O
Estado vinha programando e realizando a PPI com tais ações por compreender
que as ações básicas envolvem, também, a vigilância sanitária, e também, pelo
compromisso com SUS, no sentido de cumprir a Diretriz da Descentralização
rumo à municipalização.

Acredita-se que, para o próximo ano 2004, a programação no Estado já


aconteça na perspectiva da Vigilância à Saúde, contemplando desta forma as
interfaces da Vigilância Ambiental, com todas as outras vigilâncias.

Os resultados sugerem que existe pouca execução, no âmbito municipal,


das ações de VAS programadas junto às Vigilâncias Sanitária e Epidemiológica
Possivelmente, o esforço da DIVISA em relação à capacitação de profissionais
dos níveis central, regional e municipal, relatados pelos técnicos das Diretorias
Regionais de Saúde e dos Municípios que fizeram parte do estudo, seja
promissor, conforme foi considerado nas entrevistas. O processo de
implementação da VAS necessitaria, apenas, de políticas de recursos humanos
capazes de garantir a permanência de técnicos qualificados em seus territórios.

CONCLUSÕES

Conclui-se que a programação pactuada integrada elaborada pela DIVISA,


pactuada em 2003, não determina a estruturação ou não estruturação da VAS no
nível municipal, por trabalhar apenas com ações por fatores não biológicos, nem
favorece a execução de ações devido a falta de recursos humanos treinados na
execução de suas ações fixados nos municípios.
159
Estudo da Pactuação das Ações de Vigilância Ambiental no
Estado da Bahia no ano de 2003: a contribuição da divisa
Andréa Helena Argolo Ferraro

As capacitações efetuadas ao longo do período em estudo auxiliam na


construção e sedimentação técnica dos níveis regional e municipal, bem como
fortalece a DIVISA no cumprimento do seu papel enquanto coordenador estadual
da Vigilância Ambiental em Saúde.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, L O M de; PONTES, R J S; Martins Júnior, T. A descentralização no


marco da Reforma Sanitária no Brasil. Revista Panamericana Salud
Publica. Washington: (8),.1-2, 2000. Extraído de http:// www.bireme.gov.br.
Acesso em 11/09/03.
ARRETCHE, M T. S. Políticas Sociais no Brasil: Descentralização em um Estado
federativo. Revista Brasileira de Ciências Sociais. São Paulo: (14),. 40,
1999.Extraído de http:// www.bireme.gov.br. Acesso em: 26/08/03.
BAHIA. Decreto Estadual nº 7.546 de 24 de março de 1999. Aprova o Regimento
da Secretaria da Saúde. Diário Oficial do Estado da Bahia. Salvador, 06
de maio de 1999, p.17-29.
BAHIA. Decreto Estadual nº 8.392 de 12 de dezembro de 2002. Aprova o
Regimento da Secretaria da Saúde Diário Oficial do Estado da Bahia.
Salvador, 13 de dezembro de 2002, p.01-11.
BAHIA. Secretaria da saúde do Estados da Bahia. SUS. Programação da
Atenção Básica 2003: Manual de Orientação PPI de Epidemiologia e
Controle de Doenças. 2003, 133 p.
BRASIL. Ministério da Saúde. Norma Operacional Básica do Sistema Único de
Saúde / NOB-SUS 96, Gestão Plena com Responsabilidade pela Saúde do
Cidadão. Brasília, 1997, 34p.
BRASIL. Ministério da Saúde. Lei Federal nº 8.080 de 19 de setembro de1990.
Extraído de http:// www.funasa.gov.br .Acesso em 18/06/03.
BRASIL, Fundação Nacional de Saúde. Portaria nº 1399 de 15/12/1999. Extraído
de http:// www.funasa.gov.br . Acesso em 18/08/03.
BRASIL, Ministério da Saúde. Instrução Normativa nº 02 de 06/12/01. Extraído
de http:// www.funasa.gov.br .Acesso em 18/08/03.
CARVALHO, A.I.; et al. Os caminhos da descentralização no setor saúde
brasileiro. Revista Saúde em Debate, Londrina, (38).49-54,1993.
CIB/BA - COMISSÃO INTERGERSTORA BIPARTITE / BAHIA Portaria nº 028 de
07 de maio de 2001. Aprova a equipe mínima e o elenco das ações de
vigilância sanitária e o repasse de recursos do Fundo Estadual para o Fundo
Municipal. Diário Oficial do Estado da Bahia. Salvador, 15 de maio de
2001.
COSTA, E A. Vigilância Sanitária Proteção e Defesa da Saúde. São Paulo:
Hucitec 1999. 460p.
160
Estudo da Pactuação das Ações de Vigilância Ambiental no
Estado da Bahia no ano de 2003: a contribuição da divisa
Andréa Helena Argolo Ferraro

DIVISA. Relatório da Oficina de Descentralização das Ações de Vigilância


Sanitária: 1998. Salvador:1998.
DIVISA. Relatório Anual de Atividade da DIVISA: 2001, Salvador, 2001.
GUIMARÃES, M do C L. As Controvérsias Conceituais e o Debate Sobre a
Descentralização na Literatura. In Anais : 23º Encontro Anual da Associação
Nacional de Programas de Pós-Graduação em Administração. Foz do
Iguaçu, Paraná: ANPAD, 1999, 1CD-ROM.
MOLESINI, J. Municipalização da saúde na Bahia: Estudo Exploratório da
Implementação da NOB 01/96. Dissertação Mestrado Salvador-Bahia
Universidade Federal da Bahia. 1999.
ROUQUAYROL, M Z; ALMEIDA FILHO, N. Epidemiologia e Saúde. 5ed. Rio de
Janeiro, MEDSI, 1999.
TAMBELLINI, A M T; CÂMARA, V M. Vigilância Ambiental em Saúde: Conceitos,
caminhos e interfaces com outros tipos de vigilância. Rio de Janeiro,
Cadernos de Saúde Coletiva, 10(1)77-93, 2002.
VRANJAC, A. Histórico do combate às doenças transmissíveis no Brasil.
Módulos Básicos do Treinamento Básico de Vigilância Epidemiológica, São
Paulo: [s.n.] 1998, 27p.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
NÚCLEO DE ESTUDOS DE SAÚDE COLETIVA
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

O DESENVOLVIMENTO DO CURSO BÁSICO DE VIGILÂNCIA AMBIENTAL NO


ESTADO DA BAHIA

Sonia Santos Oliveira

Adaptação da Monografia apresentada ao


Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva como
pré-requisito para a obtenção do Titulo de
Especialista em Vigilância Ambiental em
Saúde

- 2003 -
RESUMO

Este trabalho mostra a avaliação do desenvolvimento do Curso Básico de


Vigilância Ambiental em Saúde (CBVA) a partir da análise de diversos
documentos do Ministério da Saúde e da DIVISA, bem como dos instrumentos de
avaliação do próprio curso aplicados aos alunos. Entre as principais observações
destacam-se: o número expressivo de profissionais das vigilâncias municipais e
regionais participantes; a utilização dos princípios da pedagogia da
problematização a diversificação metodológica que facilitaram o processo ensino-
aprendizagem; a necessidade de revisão do material didático (textos e estudos de
caso) e a aplicação do curso conforme programação atual com carga horária de
oitenta horas para concentração e trinta de dispersão. Conclui-se que são
importantes as revisões e avaliações para seu aprimoramento, contribuindo assim
para a estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde, nas diversas esferas de
Governo no Estado.

Palavras-Chave: Vigilância; Ambiente; Saúde; Cursos; Pedagogia.


165
O Desenvolvimento do Curso Básico de Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Sonia Santos Oliveira

INTRODUÇÃO

O processo de desenvolvimento social e econômico repercute nas relações


que ocorrem nos ecossistemas, gerando impactos na saúde dos seres humanos.
Neste sentido torna-se fundamental que o Sistema Único de saúde realize
atividades de Vigilância Ambiental em Saúde (VAS). As principais atividades
deste tipo de vigilância referem-se aos processos de produção, integração,
processamento e interpretação das informações relacionadas ao ambiente e à
saúde e da execução de ações referentes ao controle dos riscos e das doenças
prevenção e promoção da saúde (Franco Netto & Carneiro 2002; Tambellini &
Câmara, 2002).

Para estruturação da Vigilância Ambiental em Saúde (VAS), a Fundação


Nacional de Saúde (FUNASA) em acordo com a Secretaria da Saúde do Estado
da Bahia (SESAB) através da Diretoria de Vigilância e Controle Sanitário (DIVISA)
resolveu incluir a Bahia entre os 5 estados, para uma experiência piloto na
implantação da Vigilância Ambiental em Saúde, financiada pelo projeto VIGISUS.
Para tanto se utilizou como estratégia a aplicação do Curso Básico de Vigilância
Ambiental (CBVA), criado para atender a necessidade de capacitação de técnicos
para atuarem na área de Vigilância Ambiental em Saúde (COPASAD, 1995).
Nessa perspectiva foi realizado o pré-teste do CBVA no Estado, em 2000 que
contou, entre outros, com a participação de autores dos textos utilizados no curso.

Ao longo dos 4 anos de execução do Curso foram realizadas alterações no


material didático quanto ao conteúdo e principalmente na metodologia. Tais
alterações foram orientadas pela CGVAM/FUNASA, através de Oficinas de
Avaliação, que contaram com a participação dos Estados que estavam em
processo de implantação e/ou implementação da VAS,e dos autores dos textos e
instrutores. Foram utilizadas como referências as avaliações dos treinandos
quanto a metodologia e conteúdo do curso, contextualizado a partir da realidade
local.

Neste documento será realizado um estudo exploratório a partir de


pesquisas em textos científicos e análise de documentos diversos do
166
O Desenvolvimento do Curso Básico de Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Sonia Santos Oliveira

MS/FUNASA, SESAB/ DIVISA entre outros órgãos. Também serão analisados os


dados coletados através de instrumentos de avaliação de curso aplicados aos
alunos e relatórios de atividades da DIVISA.

O CURSO DE VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE - CBVA

A VAS no Sistema Único de Saúde

A Vigilância Ambiental em Saúde requer a articulação entre todos os


níveis de governos e organizações não governamentais a fim de que a
comunidade participe e assuma a sua responsabilidade face aos problemas de
saúde e de ambiente. Dentro da visão sistêmica, de que as partes são
interligadas e intercomplementares, não se pode abordar os problemas
ambientais a fim de se obter uma ação integrada, sem articular as diversas
disciplinas, em suas concepções conceituais e metodológicas (FUNASA,
2000; FUNASA, 2001; Tambellini & Câmara, 1998).

O arcabouço institucional responsável pelas políticas públicas e


privadas se organizam em setores, divididos por especificações, com
objetivos próprios, mas que não podem ficar estanques entre si, pelo
contrário, esses setores têm que se complementar (FUNASA, 2003a,
FUNASA 2003b).

A interdisciplinaridade pode ser entendida como uma atitude frente a


determinados conhecimentos que são comuns a diversas disciplinas (conceito
brasileiro). A interdisciplinaridade se baseia em pilares como a pesquisa, o
conteúdo, os princípios, o entendimento do que seja comunidade, a parceria
e o trabalho em equipe. Tornando imprescindível o apoio das instituições.

Para se trabalhar com a interdisciplinaridade, deve-se seguir um


projeto pedagógico, buscando experiências monitoradas, além de se observar
a formação dos instrutores e a propost a de conteúdos temáticos. As ações
intersetoriais e a interdisciplinares não aceitam sujeição de uma parte a outra,
167
O Desenvolvimento do Curso Básico de Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Sonia Santos Oliveira

mas uma relação de parceria e cooperação, tendo em vista um objetivo maior


que é a promoção da saúde.

A construção e as estratégias de desenvolvimento

A história do Curso na Bahia se confunde com o processo de


desenvolvimento do mesmo no País, desencadeado pela CGVAM, nos aspectos
metodológicos e de conteúdo, uma vez que a construção foi coletiva e
democrática. Sendo realizado o pré-teste em 2000 na cidade de Salvador-Ba.
Estiveram presentes os autores dos textos, representantes da OPAS/OMS,
coordenadores e técnicos da CGVAM, juntamente com alunos estrategicamente
escolhidos da Região metropolitana de Salvador (RMS), das Diretorias Regionais
de Saúde (DIRES), DIVISA e outros setores da SESAB. Na oportunidade foram
realizadas avaliações críticas do material didático e da metodologia aplicada no
Curso (Teixeira, 2002).

Inicialmente o curso apresentava a seguinte estrutura: carga horária 40


horas, turma composta de 10 alunos para 2 monitores, a metodologia utilizada era
de leitura dinâmica com respostas as perguntas contidas no texto, estudo de
casos (FUNASA, 2000).

No ano de 2001 após a revisão dos textos foram realizados em Salvador


dois CBVA que contou com a clientela da VISA estadual e municipal. Nesses
cursos não houve alteração significativa da programação tão pouco da
metodologia utilizada (FUNASA 2001).

Em 2002 foi realizada “Oficina de Avaliação e Revisão do CBVA”,


promovida pela CGVAM, contou com a presença da DIVISA, que apresentou as
sugestões a seguir, conforme as avaliações orais e escritas dos treinandos
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2003). Nesta oficina, segundo Teixeira (2002) surgiram
propostas de mudança estrutural significativas do Curso tais como:

• revisão do manual do instrutor e mudança de nome para Guia de


Orientação para o Instrutor;
168
O Desenvolvimento do Curso Básico de Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Sonia Santos Oliveira

• capacitação técnica e pedagógica dos instrutores;

• revisão dos textos existentes resumindo-os, possibilitando discussões e


atividades de grupo;

• criação de um banco de estudos de caso, e revisão dos existentes, com


diversos temas da área de VAS;

• mudança metodológica utilizando a pedagogia da problematização;

• descentralização do CBVA com acompanhamento e supervisão da


CGVAM.

Por considerar que a pedagogia da problematização parte da observação


da realidade com priorização dos problemas a serem trabalhados; e ao
compreender o homem como agente de mudança dessa realidade, (MINISTÉRIO
DA SAÚDE, 1994) é importante a utilização de diferentes técnicas e dinâmicas
que permitam ao aluno identificar e refletir os problemas da sua região e o seu
papel enquanto profissional e a função social do seu trabalho.

A DIVISA, ainda em 2002, aplicando os princípios da nova pedagogia


adotada (problematização) e no intuito de fortalecer a intersetorialidade e manter
a interdisciplinaridade, buscou adequar a programação do curso aproximando a
realidade local, incluindo dinâmicas de grupo, para facilitar a integração dos
participantes e visitas a locais de interesse do grupo como: estação de tratamento
de água, esgotos, Indústrias, lixões ou aterro sanitário e áreas de proteção
ambiental etc. Tais visitas seguem roteiro de verificação dos processos
produtivos, tratamento de água, destino final dos resíduos sólidos e esgotamento
sanitário com observação dos fatores de riscos para a saúde.

Neste ano foram realizados seis cursos correspondendo a um curso por


macro região, com recursos do Estado (DIVISA, 2002).

No ano de 2003 foi novamente realizado pela CGVAM uma “Oficina de


Atualização do Curso Básico de VAS - CBVA” na qual foi apresentado pelo grupo
de trabalho que revisou o material didático do CBVA, o novo Guia do Instrutor,
fundamentado na pedagogia da dialética considerada o melhor processo de
169
O Desenvolvimento do Curso Básico de Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Sonia Santos Oliveira

ensino aprendizagem para a diversidade de temas e realidades dos profissionais


demandados pelo curso (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2003).

O guia do Instrutor, assim como o termo de referência do CBVA e os


conteúdos foram discutidos e reavaliados pelos participantes resultando como
produto final um CD room, com todo o material instrucional do curso. A partir
desse ano os Estados passam a assumir a realização dos Cursos. Na Bahia
foram feitos quatro cursos, em macro regiões diferentes aumentando assim o
número de municípios e DIRES atendidos. Três outros cursos foram promovidos
pelos municípios de Brumado e Anagé, Irará e Itambé, Ilhéus e Ibicaraí, todos
financiados pelo Projeto VIGISUS.

Nesse ano a programação foi revista e adaptada para quarenta horas


conforme os princípios metodológicos estabelecidos para a carga horária de
oitenta horas, foram incluídas palestras, apresentações de filmes. Em razão da
escassez de recursos humanos, o que prejudica a organização dos serviços na
DIVISA, DIRES e secretarias municipais de saúde, não foi possível realizar o
curso na programação de oitenta horas de concentração, como preconizado
atualmente.

A Estruturação do Curso

Objetivos

Macro Objetivo

Conceituar e oferecer instrumentos para a implantação ou implementação


da Vigilância Ambiental em Saúde nos Estados e Municípios.

Micro Objetivos

• Identificar, avaliar e interferir quanto aos problemas de saúde


relacionados ao meio ambiente no âmbito de atuação técnica;
170
O Desenvolvimento do Curso Básico de Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Sonia Santos Oliveira

• Discutir estratégias adotadas quanto as políticas públicas de


Vigilância Ambiental em Saúde;

• Fortalecer a mobilização e articulação dos vários segmentos como


SVS/CGVAM, FUNASA Regional, Secretaria de Meio Ambiente e de
Educação, Universidades, Pesquisadores, Escolas de Saúde
Publica, Órgãos de Cooperação Técnica, Associações Profissionais,
Órgãos não Governamentais e outros setores da sociedade com
vistas a intersetorialidade entre Saúde, Saneamento e Meio
Ambiente. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2002)

Metodologia

a) Fase Inicial (40 horas):

• Leitura e discussão dos textos e respostas a questões referidas nos


textos.

• Trabalho em pequenos grupos de 10 participantes.

• Utilização de dois instrutores por grupo.

• Realização de Plenária final para avaliação do Curso (FUNASA,


2002).

b) Fase Atual (40 horas adaptada das 80 previstas pelo Ministério)

Aplicação dos princípios da pedagogia problematizadora seguindo a


seqüência de atividades do Guia do Instrutor incluindo:

• Palestras sobre os diversos temas;

• Dinâmicas de grupo;

• Apresentação de vídeos; e,

• Visitas a aterros ou lixões, ETA, estação de tratamento de esgoto,


áreas de proteção ambiental etc.
171
O Desenvolvimento do Curso Básico de Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Sonia Santos Oliveira

Trabalhos em pequenos grupos:

• Leitura e discussão dos textos;

• Realização de Exercícios;

• Leitura e discussão dos estudos de casos escolhidos de acordo


com as realidades locais;

• Construção de mapas;

• Construção de Plano de Ação para VAS.

As alterações feitas na programação atual para adaptação às quarenta


horas foram as seguintes:

• A colocação como opção de escolha pelos alunos realizar estudo


de caso ou visita;

• A realização de palestras substituindo a leitura dos textos de temas


semelhantes;

• A apresentação de filmes e as dinâmicas no início dos turnos, com


redução de tempo para o almoço;

• Apresentações de temas variados pelos instrutores e ou alunos,


suprimindo assim a leitura de textos.

• A metodologia oportuniza os alunos a expressarem livremente suas


opiniões e conhecimentos, na construção de novos conceitos e
propostas de intervenções positivas em suas áreas de atuação, em
favor da vida saudável, modificado a relação saúde – doença
existente.

Material didático
• Guia de Orientação do Instrutor.
• Módulos contendo textos das diversas áreas instrumentais da
Vigilância Ambiental em Saúde:
172
O Desenvolvimento do Curso Básico de Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Sonia Santos Oliveira

• Saúde Pública e Ambiente


• Vigilância Ambiental no SUS
• Sistema de Informações para Vigilância Ambiental em Saúde
• Epidemiologia e Ambiente
• Mapeamento de Riscos
• Avaliação de Riscos
• Gerenciamento de Riscos

• Módulos de Estudos de Casos sobre: Água para Consumo Humano,


dengue, Leptospirose e Agrotóxicos.
• Outros Materiais: Filmes, Aplicação de Questionário de Avaliação de
Risco, Aplicação de Questionário de Avaliação do Curso, Textos
diversos (crônicas, poesias e músicas).

Clientela

Técnicos de nível superior das Secretarias Estadual e Municipal de Saúde


e dos diversos setores das áreas do Meio Ambiente, Educação, Recursos
Hídricos, Agricultura, Universidades e de ONGS. Na Bahia a maioria dos
municípios, principalmente os de pequeno porte (com menos de 20.000
habitantes), apresentam dificuldade para liberar os técnicos de nível superior para
participarem dos cursos, encaminhando técnicos de nível médio.

Avaliação – Métodos e Instrumentos

A avaliação dos cursos é feita através da aplicação do questionário padrão


da DIVISA, que apresenta indicadores de satisfação do treinando quanto a:
Estrutura do Curso, Infra-estrutura e avaliação do Ministrante. Em alguns cursos o
questionário não foi aplicado, sendo utilizado outros métodos de avaliação, por
exemplo: dinâmica de avaliação – Expressão Coletiva e avaliação oral, onde os
alunos expressavam suas opiniões sobre o desenvolvimento do Curso.
173
O Desenvolvimento do Curso Básico de Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Sonia Santos Oliveira

Os Principais Resultados

Os principais resultados obtidos estão apresentados nos Quadros 1, 2 e 3.


Vale destacar que foram realizados 13 cursos organizados pelo estado e 4
cursos organizados pelos municípios. Participaram representantes de 213
municípios, o que equivale a aproximadamente a 51% do total de municípios do
Estado. Também abrangeram:

• 28 DIRES – o equivalente a 93% do total de Diretorias Regionais de


Saúde do Estado.
• 06 Macros regiões (100%) das macro regiões definidas no Plano
Diretor de Regionalização do Estado em 2000.
• 518 profissionais das diversas instituições e áreas do conhecimento como:
geógrafo, psicólogo, arquiteto, zootecnista, médico, enfermeiro, veterinário,
farmacêutico, odontólogo, nutricionista, assistente social, químico, biólogo,
engenheiro sanitarista, engenheiro civil, engenheiro agrônomo, pedagogo e
outros.

Entre estes profissionais 71 eram de nível médio, destacando as seguintes


categorias profissionais: auxiliar de enfermagem, técnico de laboratório,
assistente administrativo, agente comunitário de saúde, agente de saúde pública,
auxiliar de saneamento, técnico de saneamento e professores.

Com relação a alteração da metodologia do Curso as avaliações dos


alunos constavam as seguintes referências:

• A metodologia possibilitou maior participação dos alunos;


• O curso ficou mais suave, o que facilitou o processo de ensino
aprendizagem.
• Promoveu maior aproximação entre os diversos órgãos da área do meio
ambiente, infra-estrutura, saúde, etc;
• O processo como se desenvolveu o curso foi considerado interessante
para atuar como multiplicador, embora as pessoas não se sintam seguras
para tal, com apenas um curso.
174
O Desenvolvimento do Curso Básico de Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Sonia Santos Oliveira

Observou-se que nos cursos realizados antes de 2003 em razão da


capacitação em Vigilância do Controle da Qualidade da Água para Consumo
Humano promovida pela DIVISA neste ano, o estudo de caso da água foi
priorizado pelos participantes. Verificou-se, porém, que existe carência de casos
com outros assuntos para atender as necessidades das diversas realidades,
como, por exemplo, estudos de caso sobre resíduos de serviços de saúde,
esgotamento sanitário e resíduos sólidos.

Quanto ao material instrucional os alunos consideraram os textos de


excelente conteúdo, porém, complexos muitas vezes de difícil entendimento,
principalmente para os profissionais de nível médio, e em alguns, com conceitos
repetitivos. A carga horária de quarenta horas foi considerada pequena para o
melhor desenvolvimento do curso.

Como resultado das dinâmicas de Avaliação do curso sobre o que


representou o mesmo para cada participante foram citadas as seguintes palavras
chaves: compromisso, conjunto, ótimo, natureza, dúvida, decepção,
esclarecimento, expectativa, missão, reciclagem, conhecimento, importante,
apreensão, informação, aprendizado, gratificante, cultura, relacionamento,
integração, esperança, produtivo, crescimento e caminho.

Quadro 1 - Número de participantes segundo instituição nos Curso Básico de


Vigilância Ambiental por ano. Estado da Bahia, 2000 a 2003.

Ano Profis- Profis- Profis- Profis- Profis- Total


sionais Sionais sionais sionais de sionais de
Da DIVISA Das da SMS outros Instituições
DIRES setores afins
2000 08 04 11 08 -------------- 31
2001 11 12 55 ------------- 01 79
2002 06 16 102 06 09 129
2003 04 17 91 01 12 125
Total 29 49 259 15 22 374

Quadro 2 - Cursos Básicos de Vigilância Ambiental realizados pelos municípios –


Projeto VIGISUS no período de 2002 e 2003.
175
O Desenvolvimento do Curso Básico de Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Sonia Santos Oliveira

Local do Curso Municípios participantes Nº de participantes


Encruzilhada Encruzilhada 22
Barra do Choça
Brumado Brumado 44
Anagé
Feira de Santana Irará 37
Itambé
Ilhéus Ilhéus 41
Ibicaraí
Una
Canavieiras
Total 10 144

Quadro 3 –Locais de realização dos Cursos Básico de Vigilância Ambiental por


Macro Região e número de participantes. Estado da Bahia, 2000 a 2003.
Local do Curso Macro Região Quantidade de Número de
Curso participantes
Salvador RMS 04 129
Ibotirama Oeste 01 22
Vitória da
Conquista Sul/Sudeste 01 22
Paulo Afonso Nordeste 01 19
Itabuna Sul/Sudeste 01 29
Feira de Santana Nordeste 01 28
Porto Seguro Sul 01 24
Alagoinhas Nordeste 01 46
Jequié Sul 01 39
Juazeiro Norte 01 16
Total - 13 374

DISCUSSÃO

Em razão da demanda da implantação das ações de VAS nas DIRES e nos


municípios como também da necessidade de respostas ao programa de Vigilância
do Controle da Qualidade da Água para Consumo Humano, cresce a demanda
pelo CBVA, uma vez que ele instrumentaliza os técnicos para tal.

Dado a necessidade do trabalho interdisciplinar e intersetorial da VAS,


compreendendo que o compartilhamento das ações de disciplinas distintas
possibilita a compreensão da totalidade do problema buscou-se a participação de
profissionais das diversas áreas.
176
O Desenvolvimento do Curso Básico de Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Sonia Santos Oliveira

O Projeto VIGISUS como elemento estruturante da VAS, tornou possível a


realização dos Cursos, a partir do financiamento do mesmo ao Estado e
Municípios.

A DIVISA embora com um número pequeno de participantes no curso


cumpri o seu papel de coordenador Estadual de VAS entendendo que a
capacitação profissional é de grande importância para a descentralização de suas
atividades no processo de implantação ou implementação da VAS nas DIRES e
Municípios. Promove e incentiva e desenvolvimento dos cursos em busca da
ampliação e internalização das ações de VAS nos processos de trabalho da
equipe técnica.

Por considerar que a pedagogia da problematização parte da observação


da realidade com priorização dos problemas a serem trabalhados; e ao
compreender o homem como agente de mudança dessa realidade, (MINISTÉRIO
DA SAÚDE, 1994) é importante a utilização de diferentes técnicas e dinâmicas
que permitam ao aluno identificar e refletir os problemas da sua região e o seu
papel enquanto profissional e a função social do seu trabalho.

A aplicação dos princípios da problematização no curso proporciona a


integração entre os participantes na construção do conhecimento de forma aberta
e democrática e proposição de intervenções em seu meio.

O curso traz a premissa de formação de multiplicadores, embora não


apresente subsídios suficientes de suporte técnico pedagógico para tal. Há que se
considerar ainda como aspectos limitantes os conjunturais referentes a
organização dos serviços e as particularidades da clientela do curso, que requer
dos instrutores maior habilidade para atender as necessidades dos treinados
em desenvolver suas múltiplas inteligências no processo de aprender ao de
educar.

O estudo de caso da água foi escolhido como prioritário em alguns cursos


por conta da demanda de implantação ou implementação do programa de
Vigilância do Controle da Água para Consumo Humano em todos os municípios
do Estado e por ser na maioria deles o marco inicial da estruturação da VAS.
177
O Desenvolvimento do Curso Básico de Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Sonia Santos Oliveira

Em relação à carga horária de quarenta horas utilizadas até então,


verificou-se que embora reduzida, a diversidade proporcionada pela metodologia
contribuiu para a otimização deste tempo. Atendendo as necessidades dos alunos
para iniciar o processo de estruturação da VAS em seus locais de trabalho.

Os resultados das dinâmicas de avaliação do curso se justificam dadas as


particularidades dos seres humanos e do conhecimento cognitivo que cada
treinando traz, aliado ás suas expectativas, aproximação com os temas
abordados, as relações que se estabelecem entre os colegas e instrutores e as
oportunidades pedagógicas de participação que lhes são oferecidas.

CONCLUSÕES

Destaca-se a importância da pedagogia da problematização como


elemento facilitador do processo ensino – aprendizagem. E a necessidade de
revisão dos textos: em linguagem e conceitos.

A participação de clientela heterogênea interdisciplinar e intersetorial


contribui para a implementação das ações de VAS e estabelecimento de
parcerias.

Em razão da complexidade dos temas abordados existe dificuldade de


alcance e compreensão do objeto da VAS por parte principalmente do pessoal de
nível médio em geral.

É de elevada importância a manutenção do processo de avaliação e


revisão constante do CBVA nos aspectos metodológicos e de organização de
conteúdo pela SVS/CGVAM, DIVISA/CSE e COVISAM.

Outros pontos incluem a insuficiência da carga horária de 40 horas para


uma abordagem mais detalhada dos assuntos do curso; a necessidade de
ampliação do quadro de instrutores no estado, a relevante quantidade de
profissionais de nível médio participante dos cursos e a constatação da
preferência pelos grupos em discutir o estudo de caso de Vigilância do Controle
de Qualidade da Água para Consumo Humano.
178
O Desenvolvimento do Curso Básico de Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Sonia Santos Oliveira

RECOMENDAÇÕES

• Realização em 2004 quatro cursos para cobrir 90% dos municípios do


estado com a participação do CBVA.
• Desenvolvimento dos próximos cursos conforme programação atual
com carga horária de 80 horas de concentração e 30 horas de
dispersão.
• Preparação e articulação com a CGVAM de um curso avançado de
Vigilância Ambiental em Saúde para profissionais de nível superior que
contemple temas não abordados no CBVA tais como: Legislação
Ambiental, Saneamento Ambiental, Educação Ambiental.
• Realização de um curso de qualificação técnica em Ações Básicas de
Vigilância Sanitária e Ambiental para profissionais de nível médio de
VAS.
• Acompanhamento dos profissionais das VAS regionais e municípios
avaliando e orientando o desenvolvimento das ações de VAS.
• Criação de estudos de casos sobre resíduos sólidos, de serviços de
saúde e esgotamento sanitário.
• Ampliação do quadro de instrutores do CBVA com curso de
Capacitação Pedagógica.
• Revisão dos textos adequando-os aos princípios pedagógicos e
metodológicos concebidos no curso.
• Inclusão do estudo de caso da água para consumo humano como
conteúdo a ser trabalhado em todos os cursos.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
179
O Desenvolvimento do Curso Básico de Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Sonia Santos Oliveira

BAHIA, Secretaria da Saúde. Coordenação de Desenvolvimento de Recursos


Humanos. Norma Operacional Básica do SUS: NOB/SUS –01/96.
Salvador: DICOB, 1997.

------------. Decreto Estadual nº 7.546 de 24 de março de 1999. Aprova o


Regimento da Secretaria da Saúde. Diário Oficial do Estado da Bahia.
Salvador, 06 de maio de 1999, p.17-29.

------------. Decreto Estadual nº 8.392 de 12 de dezembro de 2002. Aprova o


Regimento da Secretaria da Saúde. Diário Oficial do Estado da Bahia.
Salvador, 13 de dezembro de 2002, p.01-11.

------------, Secretaria da Saúde. Plano Diretor de Regionalização do Estado


(Versão Preliminar). Salvador, 2000. Fotocopiado.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição [da] República Federativa do Brasil.


Brasília, DF. Senado,1988.

------------, Ministério da Saúde. Lei Federal nº 8.080 de 19 de setembro de1990.


disponível em : www.funasa.gov.br . Acesso em 18/06/03.

------------, Fundação Nacional de Saúde. Portaria nº 1399 de 15/12/1999.


Disponível em www.funasa.gov.br . Acesso em 18/08/03.

------------, Ministério da Saúde. Instrução Normativa nº 01 de 06/12/01. Disponível


em www.funasa.gov.br .Acesso em 18/08/03.

------------, Ministério da Saúde. Portaria nº 410 de 10/10/2000. Brasília 2000.


Disponível em www.funasa.gov.br . Acesso em 18/08/03.

CONFERÊNCIA PAN-AMERICANA SOBRE SAÚDE E AMBIENTAL NO


DESENVOLVIMENTO HUMANO SUBSTENTÁVEL. Plano Nacional de
Saúde e Ambiente no Desenvolvimento Sustentável – Diretrizes para
Implementação. Brasília, D.F. 1995. 104p. Fotocopiado.

DIVISA. Relatório de Gestão da DIVISA: 2002, Salvador, 2002.

FRANCO NETTO & Carneiro, F.F. Vigilância Ambiental em saúde no Brasil.


Revista Ciência & Ambiente. Julho/Dezembro de 2002.

FUNASA. Curso Básico de Vigilância Ambiental em Saúde- CBVA- mar/2000.

------------. Curso Básico de Vigilância Ambiental em Saúde- CBVA- mar/2001.

------------. Curso Básico de Vigilância Ambiental em Saúde- CBVA- mar/2002.


------------. Curso Básico de Vigilância Ambiental em Saúde- CBVA-
mar/2003a.
180
O Desenvolvimento do Curso Básico de Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Sonia Santos Oliveira

-----------. Curso Básico de Vigilância Ambiental em Saúde- CBVA- módulo I.


2003b. 55p. Encadernado.

-----------. Curso Básico de Vigilância Ambiental em Saúde- CBVA- Guia do


Instrutor. 2003c. 27p. Encadernado.

-----------. Curso Básico de Vigilância Ambiental em Saúde- CBVA- módulo II.


2003d. 155p. Encadernado.

-----------. Curso Básico de Vigilância Ambiental em Saúde- CBVA- módulo IV.


2003e. 106p. Encadernado.

GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA. Proposta para Implementação de um


Programa de Educação Ambiental para Conservação e Revitalização da
Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco. Salvador, 2003. 11p.
Fotocopiado.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Fundação Nacional de Saúde. Centro Nacional de


Epidemiologia. Coordenação Geral de Vigilância Ambiental.
Planejamento para 2003. Brasília, 2002.

--------------. Secretaria Executiva. Coordenação Geral de Recursos Humanos


para o SUS. Capacitação pedagógica para Instrutor Supervisor Área de
Saúde. Brasília,D.F. 1994. 60p.

ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DA SAÚDE. Organização Mundial da


Saúde. Atenção Primária Ambiental. Washington, D.C. junho de 1999.
60p.

TAMBELLINI, A. T. & CÂMARA, V. M. A temática saúde no processo de


desenvolvimento do campo da saúde coletiva: aspectos históricos,
conceituais e metodológicos. Ciência e Saúde Coletiva, 3 (2):47-59,
abr/jun, 1998.

----------------------------------. Vigilância ambiental em saúde: conceitos,


caminhos e interfaces com tipos de vigilância. Cadernos de Saúde
Coletiva 10 (1):77-93, Jan-jun, 2002.

TEIXEIRA, S.D. O Desenvolvimento do Processo Pedagógico no Curso de


Vigilância Ambiental. Brasília, DF. 2002. 24p. Monografia (Especialização
em Vigilância Ambiental) – Núcleo de estudos de Saúde Coletiva,
Universidade Federal do Rio de Janeiro.

PROJETO VIGISUS. Vigilância Ambiental. Disponível em: <www.fns.gov.br:>


Acesso em: 22. set. 1999.
181
O Desenvolvimento do Curso Básico de Vigilância Ambiental no Estado da Bahia
Sonia Santos Oliveira
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
NÚCLEO DE ESTUDOS DE SAÚDE COLETIVA
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

TERMO DE REFERÊNCIA PARA O DESENVOLVIMENTO DE UM SISTEMA DE


INFORMAÇÃO GEOGRÁFICO PARA VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

Márcia Gomes Duarte

Adaptação da Monografia apresentada ao


Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva como
pré-requisito para a obtenção do Titulo de
Especialista em Vigilância Ambiental em
Saúde

- 2003 -
RESUMO

Proposta para desenvolvimento de um sistema de informação que permita


a tomada de decisão através da avaliação integral dos riscos ambientais a que
uma população está exposta. Este sistema deverá ter a capacidade de utilizar as
informações disponíveis nos sistemas já desenvolvidos e que estão sendo
utilizados pelos órgãos de controle ambiental de forma individualizada, cruzar as
informações, visualizar as informações cartograficamente, e através de
indicadores permitir a avaliação da situação de saúde da população, o
desempenho da vigilância ambiental e a efetividade e eficácia das intervenções
aplicadas. Basicamente a estrutura do sistema deverá ser modular, composto de
um módulo central cuja função será de coletar e sistematizar os dados e
informações disponíveis nos módulos periféricos e processar as informações de
acordo com a necessidade do usuário. Este sistema irá favorecer e facilitar a
implantação do Sistema Nacional de Vigilância Ambiental em Saúde, nos dois
níveis de Gestão da Saúde, municipal e estadual (Diretorias Regionais ou
Microrregiões e DIVISA). Este deverá ser desenvolvido em ambiente Web, com
acesso a Internet e Intranet da SESAB e da DIVISA.
186
Termo de Referência para o Desenvolvimento de um Sistema de
Informação Geográfico para Vigilância Ambiental em Saúde
Márcia Gomes Duarte

INTRODUÇÃO

A Constituição Federal de 1988 é um marco importante para a saúde


pública no Brasil, por definir a SAÚDE como um direito de todos, estabelecendo
assim o seu conceito, “A saúde é direito de todos e dever do estado, garantido
mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de
doenças e de outros agravos e ao acesso UNIVERSAL e IGUALITÁRIO às ações
e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

Nesta nova forma de encarar SAÚDE, fica demonstrado que cuidar apenas
da doença não é mais suficiente. O cidadão passa a ter direito a um conjunto de
ações que protejam e promovam a saúde, conceitos como o da prevenção,
precaução e promoção passam a ter importância fundamental no planejamento
estratégico e intervencionista em qualquer área da saúde.

Considerando o ambiente como um dos fatores determinantes na


qualidade de vida e saúde da população, as pessoas como parte integrante do
ambiente influenciando e sendo influenciada por este, a forte relação entre
ambiente e saúde, a importância do desenvolvimento tecnológico para a
ampliação da capacidade de atender as necessidades do homem, as questões
econômicas e políticas, bem como os conflitos de interesse que estas questões
envolvem, a interdisciplinaridade das intervenções e a complexidade das
situações de risco, torna-se imprescindível o desenvolvimento de um sistema
capaz de permitir, facilitar e viabilizar o mapeamento, monitoramento,
acompanhamento, avaliação e controle dos riscos e agravos a que uma
população pode estar ou vir a estar exposta em função das condicionantes do
ambiente.

Este trabalho tem por objetivo elaborar uma Proposta de Termo de


Referência que possa contribui para o desenvolvimento de um Sistema de
Vigilância Ambiental em Saúde.
187
Termo de Referência para o Desenvolvimento de um Sistema de
Informação Geográfico para Vigilância Ambiental em Saúde
Márcia Gomes Duarte

PROPOSTA PARA DESENVOLVIMENTO DE UM SISTEMA DE INFORMAÇÃO


GEOGRÁFICO PARA VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

Diante da definição de Vigilância Ambiental em Saúde, contida na


publicação da FUNASA (2002, p.7), que é “um conjunto de ações que proporciona
o conhecimento e a detecção de qualquer mudança nos fatores determinantes e
condicionantes do meio ambiente que interferem na saúde humana, com a
finalidade de identificar as medidas de prevenção e controle dos fatores de risco
ambientais relacionados às doenças ou outros agravos à saúde”. Observa-se que
a abrangência da Vigilância Ambiental em Saúde é vasta e diversificada,
envolvendo vários fatores de riscos e agravos que extrapolam a competência do
setor saúde.

As alterações no meio ambiente, quer sejam decorrentes da atividade


humana, quer sejam por fenômenos naturais, podem vir a ter repercussão direta
na saúde da população. A complexidade que envolve esta questão impõe que, a
intervenção para solucionar os problemas deve ter característica prioritariamente
multidisciplinar e intersetorial.

Os atores envolvidos não apresentam em sua estrutura organizacional e na


metodologia de trabalho compatibilidade que possa facilitar a integração; um
exemplo desta situação é a área da saúde que está estruturada de forma única,
hierarquizada e descentralizada, com suas competências estabelecidas por nível
de gestão governamental, reduzindo a interposição de ações e a área de
produção agrícola, cujas competências a nível federal, estadual e municipal estão
organizadas de forma individualizada. A identificação de um agravo relacionado
com o meio ambiente, quando observado por apenas um ator, não permite a
visualização integral da realidade e a identificação de todos os fatores envolvidos
e suas conseqüências, logo, torna-se fundamental que os dados decorrentes da
ação dos diversos atores sejam mapeados, comparados, analisados e
trabalhados no contexto geral, de modo a propiciar uma tomada de decisão que
venha a refletir na melhoria da saúde da população, garantindo o
desenvolvimento de ações de promoção, prevenção e proteção da saúde.
188
Termo de Referência para o Desenvolvimento de um Sistema de
Informação Geográfico para Vigilância Ambiental em Saúde
Márcia Gomes Duarte

A intersetorialidade e o gerenciamento de informações são estratégias


importantes para se obter sucesso na intervenção dos problemas ambientais e o
desenvolvimento de um sistema informatizado que possibilite acesso ao conjunto
de informações disponíveis, facilitará todo o processo de intervenção.

Conforme a definição Stair, e Reynolds, em Princípios de Sistemas de


Informação – Uma Abordagem Gerencial “sistema de informação é um conjunto
de elementos ou componentes inter-relacionados que coletam (entrada),
manipulam (processamento) e disseminam (saída) os dados e a informação e
fornecem um mecanismo de feedback para atender a um objetivo”. Todo sistema
de informação é composto de elementos de entrada, mecanismos de
processamento, saídas e metas.

No caso específico do sistema proposto, o Objetivo/Meta é a obtenção de


um conjunto de informações capaz de permitir uma tomada de decisão que venha
alterar beneficamente as condições a que estão submetidas as populações.

As saídas serão os mapas, relatórios, gráficos, tabelas e outros


instrumentos que permitam o diagnóstico e a avaliação da situação em estudo.
Estas definem a forma ou caminho da configuração do sistema. Quando do
desenvolvimento do sistema proposto, os atores envolvidos deverão participar de
todo processo de definição das saídas, como forma de garantir a maior
abrangência possível do mesmo.

As entradas serão os dados que alimentam os sistemas de informação


existentes ou aqueles que serão desenvolvidos para atender as novas demandas.
Considerando que um dos Princípios e Diretrizes do SUS é a descentralização
(artigo 7º da Lei 8.080/90), este sistema deverá ser estruturado de forma que a
base para a geração de informação seja o município, devido a sua proximidade
com a realidade territorial.

Outras entradas de dados e informações importantes serão as instituições


que realizam ações de inspeção, fiscalização, mapeamento, acompanhamento e
avaliação das situações que envolvem o ambiente.
189
Termo de Referência para o Desenvolvimento de um Sistema de
Informação Geográfico para Vigilância Ambiental em Saúde
Márcia Gomes Duarte

Este sistema deve ter como principais características: complexidade, em


função do grande número de elementos altamente relacionados e interconectados;
alto nível de abertura, porque tem a proposta de interagir com o ambiente;
dinamismo, devido a possibilidade permanente de mudanças, inclusões,
alterações ou qualquer forma de atualização; adaptabilidade, em função da
capacidade de resposta a mudança do ambiente e ser permanente, porque os
problemas relacionados com os ambientes infelizmente, demandam tempo, logo
este sistema deve ser desenvolvido para funcionar por um longo período de
tempo. E principalmente ser gerencial e suporte para tomada de decisão, isto é,
deverá ter a capacidade de administrar, processar, manipular e organizar vários
sistemas de informação (software, bancos de dados, sistemas de
compatibilização de diversas linguagens), uniformizando a informação, com o
objetivo de alcançar a eficiência e efetividade.

Diante da complexidade do sistema de informação proposto, uma


importante característica ou função deverá o Feedback. A seguir uma definição
que aponta para a importância desta fase do projeto de desenvolvimento de um
sistema de informação.

“Feedback, retroação, retroinformação, ou retroalimentação é a função que


os sistemas cibernéticos – os sistemas com capacidade de se autocontrolarem –
têm de comparar a saída ou produto com os padrões previamente estabelecidos e
de informar ao próprio sistema sobre sua qualidade, quantidade, intensidade, etc.
Os desvios verificados alimentam os esquemas de auto-correção do sistema.”.
Thiry-Cherques (2002, p.131).

Quando do desenvolvimento do projeto os diversos atores devem definir,


nos seus próprios sistemas, os parâmetros, padrões e limites de controle
referentes tanto ás entradas e como as saídas. Conjuntamente, estes deverão
avaliar o Sistema Central no que se refere a coleta de informação nos diversos
submódulos, o processamento destes dados e as saídas apresentadas, de modo
a definirem os parâmetros, padrões de comparação e limites de controle
específicos deste.
190
Termo de Referência para o Desenvolvimento de um Sistema de
Informação Geográfico para Vigilância Ambiental em Saúde
Márcia Gomes Duarte

Etapas de desenvolvimento do projeto

Quando do desenvolvimento de uma tecnologia, devem ser definidos os


parâmetros que a compõem e uma definição desses elementos, está descrita por
Thiry-Cherques (2002, p.187) “O que na prática denominamos tecnologia e
domínio tecnológico compreende, então o compósito formado pelos operadores
de tecnologias [peopleware] que detém conhecimentos específicos [brainware]
capazes de manipular a informação [software] requerida para operar os artefatos
[hardware] contidos em uma tecnologia”. Na definição de cada etapa deverão ser
considerados o envolvimento e o dimensionamento destes elementos.

As etapas abaixo descritas deverão estar minuciosamente relatadas e


discriminadas em cronograma físico-financeiro de modo a facilitar o
acompanhamento no cumprimento destas, bem como o desembolso financeiro.

a) Identificação das instituições envolvidas e levantamento da missão,


atividades, processos de trabalho e procedimentos de todas elas;

b) Levantamento de todos os sistemas de informação em funcionamento


existentes (na área ambiental e da saúde - nível federal, estadual e
municipal), identificando a linguagem em que estes foram
desenvolvidos, a base de dados, objetivos, indicadores, área de
atuação e sua inter-relação com outros sistemas;

c) Equacionamento preliminar dos problemas que podem dificultar a


estruturação do Módulo Central;

d) Marco Lógico – Descrição da finalidade, objetivo, metas, recursos


necessários, indicadores de desempenho (controle do desenvolvimento
do sistema), e os pressupostos (condições necessárias e externas, ao
desenvolvimento do sistema, que podem facilitar o alcance das metas
estabelecidas);

e) Descrição do produto final esperado;


191
Termo de Referência para o Desenvolvimento de um Sistema de
Informação Geográfico para Vigilância Ambiental em Saúde
Márcia Gomes Duarte

f) Definição do Modelo a ser desenvolvido incluindo o sistema central, os


subsistemas e os sistemas de ligação (compatibiliza a linguagem entre
sistemas). Nesta fase deve ser definida a seqüência lógica de
desenvolvimento do sistema;

g) Identificação e avaliação das relações interinstitucionais existentes ou


que deveriam ser fortalecidas ou desenvolvidas;

h) Avaliação da cultura funcional existente em cada unidade, identificando


dificuldades, nível de inserção institucional e a influência de questões
econômicas e políticas em cada unidade funcional (serão assim
denominadas as instituições e órgãos envolvidos);

i) Identificação dos usuários com perfil, interesse e conhecimento dos


processos de trabalho de cada unidade funcional, para escolha dos
administradores internos de desenvolvimento de sistemas.
Levantamento e descrição das atividades, elaboração de Checklist, e a
distribuição de tarefa entre os administradores de desenvolvimento do
sistema;

j) Desenvolver indicadores básicos que permitam avaliar o desempenho


das unidades funcionais quantitativamente e qualitativamente e avaliar
a eficiência/efetividade das intervenções realizadas, na melhoria da
qualidade de vida da população;

k) Buscar resgatar nos sistemas existentes os Registros de Projeto


(memória de desenvolvimento do sistema de informação), pelo menos
daqueles que pertencem à unidade funcional, se possível o Manual do
Usuário;

l) Todas as etapas de desenvolvimento devem ser registradas, inclusive


as alterações, inserções ou exclusões, garantindo assim a memória do
sistema – Registro de Projeto;

m) Fase de implantação em unidade piloto para verificar as condições de


funcionamento do sistema, realizando as adequações que se fizerem
necessárias até poder considerar o produto validado preliminarmente;
192
Termo de Referência para o Desenvolvimento de um Sistema de
Informação Geográfico para Vigilância Ambiental em Saúde
Márcia Gomes Duarte

n) Elaboração do Manual do Usuário;

o) Treinamento dos usuários, incluindo a intervenção na cultura das


unidades funcionais;

p) Prazo estimativo para implantação do produto final e cronograma de


execução, com todas as etapas discriminadas e compatível com o
desembolso financeiro;

q) Prazo de manutenção ao sistema, compatível com a complexidade do


mesmo;

r) Entrega da Certidão de Posse para a Secretaria da Saúde do Estado da


Bahia, ou a instituição que financiar o desenvolvimento do Sistema de
Informação em Vigilância Ambiental em Saúde.

As etapas descritas são as consideradas mínimas, podendo ser incluídas


outras que se fizerem necessárias para garantir a eficiência e efetividade do
sistema a ser desenvolvido.

Descrição do módulo central

O Sistema de Informação para Vigilância Ambiental em Saúde deverá ser


composto por módulos que interagem entre si, e os dados cadastrados ou
alimentados deverão ser atualizados automaticamente em tempo real, e servirá
de base de cálculo para todos os submódulos, construção de indicadores e/ou
emissão de relatórios.

O Módulo Central é o gerenciador do sistema de informação, deverá ter a


capacidade de se relacionar com os sistemas integrantes dos submódulos,
coletar dados disponíveis nos bancos de dados destes sistemas, organizar a
consolidação dos dados de acordo com a necessidade do usuário tendo como
base um programa de geoprocessamento e desenvolver indicadores de interesse
de cada usuário, de forma a respaldar a tomada de decisão a cada situação
imposta.
193
Termo de Referência para o Desenvolvimento de um Sistema de
Informação Geográfico para Vigilância Ambiental em Saúde
Márcia Gomes Duarte

Deverá ser desenvolvido um sistema de senhas de forma a garantir a


segurança e a inviolabilidade do Módulo Central e dos sistemas de cada unidade
funcional, estas deverão estar dispostas em níveis de acesso, devendo ser
previsto um usuário mestre, que será o responsável pela habilitação dos demais
usuários e por seu nível de inserção no sistema geral. Todos os usuários deverão
ter garantida a visibilidade de todos os arquivos disponíveis no módulo central e
nos submódulos, porém o acesso a cadastramento, alteração, inclusão e
exclusão de dados, relatórios, planilhas, dentre outros elementos dependerá do
nível de acesso de cada usuário.

O usuário de uma unidade funcional poderá visualizar e utilizar os dados e


informações disponíveis nos sistema de outras unidades, contudo não poderá
alterar os dados encontrados. Considerando que algumas informações podem
conter discordâncias entre as diversas unidades funcionais, e que o problema em
estudo pode requerer agilidade no equacionamento destas questões, todos o
submódulos e o módulo central devem ter contido em sua estrutura a função de
CORREIO ELETRÔNICO, de modo a facilitar a comunicação e a resolutividade
das não conformidades encontradas.

No Módulo Central devem estar previstos no mínimo os seguintes


componentes ou funções: Portal para Vigilância Ambiental em Saúde; Menu
Principal que permite acesso fácil à todos os componentes do sistema, aos
submódulos, a Internet e Intranet; rodar em rede informatizada; unidade de
consulta com capacidade de acessar vários arquivos ou pastas através de janelas
e trabalhar simultaneamente com estas, importando ou exportando dados; banco
de dados organizado de forma a permitir acesso a grupos de registros através de
palavras chaves (filtragem de dados); dicionário de sinônimos e antônimos e
dicionário inglês-português; verificação automática, a partir do dicionário principal,
da ortografia e da gramática simultaneamente ao digitar; unidade de estatística;
editor de texto e um editor de imagem; organizador de entrada de dados a partir
dos submódulos ou da digitação direta; planilhas eletrônicas; gerador de relatórios
a partir do organizador de entrada e/ou planilhas eletrônicas, com formato final de
texto, gráfico, tabela, formulário, dentre outros; conversor de arquivos produzidos
no módulo central para os sistemas dos submódulos ou vice-versa, e para o
194
Termo de Referência para o Desenvolvimento de um Sistema de
Informação Geográfico para Vigilância Ambiental em Saúde
Márcia Gomes Duarte

ambiente Windows; importador de arquivos, garantindo a comunicação entre os


diversos submódulos; analisador de informações, de forma a permitir a
comparação das informações produzidas pelos atores envolvidos à cerca de um
mesmo episódio e com capacidade de avaliar a informação e sinalizar as
diferenças; sistema de ajuda tanto para o módulo central como para os
submódulos; o Manual do Sistema (módulo central e submódulos), deve ser
acessado a partir do menu principal; sistema de HELPDESK on line, que permita
a comunicação imediata ao gerente geral do módulo central ou os gerentes dos
submódulos, dos problemas que podem ocorrer nos diversos sistemas, agilizando
a manutenção dos mesmos, garantindo a funcionalidade.

No que se refere a segurança deverá estar previsto a proteção contra vírus


e a capacidade de realizar backup automaticamente no servidor que estará
gerenciando o acesso de dados, informações, arquivos, dentre outros, de todos
os sistemas integrantes do módulo central;

Arquitetura e tecnologia de projeto

A ANVISA tem uma política de desenvolvimento de projeto que pode ser


utilizada como parâmetro para a definição da arquitetura do Sistema de Vigilância
Ambiental em Saúde. As informações descritas a seguir fazem parte do material
distribuído pela ANVISA, identificado por “TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO”. As
vantagens para esta escolha são: a ANVISA é uma instituição federal ligada ao
Ministério da Saúde, atua na área de Vigilância Sanitária com uma interface
razoável com a Vigilância Ambiental em Saúde, facilidade de acesso às
informações, redução das dificuldades referentes a compatibilização entre
sistemas e a ANVISA pode vir a ser um agente financiador do desenvolvimento
deste projeto.

Tomando como base a estrutura proposta por Paulo César Gomes de


Medeiros (2002), Gerente de Desenvolvimento de Sistemas da ANVISA para
implantação do portal de serviço em Vigilância Sanitária, quando do
desenvolvimento do referido portal poderão ser utilizadas as seguintes
arquiteturas e tecnologias ou as que vierem a substitui-las:
195
Termo de Referência para o Desenvolvimento de um Sistema de
Informação Geográfico para Vigilância Ambiental em Saúde
Márcia Gomes Duarte

a) PARA DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS

¾ Utilização do sistema PMI para Gerenciamento de Projetos e o


UML para Modelagem de Objetos;

b) DESENVOLVIMENTO DE SISTEMA

¾ Tecnologia de Desenvolvimento – ASP Active Server Pages;

¾ Gerenciador de banco de dados relacional SQL Server 2000;

¾ Sistema operacional MS Windows, Linux e Unix;

¾ Sistema Operacional de Rede – Windows 2000 Server;

¾ 100% em ambiente WEB, sendo o servidor MS IIS e Apache;

¾ Arquiteturas .NET, J2SE e J2EE;

¾ Uso intensivo de Web Services.

c) IDIOMAS DE APLICAÇÃO

¾ Português e Inglês

d) NAVEGADOR

¾ Microsoft Internet Explorer 4.0 ou superior;

¾ NETSCAPE 4.0 ou superior.

e) CONTROLE DE SESSÕES DE USUÁRIOS - Persistente em disco

f) ARQUITETURAS

¾ Web Services – é uma aplicação lógica, programável, acessível,


que usa protocolos padrões da Internet, para que se torne
possível a comunicação transparente de máquina para máquina
e aplicação-para-aplicação.

O objetivo está definido no conceito de OPERABILIDADE


CONJUNTA, que significa a capacidade de sistemas diferentes
196
Termo de Referência para o Desenvolvimento de um Sistema de
Informação Geográfico para Vigilância Ambiental em Saúde
Márcia Gomes Duarte

se comunicarem e compartilharem dados, sem estarem ligados


entre si.

Os seus componentes são:

¾ HTTP [Hyper Text Transfer Protocol], que é o protocolo que


permite acesso a navegação na Internet;

¾ SOAP [Simple Object Access Protocol], é um protocolo de


acesso a objetos, baseado em XML para comunicação de
máquina-a-máquina;

¾ WSDL [Web Service Description Language], é um formato XML


que descreve os serviços disponibilizados por um Web Services.

g) PLATAFORMA DE DESENVOLVIMENTO

¾ Web server application;

¾ Windows desktop application;

¾ Class Libraries – ASP. NET, WinForms (Windows UI), Web


Services, Web UI, XML, Networking, ADO .NET, Base Class;

¾ Common Language Runtime (CLR);

¾ VB . NET, C++, C#, Jscript . NET.

h) JAVA 2 STANDARD EDITION E JAVA 2 ENTERPRISE EDITION;

Considerando que os diversos sistemas existentes foram


desenvolvidos em diversas linguagens deverá ser previsto o
desenvolvimento de sistema de apoio cuja finalidade é permitir que o
módulo central tenha acesso a estes, coletando os dados e as informações
necessárias aos processos de trabalho e tomada de decisão.
197
Termo de Referência para o Desenvolvimento de um Sistema de
Informação Geográfico para Vigilância Ambiental em Saúde
Márcia Gomes Duarte

ATORES IDENTIFICADOS PRELIMINARMENTE

FUNASA – Fundação Nacional de Saúde, ANVISA – Agência Nacional de


Vigilância Sanitária, IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis, CNEN – Comissão Nacional de Energia Nuclear,
CRA – Centro de Recursos Ambientais, SESAB – Secretaria da Saúde do Estado
da Bahia, CMA – Coordenação de Modernização Administrativa, DIVISA –
Diretoria de Vigilância e Controle Sanitário, DIVEP – Diretoria de Vigilância
Epidemiológica, LACEN – Laboratório Central de Saúde Pública Professor
Gonçalo Moniz, CESAT – Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador, SEI –
Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia, EMBASA –
Empresa Bahiana de Águas e Saneamento, Ministério da Agricultura Pecuária e
Abastecimento e Secretaria da Agricultura do Estado da Bahia, Corpo de
Bombeiros, CNEN – Comissão Nacional de Energia Nuclear.

DESCRIÇÃO DOS SUBMÓDULOS

Inicialmente foram identificados os sistemas que devem estar incorporados


ao Módulo Central. Quando do desenvolvimento do Sistema de Vigilância
Ambiental em Saúde, os atores poderão identificar outros sistemas que deverão
ser agregados a este, bem como a necessidade de desenvolvimento de novos
sistemas. Foram identificados inicialmente os seguintes submódulos: Cadastro
Único na SESAB (a ser desenvolvido), Geoprocessamento, IBGE, RNIS - Rede
Nacional de Informações em Saúde, DATASUS, SINAIS – Sistema Nacional de
Controle de Infecções em Serviços de Saúde, SINAVISA – Sistema Nacional de
Informação em Vigilância Sanitária (em desenvolvimento), SISAGUA – Sistema
de Informação de Vigilância da Qualidade da Água, Cargas Perigosas (a ser
desenvolvido), Fontes Radioativas (a ser desenvolvido), SIM – Sistema de
Informação de Mortalidade, SINASC, SEIA, SINAN – Sistema de Informação de
Agravos de Notificação, RCBP – Registro de Câncer de Base Populacional,
Sistema de Informação de Agrotóxico, SIA-SUS – Sistema de Informações
Ambulatoriais do SUS, SIH-SUS – Sistema de Informações Hospitalares do SUS;
198
Termo de Referência para o Desenvolvimento de um Sistema de
Informação Geográfico para Vigilância Ambiental em Saúde
Márcia Gomes Duarte

SÍNTESE – Sistema Integrado de Tratamento Estatístico de Séries Estratégicas;


SGAIH – Sistema Gerenciador de Autorização de Internação Hospitalar; SIG-RHS
– Sistema de Informação e Gestão de Recursos Humanos em Saúde; SI-API –
Sistema de Avaliação do Programa de Imunização, SI-EDI – Sistema de Estoque
e Distribuição de Imunização, SI-EAPV – Sistemas de Efeitos Adversos Pós
Vacinas, SISMAL – Sistema de Informação de Malária, SISFAD – Sistema de
Informação de Febre Amarela e Dengue, SISVAN - Sistema de Vigilância
Alimentar e Nutricional, SISCOLO - Sistema de Controle do Câncer do Colo
Uterino, SISDST/AIDS - Sistema de Informação de DST/AIDS, SIHIPERDIA -
Sistema de Controle de Hipertensos, SIAB - Sistema de Informação da Atenção
Básica, SISPACTO - Sistema do Pacto da Atenção Básica, SIASUS – Sistema de
Informação Ambulatorial; SIHSUS - Sistema de Informação Hospitalar; SISREG –
Sistema de Regulação; SISPPI - Sistema de Pactuação Programada e Integrada;
SPIV - Sistema de Informação do Projeto VIGISUS; CADSUS - Cadastramento do
SUS; SCNS - Sistema Cartão Nacional de Saúde; HEMOPROD – Produção
Mensal das Unidades Hemoterápicas; HOSPUB – Sistema para Hospitais
Públicos; SISCEL – Sistema de Controle de Exames Laboratoriais; SISCAN –
Sistema de Informação do Câncer; SILTB – Sistema Informação Laboratorial de
Tuberculose; SINITOX – Sistema Nacional de Informações Tóxico-
Farmacológicas; SNGPC – Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos
Controlados; PROMOSAN – Programa Nacional de Monitoramento de Produtos
Saneantes Domissanitários; Sistema de Controle da Qualidade do Ar; Sistema de
Controle da Saúde do Trabalhador; Sistema de Controle, Monitoramento e
Lançamento no ambiente de metais pesados.

CONSIDERAÇÕES GERAIS E RECOMENDAÇÕES

O grande desafio desta proposta é a integração das informações


disponíveis nos diversos sistemas existentes ou em desenvolvimento e a
interlocução entre os diversos atores que integram direta ou indiretamente o
Sistema de Vigilância Ambiental em Saúde, de modo a garantir que o
planejamento das ações e a aplicação de recursos materiais e financeiros sejam
199
Termo de Referência para o Desenvolvimento de um Sistema de
Informação Geográfico para Vigilância Ambiental em Saúde
Márcia Gomes Duarte

realizados de forma otimizada, integral e racional, refletindo na melhoria da


qualidade de vida da população.

Para a efetivação desta proposta recomendamos a criação de um Comitê


formado por todos os atores identificados, com a finalidade de avaliar, adequar
(se necessário) e validar este Termo de Referência. Este Comitê deverá
acompanhar todo o processo de desenvolvimento, implantação, implementação,
capacitação e manutenção do sistema, além de garantir participação nas
seguintes etapas:

¾ Identificação das fontes de recursos disponíveis, de forma a viabilizar


financeiramente o projeto;

¾ Sensibilização dos gestores para a importância do projeto;

¾ Acompanhamento e estruturação do processo licitatório para


contratação de empresa com competência e habilidade para o
desenvolvimento e gerenciamento de projeto deste porte;

¾ Participação em todas as frentes de trabalho, disponibilizando pessoal


capacitado de acordo com as atividades a serem desenvolvidas;

¾ Aculturamento das instituições para o uso da tecnologia;

¾ Acompanhamento e avaliação da utilização do sistema;

¾ Avaliação e deliberação quanto a inclusão, alteração ou exclusão de


sistemas no Módulo Central.
200
Termo de Referência para o Desenvolvimento de um Sistema de
Informação Geográfico para Vigilância Ambiental em Saúde
Márcia Gomes Duarte

BIBLIOGRAFIA

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 05 de outubro de


1988. Editora Saraiva, 27. Ed. São Paulo, 2001. ISBN 85-02-02294-6.

_______. ABNT. NBR 6023 - Informação e Documentação, Referências e


Elaboração. Destina-se a orientar a preparação e copilação de referências
de material utilizado para a produção de documentos e para inclusão em
bibliografias, resumos, resenhas, recensões e outros.Agosto de 2000.

________. Ministério da Saúde. Lei Federal nº8.080 de 19 de setembro de 1990.


Dispõe sobre as condições para promoção, proteção e recuperação da
saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e
dá outras providências.DOU, Brasília.

_______________________. FUNASA. Decreto nº 3.450 de 09 de maio de 2000,


que estabelece como de competência da FUNASA a gestão do sistema
nacional de vigilância ambiental. Brasília, 2000.

__________________________________. Manual Operacional do Sistema de


Informação de vigilância da qualidade da água para consumo humano. 2ª
ed. Brasília. 2003

________________________. Portaria Federal nº 1.565 de 26 de agosto de


1994. Define o Sistema de Vigilância Sanitária e sua abrangência,,
esclarece a competência das três esferas de governo e estabelece as
bases para a descentralização da execução de serviços e ações de
vigilância em saúde no âmbito do SUS. .DOU, Brasília.

__________________________. Portaria nº 453, de 01 de junho de 1998.


Estabelece as diretrizes básicas de proteção radiológica em
radiodiagnóstico médico e odontológico, dispõe sobre o uso dos raios-X
diagnósticos em todo o território nacional e dá outras providências.
201
Termo de Referência para o Desenvolvimento de um Sistema de
Informação Geográfico para Vigilância Ambiental em Saúde
Márcia Gomes Duarte

_________________________. Portaria nº2.616, de 12 de maio de 1998.


Estabelece normas para prevenção e o controle das infecções
hospitalares.DOU, Brasília.

__________________________. Secretaria de Vigilância Sanitária. Manual de


vigilância da saúde de populações expostas a agrotóxicos. Brasília,
Organização Pan-Americana da Saúde, 1997.

__________________________. Norma Operacional da Assistência à Saúde.


Portaria GM nº95, de 26 de janeiro de 2001. DOU de 29/01/01, Brasília.

_________________________. Secretaria de Políticas de Saúde. Manual


Brasileiro de Acreditação Hospitalar. Brasília, 1998.

____________________________. Portaria nº3.523/GM, de 28 de agosto de


1990. Estabelece as condições de funcionamento e manutenção dos
equipamentos de condicionamento de ar. DOU, Brasília.

___________________________. ANVISA. Curso de treinamento em Controle de


Infecção Hospitalar. Brasília, 2000.

____________________________ANVISA. Resolução RDC nº 50, de 21 de


fevereiro de 2002. Estabelece normas destinadas ao exame e aprovação
dos projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. DOU,
Brasília.

_________________________, ANVISA. Resolução-RE nº176, de 24 de outubro


de 2000. Estabelece as orientações técnicas sobre os padrões referenciais
de qualidade do ar em ambientes climatizados artificialmente de uso
público e coletivo. DOU, Brasília.

________. Comissão Nacional de Energia Nuclear. Resolução CNEN – 10/88 de


19 de julho de 1988. Estabelece os requisitos para os serviços de
radioproteção. D.O.U 01 de agosto de 1988, Rio de Janeiro.

________. Comissão Nacional de Energia Nuclear – CNEN NE. 3.01. Diretrizes


básicas de radioproteção. Rio de Janeiro, 1988.
202
Termo de Referência para o Desenvolvimento de um Sistema de
Informação Geográfico para Vigilância Ambiental em Saúde
Márcia Gomes Duarte

_________. CONAMA. Resolução nº05 de agosto de 1993. Define normas


mínimas para tratamento de resíduos sólidos oriundos de serviços de
saúde, portos e aeroportos, bem como a necessidade de estender tais
exigências aos terminais ferroviários e rodoviários. DOU. Brasília.

BAHIA. Lei Estadual nº 3.982 de 29 de dezembro de 1981. Dispõe sobre o


subsistema de saúde do Estado da Bahia, aprova a legislação básica
sobre promoção, proteção e recuperação da saúde e dá outras
providências. DOE, Salvador.

_________. Lei Estadual nº7.799 de 07 de fevereiro de 2001. Institui a Política


Estadual de Administração de Recursos Ambientais e dá outras
providências.DOE. Salvador, 2001.

_________. Decreto Estadual nº 7.967 de 05 de junho de 2001.Aprova o


Regulamento da Lei Estadual nº7.799 de 07 de fevereiro de 2001.D.O.E.
Salvador, 2001.

_______. Secretaria da Saúde do Estado da Bahia. Portaria nº1.083 de 14 de


maio de 2001. Define padrões de qualidade da assistência para a auto
avaliação hospitalar com foco na qualidade e na prevenção das infecções
hospitalares e implanta a vigilância epidemiológica da qualidade dos
serviços. DOU, Salvador.

______________________________. Coordenação de Desenvolvimento de


Recursos Humanos. Departamento de Assistência à Saúde. Prevenção e
controle de infecção hospitalar: orientação básica. Salvador, 1998.

______________________________. Superintendência de Regulação, Atenção e


Promoção de Saúde. Diretoria de Assistência à Saúde. Coordenação de
Gestão da Qualidade e Avaliação Tecnológica. Qualidade e Controle de
Infecção Hospitalar: Orientação Básica. Salvador, 2001.

________________________________.Departamento de Vigilância da Saúde.


Divisão de Vigilância Sanitária. Coletânea de Legislação Básica em
Vigilância Sanitária. Salvador, 1998.
203
Termo de Referência para o Desenvolvimento de um Sistema de
Informação Geográfico para Vigilância Ambiental em Saúde
Márcia Gomes Duarte

______. Associação Baiana de Controle de Infecção Hospitalar. Controle de


Qualidade e Infecção Hospitalar. Assessoramento Gerencial. Salvador,
2000.

SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Saúde. Coordenadoria dos Institutos de


Pesquisa. Centro de Vigilância Epidemiológica. Treinamento Básico de
Vigilância Epidemiológica – Módulos Básicos. São Paulo. 1998.
______________________________________. CVS - Centro de Vigilância
Sanitária. Manual de Vigilância Sanitária de São Paulo – Uma Trajetória no
SUS. São Paulo.
OMS. 1996. Mantenimiento y reparación del equipo de laboratorio, diagnóstico por
imagen y hospital. Bibliografia: ISBN: 94-4354-463-2.

Stair, Ralph M. e Reynolds, George W., Princípios de Sistemas de Informação –


Uma Abordagem Gerencial. CÓD: 7418, C.D.U. 658:004, CUTTEN: 5782
p.
Phlippi Júnior, Arlindo, org. Saneamento do meio. São Paulo, FUNDACENTRO:
Universidade de São Paulo. Faculdade de Saúde Pública. Departamento
de Saúde Ambiental, 1998. 235 p.il.
Thiry-Cherques, Hermano Roberto. Modelagem de Projetos.. ISBN 85-224-3045-
4. São Paulo: Atlas, 2002.
Dean AG, Dean JÁ, Burton AH, Dicker RC. Epi Info, Version 5: a word processing,
database, and statistics program for epidemiology on microcomputers.
Centers for Disease Control, Atlanta, Georgia, USA, 1990.

Oliveira, Djalma de Pinho Rebouças de. Sistemas de Informação Gerenciais –


Estratégias, Táticas e Operacionais. Apresenta aspectos que devem ser
considerados para otimizar o desenvolvimento e implantação de Sistemas
de Informações Gerenciais. Editora Atlas, 8ª Edição, 2002.

Versão preliminar do MANUAL DO USUÁRIO, do Programa de Controle


Radiológico, DIVISA, 2002.
Home Page da SESAB. Disponível em : http://www.saude.ba.gov.br . Acesso em
14 out. 2003.
204
Termo de Referência para o Desenvolvimento de um Sistema de
Informação Geográfico para Vigilância Ambiental em Saúde
Márcia Gomes Duarte

Home Page da ANVISA. Disponível em: http://www.anvisa.gov.br . Acesso em 10


out. 2003.
Home Page do IBGE. Disponível em: http://www.ibge.gov.br . Acesso em 10
out.2003.
Home Page da FUNASA. Disponível em: http://www.funasa.gov.br . Acesso em
08 out.2003.
Home Page do IBAMA. Disponível em: http://www.ibama.gov.br . Acesso em 12
out.2003.
Home Page da CNEN. Disponível em: http://www.2cnen.gov.br/default.asp .
Acesso em 13 out.2003.
Home Page do CRA. Disponível em : http://www.cra.ba.gov.br . Acesso em 14
out. 2003.
Home Page da SEI. Disponível em : http://www.sei.ba.gov.br . Acesso em 08 out.
2003.
Home Page da EMBASA. Disponível em : http://www.embasa.ba.gov.br . Acesso
em 08 out. 2003.
Home Page do Ministério da Agricultura. Disponível em:
http://www.agricultura.gov.br Acesso em 14 out. 2003.
Home Page da Comissão Nacional de Energia Nuclear. Disponível em:
http://www.cnen.gov.br e http://www.ird.gov.br. Acesso em 16 out. 2003.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
NÚCLEO DE ESTUDOS DE SAÚDE COLETIVA
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

A ESTRATÉGIA DA ATENÇÃO PRIMÁRIA AMBIENTAL - APA E OS


DESAFIOS E PROPOSTAS PARA A SUA IMPLEMENTAÇÃO NO BRASIL

Márcia Moisés

Adaptação da Monografia apresentada ao


Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva como
pré-requisito para a obtenção do Titulo de
Especialista em Vigilância Ambiental em
Saúde

- 2003 -
RESUMO

Este artigo objetiva relatar os eventos organizados pela Coordenação de


Vigilância Ambiental em Saúde - CGVAM da Secretaria de Vigilância em Saúde -
SVS/MS que contribuíram para a implementação da estratégia da Atenção
Primária Ambiental – APA no Brasil. A autora obteve fundamentação teórica
relacionada às temáticas abordadas: a APA, a Atenção Primária à Saúde, a
Vigilância Ambiental em Saúde e a Participação Comunitária. O estudo inicia-se
com um histórico da formação do Grupo Técnico de Atenção Primária Ambiental e
Agenda 21 Local no Sistema Único de Saúde - GT APRIMA no âmbito da
Comissão Permanente de Saúde Ambiental – COPESA e descreve os eventos
realizados no período de maio de 2000 a novembro de 2003.

A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica que privilegiou a leitura,


a discussão e a análise de documentos arquivados na CGVAM. Após os relatos a
autora fez breves análises dos processos organizados e propõe recomendações,
apontando sugestões para o fortalecimento do GT APRIMA e para nortear futuras
ações que venham a ser realizadas por técnicos, militantes, ativistas e líderes que
atuam ou venham a atuar na área de saúde e ambiente.

Palavras-chaves: Atenção Primária Ambiental, Atenção Primária à Saúde,


Vigilância Ambiental em Saúde e Participação Comunitária.
209
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

INTRODUÇÃO

Em outubro de 2002, foi oficializado o Grupo de Trabalho sobre Atenção


Primária Ambiental e Agenda 21 Local no SUS, no âmbito da Comissão
Permanente de Saúde Ambiental do Ministério da Saúde - COPESA, tendo como
sigla - GT APRIMA e Agenda 21 Local no SUS. A COPESA foi instituída tendo
como principal função assessorar o Ministério da Saúde - MS na construção da
política nacional de saúde ambiental.

Em 09 de outubro de 2003, a Portaria Nº 2.253/01 foi revogada pela


Portaria Nº 1.931, publicada no Diário Oficial da União – DOU, Folha 58 – Seção
1, em 10 de outubro de 2003. O novo texto trouxe alterações expressivas como a
mudança da coordenação da COPESA realizada pela Fundação Nacional de
Saúde – FUNASA, para a Secretaria de Vigilância em Saúde – SVS, através do
Coordenador Geral de Vigilância Ambiental em Saúde – CGVAM.

Atualmente a COPESA tem como atribuição, avaliar as proposições para a


política de saúde ambiental e possui quatro grupos de trabalho, sendo três destes
criados no ano de 2003: o GT de Atenção Primária Ambiental e Agenda 21 no
SUS, o GT de Saúde e Segurança Química, o GT de Gerenciamento dos
Resíduos dos Serviços de Saúde, o GT de Formulação e Acompanhamento da
Política Nacional de Saúde Ambiental.

O GT APRIMA e Agenda 21 Local no SUS são compostos por vários atores


institucionais e sociais, e vêm propiciando relatos de experiências e discussões
sobre a temática da preservação ambiental, visando estabelecer com os
principais agentes de processo de transformação e mudança, a ampliação do
grau de comprometimento das instituições e organizações para um
desenvolvimento sustentável, humano e solidário a partir do olhar da saúde. O
GT vem contando com a participação de mais de cinqüenta entidades da
sociedade civil organizada e membros de diversos ministérios que têm contribuído
na reflexão sobre as questões de saúde ambiental.

Este GT tem como linhas de ação a identificação de experiências


relacionadas à APA e a Agenda 21 Local; a realização e promoção de estudos,
210
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

debates e divulgação de propostas; a promoção da organização e mobilização


social para construção de ambientes saudáveis; o desenvolvimento e apoio de
Projetos Pilotos de Implementação da APA e da Agenda 21 no SUS; o
desenvolvimento de interfaces com os sistemas de informação existentes; e a
elaboração e implementação de propostas de capacitação e formação. A principal
missão do GT é subsidiar as decisões da COPESA, embasada nas propostas
oriundas das discussões do GT e dos trabalhos desenvolvidos em suas linhas de
ação.

Desde sua oficialização em novembro de 2002, o GT APRIMA e Agenda 21


Local no SUS, vem propiciando inúmeros fóruns de debates e reflexões
sistematizados através de oficinas, reuniões e seminários. Foi organizado durante
um dos importantes eventos - a I Oficina Nacional do GT APRIMA e Agenda 21
Local no SUS, o Plano de Trabalho do GT APRIMA e Agenda 21 Local no SUS..
O GT também vem articulando-se através de uma rede colaborativa pela Internet,
a rede APRIMA - aprima@yahoogupos.com.br.

Neste documento será realizada uma revisão dos eventos desenvolvidos


por integrantes da Coordenação de Vigilância Ambiental em Saúde, separando-os
em duas fases distintas. A primeira fase contemplará o período de maio de 2000 a
outubro de 2002, tendo como marco principal e propulsor das ações de APA no
país, o I Seminário Nacional de APA no Brasil organizado pela Coordenação
Regional de FUNASA do Estado do Rio de Janeiro – CORERJ, com apoio da
Organização Pan - Americana de Saúde – OPAS. A segunda fase contemplará
as ações realizadas pelos moderadores do GT APRIMA e Agenda 21 Local no
SUS, que além de coordenadores do processo, são técnicos da CGVAM –SVS,
considerando o período de novembro de 2002 a novembro de 2003 tendo como
marco, a oficialização do GT no âmbito da COPESA.
211
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

METODOLOGIA

No estudo foi utilizada a metodologia de pesquisa bibliográfica para a


fundamentação teórica e para relatar os eventos realizados e coordenados pelos
técnicos da CGVAM – SVS no período de maio de 2000 a novembro de 2003,
sobre a temática Atenção Primária Ambiental - APA. A metodologia utilizada
privilegiou a leitura, discussão e análise de manuais, livros, cartilhas, memórias,
relatórios, termos de referência, ofícios e outros documentos arquivados na
CGVAM – SVS, mas é também um relato organizado através da observação
criteriosa e participação ativa nos eventos realizados. Após os relatos a autora fez
análises dos processos organizados e propôs recomendações, apontando
sugestões para o crescimento e fortalecimento do GT APRIMA e Agenda 21 Local
no SUS e para implementação de ações de APA no Brasil.

ASPECTOS CONCEITUAIS

De acordo com a Organização Pan - Americana de Saúde (1999), "A


atenção primária ambiental é uma estratégia de ação ambiental, basicamente
preventiva e participativa em nível local, que reconhece o direito do ser humano
de viver em um ambiente saudável e adequado, e a ser informado sobre os riscos do
ambiente em relação à saúde, bem - estar e sobrevivência, ao mesmo tempo que define
suas responsabilidades e deveres em relação à proteção, conservação e recuperação
do ambiente e da saúde" (http://wwww.opas.org.br/ambiente/temas).

O conceito da APA é novo e se relaciona com o processo de


desenvolvimento das nações com o paradigma dos temas ambientais atuais. As
atividades desenvolvidas na APA permitem estabelecer um marco amplo e
flexível para orientar as intervenções ambientais locais com um enfoque plural e
participativo. A APA constitui-se assim, em uma proposta de associação
organizada e voluntária de cidadãos, baseada nas práticas de ajuda mútua e
relações solidárias. Deve ser entendida como uma nova forma de atuar sobre o
espaço ambiental e a saúde pública.
212
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

A OPAS (1999) sinaliza que o conceito de APA foi elaborado e amplamente


discutido em importantes atividades como a Conferência Pan – Americana sobre
Saúde e Ambiente no Desenvolvimento Humano Sustentável realizada em
Washington em 1995, a Reunião Regional sobre APA realizada no Chile em 1997,
a Reunião Sub-regional para a América Central sobre APA realizada em Costa
Rica em 1998 entre outras, constituindo–se, assim, em uma proposta de
associação organizada e voluntária de cidadãos, baseada nas práticas de ajuda
mútua e relações solidárias. Pontua também, que as experiências de APA podem
surgir de diferentes maneiras como: por demandas da própria comunidade, por
conflitos ambientais manifestos, por iniciativa de organizações ecológicas e de
ONGS, por gestão das autoridades locais e governamentais e por organização de
experiências locais de saúde ambiental, sendo que a primeira experiência de APA
no Brasil ocorreu no município de Toledo no Estado do Paraná.

O objetivo geral da APA é alcançar as melhores condições de saúde e


qualidade de vida dos cidadãos, através da proteção do ambiente e do
fortalecimento das comunidades no âmbito da sustentabilidade local. A APA está
fundamentada em valores básicos da Atenção Primária da Saúde - APS, aos
quais incorporou seus próprios princípios, que mostram - se mais amplos do que
os da APS. Os princípios básicos da APA são: a participação da comunidade
buscando através da capacitação e o aumento da consciência ambiental que a
sociedade participe de forma efetiva das políticas de saúde e ambiente; a
organização sendo enfatizada a enorme importância que a comunidade se
organize para que suas demandas e ações em torno da defesa de seus direitos
ambientais tenham êxito e adquiram relevância; a prevenção e proteção
ambiental entendida como toda iniciativa que busque alcançar um melhor nível de
desenvolvimento econômico e social deve evitar ou minimizar o dano ambiental,
através da sensibilização, educação, pesquisa, difusão e participação cidadã; a
solidariedade e a equidade, implicando num compromisso dos cidadãos entre si e
do Estado para com eles e com a justiça social para remediar desigualdades e
assegurar que cada pessoa tenha acesso a um meio ambiente saudável; a
integralidade sendo apontado que as ações ambientais devem ser vistas como
parte de um sistema e não como responsabilidade de um setor em particular que
213
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

monopolize a dinâmica em torno da busca da sustentabilidade local e a


diversidade enfatizado como um dos princípios fundamentais da ecologia.

Alguns compromissos foram firmados com o objetivo de desenvolver e


implantar estratégias que permitam à comunidade realizar um diagnóstico sobre
os problemas de saúde e ambiente e participar da análise de suas próprias
necessidades e desenvolver possíveis soluções e inovações para resolução ou
encaminhamento dos problemas. Destacam-se alguns exemplos como: a
Conferência de Estocolmo realizada em 1972, primeiro grande evento
internacional em torno dos problemas ambientais organizado pela ONU; a
Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento de
1992(RIO 92 ou ECO 92 ou Cúpula da Terra), realizada no Brasil na Cidade do
Rio de Janeiro; a Conferência Pan - Americana sobre Saúde e Ambiente no
Desenvolvimento Sustentável – COPASAD, realizada em Washington, D.C, em
1995 e a 25ª Conferência Sanitária Pan – Americana, realizada em Washington,
D.C, em setembro de 1998.

A participação comunitária e a APA

O documento - Municípios e Comunidades Saudáveis – Guia dos Prefeitos


para Promover Qualidade de Vida (OPAS. 2002), lembra que a construção da
participação comunitária é um processo que se inicia quando várias pessoas
decidem compartilhar suas necessidades, aspirações e experiências, com o
objetivo de melhorar suas condições de vida. Para isso se encontram, se
organizam, identificam prioridades, dividem tarefas, estabelecem metas e
estratégias de acordo com os recursos (financeiros, técnicos e humanos)
existentes e aqueles que poderão ser obtidos através de parcerias. Os membros
de uma comunidade podem ou não pertencer à mesma área geográfica. O
importante é que se sintam como membros daquela comunidade. O mesmo texto
salienta que uma comunidade organizada não é necessariamente uma
comunidade participativa, pois para que ocorra a participação, a comunidade deve
ter o direito e a responsabilidade de tomar decisões que sejam viáveis e que
afetam a vida de seus membros (OPAS. 2002).
214
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

A Carta Pan - Americana sobre Saúde e Ambiente no Desenvolvimento


Sustentável acordada na COPASAD em 1995, ao fixar os princípios de política e
estratégia, estabelece que “a participação dos indivíduos e das comunidades para
manter e melhorar seus ambientes de vida deve ser promovida e apoiada”.
Enfatiza que a participação comunitária deve basear-se em estratégias para o
desenvolvimento sustentável incluindo a APA. Quanto ao enfoque de participação
comunitária a APA dispõe de metodologias para a formulação de diagnósticos
ambientais participativos e técnicas como: organização comunitária, diagnósticos
ambientais e avaliações de impacto ambiental, planejamento ambiental, avaliação
de riscos, educação popular e comunicação social, educação ambiental, manejo
de conflitos ambientais (negociação e resolução) e pesquisas ambientais
integradas. Existem também ferramentas que facilitam a aplicação e a
instrumentalização da APA, assim como sua vinculação e relação com as
estruturas ambientais nacionais, estaduais, municipais e regionais como os
indicadores locais de sustentabilidade e qualidade ambiental, os Centros de
Atenção Primária Ambiental - CAPA e os líderes ambientais, tecnologias
apropriadas, monitoramento primário ambiental, lideranças comunitárias e
unidades de demonstração (OPAS, 1999).

A Atenção Primária à Saúde – APS e a APA

Para permitir à comunidade participar da análise de suas próprias


necessidades e desenvolver possíveis soluções e inovações, foram
desenvolvidas algumas estratégias como a Atenção Primária à Saúde - APS,
amplamente debatida na Conferência Internacional sobre Atenção Primária a
Saúde realizada em Alma Alta - cidade da antiga União Soviética, atual Rússia,
em setembro de 1978.

A atenção primária à saúde é a atenção essencial à saúde, baseada em


métodos práticos, cientificamente evidentes e socialmente aceitos e em
tecnologias tornadas acessíveis a indivíduos e famílias na comunidade por meios
aceitáveis e a um custo que as comunidades e os países possam suportar,
independentemente de seu estágio de desenvolvimento, em um espírito de
autoconfiança e autodeterminação. Ela forma parte integral do sistema de
215
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

serviços de saúde do qual representa sua função central e o principal foco de


desenvolvimento econômico e social da comunidade. Constitui o primeiro contato
de indivíduos, famílias e comunidades com o sistema nacional de saúde, trazendo
os serviços de saúde o mais próximo possível aos lugares de vida e trabalho das
pessoas e constitui o primeiro elemento de um processo contínuo de atenção
(OMS apud Mendes, 2001).

A Vigilância Ambiental em Saúde – VAS e a APA

O Decreto n° 4.726, de 09 de junho de 2003, em seu artigo 29, cita que


compete a SVS, a coordenação e a gestão do Sistema Nacional de Vigilância
Ambiental em Saúde - SINVAS, anteriormente citada como atribuição da
FUNASA, devido a estrutura ministerial que as atribuía ao extinto CENEPI. O
SINVAS foi organizado tendo como base o Decreto n° 3.450 de 09 de maio de
2000, visando sua implantação em todo território nacional. No documento -
Instrução Normativa - IN Nº 1 de 25 de setembro de 2001 da FUNASA, que
regulamenta a Portaria MS - Nº 1.399, de 15 de dezembro de 1999, no que se
refere às competências da União, Estados e Municípios e Distrito Federal, na área
de Vigilância Ambiental em Saúde – VAS, é conceituada como um conjunto de
ações que proporciona o conhecimento e a detecção de qualquer mudança nos
fatores determinantes e condicionantes do meio ambiente que interferem na
saúde humana, com a finalidade de identificar as medidas de prevenção e
controle dos fatores de risco ambientais relacionados às doenças ou outros
agravos à saúde.

Segundo Netto & Carneiro (2003, p.31) “o campo de atuação da VAS está
representado na interface entre saúde, ambiente, o chamado campo de saúde
ambiental”. Quanto à APA, o documento explicita que a partir de 1998, a OPAS
vem incentivando a implantação nos seus países membros incluindo o Brasil,
esta estratégia visando à estruturação de instrumentos voltados à saúde
ambiental, sob a ótica das estratégias da Agenda 21, utilizando os conceitos de
desenvolvimento sustentável e dos espaços, ambientes e cidades saudáveis.
216
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

Importante pontuar, que até mesmo sistemas de vigilância devem conter


componentes que possibilitem a vigilância cidadã do seu ambiente para se
alcançar uma vida saudável. Existem muitos contextos, principalmente das
populações mais isoladas que vivem no campo e necessariamente exigem esta
estratégia, o que implicará numa vigilância participativa de suas condições
ambientais que tenham repercussão na saúde. Iniciativas como a APA deve ser
incorporado como um componente do SINVAS.

Atividades sobre Atenção Primária Ambiental - APA realizadas com apoio


de técnicos da CGVAM. Período de maio de 2000 a outubro de 2002.

O I Seminário de Atenção Primária Ambiental no Brasil foi realizado pela


FUNASA – Coordenação Regional do Rio de Janeiro - CORERJ, no período de
24 a 25 de maio de 2000, no Hotel Novo Mundo – Município do Rio de Janeiro –
RJ. O evento foi considerado um marco e teve como objetivo, discutir a
participação ativa da comunidade, com o apoio dos governos estadual e
municipal, em ações de proteção ao meio ambiente e melhoria da qualidade de
vida da população visando a gestão ambiental adequada às necessidades do
cidadão, dentro de um enfoque holístico e ambiental. No seminário foram
debatidas propostas de associação organizada e voluntária de cidadãos para a
conservação do meio ambiente e promoção da saúde, baseadas em práticas de
ajuda mútua e relações APA.

Em 2001, foi realizada a I Oficina Nacional de Atenção Primária


Ambiental como uma das estratégias para a Vigilância Ambiental em Saúde,
coordenada por técnicos do antigo CENEPI da FUNASA, atual SVS, no Município
de São Mateus – ES, no período de 06 a 07 de agosto de 2001. A Oficina ocorreu
como parte integrante do I Encontro Estadual sobre Saúde e Meio Ambiente,
promovido pela FUNASA – CORE do Estado do Espírito Santo. Durante o evento,
foram apresentados e discutidas a estratégia da APA, apresentação e discussão
da implementação da VAS, apresentação de experiências locais de APA e
apresentação e discussão das ações de promoção da saúde, o aprofundamento
discussão sobre APA, identificando estratégias de sua implementação nos
217
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

estados, considerando o contexto da VAS e construindo um modelo simulado de


APA.

No período de 23 a 24 de agosto de 2001, em Brasília, a Oficina de


trabalho sobre Atenção Primária – Avançando o SUS, teve como objetivo
apresentar a Atenção Primária Ambiental – APA – como uma das estratégias de
implementação do SINVAS. Os objetivos específicos tiveram a proposta de
discutir diretrizes estratégicas e operacionais para implementação da APA nas
ações básicas, preventivas e de promoção da saúde no SUS, e discutir as bases
para elaboração de um Programa de Capacitação de Recursos Humanos em
APA. As principais recomendações incluíram: realizar uma agenda de interfaces
interna e externa ao MS; estabelecer um processo de elaboração de capacitação
em APA; articular mais atores para as próximas reuniões e agendar um segundo
encontro com um grupo ampliado para o final de novembro de 2001.

A III Oficina Nacional sobre a implantação da Atenção Primária


Ambiental no SUS, realizada durante o dia 11 de abril de 2002, teve como
objetivo definir a estratégia, a viabilidade e a metodologia pedagógica necessária
para a implementação da APA no SUS. Foram relatadas as propostas de APA
implementadas e em implementação no contexto do SUS e realizada uma
avaliação sobre a viabilidade da estratégia, lições e desafios. Discutiu-se a
possibilidade de desenvolvimento dos eixos temáticos e estratégias pedagógicas
para capacitação em APA. Foram apontadas as seguintes propostas: a criação
de um Grupo de Trabalho envolvendo o PACS/PSF, Saúde do Trabalhador,
Promoção da Saúde e FUNASA com o objetivo de discutir a estratégia de
implementação da APA no contexto da Atenção Básica; o desenvolvimento de
uma proposta conjunta que trabalhe esta estratégia no contexto das ações do
Programa de Município Saudável e a contribuição na criação de um programa
relacionado ao “Campo Saudável”; o levantamento e avaliação das experiências
do PACS/PSF relacionadas a APA já desenvolvidas no Brasil; a organização e
realização de uma oficina pré – conferência do CONASEMS; o desenvolvimento
de um módulo de APA para ser utilizado nos treinamentos das equipes de saúde
da família e dos agentes comunitários de saúde através dos pólos de capacitação
218
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

e secretarias municipais de saúde; para o desenvolvimento de ações conjuntas e


divulgar a APA por meio de articulação com o MMA.

Em Fortaleza, Ceará foi desenvolvido no dia 3 de julho de 2002 o


Seminário de APA e a Estratégia de Saúde da Família: Caminhos para a
Promoção da Saúde. Este evento foi promovido pelo Conselho dos Secretários
Municipais de Saúde do Ceará com apoio dos MS, OPAS - Representação no
Brasil; FUNASA; Secretaria da Saúde do Estado e Associação dos Prefeitos do
Estado do Ceará. Teve como objetivos: discutir as questões ambientais a partir de
uma visão de mundo ecológica, que reconhece a integração, totalidade e
interdependência dos seres e sistemas vivos; disponibilizar conhecimentos e
ferramentas de gestão que auxiliem na elaboração e execução de políticas
públicas em prol da construção de ambientes saudáveis e de comunidades
sustentáveis na ótica da estratégia da promoção da saúde e apresentar e discutir
a atenção primária ambiental e sua relação com a estratégia de saúde da família.

A programação constou de mesas redondas e debates sobre temas como:


APA a estratégia de Saúde da Família: Caminhos para promoção da saúde com
enfoques sobre a Promoção da Saúde as questões ambientais, a APA como
estratégia para construção de ambientes saudáveis e comunidades sustentáveis
e a Saúde do Trabalhador no contexto da APA, problemas ambientais, agravos e
experiências exitosas.

Em 10 de agosto de 2002 foi criada a REDE de Atenção Primária


Ambiental – APRIMA, que tem como associados de diversas instituições e
movimentos sociais como: FUNASA, SVS, Agenda 21-MMA, IBAMA - Instituto
Brasileiro de Meio Ambiente, Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG,
FIOCRUZ, ANVISA, Coordenação de Saúde do Trabalhador - COSAT, Ministério
da Educação - MEC, OPAS, Ministério do Trabalho e Emprego - MTE, Ministério
do Meio Ambiente - MMA, Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental,
Ciência e Tecnologia - CETESB, Secretaria Municipal de Ambiente do Estado do
Espírito Santo, Secretaria de Meio Ambiente do Município de Toledo - PR, SMS
de Curitiba, Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais, Projeto Caparaó,
ONG Catavento, ONG Água e Vida, Consórcio Serra da Mesa, Consórcio da MRA
219
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

5, entre outras. O site do grupo é denominado http:// br.groups.yahoo.com/ e o e-


mail: aprima@yahoogrupos.com.

O GT APRIMA, citado no grupo yahoo na categoria de causas e ativismo,


tem listado as seguintes configurações em seu diretório: o português como idioma
principal, associação restrita, todas as mensagens precisam ser aprovadas pelos
moderadores (técnicos da CGVAM/SVS), todos os associados podem enviar
mensagens, arquivo de mensagens somente para associados e anexos de e-mail
são permitidos. Seus associados têm como proposta trocar informações,
opiniões, sugestões, incluindo denúncias, fomentando um espaço coletivo,
democrático, criativo e informal para compartilhamento de idéias e provocando
discussões sobre a temática saúde e ambiente.

A I Oficina Nacional de Atenção Primária Ambiental e Agenda 21 Local no


SUS. Pré-Momento da III Conferência Regional Latino – Americana de Promoção
da Saúde e Educação para a Saúde objetivou construir uma proposta de trabalho
integrado – Plano de Trabalho - a partir das ações e experiências desenvolvidas
no campo da Atenção Primária Ambiental e da Agenda 21 Local no contexto do
SUS. Teve como resultado além do documento, a realização do Corredor
Temático de Saúde, Ambiente, Trabalho, Habitação, Saneamento e Sociedade
realizado no Fórum Social Mundial de Porto Alegre em janeiro de 2003. A Oficina
foi realizada nos dias 09 e 10 de novembro de 2002 na Faculdade de Saúde
Pública – USP-SP e organizada pelo GT APRIMA e Agenda 21 Local no SUS.
Teve como objetivo estruturar e promover debates entre técnicos, cientistas e
representantes da sociedade civil organizada sobre uma proposta de trabalho
integrado a partir das ações e experiência desenvolvidas no campo da APA e da
Agenda 21 Local no SUS.

O evento contou com a presença de sessenta técnicos e representantes da


sociedade civil organizada que desenvolvem ações e experiências no campo da
APA e da Agenda 21 no SUS e que possuíam experiência na temática. Sua
programação privilegiou a apresentação de experiências. Foram aplicadas
dinâmicas de interação e relaxamento e organizadas discussões em quatro
grupos focalizando os temas apresentados tendo como eixo norteador o
220
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

documento “Plano de Trabalho do GT APA e Agenda 21 Local no SUS”. Foram


feitas novas discussões sobre o documento que foi reorganizado. Os relatos dos
grupos foram apresentados em plenária e sistematizados tendo como produto
final o documento consolidado. Outro importante produto foi a proposta de
realização do Corredor Temático de Saúde, Ambiente, Trabalho, Habitação,
Saneamento e Sociedade realizado no Fórum Social Mundial de Porto Alegre em
janeiro de 2003.

A Oficina de APA e Agenda 21 Local no SUS do Fórum Social Mundial -


FSM, realizada em Porto Alegre – RS, no período de 23 a 28 de janeiro de 2003
teve no Corredor Temático - CT de Saúde, Ambiente, Trabalho, Habitação,
Saneamento e Sociedade no Fórum Social Mundial – FSM uma proposta de
trabalho integrada, acordada durante a I Oficina Nacional de Atenção Primária
Ambiental e Agenda 21 Local no SUS e formalizada no documento "Plano de
Trabalho do GT sobre APA e Agenda 21 Local do SUS. O CT teve como objetivos
estruturar, promover e fomentar debates entre ativistas, técnicos e militantes dos
movimentos ambientalistas, da saúde do trabalhador e da saúde ambiental,
reunindo contribuições que visam redirecionar o padrão atual de desenvolvimento
no Brasil e no mundo. Contou com a participação de técnicos, ativistas e
representantes da sociedade civil organizada que desenvolvem ações e
experiências no campo da saúde, ambiente, saneamento, educação, trabalho e
sociedade.

O CT foi concluído com uma plenária no auditório da FUNASA - CORERS


com as seguintes propostas: aderir aos princípios do FSM como base política de
nossa organização e aos eventos do Fórum como eixo principal para as
atividades, agregar valores e princípios como da cooperação, da solidariedade, da
cumplicidade e da aliança com os movimentos sociais e populares; ética; conflito
de interesses; intersetorialidade, interdisciplinaridade e transversalidade;
organizar movimento baseado nos principais pontos explicitados no documento
Plataforma e Diretrizes para atuação da Rede, apresentada pela Rede Brasileira
Contra a Contaminação Humana e Ambiental e aprovada na plenária final;
construir a Memória do Corredor 2003, sendo o trabalho centralizado na CGVAM
e na DSST- SIT- MTE; participar ativamente e de forma organizada do Congresso
221
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

da ABRASCO, na Conferência Extraordinária de Saúde e na Conferência


Nacional de Meio - Ambiente e organizar um II Corredor Temático na próxima
atividade de caráter nacional no FSM.

O Encontro dos Estados Articulados do Movimento Popular de Saúde


– MOPS no período de 27 a 30 de março de 2003, na chácara São José das
Irmãs Karethianas em Londrina – PR foi uma das propostas inclusas no Projeto
“Auxílio Financeiro para realização do Encontro Nacional do MOPS e apoio a
Secretaria Nacional”, organizado em 2002, e teve como objetivo principal garantir
a atuação do movimento no resgate das práticas culturais em saúde, na defesa
de cada cidadão no exercício de seus direitos a uma verdadeira qualidade de
vida.

O encontro contou com a presença de cinqüenta participantes de onze


estados, sendo discutidos três eixos temáticos: princípios e estratégias do MOPS,
Capacitação e Formação e Relação entre os estados e o MOPS Nacional.
Durante o evento foi realizada uma Oficina da APA com os integrantes
fomentando discussões sobre o tema. As principais propostas oriundas do
Encontro objetivaram construir e implementar projetos populares sobre a temática
saúde e ambiente. As propostas foram as seguintes: dar continuidade a parceria
com a CGVAM para realização de atividades sobre a temática saúde e ambiente;
capacitar os representantes do MOPS e outros movimentos populares de saúde
para o controle social em atenção à saúde e ambiente visando a qualificação da
atuação desses atores junto aos Conselhos de Saúde e outros espaços de
controle social; capacitar os quadros do MOPS, em saúde e ambiente visando a
efetivação de projetos de educação popular, tendo como modelo o Curso Básico
de Vigilância Ambiental em Saúde – CBVA, com enfoque popular e dirigido aos
representantes de níveis médio e superior, principalmente educadores e agentes
de saúde populares e solicitar apoio para efetivação da comunicação popular e
atividades culturais, aplicadas às questões de saúde e ambiente, considerando as
atividades já realizadas através do Jornal “Saúde em Contas Gotas”, organizado
pela Rede de Educadores Populares de Saúde e experiências realizadas pelo
MOPS em educação popular como teatro de bonecos.
222
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

O Encontro dos Centros de Atenção Primária Ambiental - CAPAS dos


Municípios do Estado do Espírito Santo, coordenados pela Associação
Nacional de Municípios e Meio Ambiente – ANAMA. foi realizado no dia 15 de
abril de 2003, no auditório da FUNASA – CORE do Estado do Espírito Santo, teve
como objetivo integrar e articular os CAPAS existentes no Estado, envolvendo os
municípios de Vitória, Aracruz, Santa Teresa, Fundão, Nova Venécia, São Mateus
e Aimorés, visando a troca de experiências e a organização da agenda de
trabalho para 2001. Foram realizadas exposições sobre APA e a importância de
revigorar o grupo no processo de mudança governamental, ações realizadas pelo
GT APRIMA e Agenda 21 Local no SUS, o Programa Comunitário de Saúde
Ambiental realizado nas escolas públicas de nível médio do Estado do Rio de
Janeiro e relatos dos representantes dos CAPAS. Dentre as considerações finais
destacam-se: a necessidade de divulgar as ações dos CAPAS, sendo que será
realizado um informativo para ser colocado na rede, pois explicitaram a falta de
divulgação das atividades realizadas e a notória falta de capacitação, com
proposta de resolução através de Oficinas de Capacitação para líderes,
organizada pelos representantes dos CAPAS, líderes comunitários,
representantes das ONGs e outros parceiros.

O Projeto Executivo de Mapeamento de Riscos Ambientais em Saúde


Ambiental, desenvolvido pelo Consórcio Intermunicipal da Macro Região
Ambiental Número5 – MRA 5 do Estado do Rio de Janeiro no ano de 2003
organizou sucessivos eventos ao longo do ano de 2003, visando por em prática
uma das deliberações da I Oficina Regional de Vigilância Ambiental em Saúde da
MRA 5.

A I Oficina Regional de Vigilância Ambiental em Saúde da MRA 5 foi


realizada no período de 13 a 14 de novembro de 2002 no Município de Rio das
Ostras – RJ e teve como objetivo envolver o governo em seus três níveis e a
sociedade civil organizada e realizar um projeto com o título: “Projeto Executivo
de Mapeamento de Riscos Ambientais em Saúde Ambiental. O Projeto consolida-
se através do mapeamento de riscos ambientais em todos os municípios que
compõem a MRA5, entendendo que esta atividade será indutora para a execução
223
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

de outra de suas deliberações, que é a implantação do Centro de Atenção


Primaria Ambiental em Saúde – CAPAS”.

O principal produto da Oficina – o Projeto de Mapeamento de Riscos


Ambientais da Macro – Região Ambiental 5 tem como objetivo principal a
realização do Mapeamento de Riscos Ambientais nos municípios que compõem a
Macro Região Ambiental 5 MRA – 5 e como objetivos específicos colaborar com o
fortalecimento da sociedade civil em busca de saúde e qualidade de vida. No
intuito de facilitar a elaboração do Mapeamento, a MRA 5 foi dividida em três
setores, que segundo os coordenadores do Projeto, foram definidas pelas
similaridades locais, vizinhança física e por pertencerem a mesma bacia
hidrográfica, sendo que por este motivo os Municípios de Casimiro de Abreu e
Macaé se incluem em dois setores: Setor Praia Sul - Casimiro de Abreu, Rio das
Ostras e Macaé; Setor Serrano - Casimiro de Abreu, Macaé, Trajano de Moraes,
Conceição de Macabu, Santa Maria Madalena e Nova Friburgo e Setor Praia
Norte - Campos, Quissamã, Carapebus e São João da Barra.

A execução do Projeto durante o ano de 2003, foi realizada em três etapas:


ações de mobilização social, organização, capacitação da equipe coordenadora;
informação, divulgação e convocação, ciclo de debates, sessões locais de
mapeamento e conclusão do mapeamento e consolidação dos mapas de riscos
ambientais e apresentação do Mapa através de realização de plenária macro-
regional. Os Ciclos de Debates foram realizados nos municípios de Casimiro de
Abreu (junho) e Santa Maria Madalena (agosto), Quissamã (outubro) e São João
da Barra (novembro), sendo convidados vários palestrantes com grande
conhecimento e militância na área de saúde e ambiente, líderes comunitários,
militantes da área de saúde e ambiente e comunidade em geral.

Os eventos visaram instigar os participantes com temas como: radiações


eletromagnéticas não ionizantes, poluição industrial, ocupação desordenada do
solo, mapeamento de riscos ambientais em saúde, preservação de mananciais e
recuperação das matas ciliares, agrotóxicos - danos ambientais e à saúde
humana, estruturação da VAS e construção de indicadores de saúde ambiental,
APA, manejo de bacias hidrográficas, formação de Comitês de Bacias
224
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

Hidrográficas, avaliação de riscos de dutovias (gasodutos e oleodutos),


agrotóxicos e seus impactos na saúde e no ambiente, saneamento de pequenas
localidades, alterações climáticas, queimadas entre outros, com utilização de
metodologia participativa e problematizadora e muita criatividade, aproveitando os
recursos locais com efetiva presença da comunidade.

Os resultados do Projeto de Mapeamento Ambiental de Riscos à Saúde,


serão apresentados 2004, durante a realização da II Oficina Regional de
Vigilância Ambiental em Saúde da MRA5.

Na Oficina de Atenção Primária Ambiental com a ONG Verdejar


Proteção Ambiental e Humanismo e a participação nas atividades do
Domingo Ecológico na Serra da Misericórdia - Complexo do Alemão –RJ,
realizada nos dias 07 e 08 de junho de 2003 a primeira teve como objetivo
principal capacitar líderes, representantes e entidades da região e do Fórum de
ONGs da Serra da Misericórdia para lidar com as questões de APA. Com a
conclusão da Oficina de APA ficou explicitado em relatório, enviado para os
representantes da ONG e diversos setores que a comunidade solicita a
desativação da pedreira e o reflorestamento da Serra da Misericórdia, conforme já
citado anteriormente nos documento "Serra da Misericórdia - A última área verde
da Leopoldina" e Boletim do Grupo Verdejar Ano I N° 1 de maio de 1999.

A segunda atividade realizada foi a organização e participação efetiva nas


atividades do Domingo Ecológico com ginástica, caminhada e plantio de mudas
na Serra da Misericórdia, dinâmicas de grupo, recital de poesias, feira de troca
solidária, apresentação de grupo de capoeira e eventos musicais.

A iniciativa desenvolvida na região pelo grupo Verdejar constitui em um


laboratório privilegiado para o desenvolvimento de ações de APA em áreas de
favela. O grupo formado por jovens, idosos e até crianças conseguiu deter a
grilagem de terras e a favelização na Serra da Misericórdia e até mesmo o avanço
do tráfico de drogas.

A Oficina de Vigilância Ambiental em Saúde e Atenção Primária


Ambiental realizada no Encontro Regional de Saúde do Movimento dos
225
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

Trabalhadores Rurais Sem Terra - MST que ocorreu no Município de Cantagalo


- PR no período de 09 a 10 de julho de 2003, teve como objetivo promover
discussões com os representantes das brigadas presentes dos Estados do
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul para lidar com as questões da APA.
Foram aplicadas dinâmicas de grupo, realizada construção coletiva dos conceitos
de saúde, educação e ambiente e suas interfaces e também realizado mapas de
risco através da técnica do Mapa Falante apontando os principais problemas de
saúde relacionados com as questões ambientais, correlacionando-o na
construção da Matriz de Corvalán.

O evento, com os representantes do MST, atingiu seu objetivo de pensar


coletivamente, através da participação efetiva e real em soluções e/ou
encaminhamentos, utilizando a aguçada percepção desenvolvida pelo grupo
presente para os problemas apontados, correlacionando questões e
problemáticas de saúde e às de ambiente, consolidando e expandindo parcerias,
legitimando propostas e ações. Possibilitou também, mantermos parceria na
busca de contribuir com a minimização dos problemas existentes na área da
saúde nos assentamentos de reforma agrária. Percebeu-se no final do evento, a
importância de dar continuidade ao processo iniciado, de capacitação de líderes
sobre temática saúde e ambiente, utilizando material educativo específico para
trabalhadores do campo e método pedagógico participativo e problematizador.

A Oficina para Elaboração do Termo de Referência da Cartilha


Nacional de Atenção Primária Ambiental foi coordenada em Brasília pelo
Ministério da Saúde através de representação do GT APRIMA e Agenda 21 Local
no SUS da CGVAM -SVS e pelo Ministério do Meio Ambiente - MMA, contando
com a presença de quarenta e um participantes. Teve como objetivo promover
articulação política, troca de experiências e debate com diversos grupos e setores
da sociedade – instituições públicas e da sociedade civil organizada, além de
ONGs, grupos e/ou movimentos populares para elaboração do Termo de
Referência da Cartilha -TR sobre Atenção Primária Ambiental relativa as ações
locais de saúde ambiental sob o eixo da democracia, sustentabilidade e
intersetorialidade. Foram explicitados pontos como: a necessidade de elaborar
uma cartilha ou um instrumento APA e da existência de uma primeira cartilha
226
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

elaborada na OPAS e traduzida para o português, mas que não vem atendendo
às necessidades locais das comunidades brasileiras, existindo a necessidade de
aprimorar o instrumento para a linguagem brasileira e levar em consideração o
SUS; revisitar o capítulo da saúde da Agenda 21 brasileira, formar políticas
públicas mais democráticas no momento atual, permitindo que diferentes atores
busquem alternativas mais condizentes; ter vontade política para fazer a
transversalidade, o governo necessita de agir de forma articulada.

Foi proposta a construção de uma cartilha técnica ou outro instrumento


com conteúdos político e éticos, tentando trabalhar com técnicos e com
representantes dos movimentos populares, trabalhando a construção do
conhecimento coletivo. Foram destacados que o instrumento/ cartilha a ser
construído deve-se pensar em como citar as estratégias como Fóruns Sociais,
Municipais, Estaduais e Nacionais, a Agenda 21 Local, o Desenvolvimento Local
Integrado e Sustentável – DLIS, Municípios Saudáveis, SILOS e APA.. Foram
destaques algumas definições e princípios básicos como o conceito de APA, de
Promoção da Saúde, de Agenda 21, de DLIS, de Municípios Saudáveis e do
FSM.

Foram apresentados em plenária os seguintes pontos: aproveitar o grupo


dos participantes e rever o material elaborado por consultores que serão
contratados para uma revisão final; necessidade de se fazer um instrumento com
ampla participação do grupo, propondo uma agenda de trabalho; a sistematização
dos trabalhos dos grupos será realizada por cinco pessoas, representando os três
grupos, trabalhar a intrasetorialidade dentro do MS e a intersetorialidade com os
demais Ministérios; intervir no processo de capacitação que já está sendo
iniciado, com a capacitação de agentes de saúde ambiental, organizar uma
agenda para o grupo com proposta de seminários para que o GT APRIMA
participasse como: o Fórum Social Brasileiro e o Fórum das Cidades Saudáveis;
todo o material terá que ser retornado para o grupo fazer uma nova revisão e uma
avaliação com participação efetiva do grupo APRIMA, assegurar a participação
efetiva do grupo participante do GT APRIMA e da Oficina na avaliação e revisão
da cartilha; colocar um glossário no documento que será elaborado; textos que
subsidiarem a Oficina serão modificados e colocados na Rede APRIMA; a
227
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

memória do evento será divulgada na Rede APRIMA para sugestões e


modificações e firma-se a intenção de organizar mais uma Oficina para debater os
resultados finais do material produzido e os encaminhamentos dos futuros
projetos pilotos para testagem do material em diversas regiões do país.

Um dos principais pontos enfatizados pelos participantes no final do evento


foi a utilização do termo Cadernos para Ações Locais em Saúde Ambiental ao
invés de Cartilha Nacional de Atenção Primária Ambiental.

A Oficina de APA realizada no Município de Pinheiral - RJ, no período de


20 a 21 de outubro de 2003 teve como principal objetivo contribuir para o
desenvolvimento de ações integradas de saúde ambiental ao nível local com
participação da comunidade, no contexto do SUS, incitando o processo de
reflexão da inclusão do componente saúde ambiental na Atenção Básica –
Programa Agente Comunitário de Saúde/Programa Saúde da Família. O evento
culminou com a realização de diagnóstico participativo com utilização da Matriz de
Corvalán. Foi realizada uma seleção de representantes para composição de
grupo responsável que fará a elaboração do projeto de inserção das ações de
saúde ambiental no SUS visando a melhoria de saúde com propostas de
realização do Plano de Ação Integrado (Interno), de Mapeamento dos Bairros, do
Plano de Ação Integrado e Intersetorial, de Avaliação e Sustentabilidade e de
Organização do Cronograma de Reuniões para 2003.

Resultados e discussão

Como cita a OMS (1999, p.26), a APA não é uma negação, nem uma
substituição da APS, mas é uma proposta qualitativamente diferente. As bases
para o conceito de APA encontram-se na vertente da APS, pois esta estratégia
baseia-se nos valores de equidade, participação, eficiência e integração da APS,
mas vai além, incluindo a descentralização, a interdisciplinaridade, a participação
efetiva, a organização, a coordenação, a autonomia e a solidariedade. A novidade
é utilizar a APA como estratégia, aplicando-se aos temas ambientais e às políticas
ambientais nacionais e internacionais.
228
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

Uma importante elucidação para os desejosos em utilizar a estratégia da


APA é que os técnicos selecionados para atuar junto com os representantes dos
Movimentos Sociais com objetivo de organizar os cursos, oficinas e materiais
educativos coadunem com os seguintes princípios explicitados por Bogo (2003):
"Saber relacionar-se com todas as forças sociais sem "ideologizar" as
divergências, respeitando as diferenças( se essas não representem desvios) ,
buscando sempre a unidade em torno dos objetos Estabelecer uma linguagem
acessível nas formas de comunicação com o povo Saber interpretar as
circunstâncias políticas e as tradições de luta do povo. Saber interpretar quais são
as forças sociais capazes de se constituir em forças de mudança e quais são as
formas de organização que se deve estabelecer para que estas participem
ativamente ". (p. 421).

A utilização de métodos participativos e problematizadores, que valorizam


a participação efetiva da comunidade, muitas vezes tornam-se processos de difícil
realização, exigindo gradual mudança de paradigma, grande paciência e
flexibilidade. Demo (1988, p. 2) cita que “é preciso entender que participação que
dá certo traz problemas. Pois este é seu sentido. Não se ocupa espaço de poder,
sem tirá-lo de alguém. O que acarreta riscos, próprios do negócio".

Pode-se citar que o mais importante resultado obtido pelo GT APRIMA e


Agenda 21 Local no SUS para a implementação da APA no Brasil foi a construção
e elaboração de forma coletiva do documento “Plano de Trabalho do GT sobre
Atenção Primária Ambiental e Agenda 21 Local no SUS”, com explicitação da
finalidade, atores envolvidos, linhas de ação com identificação de experiências
relacionadas a APA e Agenda 21 Local no SUS, consolidação dos marcos teórico-
conceituais, articulação e interface com os sistemas de informação existentes,
propostas de elaboração e implementação de capacitação e formação,
contribuição na promoção de debates e divulgação da APA e da Agenda 21 Local
no SUS, articulação inter e intrasetorial, financiamento, desenvolvimento e apoio
de projetos - piloto de implementação da APA e Agenda 21 no SUS,
encaminhamentos finais e comentários.
229
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

Quanto ao desenvolvimento e apoio de Projetos Piloto de implementação


da APA e Agenda 21 no SUS, o GT por meio da COPESA, vem desenvolvendo
projetos com o objetivo de contribuir para o aprimoramento metodológico deste
campo.

Dentro do enfoque da intersetorialidade, destaca-se a consolidação da


articulação e parceria da CGVAM – SVS com a Secretaria Executiva do Ministério
do Meio Ambiente – MMA, através do Fundo Nacional do Meio Ambiente na
proposta de Construção de Agendas 21 Locais explicitada no novo Edital do
FNMA n° 2 de julho de 2003. O edital financiará projetos relacionados à Agenda
21 Local, incorporando a utilização da estratégia da APA. Segundo o documento
“Da Atenção Primária Ambiental para a Atenção Primária em Saúde Ambiental:
construção de espaços saudáveis e convergências no Brasil” está sendo iniciado
o desenvolvimento de uma integração transversal das iniciativas, preservando
suas definições e espaços de atuação, mas agregando novos olhares. O novo
edital inclui a revisão de algumas características do edital anterior e a
incorporação de novas parcerias. A inserção da CGVAM na Agenda 21 Local se
concretiza através da APA (Carneiro & Moisés et al, 2003).

Quanto à sigla APA referir-se ao termo primária e não incluir o termo


saúde, explicita-se que:

“... não se utiliza a terminologia “Atenção Secundária ou Terciária


Ambiental” e como APA é uma estratégia promovida pelo setor saúde, o termo
novamente carece de qualquer referência a este, o que pode contribuir no
processo de confusão de competências entre os setores de saúde e ambiente”
(Carneiro & Moisés et al, 2003, p.2).

Outros importantes destaques foram: a organização do Corredor Temático


entre outros e os Encontros, Seminários, Oficinas e Reuniões com os Movimentos
Sociais, principalmente MST e MOPS.

Além dos itens explicitados no Plano de Trabalho do GT APRIMA e


Agenda 21 Local no SUS, podemos enfatizar os seguintes avanços para a
230
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

implementação da estratégia de Atenção Primária Ambiental no Brasil, que


tiveram intensa participação do GT para obtenção de resultados favoráveis:

¾ A construção do Termo de Referência para a elaboração da Cartilha


Nacional de Atenção Primária Ambiental, através de um processo de
construção coletiva com participação efetiva de técnicos, militantes e
representantes dos movimentos sociais e segmentos da sociedade;
¾ A proposta de construção de Cadernos de Ações Locais de Saúde
Ambiental, oriunda da Oficina para Construção do Termo de Referência da
Cartilha Nacional de APA, com enfoque nacional e popular;
¾ O fortalecimento do GT através das atividades realizadas (oficinas,
seminários, encontros, reuniões) e pela troca de conhecimentos e
experiências via Internet;
¾ A realização de eventos com metodologia participativa e problematizadora,
facilitando o processo de construção coletiva sobre enfoques de saúde e
ambiente, atrelado às questões sociais, políticas e econômicas do país;
¾ A valorização e socialização das experiências através de apresentações
orais e de posters sobre as atividades do GT no VII Congresso da
ABRASCO;
¾ A organização do artigo “Da Atenção Primária Ambiental para a Atenção
Primária em Saúde Ambiental: construção de espaços saudáveis e
convergência no Brasil”, organizado pelos moderadores do GT e
apresentado no VII Congresso da ABRASCO, durante a exposição oral
com o título: “A formação do Grupo de Trabalho de Atenção Primária
ambiental – APA e Agenda 21 Local no SUS”;
¾ A utilização com facilidade nas Oficinas da Matriz de Corvalán ou Matriz de
Saúde e Ambiente ou Matriz de Causa e Efeito;
¾ A construção de indicadores de saúde ambiental no nível local, como
exemplificação a Oficina de APA realizada no Complexo do Alemão no
Município do Rio de Janeiro – RJ;
¾ O desenvolvimento de uma integração transversal das iniciativas, como
Agenda 21, cidades e municípios saudáveis, DILIS e APA, preservando
suas definições e espaços de atuação, mas agregando novos olhares.
231
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

Recomendações

Seria interessante reforçar alguns comentários já elucidados no Plano de


Trabalho do GT APRIMA e Agenda 21 Local no SUS reestruturado durante a I
Oficina Nacional de Atenção Primária Ambiental e Agenda 21 Local no SUS, em
novembro de 2002:

¾ Enviar o Plano de Trabalho do GT, já aprovado na plenária para todas as


entidades, aprovando primeiramente na COPESA, objetivando a realização
de discussões internas para novas contribuições;
¾ Realizar reuniões periódicas com os representantes do GT APRIMA e
Agenda 21 Local no SUS e convidados, a partir de um planejamento
coletivo, para estabelecer um processo de avaliação progressiva para que
este plano possa ser implementado em um período de três anos;
¾ As estratégias de APA e Agenda 21 Local no SUS devem ser construídas
com a participação de todos os setores, principalmente com o
fortalecimento da sociedade civil organizada no âmbito local por meio da
participação popular, considerada fundamental neste processo. A
existência de diversos setores e interesses conduz a necessidade de se
pactuar uma proposta; o processo participativo muitas vezes exige
paciência e determinação.

Outras recomendações importantes:

¾ Elaborar textos sobre APA e incluí-los nos Cursos Básicos de Vigilância


Ambiental – CBVA e outros cursos que vem sendo organizados pela
CGVAM em todo Brasil;
¾ Incluir a temática APA no cronograma dos cursos de Vigilância Ambiental
em Saúde, incluindo o Curso de Especialização em Vigilância Ambiental
em Saúde;
¾ Propor capacitação técnica e pedagógica com utilização de metodologia
participativa e problematizadora para os líderes comunitários, o pessoal da
atenção básica, setor ambiental e outros sobre a temática APA;
232
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

¾ Propor formação específica em saúde ambiental para os profissionais que


desejem atuar na área;
¾ Fomentar a realização de iniciativas para a construção de indicadores de
saúde ambiental no nível local tendo como exemplos as experiências de
Mapeamento de Riscos Ambientais da MRA-5, Complexo do Alemão no
Rio de Janeiro, Municípios do Espírito Santo;
¾ Propor a utilização durante as oficinas, mapeamentos de risco, reuniões e
outros, a utilização da Matriz de Corvalán para a construção dos
indicadores de saúde e ambiente;
¾ Assessorar os CAPAS e outras iniciativas locais;
¾ Ampliar o grupo de participantes da REDE APRIMA, objetivando troca de
conhecimentos, informações e experiências;
¾ Promover e organizar cursos sobre Atenção Primária Ambiental;
¾ Produzir material didático como fitas de vídeo, CD ROM, cadernos, folders
e outros sobre a temática APA;
¾ Produzir material específico para crianças e adolescentes sobre a temática
APA como músicas, gibis e outros;
¾ Discutir a estratégia da APA com relação ao campo, aproveitando espaços
privilegiados no âmbito, como, por exemplo, o MST;
¾ Dar continuidade a articulação alcançada entre os movimentos sociais no
campo da saúde e ambiente no III Fórum Social Mundial realizado em
janeiro de 2003 em Porto Alegre – RS.

Outra importante recomendação seria a construção de um instrumento,


denominado Cartilha Nacional de APA ou de Cadernos para Ações Locais em
Saúde Ambiental (conforme proposto pelo grupo de participantes na Oficina para
Elaboração do Termo de Referência da Cartilha Nacional de Atenção Primária
Ambiental), com modificação do nome, pois no Brasil a sigla APA que dizer Área
de Proteção Ambiental.

Seguindo os comentários citados no Plano de Trabalho do GT sobre


Atenção Primária Ambiental – APA e Agenda 21 Local no SUS (2002, p.7)
“existem várias sugestões de definições que poderiam estar mais sintonizadas
233
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

com a realidade brasileira”. Fica explicitado o desafio de mudança da definição de


APA com utilização do termo Ações Locais de Saúde Ambiental, com a proposta
de respeitar o setor saúde como promotor do processo e recolocar a saúde
ambiental como o objeto agregador das ações no nível local.

Importante concluirmos, pontuando a grande preocupação que técnicos,


militantes, ativistas e líderes que atuam na área de saúde e ambiente, têm sobre
a utilização da estratégia da APA como forma de cooptação. Devemos fazer com
que estas idéias deixem de servir aos interesses menores e sirvam aos interesses
dos movimentos populares, sendo que para isso é importante se apropriar
politicamente da idéia e da ação (Carneiro & Sá, 2002).

BIBLIOGRAFIA

BOGO, A. Arquitetos de sonhos.São Paulo: Expressão Popular, 2003.176p.


CARNEIRO.F.; MOISÉS.M.; PERES, F. et al. Da Atenção Primária Ambiental
para a Atenção Primária em Saúde Ambiental: construção de espaços
saudáveis e convergências no Brasil. In: VII CONGRESSO DA
ABRASCO, 2003. Brasília.6p.
CARNEIRO.F; SÁ.W.R. Atenção Primária Ambiental. Uma forma de
organização popular para melhoria da saúde. Brasília: 2002.2p.
CONSELHO DOS SECRETÁRIOS MUNICIPAIS DE SAÚDE DO CEARÁ.
Relatório do Seminário de Atenção Primária Ambiental e a Estratégia de
Saúde da Família: Caminhos para a promoção da saúde. Brasília: 2002.
4p.
CONSÓRCIO INTERMUNICIPAL DA MACRO REGIÃO AMBIENTAL Nº 5.Projeto
de Mapeamento de Riscos Ambientais da MRA 5. Rio de Janeiro: 2003.5p
__________.Projeto Executivo de Mapeamento de Riscos Ambientais da
Macro Região Ambiental 5. Rio de Janeiro: 2003. 21p.
__________. Relatório da I Mesa Redonda Regional do Mapeamento de
Riscos Ambientais da MRA-5 realizada em 06 de junho de 2003 em
Casimiro de Abreu –RJ. Rio de Janeiro: 2003. 6.p
234
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

__________. Relatório do II Ciclo de debates do Mapeamento de Riscos


Ambientais em Saúde da MRA –5 realizado em 08 de agosto de 2003 em
Santa Maria Madalena -RJ. Rio de Janeiro: 2003. 3p
COORDENAÇÃO NACIONAL DO MOPS.Encontro dos Estados Articulados.
Saúde em Conta Gotas, Brasília, abril de 2003. Nº 34 –Ano 4. Rede de
Educadores Populares de Saúde, p.3.
__________.Relatório do Encontro dos Estados Articulados do MOPS.
Londrina: 2003. 11p.
COSTA. D.; CARNEIRO.F.;MOISÉS.M.et al. Relato da Organização e
realização do Corredor Temático de Saúde, Ambiente, Trabalho,
Habitação, Saneamento e Sociedade no Fórum Social Mundial.In: VII
CONGRESSO DE SAÚDE COLETIVA.2003, Brasília. Anais. Brasília:
ABRASCO, 2003.v.2,p.50.
DEMO.P. Participação é conquista. São Paulo: Cortez, 1993. 157p.
DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO. Nº 110 de 10 de junho de 2003. Decreto nº 4.726.
De 09 de junho de 2003.
__________. Seção 1. Folha 58. Nº 197 de 10 de outubro de 2003. Portaria Nº
1.931. De 09 de outubro de 2003.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE.
COORDENAÇÃO REGIONAL DO RIO DE JANEIRO. Relatório do
Seminário de Atenção Primária Ambiental realizado Hotel Novo Mundo
–Município do Rio de Janeiro – RJ. Período de 24 a 25 de maio de 2000. 7p.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. CENTRO
NACIONAL DE EPIDEMIOLOGIA. COORDENAÇÃO DE VIGILÂNCIA
AMBIENTAL EM SAÚDE. Relatório da I Oficina Nacional de Atenção
Primária Ambiental como uma das estratégias para a Vigilância
Ambiental em Saúde. Brasília: 2001.5p.
__________ . Relatório da Oficina de Trabalho sobre Atenção Primária
Avançando o SUS. Brasília. 2001. 5p.
__________.Instrução Normativa Nº 1, de 25 de setembro de 2001. Brasília:
7p.
235
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

MINISTÉRIO DA SAÚDE. FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. Vigilância


ambiental em saúde. Brasília: Fundação Nacional de Saúde, 2002.44 p.
__________. Textos de Epidemiologia para Vigilância Ambiental em Saúde.
Brasília: Fundação Nacional de Saúde. 2002. 131p.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. CENTRO
NACIONAL DE EPIDEMIOLOGIA. COORDENAÇÃO DE VIGILÃNCIA
AMBIENTAL EM SAÚDE. Relatório da Oficina de Atenção Primária
Ambiental e a Estratégia de Saúde da Família: Caminhos para a
Promoção da Saúde. Fortaleza: 2002. 4p.
__________.Termo de Referência para a realização da I Oficina Nacional de
Atenção Primária Ambiental e Agenda 21 Local no SUS. Brasília: 2002.
8p.
__________. Relatório da I Oficina Nacional de Atenção Primária Ambiental e
Agenda 21 Local no SUS. Pré - momento da III Conferência Regional
Latino-Americana de Promoção da Saúde e Educação para a Saúde.
Brasília: Fundação Nacional de Saúde. 2002. 2p.
__________.Projeto de realização de Oficina Nacional de Atenção Primária
Ambiental como estratégia da Vigilância Ambiental em Saúde junto ao
Movimento Popular de Saúde – MOPS. Brasília: 2003. 6p.
__________. Relatório do Encontro da Associação Nacional de Municípios e
Meio Ambiente – ANAMA e dos Centros de Atenção Primária Ambiental
–CAPAS dos Municípios do Estado do Espírito Santo. Brasília: 2003.3p
MINISTÉRIO DA SAÚDE. .SECRETARIA DE VIGILÃNCIA EM SAÚDE.
COORDENAÇÃO DE VIGILÃNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE.
COORDENAÇÃO DE VIGILÃNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE. Memória das
Atividades realizadas junto à ONG Verdejar Proteção Ambiental e
Urbanismo. Brasília: 2003. p5.
__________.Memória parcial da Oficina para elaboração da Cartilha Nacional
de Atenção Primária Ambiental. Brasília: 2003. 12p
__________.Memória das atividades realizadas junto aos representantes do
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST no período de
236
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

09 a 10 de julho de 2003 no Município de Cantagalo – PR. Brasília:


2003.4p.
__________.Relatório da Oficina de Atenção Primária Ambiental como
Instrumento de Vigilância Ambiental em Saúde na Atenção Básica –
PAC/PSF. Brasília: 2003.7p.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. COMISSÃO PERMANENTE DE SAÚDE AMBIENTAL –
GT DE APA E AGENDA 21 LOCAL NO SUS. Plano de Trabalho do GT
sobre Atenção Primária Ambiental – APA e Agenda 21 Local no Sistema
Único de Saúde – SUS. Brasília: 2002.5p.
__________ Termo de Referência para elaboração da Oficina para
elaboração da Cartilha Nacional de Atenção Primária Ambiental.
Brasília: 2003.6p.
__________. FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. Curso Básico de Vigilância
Ambiental em Saúde – CBVA. Módulo I. Brasília. 2003. 64p.
MISTÉRIO DA SAÚDE. SECRETARIA DE VIGILANCIA EM SAÚDE. Relatório
Técnico do Projeto VIGISUS. Componente II. Brasília: outubro de 2003. 10
p.
MISTÉRIO DA SAÚDE. SECRETARIA DE VIGILANCIA EM SAÚDE.
COORDENAÇÃO DE VIGILÃNCIA AMBIENTAL EM SAUDE. Relatório de
Execução da Ação Relacionada a Política Nacional de Saúde Ambiental.
Brasília: 2003.9p.
__________.Relatório de Gestão.Brasília: 2003.27p.
MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Memória do Corredor Temático de
Saúde, Ambiente, Trabalho, Habitação, Saneamento e Sociedade no
Fórum Social Mundial. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego – SIT .
2003. 58p.
NETTO.G.F.; CARNEIRO.F; MOISÉS.M et al. A formação do Grupo de
Trabalho de Atenção Primária Ambiental – APA e Agenda 21 Local no
SUS. In: VII CONGRESSO DE SAÚDE COLETIVA. 2003, Brasília. Anais.
Brasília: ABRASCO, 2003.v.1,p.410.
NETTO.G.F; CARNEIRO.F.F. A Vigilância Ambiental em Saúde e a promoção de
ambientes saudáveis. Revista da Saúde. O Brasil falando como quer ser
237
A Estratégia da Atenção Primária Ambiental – APA e os desafios
e propostas para a sua implementação no Brasil
Márcia Moisés

tratado. Ambientes saudáveis: Promoção da saúde, qualidade de vida e bem


-estar. Publicação do Conselho Nacional de Saúde CNS. Brasília, ano IV-
n°4 –p.31.abril.2003
ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DA SAÚDE.ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE
SAÚDE. DIVISÃO DE SAÚDE E AMBIENTE. Programa de Qualidade
Ambiental. Atenção Primária Ambiental (APA). Washington, D.C.1999.60p.
__________.Municípios e Comunidades saudáveis.Guia dos prefeitos para
promover qualidade de vida Brasília:.2002. 69p.
ROYQUAYROL.M.Z.; FILHO.N.A. et al. Epidemiologia e Saúde. Rio de Janeiro:
Medsi. 2003.728p.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
NÚCLEO DE ESTUDOS DE SAÚDE COLETIVA
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

UMA ANÁLISE DA QUALIDADE DA ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO DOS


SISTEMAS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA DA 1ª DIRETORIA REGIONAL DE
SAÚDE ATRAVÉS DO BANCO DE DADOS DO SISTEMA DE INFORMAÇÃO
DE VIGILÂNCIA DA QUALIDADE DA ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO –
SISÁGUA

Maria Cristina Passos Presídio

Adaptação da Monografia apresentada ao


Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva como
pré-requisito para a obtenção do Titulo de
Especialista em Vigilância Ambiental em
Saúde

- 2003 -
RESUMO

O objetivo deste trabalho foi fazer uma análise da qualidade da água para
consumo humano dos sistemas de abastecimentos de água que atendem a
população da área da 1ª Diretoria Regional de Saúde da Bahia no ano de 2002
através dos dados do Sistema de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo
Humano - SISÁGUA. A 1ª Diretoria Regional de Saúde é composta pelos
municípios de Candeias, Camaçari, Dias D’Ávila, Itaparica, Lauro de Freitas,
Madre Deus, Salvador, Simões Filho, São Francisco do Conde, Santo Amaro e
Vera Cruz. As variáveis estudadas foram turbidez da água, cloro residual livre,
intermitência dos sistemas de abastecimento de água, coliformes totais e
coliformes termotolerantes. Concluiu-se que a água fornecida pelos sistemas de
abastecimento de água da regional, na maioria dos meses do ano de 2002, em
todas as variáveis houveram sistemas com amostras fora dos padrões
estabelecidos pela Portaria 36/90, exceto quanto a coliformes totais no controle
da rede de distribuição, que apresentou amostras fora dos padrões em apenas
quatro meses do ano de 2002.

Palavras Chave: Água, Qualidade da Água


INTRODUÇÃO

Devido a escassez crescente do recurso água e à deterioração da


qualidade dos mananciais, o abastecimento público de água em termos de
qualidade e quantidade tornou-se uma preocupação crescente. “A sociedade
mundial precisa ficar alerta a redução dos estoques de água doce no planeta,
ao uso indiscriminado, a contaminação, a poluição e a degradação dos
mananciais e as conseqüências que todos esses problemas acarretarão para o
futuro da humanidade” (FUNASA apud OLIVEIRA FILHO, 2000).

A qualidade da água tem sido comprometida desde o manancial até a


torneira das casas mesmo passando por sistema de abastecimento. A
qualidade da água tratada nos sistemas de abastecimento de água tem caído
ao chegar na rede de distribuição em decorrência da intermitência do serviço
de distribuição, pela baixa cobertura da população com sistema público de
esgotamento sanitário, pela obsolência da rede de distribuição, pela
manutenção deficiente, entre outros. A contaminação intradomiciliar se deve
muitas vezes pela precariedade das instalações hidráulico-sanitárias, pela falta
de manutenção ou manutenção inadequada dos reservatórios e pelo manuseio
inadequado da água (FUNASA, 2002).

No Brasil, a água doce como um recurso natural renovável tem sido


afetada em várias regiões do país em função dos processos de urbanização,
industrialização, mineração e de produção agrícola não levarem em conta a
capacidade de suporte dos ecossistemas (FUNASA apud REBOUÇAS, 1997).

Segundo FUNASA apud Rebouças (1997: 6) “este quadro está


sensivelmente associado ao lançamento – deliberado ou não – de mais de 90%
dos esgotos domésticos e cerca de 70% dos efluentes industriais não tratados,
o que tem gerado a poluição dos corpos de água doce de superfície, em níveis
nunca antes imaginado”.
242

A Bahia não foge a realidade do Brasil no tratamento que é dado a água.


A Empresa Baiana de Águas e Saneamento, EMBASA, é a maior prestadora
de serviços de tratamento de água do Estado, atendendo a cerca de 7,2
milhões de pessoas em 344 municípios dos 417 existentes no Estado da Bahia
(EMBASA, 2003). As sessenta e sete cidades restantes possuem sistemas
municipais de abastecimento de água.

Através da água pode-se veicular um elevado número de substancias


químicas e biológicas potencialmente capazes de causar enfermidades por
meio da ingestão de água contaminada. A quantidade insuficiente de água
fornecida ao indivíduo levando a hábitos de higiene insatisfatórios pode,
também, gerar doenças relacionadas a higiene inadequada do corpo, dos
utensílios e do ambiente domiciliar. A qualidade, quantidade e regularidade no
fornecimento são fatores determinantes na ocorrência de doenças veiculadas
pela água ao homem.

O objetivo desse trabalho é fazer uma análise da qualidade da água do


abastecimento público fornecida a população da 1ªDiretoria Regional de Saúde
através do banco de dados do SISÁGUA no ano de 2002.

LEGISLAÇÃO

Em 1986 publicou-se a Resolução nº 20 do CONAMA, que classifica as


águas dos mananciais e busca protege-las; em 1990 o Ministério da Saúde
publicou a Portaria nº36 que estabelecia normas e padrões para a qualidade da
água para consumo humano. Esta Portaria foi revisada e dessa revisão
elaborou-se a Portaria 1469 publicada em 2000 e republicada em fevereiro e
2001 que estabelece os procedimentos e responsabilidades relativos ao
controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão
de potabilidade, e dá outras providências.

Com a Instrução Normativa nº 01, de 25 de setembro de 2001, que


regulamenta a Portaria nº 1399/1999 de 15 de dezembro de 1999, da
FUNASA, se estabeleceu o Sistema Nacional de Vigilância Ambiental em
243

Saúde – SINVAS, definindo as bases para a implementação da vigilância


ambiental em saúde no país (FUNASA, 2002).

Este sistema define a vigilância ambiental em saúde como o conjunto de


ações que proporciona o conhecimento e a detecção de qualquer mudança nos
fatores determinantes e condicionantes do meio ambiente que interferem na
saúde humana, com a finalidade de identificar as medidas de prevenção e
controle de riscos ambientais relacionados às doenças ou outros agravos à
saúde. Ele também indica como prioridades para intervenção os fatores
biológicos representados pelos vetores, hospedeiros, reservatórios e animais
peçonhentos e os fatores não biológicos, que incluem a qualidade da água
para consumo humano, ar, solo, contaminantes ambientais, desastres naturais
e acidentes com produtos perigosos (FUNASA, 2002).

O Subsistema Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para


Consumo Humano, também chamado de VIGIÁGUA faz parte do SINVAS. O
VIGIÁGUA tem como meta estruturar e implantar o Sistema Nacional de
Vigilância Ambiental em Saúde relacionado à Qualidade da Água para
Consumo Humano, e como objetivos específicos garantir os padrões de
potabilidade da água para consumo humano segundo a Portaria nº 1469/00,
reduzir a ocorrência de doenças e agravos transmitidas e/ou veiculadas pela
água e, expandir a vigilância da qualidade da água para consumo humano para
as áreas indígenas (FUNASA, 2002).

O Programa Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para


Consumo Humano, em 2002 encontrava-se a nível federal sob
responsabilidade da FUNASA na Coordenação Geral de Vigilância Ambiental.
Com a reestruturação do governo federal, em 2003 foi criada a Secretaria de
Vigilância em Saúde que hoje é a responsável pela execução desse programa.

O Ministério da Saúde implantou o Programa Nacional de Vigilância da


Qualidade da Água para Consumo Humano em 2000 em cinco estados
utilizados como estados-piloto, dentre eles a Bahia, com o objetivo de executar
atividades de vigilância sobre sistemas e soluções alternativas de
abastecimento de água das comunidades desde a captação até a distribuição
244

e consumo com a finalidade de garantir a sua qualidade. Essas atividades


englobam diagnosticar a qualidade da água para consumo humano, monitorar,
processar informações, avaliar situações de risco, recomendar medidas de
controle e disseminar informações para a população.

O SISTEMA DE INFORMAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA PARA CONSUMO


HUMANO – SISÁGUA

O Sistema de Informação da Qualidade da Água para Consumo


Humano, SISÁGUA, é um dos instrumentos concebidos para ser utilizado no
desenvolvimento das ações da vigilância e controle da qualidade da água para
consumo humano, que tem por objetivo geral coletar, transmitir e disseminar
dados gerados rotineiramente de forma a produzir informações necessárias à
prática da vigilância da qualidade da água para consumo humano por parte das
secretarias municipais e estaduais de saúde, em cumprimento a Portaria nº
1469/00 do Ministério da Saúde, ou seja informações para avaliação da
qualidade da água, após uma análise consistente dos dados.

Os objetivos específicos SISÁGUA são:

• sistematizar as informações cadastrais das diversas formas de


abastecimento de água;
• sistematizar as informações sobre o controle da qualidade da água
fornecida pelos prestadores dos serviços de abastecimento de água
e pelos responsáveis pelas soluções alternativas coletivas de
abastecimento de água;
• coletar e sistematizar informações para fins da vigilância da
qualidade da água de sistemas públicos e privados e de soluções
alternativas coletivas e individuais de abastecimento de água;
• propiciar a prática da vigilância da qualidade da água para consumo
humano pelo gestor municipal, de forma sistematizada;
• possibilitar a promoção da análise da classificação de risco à saúde
em função das diversas formas de abastecimento de água;
245

• possibilitar a avaliação conjunta de informação de vigilância


ambiental com vigilância epidemiológica de forma a identificar as
situações de risco;
• auxiliar as tomadas de decisões sobre ações preventivas e
corretivas, assim como avaliar os procedimentos adotados;
• disseminar as informações de forma a socializá-las junto aos órgão
públicos e a sociedade civil organizada.

A gerência do SISÁGUA segue as orientações do SUS quanto às ações


descentralizadas e hierarquizadas. O sistema funciona em rede iniciando na
instância municipal, passando pela estadual e chegando na esfera federal.

A partir da estruturação da vigilância ambiental em saúde, a FUNASA


iniciou o processo de discussão em vários fóruns, no qual foram estabelecidos
os indicadores sanitários para priorização de ações de saneamento a partir de
indicadores epidemiológicos.

Alguns dos indicadores sanitários concebidos para serem utilizados na


vigilância da qualidade da água para consumo humano foram selecionados
como indicadores do SISÁGUA. O Quadro 1 mostra os indicadores sanitários
selecionadas para representar os diversos níveis da cadeia desenvolvimento-
meio ambiente-saúde relacionados à vigilância da qualidade da água para
consumo humano. O Quadro 2 apresenta os indicadores do SISÁGUA com
seus respectivos significados.

Quadro 1 – Indicadores de vigilância da qualidade da água para consumo


humano.
Indicador Fonte
1. Qualidade bacteriológica da água (consumida e Prestador de serviço
distribuída)
2. Turbidez da água Prestador de serviço
3. Níveis de cloro residual Prestador de serviço
4. Tratamento domiciliar da água Secretarias Municipais de
Saúde
5. Atendimento da legislação de controle da qualidade da Prestador de serviço
água de consumo humano
6. Atendimento da legislação de vigilância da qualidade da Secretarias Municipais de
água de consumo humano Saúde
7. Instalações intradomiciliares IBGE
8. Cobertura da população em abastecimento de água IBGE
246

9. Cobertura da população em esgotamento sanitário IBGE


10. Cobertura da população em limpeza pública IBGE
11. Tratamento da água Prestador de serviço
12. Desinfecção da água Prestador de serviço
13. Consumo per capita de água Prestador de serviço
14. Regularidade do serviço de abastecimento de água Prestador de serviço
15. Intermitência do serviço de abastecimento de água Prestador de serviço
16. Certificação dos operadores de SAS Prestador de serviço
Fonte: FUNASA, 2003

Quadro 2 – Indicadores selecionados para o SISÁGUA


Grupo de indicadores Indicadores selecionados
Qualidade Percentual das amostras com ausência de coliformes totais na
bacteriológica da água rede de distribuição;
Percentual das amostras com ausência de coliformes
termotolerantes na rede de distribuição.
Turbidez da água Turbidez da água – percentual das amostras com turbidez dentro
dos padrões em relação à Portaria MS nº 1469/00 (< 5 UT) na
rede de distribuição.
Nível de cloro residual Percentual das amostras com cloro residual livre dentro dos
padrões em relação à Portaria MS nº 1469/00 (> 0,2 mg/l) na rede
de distribuição.
Cobertura de Percentual da população do município atendida com sistema de
abastecimento de água abastecimento de água.
Tratamento da água Percentual da população do município atendida com sistema de
abastecimento de água com tratamento.
Desinfecção de água Percentual da população do município atendida com sistema de
abastecimento de água com desinfecção.
Consumo per capita Consumo médio per capita da população atendida por sistemas de
abastecimento de água no município.
Regularidade Percentual da população do município atendida com sistema de
abastecimento de água com intermitência.
Fonte: FUNASA, 2003.

A PRIMEIRA DIRETORIA REGIONAL DE SAÚDE

A Primeira Diretoria Regional de Saúde é composta pelos municípios de


Salvador, Candeias, Camaçari, Dias D’Ávila, Lauro de Freitas, Madre de Deus,
Simões Filho, São Francisco do Conde, Itaparica e Vera Cruz, situados na
Região Metropolitana de Salvador e Santo Amaro situado no Recôncavo
Baiano. Todos os municípios relacionados encontram-se no continente, exceto
Itaparica e Vera Cruz que constituem a Ilha de Itaparica.
247

A Vigilância Sanitária e Ambiental dos municípios é a responsável pela


execução do Programa Nacional de Vigilância da Qualidade da Água nos
mesmos, e todos participaram desde o início da implantação do Programa
Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano no
Estado.

Esses municípios são abastecidos por 18 sistemas de abastecimento de


água, cuja prestadora é a Embasa e, utilizam como fontes de alimentação tanto
mananciais de superfície como mananciais subterrâneos.

Além dos sistemas de abastecimento de água a população,


principalmente a rural, também é abastecida por águas de solução alternativa
de abastecimento de água, definida pela Portaria 1469 como “toda modalidade
de abastecimento coletivo de água distinta do sistema de abastecimento de
água, incluindo, entre outras, fonte, poço comunitário, distribuição por veículo
transportador, instalações condominiais horizontal e vertical”.

METODOLOGIA

Desenho do estudo: trata-se de um estudo descritivo realizado na área


de atuação da 1ª Diretoria Regional de Saúde.

Área de estudo: a área de estudo está situada na Região Metropolitana


de Salvador e é formada pelos municípios de Candeias, Camaçari, Dias
D’Ávila, Madre de Deus, Lauro de Freitas, Itaparica, Vera Cruz, Salvador,
Simões Filho, São Francisco do Conde e o município de Santo Amaro no
Recôncavo baiano. Estes municípios estão na área de atuação da Primeira
Diretoria Regional de Saúde.

As variáveis do estudo são cloro residual, turbidez, coliformes totais,


coliformes termotolerantes e intermitência do sistema de abastecimento de
água.

Fonte e coleta de dados: foram utilizados dados secundários nas


análises. Os dados foram coletados dos relatórios gerenciais de sistemas de
248

abastecimento de água para consumo humano do Sistema de Informação de


Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano – SISÁGUA no dia 12 de
dezembro de 2002 no endereço eletrônico do sistema www.
Funasa.gov.br/SISÁGUA1469/relatórios gerenciais (Portaria 36/90).

Análise dos dados: foram analisados os dados dos relatórios gerenciais


(Portaria 36/90) do SISÁGUA do ano de 2002, da área em estudo, quanto a
turbidez, cloro residual, intermitência, coliformes totais e coliformes
termotolerantes. Os dados dos relatórios gerenciais do SISÁGUA são
indicadores de qualidade da água calculados pelo SISÁGUA , que na época do
estudo eram basedos nos padrões de potabilidade da água para consumo
humano da Portaria 36 GM de 19 de janeiro de 1990. Os indicadores são os
seguintes:

Indicadores Bacteriológicos:
• IBTCSE – indica o percentual das amostras com ausência de
coliformes totais no controle da entrada da rede de distribuição de
água.
• IBTCSR - indica o percentual das amostras com ausência de
coliformes totais no controle da rede de distribuição de água.
• IBTVS - indica o percentual das amostras com ausência de
coliformes totais na vigilância dos sistemas de abastecimento de
água.
• IBFCS – indica o percentual das amostras com ausência de
coliformes termotolerantes no controle da rede de distribuição.
• IBFVS - indica o percentual das amostras com ausência de
coliformes termotolerantes na vigilância dos sistemas de
abastecimento.

Indicador de turbidez:
• ITCSE – indica o percentual das amostras dentro dos padrões de
potabilidade da água da Portaria 36/90 para turbidez( < 1uT) no
controle da entrada da rede de distribuição.
249

• ITCSR – indica o percentual das amostras dentro dos padrões de


potabilidade da água da Portaria 36/90 para turbidez (< 5uT) no
controle da rede de distribuição.
• ITVS – indica o percentual das amostras dentro dos padrões de
potabilidade da água da Portaria 36/90 para turbidez (< 5uT) nas
amostras de vigilância dos sistemas de abastecimento de água.

Indicador de cloro residual livre:


• ICRCSE – indica o percentual das amostras com cloro residual livre
dentro dos padrões da Portaria 36/90 (<0,2 mg/l) no controle da
entrada da rede de distribuição.
• ICRCSR – indica o percentual das amostras com cloro residual livre
dentro dos padrões da Portaria 36/90 no controle da rede de
distribuição.
• ICRVS – indica o percentual das amostras com cloro residual livre
dentro dos padrões da Portaria 36/90 na vigilância dos sistemas de
abastecimento de água.

Indicador de regularidade do abastecimento de água:


• IRA – indica o percentual da população do município atendida com
sistemas de abastecimento de água sem intermitência.
250

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Coliformes totais

Verifica-se na Tabela 1 que quanto ao indicador IBTCSE que determina


o percentual das amostras com ausência de coliformes totais na entrada da
rede distribuição apenas os meses de agosto, outubro e novembro encontram-
se de acordo com os padrões da Portaria 36/90, ou seja, ausência de
coliformes totais na água da entrada da rede de distribuição. Os meses de
janeiro (98,31%), fevereiro (97,71%), abril (99,28%), maio (98,74%), junho
(96,7%), julho (99,33%), setembro (99,49%) e dezembro (99,58%) estão abaixo
do padrão estabelecido pela Portaria 36/90, sendo que o mês de março
apresentou o menor percentual do indicador de qualidade da água com
79,27%. O percentual de amostras fora dos padrões estabelecidos variou de
0,42% a 20,73% nos meses do ano de 2002. A presença de coliformes totais
nas amostras coletadas na entrada da rede de distribuição indica que o
tratamento não foi eficiente, principalmente na etapa de desinfecção da água.

Quanto ao indicador IBTCRS que determina o percentual de amostras


com ausência de coliformes totais no controle da rede de distribuição, os
meses de janeiro (88,82%), março (94,07%), abril (94,37%) e junho (94,82%)
encontram-se abaixo dos parâmetros estabelecidos na Portaria 36/90, que é de
95% das amostras da rede de distribuição deverão estar com ausência de
coliformes totais sendo que o mês de janeiro (88,82%) apresentou o menor
valor do indicador. O percentual de amostras fora dos padrões estabelecidos
variou de 5,18% a 11,18% nos meses do ano de 2002. A contaminação da
água na rede de distribuição pode ter origem no tratamento ineficiente da
estação, em contaminação na própria rede em decorrência do sistema está
operando com pressão negativa gerada pela intermitência no fornecimento de
água, ou pela rede não esta em bom estado de conservação possibilitando a
penetração de contaminantes na mesma.
251

Analisando os dois indicadores observamos que a água na rede de


distribuição de acordo com os padrões da Portaria 36/90 apresentou um maior
número de meses com o percentual de amostras dentro dos padrões do que na
entrada da rede de distribuição. Isto não quer dizer que a água da rede de
distribuição tenha melhor qualidade do que a da entrada da rede, visto que o
padrão da entrada da rede é mais exigente do que o da rede.

O isolamento de coliformes totais, embora não guarde uma relação


exclusiva com recontaminação de origem fecal, serve também como indicador
da integridade da rede de distribuição. Águas com tratamento inadequado, por
exemplo, sem a garantia do cloro residual ou com infiltrações na rede podem
permitir o acúmulo de sedimentos, matéria orgânica e promover o
desenvolvimento de bactérias, incluindo aquelas do grupo coliformes que não
são de origem fecal. Por isso, na avaliação da qualidade da água distribuída, a
Portaria 36/90 tolera a detecção eventual de coliformes totais em 5% das
amostras, mas requer ausência de coliformes termotolerantes.

Verifica-se na Tabela 2 que quanto ao indicador IBTVS que determina o


percentual de amostras com ausência de coliformes totais na vigilância dos
sistemas de abastecimento todos os meses apresentaram percentuais muito
abaixo do padrão estabelecido pela Portaria 36/90, sendo que os meses de
fevereiro, março e abril não foram informados os dados no SISÁGUA. Os
meses que apresentaram piores índices foram julho, e novembro ambos com
0% de amostras sem contaminação, seguido de junho com 6,67%, outubro
com 18,18% e setembro com 25%. O percentual de amostras fora dos padrões
estabelecidos variou de 12,77% a 100% nos meses do ano de 2002.

Analisando o indicador IBTCSR do controle na rede de distribuição e o


indicador IBTVS da vigilância dos sistemas de abastecimento verificamos que
houve uma quantidade muito maior de amostras contaminadas na vigilância do
que no controle da rede. Essa diferença é um dado relevante para a Vigilância
da Qualidade da água, uma vez que os dados de controle na rede são
fornecidos pela prestadora coletados na rede de distribuição e os dados de
vigilância são fornecidos pelas Vigilância Sanitária e Ambiental e coletados na
252

mesma rede de distribuição dos municípios da regional. O grupo de coliformes


totais engloba um grande número de gêneros e espécies de bactérias que nem
sempre são patógenas, podendo ocorrer naturalmente no solo, na água e em
plantas, mas a simples presença desse indicador serve como alerta para o
desencadeamento de medidas corretivas.

Coliformes termotolerantes

Verifica-se na Tabela 3 que quanto ao indicador IBFCS que determina o


percentual de amostras com ausência de coliformes termotolerantes no
controle da rede de distribuição apenas os meses de janeiro e dezembro
encontram-se dentro dos padrões da Portaria 36/90, com ausência de
coliformes termotolerantes em 100% das amostras de controle e vigilância. Nos
dez meses restantes, ou seja, em 83,33% dos meses do ano, existiram
amostras contaminadas por coliformes termotolerantes. O percentual de
amostras fora dos padrões estabelecidos variou de 0,54% a 3,36% nos meses
do ano de 2002. A presença de coliformes termotolerantes na água da rede
indica que houve contaminação na rede com material de origem fecal, ou que o
tratamento não foi adequado, ou seja, a quantidade de cloro compatível com o
volume de água a ser tratado e o tempo de contato são fundamentais para a
desinfecção da água.

Quanto ao indicador IBFVS que determina o percentual de amostras


com ausência de coliformes termotolerantes na vigilância dos sistemas de
abastecimento, só os meses de janeiro, junho, agosto, setembro e outubro
encontram-se dentro dos padrões da Portaria 36/90. Nos meses de fevereiro
março e abril não houve informação dos dados no SISÁGUA. O mês de maio
apresentou o menor percentual do indicador IBFVS (58,33%) demonstrando
uma grande contaminação na rede de distribuição com coliformes
termotolerantes, ou seja 41,67% das amostras apresentaram contaminação.
Seguindo o mês de maio com 58,33% de IBFVS vem dezembro com 82,61% e
novembro com 85,29% . O percentual de amostras fora dos padrões
estabelecidos variou de 5,41% a 41,67% nos meses do ano de 2002.
253

Analisando os indicadores do controle da rede – IBFCS – e o indicador


de vigilância dos sistemas de abastecimento – IBFVS - no mês de maio o
indicador de vigilância foi bem inferior ao indicador de controle. Essa diferença
sugere que se faça um acompanhamento mais apurado dos dados de controle
apresentados e que se faça uma avaliação da coleta das amostras de
vigilância para identificar se não está havendo contaminação na coleta e
manipulação dessa amostra. O importante é que em 83,33% dos meses do
ano exitiram amostras com contaminação por coliformes termotolerantes no
controle da rede e em 58,33% dos meses do ano existiram amostras
contaminadas por coliformes termotolerantes na vigilância dos sistemas de
abastecimento, só que com um percentual de amostras contaminas muito
maior do que no controle da rede. Essa contaminação é grave e o risco do
consumo dessa água causar danos a saúde é grande.

Cloro residual livre

Verifica-se na Tabela 4 que quanto ao indicador ICRCSE que determina


o percentual de amostras com cloro residual livre dentro dos padrões da
Portaria 36/90 no controle da entrada da rede de distribuição em todos os
meses existem amostras fora dos padrões, sendo que o mês de dezembro foi
o que apresentou o menor percentual do indicador com 88,95% das amostras
dentro dos padrões, seguido do mês de setembro com 96,76% e janeiro com
97,18% das amostras dentro dos padrões. O percentual de amostras fora dos
padrões estabelecidos variou de 0,07% a 11,05% nos meses do ano de 2002.
É preciso que o cloro tenha uma dosagem adequada ao volume de água a ser
desinfetada para que fique um residual de cloro livre, cujo padrão para entrada
da rede é de 0,5mg/l, que vai para a rede de distribuição garantindo assim que
a água que chegará na ponta da rede tenha o teor mínimo de 0,2mg/l se não
houver contaminação na rede de distribuição que consuma esse cloro residual
livre. A água entrando na rede de distribuição com o teor de cloro residual
254

menor do que o padrão estabelecido na Portaria 36/90,não garante que a água


chegará na ponta da rede com o teor mínimo 0,2 mg/l .

Quanto ao indicador ICRCSR que determina o percentual das amostras


com cloro residual livre dentro dos padrões no controle da rede de distribuição,
em todos os meses existiram amostras fora dos padrões, sendo que o mês de
que apresentou o menor percentual do indicador ICRCSR foi janeiro (86,45%),
seguido de março (91,68%), maio (92,12%), junho (92,43%) e fevereiro
(93,46%). Os demais meses tiveram um indicador ICRCSR melhor variando de
94,1% a 99%. O percentual de amostras fora dos padrões estabelecidos variou
de 1% a 13,55% nos meses do ano de 2002. O padrão de cloro residual livre
na rede de distribuição é de 0,2mg/l, menor que o padrão da entrada da rede, e
se esse teor mínimo de cloro residual livre não estiver presente na rede quer
dizer que ele pode ter sido consumido por uma contaminação na rede ou que o
teor de cloro residual livre na saída da estação de tratamento não foi suficiente
para que a água chegasse na ponta da rede com o teor necessário para
garantir a qualidade da água.

O teor adequado de cloro residual mantido na rede de distribuição é um


indicador de qualidade e segurança sanitária do sistema, uma vez que o teor
de 0,2 mg/l é considerado suficiente para inativação bacteriana.

Analisando os dados dos indicadores ICRCSE e ICRCS, verificamos que


na rede de distribuição houve um maior número de amostras fora do padrão do
que na entrada da rede. Apenas no mês de dezembro o indicador ICRCSE de
controle na entrada da rede apresentou um percentual menor do que o
indicador da rede, ou seja, nesse mês houve um maior número de amostras
fora dos padrões na entrada da rede do que na rede de distribuição.

Verifica-se na Tabela 5 que quanto ao indicador ICRVS que determina o


percentual de amostras com cloro residual dentro dos padrões da Portaria
36/90 na vigilância dos sistemas de distribuição de água, em todos os meses
houveram amostras fora dos padrões, só não podemos afirmar isso nos meses
de fevereiro, março e abril, pois os dados não foram lançados no SISÁGUA.
Nos meses de setembro e outubro o indicador apresentou 0% de amostras
255

dentro dos padrões, seguido dos meses de novembro com apenas 16,13%,
dezembro com 26,67%, maio com 33,33% e agosto com 39,39%. Nos demais
meses o indicador ICRVS variou de 40% a 71,43%. O percentual de amostras
fora dos padrões estabelecidos variou de 28,57% a 100% nos meses do ano
de 2002. Esses valores indicam que a água dos sistemas de abastecimento
quanto a vigilância da qualidade da água encontrava-se sem a proteção do
desinfetante, que é o cloro, estando sujeita a contaminação ou já contaminada
na rede de distribuição.

Analisando os indicadores ICRCSR do controle na rede e ICRVS da


vigilância dos sistemas de abastecimento, houve uma diferença significativa
entre os indicadores, revelando um percentual de amostras fora dos padrões
muito maior na vigilância dos sistemas de abastecimento de água do que no
controle da rede de distribuição.

Turbidez

Verifica-se na Tabela 6 que quanto ao indicador ITCSE que determina o


percentual das amostras dentro dos padrões da Portaria 36/90 para turbidez no
controle da entrada da rede de distribuição, em todos os meses do ano de
2002 houveram amostras fora dos padrões, sendo que o mês de janeiro
(69,22%) foi o que apresentou o menor percentual do indicador de qualidade,
seguido dos meses de fevereiro(73,4%), maio(81,4%) e abril(82,85%). Nos
demais meses houve uma variação do indicador entre 86,26% a 98,46%. O
percentual de amostras fora dos padrões estabelecidos variou de 1,54% a
30,78% nos meses do ano de 2002. O padrão de turbidez na entrada da rede é
de 1 uT, as amostras fora do padrão indicam que as etapas
coagulação,floculação e filtração não foram eficientes para eliminar a turbidez
da água. A turbidez da água não é um padrão de estética, mas um indicador de
natureza sanitária, uma vez que com a remoção da turbidez nas etapas do
tratamento da água referidas acima, consegue-se remover cistos de
protozoários (Giardia e Cryptosporidium) resistentes a cloração, e também
outros microorganismos sensíveis a cloração. Portanto havendo amostras com
256

a turbidez fora dos padrões já na entrada da rede de distribuição o risco existe


de pessoas contrairem doenças consumindo essa água.

Quanto ao indicador ITCSR que determina o percentual de amostras


dentro dos padrões de potabilidade da água da Portaria 36/90 para turbidez no
controle da rede de distribuição, apenas os meses de março e novembro
encontram-se dentro dos padrões. O menor percentual do indicador foi no mês
de junho com 50,69% das amostras dentro dos padrões, seguido do mês de
julho com 94,97% de indicador. O percentual de amostras fora dos padrões
estabelecidos variou de 0,66% a 49,31% nos meses do ano de 2002. A
turbidez elevada na rede de distribuição, onde o parâmetro aceitável é de 5 uT,
ou seja mais flexível do que na entrada da rede, demonstra que essa água
recebeu contaminantes na rede de distribuição que elevaram a turbidez, ou já
saiu da estação de tratamento com a turbidez elevada. Sendo assim a água
pode está veiculando microorganismos patogênicos, o que é um risco para a
saúde da população abastecida.

Analisando os indicadores ITCSE do controle da entrada da rede e o


ITCSR do controle da rede de distribuição, observamos que o indicador de
controle na entrada da rede foi menor na maioria dos meses exceto nos meses
de junho e julho. Durante esses dois meses deve ter havido uma maior
contaminação na rede de distribuição, uma vez que o parâmetro de turbidez na
rede é de 5 uT, portanto mais flexível do que o da entrada da rede que é de
1uT.

Verifica-se na Tabela 7 que quanto ao indicador ITVS que determina o


percentual das amostras dentro dos padrões de turbidez da água da Portaria
36/90 na vigilância dos sistemas de abastecimento, apenas os meses de julho,
setembro e outubro encontram-se dentro dos padrões em 100% das amostras.
Nos meses de fevereiro, março e abril não houve informação dos dados no
SISÁGUA. O mês que apresentou o menor percentual do indicador foi maio
(83,33%), seguido de junho (89,66%). Nos demais meses o indicador variou de
93,55% a 100%. O percentual de amostras fora dos padrões estabelecidos
variou de 2,08% a 16,67% nos meses do ano de 2002. Os resultados indicam
257

que nos meses em que existiram amostras fora dos padrões existe
possibilidade da água está veiculando microorganismos que podem causar
danos a saúde.

Analisando os indicadores ITCSR do controle da rede e ITVS da


vigilância dos sistemas o indicador ITVS esteve melhor do que o ITCSR nos
meses de janeiro, junho, julho, setembro e outubro. No entanto tanto no
controle da rede como na vigilância o indicador demonstra risco de
contaminação.

Intermitência

Verifica-se na Tabela 8 que quanto ao indicador IRAS que determina o


percentual da população da regional atendida com sistema de abastecimento
sem intermitência, que houve intermitência em todos os meses do ano na
regional, sendo que o mês de mais crítico foi junho onde 81,03% da população
da regional foi abastecida por sistemas de abastecimento sem intermitência,
seguido dos meses de outubro com 82,76%, novembro com 82,97% e
dezembro com 84,51%. Nos demais meses houve uma variação do indicador
entre 84,92% a 91,53%. O percentual de amostras fora dos padrões
estabelecidos variou de 8,47% a 18,97% nos meses do ano de 2002. Segundo
a Portaria 36/90 em nenhum momento o sistema de abastecimento pode ser
operado de maneira a causar pressão negativa em qualquer ponto da rede de
distribuição. A intermitência causa pressão negativa na rede de distribuição e,
essa pressão negativa pode carrear para dentro da rede contaminação externa
nos pontos onde podem estar ocorrendo algum vazamento ou dano na
estrutura da rede. A intermitência do sistema associado a danos na rede de
distribuição é um dos principais causadores de contaminação na rede de
distribuição.
258

CONCLUSÕES

Pelo exposto conclui-se que:


• A qualidade da água quanto a coliformes totais no controle da entrada da
rede de distribuição em 75% dos meses do ano de 2002 existiram
sistemas com amostras fora dos padrões estabelecidos pela Portaria
36/90 sendo que esse percentual de amostras fora dos padrões
estabelecidos variou de 0,42% a 20,73% nos meses do ano de 2002.
• A qualidade da água quanto a coliformes totais no controle da rede de
distribuição dos sistemas de abastecimento de água em 33,33% dos
meses do ano de 2002 (4 meses) existiram sistemas com amostras fora
dos padrões estabelecidos na Portaria 36/90. O percentual de amostras
fora dos padrões estabelecidos variou de 5,18% a 11,18% nos meses do
ano de 2002.
• A qualidade da água quanto a coliformes totais na vigilância dos sistemas
de abastecimento de água em 100% dos meses do ano, onde houve
informação dos dados no SISÁGUA, existiram sistemas que não
atenderam aos padrões estabelecidos na Portaria 36/90, e em três meses
do ano os dados não foram lançados no SISÁGUA. Sendo que o
percentual de sistemas com amostras fora dos padrões foi bem maior do
que nos controles da entrada da rede e da rede de distribuição. O
percentual de amostras fora dos padrões estabelecidos variou de 12,77%
a 100% nos meses do ano de 2002.
• A qualidade da água quanto a coliformes temotolerantes no controle da
rede de distribuição, em 83,33% (10 meses) dos meses do ano de 2002
existiram sistemas com amostras fora dos padrões estabelecidos pela
Portaria 36/90. O percentual de amostras fora dos padrões estabelecidos
variou de 0,54% a 3,36% nos meses do ano de 2002.
• A qualidade da água quanto a coliformes termotolerantes na vigilância
dos sistemas de abastecimento de água em 44,44% dos meses do ano (4
259

meses), onde foram informados os dados no SISÁGUA, existiram


sistemas com amostras contaminadas por coliformes termotolerantes, ou
seja, fora dos padrões estabelecidos pela Portaria 36/90. O percentual de
amostras fora dos padrões estabelecidos variou de 5,41% a 41,67% nos
meses do ano de 2002.
• A qualidade da água quanto ao nível de cloro residual no controle da
entrada dos sistemas de abastecimento em 100% dos meses existiram
sistemas com um pequeno percentual de amostras fora dos padrões
estabelecidos pela Portaria 36/90, exceto no mês de dezembro que esse
percentual foi maior atingindo 11,05%. O percentual de amostras fora dos
padrões estabelecidos variou de 0,07% a 11,05% nos meses do ano de
2002.
• A qualidade da água quanto ao nível de cloro residual no controle da rede
de distribuição em 100% dos meses do ano de 2002 existiram sistemas
com amostras fora dos padrões estabelecidos pela Portaria 36/90, sendo
que na rede de distribuição o percentual de amostras fora dos padrões foi
superior ao da entrada da rede, exceto no mês de dezembro. O
percentual de amostras fora dos padrões estabelecidos variou de 1% a
13,55% nos meses do ano de 2002.
• A qualidade da água quanto ao cloro residual livre na vigilância dos
sistemas de abastecimento de água no ano de 2002, em 100% dos
meses do ano, em que os dados foram informados no SISÁGUA,
observamos que existiram sistemas com amostras fora dos padrões
estabelecidos pela Portaria 36/90. Em três meses do ano não lançaram
os dados no SISÁGUA. O percentual de amostras fora dos padrões
estabelecidos variou de 28,57% a 100%
• A qualidade da água quanto a turbidez no controle da entrada da rede de
distribuição em 100% dos meses do ano existiram sistemas com amostras
fora dos padrões estabelecidos pela Portaria 36/90, sendo que o mês de
janeiro foi o que apresentou o maior número de amostras fora dos
padrões (30,78%). O percentual de amostras fora dos padrões
estabelecidos variou de 1,54% a 30,78% nos meses do ano de 2002.
260

• A qualidade da água quanto a turbidez no controle da rede de distribuição


em 83,33% dos meses do ano (10 meses) existiram sistemas com
amostras fora dos padrões estabelecidos na Portaria 36/90. O percentual
de amostras fora dos padrões estabelecidos variou de 0,66% a 49,31%
nos meses do ano de 2002.
• A qualidade da água quanto a turbidez na vigilância dos sistemas de
abastecimento em 66,66% (6 meses) dos mese do ano de 2002 onde
houve informação dos dados no SISÁGUA, existiram sistemas com
amostras fora dos padrões estabelecidos na Portaria 36/90. Em três
meses do ano não foram lançados dados no SISÁGUA quanto a esse
parâmetro. O percentual de amostras fora dos padrões estabelecidos
variou de 2,08% a 16,67% nos meses do ano de 2002.
• A qualidade da água quanto a intermitência do abastecimento de água, a
população abastecida foi atendida por sistemas com intermitência em
100% dos meses do ano. %. O percentual de amostras fora dos padrões
estabelecidos variou de 8,47% a 18,97% nos meses do ano de 2002.
• O não atendimento a portaria 36/90 quanto aos padrões de potabilidade
da água das variáveis em estudo, expôs a população abastecida ao risco
de contrair doenças veiculadas pela água.
• O SISÁGUA se mostrou como um bom instrumento para avaliação, no
entanto é preciso detalhar mais as informações em seus relatórios
gerenciais e de listagem, pois não informam quanto a vigilância dos
sistemas de abastecimento e soluções alternativas, os sistemas e
soluções alternativas que apresentaram amostras fora dos padrões, o
número dessas amostras e o endereços dos pontos de coleta delas.
Quanto ao controle da entrada da rede e na rede de distribuição ele não
informa os sistemas e soluções alternativas que apresentaram amostras
fora dos padrões, a quantidade de amostras realizadas e a quantidade
das amostras fora dos padrões.
261

RECOMENDAÇÕES

• A Vigilância Sanitária e Ambiental dos municípios e estadual precisam


acompanhar mais de perto as informações das prestadoras que
administram os sistemas de abastecimento de água quanto ao não
cumprimento dos padrões estabelecidos na Legislação e exigir a tomada
das medida para a adequação da água aos padrões estabelecidos, se
necessário aplicando as medidas legais cabíveis, evitando que o não
cumprimento da Legislação persista por meses, como foi visto no
trabalho.
• As prestadoras que administram os sistemas de abastecimento de água
têm que atender aos padrões de potabilidade da água estabelecidos na
Legislação para não expor a população abastecida ao risco de contrair
doenças veiculadas pela água.
• A Vigilância Sanitária e Ambiental dos municípios de acordo com a
Portaria 36/90 e a pactuação na PPI tem que realizar mensalmente a
vigilância da qualidade da água dos sistemas de abastecimento de água
de seus municípios.
• Os dados de vigilância e controle dos sistemas de abastecimento de água
têm que ser informados ao SISÁGUA mensalmente. Esta recomendação
vai para o setor do serviço público que está responsável pelo lançamento
dos dados no SISÁGUA, no nosso caso a Diretoria de Vigilância e
Controle Sanitário – DIVISA era a responsável no ano de 2002.
• Implantação de um programa de educação permanente em vigilância da
qualidade da água para consumo humano para gestores e técnicos da
Vigilância Sanitária e Ambiental dos municípios, do estado e prestadores
de serviço de abastecimento de água.
• Realização de inspeções nos sistemas de abastecimento de água.
• O SISÁGUA emitir relatórios de listagem de controle da entrada da rede e
da rede de distribuição informando os sistemas e soluções alternativas
262

que apresentaram amostras fora dos padrões estabelecidos pela Portaria


em vigor, a quantidade de amostras realizadas por sistema e solução
alternativa e a quantidade de amostras fora dos padrões por sistema e
solução alternativa, por mês, por município, regional, estado e país.
• O SISÁGUA emitir relatórios de listagem de vigilância dos sistemas e
solução alternativa que apresentaram amostras fora dos padrões
estabelecidos pela Portaria vigente, o número dessas amostras fora dos
padrões e o endereço do local de coleta das mesmas por mês, município,
regional, estado e país.
• O SISÁGUA emitir relatório de listagem das localidades por sistema e por
município.
• O SISÁGUA incluir nos relatórios de listagem dos sistemas e soluções
alternativas por municípios, regional e estados a instituição que
administra os sistemas e soluções alternativas.

9 – TABELAS E GRÁFICOS

TABELA 1
Qualidade bacteriológica da água para consumo humano
quanto a coliformes totais nos controles da entrada de rede
de distribuição - IBTCSE e rede de distribuição - IBTCSR dos
sistemas de abastecimento da 1ª Diretoria Regional de
Saúde da Bahia no ano de 2002
MESES IBTCSE(%) IBTCSR(%)
Janeiro 98,31 88,82
Fevereiro 97,71 97,37
Março 79,27 94,07
Abril 99,28 94,37
Maio 98,74 95,17
Junho 96,7 94,82
Julho 99,33 95,62
Agosto 100 98,27
Setembro 99,49 98,57
Outubro 100 98,23
Novembro 100 98,51
Dezembro 99,58 96,49
Fonte: SISÁGUA, 2003.
263

GRÁFICO 1

Qualidade bacte riológica da água para cons umo humano quanto a


coliforme s totais nos controle s da e ntrada da re de de dis tribuição-
IB TCSE e re de de dis tribuição dos s is te mas de abas te cime nto-
IB TCSR da 1ª D ire toria R e gional de Saúde da B ahia no ano de
2002
120
IBTCSE(% )
IBTCSE(%) E IBTCRS(%)

100 IBTCSR(% )

80

60

40

20

0
o
ço

ril
iro

o
iro

o
o
to
ai

br
nh

lh

br

br
br
ab
ar

os
ne

m
re

ju

m
m

m
tu
ju
m
ve

ag
ja

ze
te

ve
ou
fe

se

de
no

Fonte: SISÁGUA, 2003


TABELA 2
Qualidade bacteriológica da água para consumo humano
quanto a coliformes totais no controle da rede de
distribuição - IBTCSR e na vigilância dos sistemas de
abastecimento - IBTVS da 1ª Diretoria Regional de Saúde
da Bahia no ano de 2002
MESES IBTCSR(%) IBTVS(%)
Janeiro 88,82 87,23
Fevereiro 97,37 -
Março 94,07 -
Abril 94,37 -
Maio 95,17 58,33
Junho 94,82 6,67
Julho 95,62 0
Agosto 98,27 38,71
Setembro 98,57 25
Outubro 98,23 18,18
Novembro 98,51 0
Dezembro 96,49 11,9
Fonte:SISÁGUA, 2003
264

GRÁFICO 2

Q ua lid a d e b a c te rio ló gic a d a á gua p a ra c o nsum o hum a no q ua nto a


c o lifo rm e s to ta is no c o ntro le d a re d e d e d istrib uiç ã o - IB T C S R e na
vigilâ nc ia d o s siste m a s d e a b a te c im e nto d e á gua - IB T V S d a 1 ª
D ire to ria R e gio na l d e S a úd e d a B a hia no a no d e 2 0 0 2
1 20
IB T C S R ( % )
IBTSR(%) e IBTVS(%)

1 00 IB T V S ( % )
80

60

40

20

o
iro

il

o
iro

o
ço

ro
o

sto

br
ai

br
br
br

lh
nh

ub
ar
ne

re

em
Ju

em
A

go
Ju
M
ve

ut
Ja

te

ez
A

ov
O
Fe

Se

D
N

Fonte: SISÁGUA, 2003

TABELA 3

Qualidade bacteriológica da água para consumo humano


quanto a coliformes termotolerantes no controle da rede de
distribuição - IBFCS e na vigilância dos sistemas de
abastecimento - IBFVS da 1ª Diretoria Regional de Saúde
da Bahia no ano de 2002
MESES IBFCS(%) IBFVS(%)
Janeiro 100 100
Fevereiro 98,73 -
Março 99,71 -
Abril 99,15 -
Maio 96,64 58,33
Junho 97,48 100
Julho 99,46 94,59
Agosto 97,04 100
Setembro 97,56 100
Outubro 97,79 100
Novembro 98,79 85,29
Dezembro 100 82,61
Fonte: SISÁGUA, 2003
265

GRÁFICO 3

Q u a lid a d e b a c t e rio ló g ic a d a á g u a p a ra c o n s u m o h u m a n o q u a n t o a
c o lifo rm e s t e rm o t o le ra n t e s n o c o n t ro le d a re d e d e d is t rib u iç ã o -
I B F C S e n a v ig ilâ n c ia d o s s is t e m a s d e a b a s t e c im e n t o d e á g u a -
I B F V S d a 1 ª D ire t o ria R e g io n a l d e S a ú d e d a B a h ia n o a n o d e
2002
120
IB F C S (% )
100 IB F V S (% )
IBFCS(%) e IBFVS(%)

80

60

40

20

o
iro

o
il

o
iro

o
ço

ro
o

sto

br
ai

br
br
br

lh
nh

ub
ar
ne

re

em
Ju

em
m
A

go
Ju
M
ve

ut
Ja

te

ez
A

ov
O
Fe

Se

D
N

Fonte: SISÁGUA, 2003

TABELA 4
Nível de cloro residual da água para consumo humano no
controle da entrada da rede -ICRCSE e no controle da rede
de distribuição - ICRCSR dos sistemas de abastecimento de
água da 1ª Diretoria Regional de Saúde da Bahia no ano de
2002
MESES ICRCSE(%) ICRCSR(%)
Janeiro 97,18 86,45
Fevereiro 99,3 93,46
Março 99,52 91,68
Abril 99,03 94,1
Maio 99,47 92,12
junho 99,58 92,43
Julho 99,49 94,45
Agosto 98,9 96,05
Setembro 96,76 97,4
Outubro 99,93 99
Novembro 99,57 96,9
Dezembro 88,95 98,42
Fonte: SISÁGUA, 2003
266

GRÁFICO 4

Nível de cloro residual da água para consumo humano no controle da


entrada da rede de distribuição - ICRCSE e da rede de distribuição dos
sistemas de abatecimento de água - ICRCSR da 1ª Diretoria Regional
de Saúde da Bahia no ano de 2002
105
ICRCSE(%) e ICRCSR(%

ICRCSE(%)
100
ICRCSR(%)
95
90
85
80
75

o
iro

il

ez o
iro

o
ço

ov o
o

Se o

br
ai

br
br
lh
br

r
nh

st

ub
ar
ne

re

em
Ju

em
m
A

go
Ju
M
ve

ut
Ja

te
A

O
Fe

D
N

Fonte: SISÁGUA, 2003

TABELA 5
Nível de cloro residual no controle da rede de distribuição -
ICRCSR e na vigilância dos sistemas de abastecimento de água -
ICRVS da 1ª Diretoria Regional de Saúde da Bahia no ano de 2002

MESES ICRCSR(%) ICRVS(%)


Janeiro 86,45 40
Fevereiro 93,46 -
Março 91,68 -
Abril 94,1 -
Maio 92,12 33,33
Junho 92,43 71,43
Julho 94,45 54,05
Agosto 96,05 39,39
Setembro 97,4 0
Outubro 99 0
Novembro 96,9 16,13
Dezembro 98,42 26,67
Fonte: SISÁGUA, 2003

GRÁFICO 5
267

N ív e l de clo ro re s idua l no co ntro le da re de de dis tribuiçã o -


IC R C S R e na v ig ilâ ncia do s s is te ma s de a ba s te cime nto de á g ua -
IC R V S da 1 ª D ire to ria R e g io na l de S a úde da B a hia no a no de
2002
120
ICRCSR(% )
ICRCSR(%) e ICRVS(%)

100 ICRVS(% )
80

60

40

20

o
ro

il

o
ro

o
ço

ov o
o

Se o

br
ai

br
br
br

lh

r
nh

st
ei

ei

ub
ar

em
Ju

em
m
A

go
n

er

Ju
M

ut
Ja

te
v

ez
A

O
Fe

D
N
Fonte: SISÁGUA, 2003

TABELA 6
Turbidez da água para consumo humano no controle da entrada da rede de
distribuição-ITCSE e na rede de distribuição-ITCSR dos sistemas de
abastecimento de água da 1ª Diretoria Regional de Saúde da Bahia no ano
de 2002
MESES ITCSE(%) ITCSR(%)
Janeiro 69,22 95,63
Fevereiro 73,4 98,89
Março 89,45 100
Abril 82,85 97,42
Maio 81,4 97,19
Junho 82,35 50,69
Julho 98,46 94,97
Agosto 87,25 98,79
Setembro 86,26 96,93
Outubro 92,57 99,34
Novembro 97,84 100
Dezembro 91,38 96,67
Fonte: SISÁGUA, 2003
268

GRÁFICO 6

Turbide z da água para consumo humano no controle da e ntrada


da re de de distribuição - ITCSE e na re de de distribuição dos
sistemas de abaste cime nto de água - ITCSR da 1ª Dire toria
Re gional de Saúde da Bahia no ano de 2002
120
ITCSE(%)
ITCSE(%) e ITCSR(%)

100 ITCSR(%)

80

60

40

20

o
Fe iro

il

ez o
iro

ço

A o

ov o
o

S e to

br
ai

br
br
lh
br

r
nh

ub
ar

s
ne

re

em
Ju

em
m
A

go
Ju
M
ve

ut
Ja

te

D
N

Fonte: SISÁGUA, 2003

TABELA 7
Turbidez da água para consumo humano no controle da rede de
distribuição-ITCSR e na vigilância dos sistemas de abastecimento de
água-ITVS da 1ª Diretoria Regional de Saúde da Bahia no ano de 2002
MESES ITCSR(%) ITVS(%)
Janeiro 95,63 97,92
Fevereiro 98,89 -
Março 100 -
Abril 97,42 -
Maio 97,19 83,33
Junho 50,69 89,66
Julho 94,97 100
Agosto 98,79 96,97
Setembro 96,93 100
Outubro 99,34 100
Novembro 100 93,55
Dezembro 96,67 95,24
Fonte: SISÁGUA, 2003
269

GRÁFICO 7

Turbidez da água para consumo humano no controle da rede de


distribuição - ITCSR e na vigilância dos sistemas de abastecimento
de água - ITVS da 1ª Diretoria Regional de Saúde da Bahia no ano
de 2002
120
ITCSR(%)
ITCSR(%) e ITVS(%)

100
ITVS(%)
80
60
40
20
0

o
iro

o
il

D bro
iro

O ro
ço

A o

ov o
o

Se t o

br
ai

lh
br

N ubr
nh

b
ar

s
ne

re

em
Ju

em
m
A

go
Ju
M
ve

ut
Ja

te

ez
Fe

Fonte: SISÁGUA, 2003

TABELA 8
Regularidade dos sistemas de abastecimento de água-IRAS
da 1ª Diretoria Regional de Saúde da Bahia no ano de 2002
MESES IRAS(%)
Janeiro 91,53
Fevereiro 89,84
Março 90,67
Abril 85,32
Maio 86,06
Junho 81,03
Julho 88,57
Agosto 85,06
Setembro 84,92
Outubro 82,76
Novembro 82,97
Dezembro 84,51
Fonte: SISÁGUA
270

GRÁFICO 8

Regularidade dos sistemas de abastecimento de água - IRAS da 1ª


Diretoria Regional de Saúde da Bahia no ano de 2002
94
92 IRAS(%)
90
88
IRAS(%)

86
84
82
80
78
76
74

o
iro

il

o
ro

o
ço

ro
o

to

br
ai

br
br
lh
br

nh
ei

ub
ar

s
ne

em
Ju

em
m
A

go
r

Ju
M
ve

ut
Ja

te

ez
A

ov
O
Fe

Se

D
N

Fonte: SISÁGUA, 2003


271

BIBLIOGRAFIA

BAHIA. Secretaria de Saúde do Estado da Bahia. Manual do eixo


programático de Vigilância Sanitária da programação pactuada
integrada. Pactuação da ação básica. Salvador, 2002.p. 10-11 .
BAHIA. Secretaria de Saúde do Estado da Bahia. Seminário de avaliação do
Programa Nacional de Vigilância da Qualidade da Água para
Consumo Humano no Estado da Bahia. Salvador: SESAB. 2001. 17 p.
BAHIA. Empresa Baiana de Água e Saneamento. Histórico, Programa Bahia
Azul e Tratamento de água. Disponível em
http://www.embasa.ba.gov.br. acesso em: 05 de novembro 2003.
BAHIA. Secretaria de Infra-estrutura. Reservatórios de água. Disponível em:
http://www.bahia.ba.gov.br. Acesso em: 20 de novembro 2003.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n°36, de 19 de janeiro de 1990.
Estabelece normas e o padrão de potabilidade da água destinada ao
consumo humano. Brasília: Diário Oficial da União, 1990.
BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema de Informações de Vigilância da Qualidade
da Água para Consumo Humano – SISÁGUA - Relatórios gerênciais
(Portaria 36/90). Disponível em: http://sis.funasa.gov.br/sisagua1469. Brasília:
FUNASA, 2003. Acesso em 10 de dezembro de 2003.
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº1469 de 29 de dezembro de 2000.
Estabelece os procedimentos e responsabilidades relativos ao
controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano e
seu padrão de potabilidade, e dá outras providências. Brasília: Diário
Oficial da União, nº 38, 22 de fevereiro de 2001, Seção 1, p. 39.
CARTA Européia da Água. Carta Européia da água. Disponível em:
http://www.aprh.pt/arquivo/Brochuras/cartaeur2. Acesso em: 05 de
dezembro 2003.
DISTRIBUIÇÃO da água no planeta. Geocites. Disponível em:
http://www.com/~esabio/agua. Acesso em: 09 de dezembro 2003.
272

FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. Sistema de Informações de Vigilância


da Qualidade da Água para Consumo Humano – manual operacional.
2ª edição. Brasília: FUNASA, 2003. 103 p.
FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE. Vigilância e controle da qualidade da
água para consumo humano. 2ª edição. Brasília: FUNASA, 2002. 162 p.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo
Demográfico 2000. Rio de janeiro: IBGE, 2002. Disponível em:
http://ibge.gov.br. Acesso em 05 de novembro 2003.
MARTINELLI, W.C. Abastecimento de água da região metropolitana de
Salvador. Bahia Análise e Dados. Salvador, v. 7, n.1, p. 45-54, jun. 1997.
MORAES, L. R. S.; BORJA, P. C.; TOSTA, C. S. Qualidade da água da rede de
distribuição e de beber em assentamestos periurbano: estudo de casa. In:
CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E
AMBIENTAL, 20°, Rio de Janeiro, 1999. Anais... Rio de Janeiro: ABES,
1999. Apud FUNASA.Vigilância e controle da qualidade da água para
consumo humano. 2ª edição. Brasília: FUNASA, 2002. 162 p.
OLIVEIRA FILHO, A . Terra planeta água. Salvador: FNU/CUT,2000. Apud
FUNASA.Vigilância e controle da qualidade da água para consumo
humano. 2ª edição. Brasília: FUNASA, 2002. 162 p.
REBOUÇAS, A . C. Panorama da água doce no Brasil. In: Rebouças, Aldo da
Cunha (org). Panorama da degradação do ar, da água doce e da terra no
Brasil. São Paulo: IEA/USP; Rio de Janeiro: Academia Brasileira de
Ciências, 1997. p.59-107. Apud FUNDAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE.
Vigilância e controle da qualidade da água para consumo humano. 2ª
edição. Brasília: FUNASA, 2002. 162 p.
SILVA, F.T.V. Qualidade da água utilizada para higienização de alimentos
na central de abastecimento do Ceará. 2001. 40 p. Dissertação
(Especialização em Vigilância Sanitária) – Escola de Saúde Pública do
Ceará, Ceará.
TAMBELLINI, A . T; CÂMARA, V.M. Vigilância Ambiental em Saúde:
conceitos, caminhos e interfaces com outros tipos de vigilância. Rio
273

de Janeiro, Cadernos de Saúde Coletiva, ISSN 1414 – 462 x, 10 (1): 77-


93, jan – jun, 2002.
UNICEF. 2003 – Ano internacional da água potável. Unicef. Disponível em:
http://www.unicef.org/brazil/agua. Acesso em: 05 de dezembro 2003.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
NÚCLEO DE ESTUDOS DE SAÚDE COLETIVA
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

UMA AVALIAÇÃO DO PROGRAMA DE VIGILÂNCIA DA QUALIDADE DA


ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO EM SALVADOR, ESTADO DA BAHIA.

Ana Maria Santos Messeder de Castro

Adaptação da Monografia apresentada ao


Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva
como pré-requisito para a obtenção do
Titulo de Especialista em Vigilância
Ambiental em Saúde

- 2003 -
RESUMO

Os recursos hídricos tornaram-se cada vez mais escassos nos últimos


anos. O abastecimento público em termos de quantidade e qualidade é uma
preocupação crescente da humanidade, devido à escassez da água e
deteriorização dos mananciais pelo lançamento de efluentes e resíduos,
tornando-se um fator importante na transmissão de enfermidades. O presente
trabalho tem por objetivo analisar os dados referentes ao cadastro, controle e
vigilância, parte integrante do Programa de Vigilância da Qualidade da Água
desenvolvido pelo município de Salvador-BA. Foram analisados dados
secundários sobre a qualidade da água do sistema público de abastecimento,
na entrada da rede e rede de distribuição, durante o ano de 2002, baseados
nos seguintes parâmetros: coliformes totais, coliformes termotolerantes, cloro
residual, turbidez e flúor. Os resultados obtidos encontram-se em desacordo
com a Portaria no 36/90GM e em relação às ações de Vigilância, observa-se a
necessidade de implementação do programa visando o cumprimento das
ações pactuadas, o atendimento à legislação e a avaliação dos riscos que a
água de consumo representa para a saúde humana.

Palavras Chave: Qualidade da Água, Água para consumo, Vigilância; Saúde


Ambiental; Monitoramento.
278
Uma avaliação do programa de vigilância da qualidade da água
para consumo humano em Salvador, Estado da Bahia.
Ana Maria Santos Messeder de Castro
INTRODUÇÃO

Os recursos hídricos tornaram-se cada vez mais escassos nas últimas


três décadas, derrubando os mitos de que a água é abundante no planeta e um
recurso renovável. Com o crescimento da população e a intensa urbanização,
tais recursos ficaram escassos em quantidade e qualidade, mais difíceis e
complexos de se obter e conservar, e mais caros para distribuir, prover e
ampliar (Rattes, 2003). O Brasil detém cerca de 12% das reservas de água
doce do planeta. Todavia, estas reservas são extremamente mal distribuídas,
com grande concentração na Amazônia. Além disso, é preciso que se torne
potável e chegue à torneira do cidadão (Rattes, 2003).

No tocante à qualidade do abastecimento público de água, a


deterioração dos mananciais pelo lançamento de efluentes e resíduos tóxicos,
torna-se fator importante na transmissão de enfermidades. Embora
investimentos têm sido aplicados no monitoramento e tratamento para garantir
a qualidade da água nas estações de tratamento, esta qualidade da água decai
no sistema de distribuição pela intermitência do serviço, baixa cobertura da
população com sistema público de esgotamento sanitário, obsolescência da
rede de distribuição, manutenção deficiente, entre outros (MINISTÉRIO DA
SAÚDE, 2003). Nos domicílios os níveis de contaminação se elevam pela
precariedade das instalações hidráulico-sanitárias, pela falta de manutenção
dos reservatórios e pelo manuseio inadequado da água (FUNASA, 2001).

A vigilância da qualidade da água para consumo humano é de


responsabilidade do setor saúde (Decreto Federal nº 79367/1977), que atribui a
competência ao Ministério da Saúde para elaboração de normas e definição do
padrão de potabilidade de água para consumo humano a serem observados
em todo o território nacional. Essa atribuição foi delegada à Secretaria de
Vigilância em Saúde, por meio da Coordenação Geral de Vigilância Ambiental
em Saúde (CGVAM).

A Vigilância da qualidade da água consiste no conjunto de ações


adotadas continuamente pelas autoridades de saúde pública para garantir que
279
Uma avaliação do programa de vigilância da qualidade da água
para consumo humano em Salvador, Estado da Bahia.
Ana Maria Santos Messeder de Castro
a água consumida pela população atenda aos padrões e normas estabelecidos
na legislação vigentes e para avaliar os riscos que a água de consumo
representa para a saúde humana. Deve ser uma atividade rotineira preventiva
de ação sobre os sistemas públicos e soluções alternativas de abastecimento
de água a fim de garantir o conhecimento da situação da água para consumo
humano, resultando na redução das possibilidades de enfermidades
transmitidas pela água utilizada para consumo humano (MINISTÉRIO DA
SAÚDE, 2003).

A vigilância tem três grandes componentes:

a) Análise permanente e sistemática da informação sobre a qualidade da água


para confirmar se o manancial, o tratamento e a distribuição atendem aos
objetivos e regulamentos estabelecidos na legislação vigente;
b) Avaliação sistemática das diversas modalidades de fornecimento de água
às populações, seja coletiva ou individual, de forma a verificar o grau de
risco representado à saúde em função do manancial abastecedor,
adequabilidade do tratamento e questões de ordem operacional;
c) Análise da evolução da qualidade física, química e microbiológica e sua
correlação com as enfermidades relacionadas com a qualidade da água em
todo o sistema de abastecimento, a fim de determinar o impacto na saúde
dos consumidores.

A atuação da vigilância relacionada à qualidade da água deve se dar


sobre todas e quaisquer formas de abastecimento de água coletivas ou
individuais na área urbana e rural, de gestão pública ou privada, incluindo as
instalações intradomiciliares. Desse modo, o campo de atuação dar-se-á sobre
as seguintes formas de abastecimento:

• Sistemas de abastecimento de água para consumo humano:


instalações compostas por conjunto de obras civis, materiais e
equipamentos, destinadas à produção e a distribuição canalizada de água
potável para populações, sob a responsabilidade do poder público, mesmo
que administrada em regime de concessão ou permissão (Portaria MS
nº1469/2000). Estes sistemas apresentam uma variedade de possíveis
280
Uma avaliação do programa de vigilância da qualidade da água
para consumo humano em Salvador, Estado da Bahia.
Ana Maria Santos Messeder de Castro
combinações de unidades que se integram com o propósito de atender à
população por meio de água encanada. Não existe arranjo único que possa
caracterizar um sistema de abastecimento de água, no entanto, a maioria
consta dos seguintes componentes: manancial, captação, adução,
tratamento, reservação, distribuição, eventualmente estações elevatórias e
ligações prediais.
• Solução alternativa de abastecimento de água: toda modalidade de
abastecimento coletivo de água distinta do sistema de abastecimento de
água, incluindo entre outras, fonte, poço comunitário, distribuição por
veículo transportador, instalações condominiais horizontal e vertical
(Portaria MS nº1469/2000). As soluções alternativas coletivas se
diferenciam dos sistemas de abastecimento de água, pois a distribuição da
água pode ou não ocorrer por meio de rede canalizada, independentemente
de ambas as formas de suprimento serem coletivas.
• Soluções individuais: todas e quaisquer soluções alternativas de
abastecimento que atendam a um único domicílio.
• Instalações intradomiciliares: conjunto composto por uma ou mais
unidades constituído por canalizações, reservatórios, equipamentos e
outros componentes destinados ao abastecimento interno de água.

As ações de Vigilância Ambiental em Saúde relacionadas à qualidade da


água para consumo humano são de competência do setor saúde, enquanto as
ações de controle da qualidade da água para consumo humano competem aos
responsáveis pela operação do sistema, ou solução alternativa de
abastecimento. Nas situações de surto e emergências, a qualidade da água
também é objeto das ações da vigilância ambiental em saúde relacionada à
qualidade da água para consumo humano, a qual terá uma atuação conjunta
com as vigilâncias epidemiológica e sanitária.

A Fundação Nacional de Saúde – FUNASA concebeu um sistema de


informação em Vigilância Ambiental em Saúde, do qual faz parte o Sistema de
Informação de Vigilância e Controle da Qualidade da Água para Consumo
Humano – SISAGUA. O SISAGUA tem por objetivo coletar e fornecer
informações para avaliação da qualidade da água que devem ser processadas,
281
Uma avaliação do programa de vigilância da qualidade da água
para consumo humano em Salvador, Estado da Bahia.
Ana Maria Santos Messeder de Castro
estabelecendo uma correlação entre as distintas informações ambientais e
epidemiológicas, identificando os problemas, assim como as causas, de modo
a identificar as medidas corretivas pertinentes (MINISTÉRIO DA SAÚDE,
2003).

A concepção do SISAGUA baseou-se na definição de indicadores


sanitários utilizados na prevenção e controle de doenças e agravos
relacionados ao saneamento. Tais indicadores foram definidos com o uso da
metodologia proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS), adaptada da
estrutura Pressão – Situação – Resposta, desenvolvida pela Organização para
Cooperação Econômica e o Desenvolvimento (OECD), com base num trabalho
realizado pelo Governo do Canadá (Von Shirnding, 1998).

MATERIAIS E MÉTODOS

Trata-se de um estudo descritivo que teve como objetivo analisar os


dados referentes ao cadastro dos sistemas de abastecimento de água, o
controle (dados fornecidos pela prestadora) e as ações de vigilância no período
de janeiro a dezembro de 2002. Este trabalho foi realizado na área urbana do
município de Salvador, Estado da Bahia, por ser a capital do estado, estar com
o programa iniciado e dispor de maior número de dados.

Salvador é abastecida por quatro sistemas de abastecimento (ETA


Principal, ETA do Cobre, ETA Teodoro Sampaio e ETA Vieira de Melo),
formados por mananciais superficiais. Estes sistemas em alguns pontos se
interligam através da rede de distribuição, havendo áreas de mistura das
águas, onde a própria prestadora de abastecimento (EMBASA) não sabe
informar quais as localidades onde isso ocorre. Desse modo, para facilitar o
cadastramento dos sistemas, a Secretaria de Saúde do Estado, através da
Diretoria de Vigilância e Controle Sanitário (DIVISA), resolveu cadastrar os
quatro sistemas como um sistema único, o SISTEMA INTEGRADO DE
ABASTECIMENTO DE ÁGUA DE SALVADOR –SIAA de Salvador.
282
Uma avaliação do programa de vigilância da qualidade da água
para consumo humano em Salvador, Estado da Bahia.
Ana Maria Santos Messeder de Castro
Salvador possui uma população de 2.443.107 habitantes e segundo os
critérios da PPI-ECD são necessários no mínimo a coleta de 80 amostras de
água mensais para sistemas de abastecimento de água e 80 amostras para
soluções alternativas.

O Programa de Vigilância e Controle da Qualidade da Água para


Consumo Humano desenvolvido no município de Salvador, segue os mesmos
moldes do nível central e estadual em sua área de abrangência e com
competências definidas na Portaria nº1469/00. É desenvolvido na Secretaria
Municipal de Saúde, através da Coordenadoria de Vigilância á Saúde, na Sub-
Coordenadoria de Vigilância Sanitária, que dispõe de uma equipe formada por
três técnicos de nível superior, dois de nível médio, um estagiário e um
coordenador. Consiste na coleta de amostras de água para análises físico-
químicas e microbacteriológicas, onde são verificados os seguintes
parâmetros: Coliformes totais, coliformes termotolerantes, turbidez, cloro
residual e flúor. As análises de pesticidas e metais pesados ainda não são
realizadas pelo Laboratório Central de Saúde Pública Professor Gonçalo Moniz
– LACEN.

Os instrumentos de coleta incluíram formulários de cadastro, controle de


sistemas de abastecimento de água e consolidado de vigilância da qualidade
da água para consumo humano (elaborado pela Diretoria de Vigilância e
Controle Sanitário – DIVISA). Os pontos de coleta estão distribuídos na rede de
distribuição e são coletados nos mesmos pontos em que a prestadora
(Empresa Baiana de Água e Saneamento - EMBASA) coleta. São realizadas
duas vezes por semana, onde em cada dia são coletadas cinco amostras, num
total de quarenta mensais. Os resultados das análises são encaminhados à
Vigilância Sanitária Municipal, em média, após vinte a trinta dias da data da
entrega das amostras. Estes laudos são analisados e quando os mesmos
encontram-se fora dos padrões exigidos pela legislação em vigor, é realizada a
recoleta. Persistindo análises fora dos padrões, é encaminhada ao responsável
pela prestadora uma solicitação para adequações que se fizerem necessárias.
Por ainda não estarem cadastradas, não foram analisadas amostras das
soluções alternativas coletivas nem individuais.
283
Uma avaliação do programa de vigilância da qualidade da água
para consumo humano em Salvador, Estado da Bahia.
Ana Maria Santos Messeder de Castro
As variáveis do estudo incluíram Coliformes totais, Coliformes
termotolerantes, cloro residual, turbidez, flúor e intermitência. Foram obtidos
dados secundários através do SISAGUA e da Secretaria de Saúde de
Salvador, que foram processados utilizando-se planilha no Excel, para
elaboração de tabelas e gráficos e analisados com base na Portaria
nº36/90GM.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Verificou-se que o Sistema Integrado de Abastecimento de Água de


Salvador – SIAA abastece 441.419 domicílios, com consumo médio per capita
de 155 l/hab/dia. O sistema é formado pelos seguintes mananciais: Rio do
Cobre, Rio Ipitanga, Rio Joanes, Rio Paraguaçu e Rio Pituaçu. Realiza
tratamento convencional com fluoretação. O cadastro do sistema encontra-se
com todos os seus itens preenchidos, o que demonstra facilidade no
desenvolvimento das ações seguintes de acesso ao sistema de informação –
SISAGUA. Ainda não foi desenvolvido o cadastro de soluções alternativas
coletivas e individuais, fato este necessário, pois nas áreas periféricas, onde
não há água canalizada, as soluções alternativas suprem a demanda de água
da população. Nestes locais a água além de não sofrer tratamento é bastante
manipulada, ficando sujeita ao risco de contaminação por microorganismos.

Os resultados estão apresentados segundo o controle de qualidade da


água para consumo humano realizado pelos responsáveis pela operação de
sistema ou solução alternativa de abastecimento e pelo Programa de Vigilância
da Água sobre a responsabilidade da Secretaria de Saúde. O controle da
qualidade da água se diferencia da vigilância pela responsabilidade
institucional, forma de atuação, áreas geográficas de intervenção, pela
freqüência e número de amostras e pela aplicação dos resultados.

I - Análise dos dados de controle do Sistema de Abastecimento

a) Turbidez
284
Uma avaliação do programa de vigilância da qualidade da água
para consumo humano em Salvador, Estado da Bahia.
Ana Maria Santos Messeder de Castro
Observa-se pela Tabela 1, que o número de amostras mensais
coletadas para turbidez na entrada da rede e rede de distribuição encontram-se
acima do que determina a legislação, que é de 30 amostras/mês na entrada da
rede, e 11 amostras/mês na rede de distribuição. Das 1436 amostras coletadas
na entrada da rede, 187 (13,02%) encontravam-se fora do padrão. No mês de
junho houve um aumento considerável em relação aos demais, com amostras
fora do padrão tanto na entrada da rede (38,09%), como na rede de
distribuição (80,83%) o que pode estar relacionado ao aumento das chuvas
nesta época do ano e infiltrações na rede, observando-se ainda que todos os
mananciais que abastecem o município são superficiais.

Na rede de distribuição das 1517 amostras coletadas, 123 (8,11%)


estavam em desacordo com a Portaria nº 36/90. Nos demais meses apesar
dos percentuais de amostras fora do padrão serem baixos, a turbidez elevada
influencia nos processos usuais de desinfecção, atuando como escudo aos
microorganismos patogênicos minimizando a ação do desinfetante.

b) Cloro Residual

Na Tabela 2 verifica-se que a quantidade de amostras coletadas


encontra-se bem acima do número determinado pela Portaria nº 36/90, tanto
na entrada da rede, quanto na rede de distribuição. Do total de amostras
analisadas 1,99% estavam em desacordo com a legislação na entrada da rede
e 3,92% estavam fora dos padrões na rede de distribuição. A presença do cloro
em concentrações suficientes é fundamental como agente bactericida, sendo
notória a eficiência da cloração na redução de doenças de veiculação hídrica
(Freitas et al, 2002).

d) Coliformes

Observa-se na Tabela 3 que na entrada da rede, apesar da Portaria nº


36/90 apenas recomendar a realização de coletas, foram coletadas 986
amostras durante o ano, onde 56 (5,68%) encontravam-se fora do padrão. No
mês de março de 105 amostras coletadas, 51 (48,57%) estavam insatisfatórias.
285
Uma avaliação do programa de vigilância da qualidade da água
para consumo humano em Salvador, Estado da Bahia.
Ana Maria Santos Messeder de Castro
O número de amostras coletadas para o parâmetro Coliformes na rede de
distribuição encontrava-se muito acima do que determina a Portaria nº 36/90.

A Tabela 4 mostra que de 6.694 amostras coletadas, o daquelas em


desacordo com a legislação para Coliformes termotolerantes corresponde a
337, ou seja, 0,07% do total coletado, tornando-se um sinal inequívoco de re-
contaminação ao longo da rede de distribuição. Com relação aos Coliformes
totais este valor se eleva para 5,03% e o percentual de amostras com mais de
três Coliformes por 100ml é de 3,38%. Este fato, embora não guarde uma
relação exclusiva com re-contaminação de origem fecal, serve como indicador
da integridade do sistema de distribuição. Águas insuficientemente tratadas,
sem garantia do residual de cloro, ou infiltrações podem permitir o acúmulo de
sedimentos, matérias orgânicas e promover o desenvolvimento de bactérias
incluindo aquelas do grupo Coliformes que não E. Coli ou termotolerantes
(Bastos et al, 2000).

e) Flúor

A Tabela 5 evidencia que a quantidade de amostras realizadas para


análise de flúor na entrada da rede ficou bem acima do determinado pela
Portaria nº 36/90, onde o mínimo é de 11 amostras/mês. Em todos os meses
existiram amostras fora do padrão, num percentual total de 38,96%. Isto
acontece provavelmente devido a variação dos teores em decorrência da
temperatura e mistura das águas de diversas ETA’s na rede.

Dentre as 309 amostras, 38,96% estavam em desacordo com a Portaria


36/90, todavia, o presente trabalho não dispõe de dados para avaliar se as
mesmas encontram-se com teores inferiores ou superiores ao recomendado,
que gira em torno de 0,6 à 0,8mgF/L. O flúor, por ser um elemento
recomendado para a prevenção de cárie dentária deve estar presente na água
de abastecimento, mas o uso sistêmico de soluções fluoretadas aumentam o
risco de fluorose, daí a importância do monitoramento constante (Freitas et al,
2002).
286
Uma avaliação do programa de vigilância da qualidade da água
para consumo humano em Salvador, Estado da Bahia.
Ana Maria Santos Messeder de Castro
e) Intermitência

Refere-se ao fornecimento de água descontínuo ao longo de 24 horas, o


que determina pressões negativas na rede de distribuição favorecendo a
entrada de impurezas na mesma. A distribuição mensal demonstrada no
Gráfico 1, mostra que é elevado o número de domicílios com intermitência,
variando de 21.989 à 45.510 domicílios, correspondendo a um percentual de 5
à 10% em relação ao número total de domicílios abastecidos pela rede.

II – Análise das Atividades de Vigilância da Secretaria de Saúde

a) Turbidez

Foram analisadas 22 amostras distribuídas ao longo do ano, coletadas


na entrada da rede de distribuição. Todas se encontravam satisfatórias,
conforme determina a Portaria nº 36/90GM (Tabela 6). Em relação a
quantidade de amostras coletadas não houve atendimento quanto ao número
mínimo de coletas, que deveria ser de 80 amostras/mês conforme estabelecido
na PPI-ECD Programação Pactuada Integrada – Endemias e Controle de
Doenças. Das 360 amostras coletadas na rede de distribuição durante o ano,
06 (1,7%) estavam em desacordo com a legislação vigente.

b) Cloro Residual

O número de amostras coletadas para este parâmetro foi abaixo do


pactuado na PPI em todos os meses, que deveria ser de 80 amostras/mês
(Tabela 7). Das 22 amostras analisadas durante o ano na entrada da rede, 13
(59,1%) estavam em desacordo com a legislação. Um percentual elevado,
tendo em vista que a água já sai da ETA sem o residual mínimo necessário,
ficando sujeita à contaminação ao longo da rede. Do percentual de amostras
fora do padrão, todas apresentavam teores de cloro abaixo do que determina a
Portaria nº 36/90 que é de no mínimo 0,5mg/L na entrada da rede de
distribuição. Na rede de distribuição o total de amostras foi de 353, onde 164
(46,5%) estavam fora do padrão.
287
Uma avaliação do programa de vigilância da qualidade da água
para consumo humano em Salvador, Estado da Bahia.
Ana Maria Santos Messeder de Castro
c) Flúor

Este parâmetro só foi determinado no mês de janeiro, onde foram


coletadas 05 amostras e todas encontravam-se dentro dos padrões. Nos
meses seguintes não houve coleta.

d) Coliformes

Pela Tabela 8 observa-se que o número de amostras mensais não


atende ao pactuado na PPI que é de 80 amostras/mês. Na entrada da rede,
das 23 amostras coletadas, 04 (17,4%) encontravam-se em desacordo com a
legislação para Coliformes totais e 01(4,35%) para Coliformes termotolerantes.
Na rede de distribuição, das 354 amostras coletadas durante o ano para
Coliformes totais, 75 (21,2%) encontravam-se insatisfatórias conforme a
Portaria nº 36/90, que tolera 5% das amostras com até 3 coliformes/100ml.
Apenas no mês de outubro não houve contaminação.
Das 354 amostras coletadas para análise de Coliformes termotolerantes,
24 (6,8%) estavam insatisfatórias, não havendo contaminação apenas no mês
de outubro, apesar do número de coletas ter sido bem reduzido em relação aos
demais.

CONCLUSÕES

Com base nos resultados dos parâmetros físico-químicos e


microbacteriológicos analisados neste trabalho, tanto para controle como para
vigilância, considera-se que o monitoramento da qualidade da água para
consumo humano deverá ser realizado continuamente devido as análises
encontrarem-se em desacordo com a Portaria nº 36/90GM. A recoleta é
indicada nos casos de contaminação por coliformes.

Verificou-se a necessidade do cadastramento das soluções alternativas


e individuais de abastecimento de água, com atualização anual, para, através
288
Uma avaliação do programa de vigilância da qualidade da água
para consumo humano em Salvador, Estado da Bahia.
Ana Maria Santos Messeder de Castro
dos indicadores de vigilância da qualidade da água para consumo humano,
subsidiar análises de risco.

Quanto ao número de amostras coletadas para controle, observou-se o


atendimento a legislação. Já em relação à vigilância, o número de amostras
coletadas para todos os parâmetros analisados está muito inferior ao pactuado.
Também para a vigilância, faz-se necessário o monitoramento do flúor.

Há necessidade de implementação do Programa de Vigilância da


Qualidade da Água para Consumo Humano, desenvolvido pelo município de
Salvador, visando o cumprimento das ações pactuadas, o atendimento à
legislação e a avaliação dos riscos que a água de consumo representa para a
saúde humana, resultando na redução da possibilidade de transmissão de
doenças. Entre as sugestões para o melhor controle da qualidade da água em
Salvador, pode-se incluir:

• Realização do cruzamento dos dados de qualidade da água com os dados


de mortalidade e doenças de veiculação hídrica, visando a identificação de
áreas de risco e adoção de medidas preventivas.
• Implementação do Sistema de Informação da Qualidade da Água para
Consumo Humano – SISAGUA, no município de Salvador.
• Articulação com o LACEN para realização dos demais parâmetros exigidos
pela Portaria nº 1469/00, a exemplo de metais pesados e agrotóxicos.
289
Uma avaliação do programa de vigilância da qualidade da água
para consumo humano em Salvador, Estado da Bahia.
Ana Maria Santos Messeder de Castro
Tabela 1- Distribuição das Amostras de água segundo análise de controle da
turbidez por meses do ano, em Salvador, Bahia, 2002.
Entrada da Rede Rede de
Distribuição
Meses Nº Fora do %F. Padrão Nº Fora do % F. Padrão
Amostras Padrão Amostras Padrão
Janeiro 176 34 19,32 147 5 3,4
Fevereiro 152 25 16,45 152 1 0,66
Março 189 18 9,52 129 0 0
Abril 120 13 10,83 112 2 1,78
Maio 109 17 15,6 124 3 2,42
Junho 63 24 38,09 120 97 80,83
Julho 104 0 0 134 6 4,48
Agosto 105 20 19,05 126 2 1,59
Setembro 104 12 11,54 122 3 2,46
outubro 115 9 7,83 113 2 1,77
novembro 96 3 3,12 106 0 0
dezembro 103 12 11,65 132 2 1,51
Total 1436 187 13,02 1517 123 8,11
Fonte: SISAGUA, 2002.

Tabela 2- Distribuição das Amostras de água segundo análise de controle do


cloro residual, por meses do ano, Salvador, Bahia, 2002.
Entrada da Rede Rede de
Distribuição
Meses Nº Fora Padrão % Nº Fora Padrão %
Amostras Amostras
janeiro 176 0 0 638 23 3,6
fevereiro 153 3 1,96 523 46 8,79
março 190 0 0 549 38 6,92
abril 120 0 0 533 27 5,06
maio 110 0 0 604 21 3,48
junho 126 2 1,59 542 16 2,95
julho 105 0 0 706 22 3,12
agosto 106 3 2,83 697 28 4,02
setembro 108 9 8,33 573 13 2,27
outubro 113 0 0 535 11 2,06
novembro 95 0 0 108 0 0
dezembro 104 13 12,5 466 9 1,93
Total 1506 30 1,99 6474 254 3,92
Fonte: SISAGUA, 2002.
290
Uma avaliação do programa de vigilância da qualidade da água
para consumo humano em Salvador, Estado da Bahia.
Ana Maria Santos Messeder de Castro
Tabela 3 - Distribuição de amostras segundo análise de controle para
coliformes totais na entrada da rede de água, por meses do ano, em Salvador,
Bahia, 2002.

Meses Nº Amostras Fora Padrão %


Janeiro 89 1 1,12
Fevereiro 79 0 -
Março 105 51 48,57
Abril 89 0 -
Maio 87 1 1,15
Junho 62 2 3,23
Julho 86 0 -
Agosto 74 0 -
Setembro 56 0 -
Outubro 93 0 -
Novembro 81 0 -
Dezembro 85 1 1,17
Total 986 56 5,68
Fonte: SISAGUA, 2002.

Tabela 4 – Distribuição de amostras segundo análise de controle para


coliformes na rede de distribuição de água, por meses do ano, em Salvador,
Bahia, 2002.

Meses Nº de Coli % Termotolerantes % Mais de %


Amostras Total 3ColiTotal
janeiro 627 58 9,25 0 - 50 7,97
fevereiro 485 15 3,09 0 - 11 2,27
março 537 27 5,03 0 - 23 4,28
abril 533 18 3,38 0 - 14 2,63
maio 598 39 6,52 0 - 30 5,02
junho 543 20 3,68 1 0,18 0 0,00
julho 698 33 4,73 1 0,14 14 2,00
agosto 693 37 5,34 2 0,29 26 3,75
setembro 569 29 5,10 0 - 18 3,16
outubro 526 28 5,32 1 0,19 19 3,61
novembro 431 13 3,02 0 - 11 2,55
dezembro 454 20 4,40 0 - 10 2,20
Total 6694 337 5,03 5 0,07 226 3,38
Fonte: SISAGUA, 2002.
291
Uma avaliação do programa de vigilância da qualidade da água
para consumo humano em Salvador, Estado da Bahia.
Ana Maria Santos Messeder de Castro
Tabela 5 –Distribuição de amostras água segundo análise de controle de flúor,
na rede de distribuição, em Salvador, Bahia, 2002.

Meses Nº Amostras Fora %


Padrão
janeiro 66 13 19,70
fevereiro 47 12 25,53
março 43 12 27,91
Abril 59 15 25,42
Maio 77 26 33,77
junho 64 40 62,50
Julho 72 40 55,55
agosto 80 37 46,25
setembro 73 29 39,73
outubro 73 25 34,25
novembro 66 29 43,94
dezembro 73 31 42,46
Total 793 309 38,96
Fonte: SISÁGUA, 2003

Tabela 6 –Distribuição de amostras de água segundo análise de vigilância do


parâmetro turbidez por meses do ano, Salvador, Bahia, 2002.

Meses Entrada da rede Rede de


Distribuição
Nº Fora Padrão % Nº Amostra Fora Padrão %
Amostra
janeiro - - - 31 1 3,2
fevereiro 2 0 0 21 0 0
março 2 0 0 32 0 0
Abril 2 0 0 48 2 4,2
Maio 2 0 0 21 0 0
Junho 3 0 0 33 1 3,1
Julho - - - 43 0 0
agosto 4 0 0 31 1 3,2
setembro 4 0 0 41 0 0
outubro 2 0 0 7 0 0
novembro - - - 29 1 3,5
dezembro 1 0 0 23 0 0
Total 22 0 0 360 6 1,7
Fonte: Secretaria de Saúde de Salvador-Ba, 2002.
292
Uma avaliação do programa de vigilância da qualidade da água
para consumo humano em Salvador, Estado da Bahia.
Ana Maria Santos Messeder de Castro
Tabela 7 –Distribuição de amostras de água segundo análise de vigilância do
parâmetro cloro residual por meses do ano, Salvador, Bahia, 2002.

Meses Entrada da Rede Rede de Distribuição


Nº Fora Padrão % Nº Amostra Fora Padrão %
Amostra
janeiro - - - 31 17 54,84
fevereiro 2 1 50 21 13 61,91
março 2 1 50 32 20 62,5
abril 2 1 50 48 30 62,5
maio 2 1 50 21 8 38,09
junho 3 1 33 31 11 35,48
julho - - - 43 6 13,95
agosto 4 1 25 31 12 38,71
setembro 4 4 100 41 26 63,41
outubro 2 1 50 7 5 71,43
novembro - - - 29 16 55,17
dezembro 2 2 100 18 10 55,56
Total 22 13 59,1 353 174 49,29
Fonte: Secretaria de Saúde de Salvador-Ba.

Tabela 8 – Distribuição de amostras de água segundo análise de vigilância


para o parâmetro Coliformes na Rede de Distribuição, por meses do ano em
Salvador, Bahia, 2002.

Meses Nºde ColiTotal % Termotolerantes %


Amostras
Janeiro 31 7 22,60 1 3,20
Fevereiro 21 7 33,30 3 14,30
Março 32 6 18,70 2 6,25
Abril 48 5 10,40 2 4,17
Maio 24 5 20,80 2 8,33
Junho 34 12 35,30 2 5,88
Julho 43 15 34,90 1 2,32
Agosto 19 1 5,30 0 -
Setembro 42 5 11,90 1 2,38
Outubro 7 0 0,00 0 -
Novembro 30 9 30,00 7 23,33
Dezembro 23 4 17,40 3 13,04
Total 354 75 21,20 24 6,80
Fonte: Secretaria de Saúde de Salvador, 2002.
293
Uma avaliação do programa de vigilância da qualidade da água
para consumo humano em Salvador, Estado da Bahia.
Ana Maria Santos Messeder de Castro
Gráfico 1 – Distribuição do número de domicílios com intermitência na
distribuição da rede de abastecimento de água por meses do ano em Salvador,
Bahia, 2002.

Distribuição dos Do m icílios com Intermitência.

50.000
45.000
40.000
35.000
3 0.000
25.000
20.000
15.000
10.000
5.000
0
janeiro março maio julho setembro novembro

FONTE: SISAGUA, 2002.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BASTOS, R. K. X.; BEVILACQUA, P.D.; NASCIMENTO, L. E. do; et al. Porto


Alegre: Anais do Congresso Interamericano de Engenharia Sanitária e
Ambiental, 2000, p27.
FREITAS, V.P.S.; BRÍGIDO, B. M. ; BADOLATO,M.I.C.; et al. Padrão físico-
químico da água de abastecimento público da região de Campinas.
Rev. Inst. Adolfo Lutz, 61(1):51-58, 2002.
FUNASA.(2001). Fundação Nacional de Saúde. Vigilância e Controle da
Qualidade da Água para Consumo Humano. Brasília, Maio de 2001,
185p.
FUNASA. (2002).Fundação Nacional de Saúde. Vigilância Ambiental em
Saúde. Brasília, Outubro de 2002, 44p.
IBGE.(2002). Pesquisa Censitária – Censo. Ano 2000. Internet.
www.ibge.gov.br, out/2003
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Estabelece os procedimentos e
responsabilidades relativas ao controle e vigilância da qualidade da
294
Uma avaliação do programa de vigilância da qualidade da água
para consumo humano em Salvador, Estado da Bahia.
Ana Maria Santos Messeder de Castro
água para consumo humano e seu padrão de potabilidade, e dá
outras providências. Portaria nº 1469 de 29 de dezembro de 2000.
Diário Oficial, Brasília, 22 fev. 2001.Seção 1.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sistema de Informações de Vigilância da
Qualidade da Água para Consumo Humano. Brasília, maio de 2003,
103 p.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Programa Nacional de Vigilância Ambiental em
Saúde Relacionada a Qualidade da Água para Consumo Humano.
Brasília, junho de 2003, 39 p.
MINISTÉRIO DA SAÚDE, BRASIL. Portaria nº 36, de 19 de janeiro de 1990, do
Ministério da Saúde. Normas e padrões de potabilidade de água
destinada ao consumo humano. Brasília - DF, 1990.
MORAES, D.S.L.; JORDÃO, B.Q. (2002). Degradação de Recursos Hídricos
e seus Efeitos sobre a Saúde Humana. Revista de saúde Pública. v 36,
n 3, São Paulo, jun. 2002.
RATTES, M.; Cultura da abundância, o mal das águas. Informe Publicitário
Águas do Brasil, Poços de Caldas, junho de 2003.
SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DA BAHIA.(2002). Manual do Eixo
Programático Vigilância Sanitária da Programação Pactuada
Integrada Pacto da Atenção Básica. Salvador, 2002, 12 p.
VON SCHIRNDING, Y.E.R. Indicadores para o Estabelecimento de
Políticas e a Tomada de Decisão em Saúde Ambiental. Minuta para
Discussão na Oficina de Indicadores de Saúde e Monitoramento
Ambiental. Organizado e coordenado pelo CENEPI/FUNASA e OPAS, Rio
de Janeiro – Genebra, agosto de 1998, 97 p.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
NÚCLEO DE ESTUDOS DE SAÚDE COLETIVA
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

PADRÃO DE POTABILIDADE DA ÁGUA PARA CONSUMO HUMANO, NA


ÁREA DE ABRANGÊNCIA DA 6ª REGIONAL DE SAÚDE:
Áreas urbanas do município de Itacaré.

Núbia Regina Silva Santos

Adaptação da Monografia apresentada ao


Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva
como pré-requisito para a obtenção do
Titulo de Especialista em Vigilância
Ambiental em Saúde

- 2003 -
RESUMO

A saúde e a doença são processos dinâmicos, estando o homem interagindo


com as forças biológicas, físicas, mentais e sociais que tendem a ameaçar o
equilíbrio do seu estado de saúde. As condições ambientais adversas, assim como
a degradação do meio ambiente, contribuem para ocorrências de doenças e mortes
prematuras de milhões de pessoas.

Os problemas de poluição dos mananciais nos centros urbanos, já atingem


níveis de preocupação, exigindo maior controle dos despejos como também
tecnologia mais adequada para tratamento e recuperação das águas poluídas.

Do ponto de vista de saúde pública, o problema mais sério, referente à


poluição dos recursos hídricos, está associado as águas peridomiciliares poluídas
por dejetos humanos lançados diretamente ao solo ou através de descargas e
esgotos, causando grande número de doenças como as verminoses.

O objetivo principal desse trabalho foi o de realizar um diagnóstico do padrão


de potabilidade da água consumida por populações no contexto regional urbano,
propondo um controle de vigilância efetiva junto à comunidade consumidora do
produto, como também sensibilizar e conscientizar os gestores de saúde pública a
promover ações que visem mitigar a relação dos processos produtivos do homem
com o meio ambiente, através do exercício da cidadania. Além disso, visou realizar
um levantamento, disponibilidade e caracterização desses recursos hídricos, como
também traçar um perfil das condições de saneamento, doenças mais prevalentes e
assistência à saúde para as comunidades em estudo.

Foram então realizadas coletas de águas consumidas por essas


comunidades, sendo que os resultados das análises não foram satisfatórios para a
água bruta e satisfatórios para a maioria da água tratada. As observações
realizadas no campo e os resultados das entrevistas semi-estruturadas, sugerem
ações imediatas de saneamento.

Palavras chaves: Água – Saneamento – Poluição da água


299
Padrão de potabilidade da água para consumo humano, na área de abrangência
da 6ª regional de saúde: Áreas urbanas do município de Itacaré.
Núbia Regina Silva Santos
INTRODUÇÃO

O Brasil dispõe de água suficiente para atender a todos, pois concentra


cerca de 12% da água doce do planeta, porém, além da distribuição ser
irregular, essas águas são também receptoras de milhões de toneladas de
dejetos humanos e outros resíduos que são lançados diariamente (CASSARO,
2003).

A falta de água tratada e saneamento associados a pobreza e a falta de


higiene, criam o ambiente propício à difusão de doenças infecto-contagiosas
(BERTOLLI Fº, 2001), provocando a morte de milhões de pessoas por ano,
principalmente crianças em países subdesenvolvidos (MACAN, MARKAR,
2003).

Em diversas localidades do país muitas comunidades tem recorrido às


fontes alternativas disponíveis no meio ambiente. São explorados poços, rios,
nascentes, água de chuva entre outros. Deve-se levar em consideração que
algumas comunidades dispõem de água tratada, porém devido a baixa renda
familiar esses recursos alternativos são também explorados para amenizar
gastos financeiros.

Muitos trabalhos envolvendo comunidades na percepção sobre o


processo saúde, doença e qualidade de vida, tem sido realizados no país,
sendo observados o envolvimento de fatores de ordem política, econômica,
sócio-cultural, como também os fatores relativos ao meio ambiente (FOOTE-
WHITE, 1990 e SANTOS, 2001).

A idéia do ambiente como elemento importante para a saúde é muito


antiga, mas do ponto de vista técnico-científico, só recentemente tem merecido
maior precisão em termos de conceitos e metodologias (FUNASA/CBVA,
2003).

Autoridades e Ongs de diversos países preocupados com os problemas


ambientais no planeta realizaram encontros internacionais para discutir sobre
a situação do meio ambiente no mundo, gerando assim documentos e
300
Padrão de potabilidade da água para consumo humano, na área de abrangência
da 6ª regional de saúde: Áreas urbanas do município de Itacaré.
Núbia Regina Silva Santos
propostas importantes que evidenciam a conservação e proteção da saúde e
do ambiente (OPAS/OMS, 1999; MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2002 b).

Esse processo que envolve degradação ambiental, saúde e doença,


possibilitou o surgimento do campo multidisciplinar denominado “saúde
ambiental” (FUNASA/CBVA, 2003; FUNASA/CGVAM, 2002). Surge então o
Sistema de Vigilância Ambiental em Saúde que define as bases para
implementação da vigilância ambiental em saúde no país (MINISTÉRIO DA
SAÚDE, 2002 a; BRASIL, 199; FUNASA/CGVAM, 2002).

Algumas considerações são relevantes para adoção de um modelo de


vigilância à saúde. Além dos riscos ambientais, deve-se levar em consideração
o contexto onde se processa as relações do homem com a natureza.

As avaliações de risco incluindo dados qualitativos são requeridos para


abordar o sistema. O princípio da precaução é outro conceito que deve servir
de guia para a ação em vigilância ambiental, o que quer dizer que doenças e
desastres ou acidentes devem ser antecipados pelo reconhecimento anterior
dos riscos e dos contextos nocivos à saúde (AUGUSTO & FREITAS, 1998).

Deve-se levar em consideração que nesse contexto a Saúde Coletiva


tem grande relevância para a compreensão da saúde de forma mais ampla
(TAMBELINE & CÂMARA, 1988).

A partir da Portaria nº 125/1999, de 14 de fevereiro de 1999 e da


Portaria nº 1.399/1999, a qual regulamenta a área da Epidemiologia e controle
de doenças determina a necessidade de uma programação Pactuada Integrada
(PPI). São lançadas as bases para uma real estruturação da vigilância
ambiental no País (BRASIL, 1999).

No âmbito da vigilância da qualidade da água para consumo humano, a


PPI-ECD cumpre papel de instrumento técnico, aprovado pelas Comissões
Intergestores Bipartide (CIB) de cada estado, na qual são definidas as
atividades e metas a serem cumpridas para fortalecer o Sistema Nacional de
Vigilância Epidemiológica e Ambiental em Saúde (MINISTÉRIO DA SAÚDE,
2002 a).
301
Padrão de potabilidade da água para consumo humano, na área de abrangência
da 6ª regional de saúde: Áreas urbanas do município de Itacaré.
Núbia Regina Silva Santos
A água, este recurso natural de grande relevância para manutenção da
vida, pode afetar a saúde do homem se esta estiver poluída por produtos
químicos radioativos, geralmente efluentes de esgotos industriais, ou se estiver
contaminada por agentes biológicos ou através de contato direto, ou por meio
de insetos vetores que necessitam da água em seu ciclo biológico
(MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1994).

No estágio atual de conhecimento sobre microbiologia sanitária e a


epidemiologia, tornar-se redundante reafirmar a importância da veiculação hídrica
de diversos patógenos (bactérias, vírus, protozoários e helmintos) e a transmissão
fecal-oral de doenças associadas ao consumo de água (BASTOS, 2002).

As bactérias patógenas encontradas nas águas contaminadas, como


também nos alimentos, constituem uma das principais fontes de morbidade em
nosso meio e são as responsáveis pelos numerosos casos de enterites, diarréias
infantis e doenças epidêmicas, como a febre tifóide e o cólera, apresentando
resultados frequentemente letais (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1994;
ROUQUAYROL, 1999; ROITMAN, 1988). Os lactentes, as crianças, os anciãos e
as pessoas debilitadas ou que vivem em condições anti-higiênicas, são os mais
expostos às enfermidades transmitidas pela água (MARTINS VIEIRA, 1999).

A água apresenta características físicas e biológicas. Segundo BASTOS


(2002), as principais características físicas envolvem aspectos mais de ordem
estética e psicológica, guardando pouca relação com a segurança sanitária. A
turbidez é um indicador de natureza sanitária e não meramente estética.

A característica biológica dar-se pela presença de microorganismos. Não


é fácil localizar na água todas e cada um dos patógenos microbianos possíveis.
Um método mais lógico é detectar organismos normalmente presentes nas
fezes dos seres humanos e outros animais de sangue quente, que serão
utilizados como indicadores da contaminação fecal e da eficiência do
tratamento e desinfecção da água (MARTINS VIEIRA, 1999).

A adição de cloro na água tem finalidade sanitária, pois elimina


microorganismos presentes na mesma (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2002 a).
302
Padrão de potabilidade da água para consumo humano, na área de abrangência
da 6ª regional de saúde: Áreas urbanas do município de Itacaré.
Núbia Regina Silva Santos
A Portaria MS nº 1.469/2001 estabelece procedimentos e responsabilidades
quanto ao controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano.

O controle da qualidade da água, que deve ser exercido pela entidade


responsável pela operação do Sistema de Abastecimento de Água, quanto à
sua vigilância por meio dos órgãos de saúde pública (BRASIL, 2001), são
instrumentos essenciais para a garantia da proteção à saúde dos
consumidores.

Localizado no Sul da Bahia, o município de Itacaré apresenta um cenário


exuberante de belezas naturais, representado por praias, rios, cachoeiras e
florestas. Esse município comporta uma população um tanto heterogênea,
devido a inserção de pessoas vindas de outros estados do Brasil e de outros
países, atraídas pela sua exuberância natural.

Essa pesquisa objetiva registrar um diagnóstico do padrão de


potabilidade de águas consumidas por populações humanas no contexto
urbano regional, em conformidade com a Portaria nº 1.467 do Ministério da
Saúde, de 29 de dezembro de 2000 e republicada no Diário Oficial de 22 de
fevereiro de 2001 (Anexo I), (BRASIL, 2001), considerando a realização de
coletas de água em sistemas e soluções ou fontes alternativas de uso coletivo
para fins de realização de análises físico-química e microbiológica, como
também objetiva realizar um levantamento, disponibilidade e caracterização
desses referidos recursos e por fim traçar um perfil das condições de
saneamento, doenças mais ocorrentes e assistência à saúde, para
comunidades localizadas em áreas urbanas (sede, distritos e povoados) no
município de Itacaré, área de abrangência da 6ª Regional de Saúde.

METODOLOGIA

Realizou-se levantamento de dados junto à 6ª Diretoria Regional de


Saúde sobre o Programa de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo
Humano, como também sobre outros programas pertinentes à saúde que foram
objetos para a escolha do município de Itacaré para aplicação da pesquisa.
303
Padrão de potabilidade da água para consumo humano, na área de abrangência
da 6ª regional de saúde: Áreas urbanas do município de Itacaré.
Núbia Regina Silva Santos
Ainda baseando-se nesses dados, decidiu-se trabalhar com todas as fontes
alternativas coletivas, sistemas de abastecimento e com todos os pontos de
coleta de água da rede de distribuição da prestadora local, que realiza
tratamento da água, disponível na área urbana do município. Foram coletadas
amostras de águas brutas e tratadas para realização de análises físico-química
e microbiológica nos seguintes pontos: fontes alternativas da sede, distrito e
povoados; no sistema de abastecimento do distrito e em todos os pontos da
rede de distribuição do sistema de abastecimento da sede.

As análises foram realizadas nos laboratórios de análises de água da 6ª


Dires em Ilhéus. Durante o desenvolvimento da pesquisa foram observadas as
condições de saneamento do município como: disposição do lixo, tipo de
esgotamento sanitário, disposição das fontes alternativas coletivas como
também disposição da rede de distribuição e tratamento da água. Observou-se
ainda condições de moradia, assistência à saúde e doenças que mais
acometem a população. Realizou-se também entrevistas semi-estruturadas
com representantes de instituições públicas locais e regionais como também a
realização de observação participante junto à comunidade da sede, do distrito e
dos povoados do município.

RESULTADOS

Foram realizadas 25 coletas de água, sendo 18 destas provenientes de


sistemas de abastecimento e 7 de fontes alternativas coletivas, distribuídas
entre a sede, distrito de Taboquinhas e povoados da Rua da Palha e Água Fria
do município de Itacaré (Quadros 1, 2, 3 e 4).

Observou-se e constatou-se que apenas na sede do município do


município há disponibilidade de água tratada, fornecida pela prestadora local, a
EMBASA.

No distrito e povoados, como também em alguns locais da sede, a


população consome água bruta proveniente de poços, rio e nascente.
304
Padrão de potabilidade da água para consumo humano, na área de abrangência
da 6ª regional de saúde: Áreas urbanas do município de Itacaré.
Núbia Regina Silva Santos
Na sede do município de Itacaré, coletou-se amostras de água tratada,
para fins de realização de análises físico-química e microbiológica, em 17
pontos da rede de distribuição da prestadora local, a EMBASA. Desse total, 16
amostras atenderam aos padrões de potabilidade estabelecidos pela Portaria
MS nº 1.469/2001, enquanto que apenas uma amostra não atendeu aos
padrões de potabilidade devido a cor aparente que acusou 60 uH. Ainda na
sede constatou-se duas fontes alternativas coletivas exploradas pela população
local. A Fonte da Bica e a Fonte do Miranda são dois braços (cursos dágua)
originários de uma mesma nascente. Essa água é consumida de forma bruta,
sendo que algumas poucas famílias costumam filtra-las em suas residências.
As amostras realizadas nessas fontes não atenderam aos padrões de
potabilidade, pois além da ausência de cloro apresentaram coliformes total e
fecal.

No distrito de Taboquinhas constatou-se a presença de um Sistema de


Abastecimento de água, mantido pela Prefeitura do Município, porém não há
realização de tratamento nessa água sendo fornecida a população de forma
bruta. A vazão é realizada de um dos principais rios do município. Além da
ausência do cloro, essa água apresentou coliformes totais e fecais.

Constataram-se ainda as instalações de um chafariz que também


apresentou ausência de cloro e presença de coliformes fecais e totais, e de um
poço denominado de “Fonte da Rua Nova” que apresentou na água as
mesmas características do chafariz, exceto pela ausência de coliforme fecal.

Nesse distrito, apenas o sistema apresentou para a cor aparente 50 uH,


enquanto que as demais fontes alternativas apresentaram 0 uH.

No povoado da Rua da Palha constatou-se a presença de dois poços


rasos: a Cisterna da Rua da Palha e a Cacimba do Edízio e no povoado de
Água Fria constatou-se um outro poço denominado “Fonte do Bonga”. As
amostras de água dessas fontes alternativas, após análises, acusaram a
ausência de cloro e a presença de coliformes totais e fecais, exceto para a
Fonte do Bonga que apresentou a ausência de coliforme fecal. Essas águas
ainda apresentaram 0 uH para cor aparente.
305
Padrão de potabilidade da água para consumo humano, na área de abrangência
da 6ª regional de saúde: Áreas urbanas do município de Itacaré.
Núbia Regina Silva Santos
Durante realização de visitas nos locais da pesquisa, observou-se que
cada comunidade tem seus próprios conceitos sobre a água ideal para o
consumo humano, saúde e doença.

Segundo o coordenador de saúde do município as atividades de VISA


ainda está restrita as inspeções, realização de cadastros de estabelecimentos
comerciais e apuração de denúncias, devido a sua recente inserção no
município. O cronograma de coleta de água não está sendo cumprido
regularmente por motivos diversos e ainda não foi possível implantar o
programa de vigilância da mesma.

As residências dos municípios de Itacaré são servidas em sua maioria


por fossas. Em algumas situações os dejetos orgânicos são lançados
diretamente na superfície do solo e em valas através de sanitários suspensos.

A assistência básica à saúde é precária, principalmente nos distrito e


povoados.

Não há atuação efetiva do PACS e da VISA com relação as atividades


de água. Apenas a coleta é realizada.

As doenças notificadas que mais ocorrem no município são as


verminoses, principalmente amebíase e ascaridíase, diarréias, dengue e DST.
Exceto esta última citada, as demais são consideradas doenças por veiculação
hídrica.

DISCUSSÃO

O município dispõe em abundância, de recursos hídricos como


nascentes, rios e provavelmente um lençol freático de grande extensão, pois
observou-se que a menos de 2 metros de profundidade do solo, em diversas
localidades do município têm-se água. No entanto, a falta de uma política
direcionada ao setor saúde-saneamento, particularmente no distrito e
povoados, como também no bairro Santo Antônio, pode vir ocasionar surtos de
doenças de veiculação hídrica como, por exemplo, cólera e salmoneloses. É
306
Padrão de potabilidade da água para consumo humano, na área de abrangência
da 6ª regional de saúde: Áreas urbanas do município de Itacaré.
Núbia Regina Silva Santos
necessário a percepção dos responsáveis pelo serviço de saúde para
aplicabilidade do princípio de precaução com realização de métodos e medidas
mitigadoras para conter a tempo a possível ocorrência de acidentes, surtos de
doenças e outras gravidades nessas comunidades.

No contexto do processo saúde-doença e meio ambiente, observou-se


que devido a falta de saneamento básico (destinação inadequada do lixo e
ausência de rede de esgotamento sanitário com tratamento) e a disponibilidade
e o fácil acesso aos recursos hídricos locais expostos às fontes poluidoras
diretas e indiretas, contribuem significativamente para o desencadeamento de
determinadas doenças, como por exemplo as verminoses.

Mediante resultados das análises e visitas in loco, as soluções


alternativas, mesmo que protegidas externamente, estão contaminadas por
agente microbiológicos provenientes de diversas fontes de poluição de formas
direta e indiretas: águas residuais e dejetos humanos (no caso do manancial
que abastece o chafariz); fezes de animais de sangue quente; principalmente
pássaros silvestres; a falta de cuidados de higiene, principalmente dos
vasilhames suspensos por cordas em que são coletadas essas águas, etc.

Para a maioria dos consumidores, em particular os de fontes


alternativas, a água ideal para consumo basta ser límpida como um cristal, pois
desconhecem os riscos de natureza sanitária.

Os consumidores de água tratada, no caso fornecida pela EMBASA e


por terem uma assistência à saúde mais próxima dos locais onde residem, já
conhecem os riscos de doenças em que a água pode oferecer, mesmo que
esta seja límpida e transparente.

Não é possível delimitar o grau de contaminação dessas águas, pois a


técnica utilizada para a análise microbiológica é o colilerte, no qual acusa
apenas a presença ou ausência de coliformes, não sendo possível a realização
de contagem de colônias. Porém para evitar riscos em saúde pública, o padrão
utilizado, conforme Portaria do MS nº 1.469/01, para o parâmetro coliformes,
é a ausência dos mesmos.
307
Padrão de potabilidade da água para consumo humano, na área de abrangência
da 6ª regional de saúde: Áreas urbanas do município de Itacaré.
Núbia Regina Silva Santos
A base de sustentação da vida encontra-se inserida nesse recurso
natural, a água, o qual o homem a utiliza como sua principal fonte de alimento,
de forma direta e indireta.

Foram várias as etapas que marcaram os grandes impactos ambientais:


guerras, a industrialização no final do século XIX e sua expansão tecnológica
no início do século XX, lançando efluentes químicos e gases no ambiente,
juntamente com o aumento da população, o meio ambiente sofreu agressões
de grande impacto, descaracterizando sua paisagem original e propiciando um
ambiente insalubre para as diversas formas de vida.

É importante ressaltar que o homem não pode se dar ao luxo de ocupar


o meio ambiente sem alterá-lo, mas é possível verificar o grau de intensidade
no qual este ambiente será alterado. Desta forma, as medidas mitigadoras
podem ser estudadas e aplicadas, visando impedir a destruição dos recursos
de sustentação inseridos nesse contexto.

A longo prazo, a humanidade deverá encontrar um meio de convivência


num equilíbrio dinâmico com a sua única fonte de poder: a natureza.
308
Padrão de potabilidade da água para consumo humano, na área de abrangência
da 6ª regional de saúde: Áreas urbanas do município de Itacaré.
Núbia Regina Silva Santos
REFERÊNCIAS

AUGUSTO, L.G.S.; FREITAS, C.M. O princípio da precaução no uso de


indicadores de riscos químicos ambientais em saúde do trabalhador.
Ciência&Saúde, v.3, n.2, p.85-95, 1998.

BASTOS, R.F. Análises físico-química e microbiológica de água. Apostila do


curso para treinamento em análises de água. Salvador. LACEN/COPRAM,
2002, 161p.

BERTOLLI, C. História da saúde pública no Brasil. São Paulo: Editora Ática,


2001, 180p.: il.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n. 1.399, de 15 de dezembro de 1999.


Regulamenta a NOB SUS 01/96 no que se refere às competências da
União, estados e municípios e Distrito Federal, na área de epidemiologia e
controle de doenças, define a sistemática de financiamento e dá outras
providências. Diário Oficial da União, Brasília, s/d. 1999.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.469, de 22 de fevereiro de 2001.


Estabelece os procedimentos e responsabilidades relativos ao controle e
vigilância da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade, e
dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, n. 38, p.39,
22 fev. 2001 – Seção I.

CASSARO, R. 2003 ano da água doce. Ecologia e Desenvolvimento, Ano 12,


n. 106, p.28, fev/mar/abr.2003.

FOOTE-WHYTE, W. Treinando a observação participante. In: GUIMARÃES,


Alba Zanar (Org.). Desvendando máscaras sociais, 3. Ed. Rio de
Janeiro: Francisco Alves, 1990. P. 77-86.

FUNASA/CGVAM. Vigilância e controle da qualidade de água para consumo


humano. Brasília: FUNASA/CENEPI/CGVAM, 2002. 187p. (CBVA-Curso
Básico de vigilância Ambiental em Saúde).

FUNASA/CGVAM. Introdução e saúde, ambiente e desenvolvimento. Brasília:


FUNASA/CENEPI/CGVAM, 2003. 264P. (CBVA-Curso Básico de
Vigilância Ambiental em Saúde, Módulo I).

MACAN-MARKAR, M. Acordo para a privatização. Ecologia e


Desenvolvimento, Ano 12, n.106, p. 18-20, fev/mar/abr. 2003.

MARTINS VIEIRA, M.B.C. Controle microbiológico da água. In: COUTO, R.C.;


PEDROSA, T.M.G.; NOGUEIRA, J.M. Infecção hospitalar –
epidemiologia, controle, gestão para a qualidade. 2 ed. Belo Horizonte:
Medsi, 1999, p.627-638.
309
Padrão de potabilidade da água para consumo humano, na área de abrangência
da 6ª regional de saúde: Áreas urbanas do município de Itacaré.
Núbia Regina Silva Santos

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Vigilância ambiental em saúde. Brasília: FUNASA,


2002. 44p. (Série vigilância Ambiental em Saúde). 2002 a.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Textos de epidemiologa para vigilância ambiental em


saúde. Brasília: FUNASA, 2002. 131p. 2002b.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Saneamento. Brasília: FNS/DEOPE, 1994. 256p.


(Manual de Saneamento).

OPAS/OMS. Atenção primária ambiental. Washington, D.C.: OPAS / BRA /


HEP / 001 / 99, 1999.60 p. (Divisão de Saúde e ambiente e Programa de
Qualidade Ambiental).

ROITMAN, I.; TRAVASSOS, L.R.; AZEVEDO, J.L. Tratado de microbiologia:


microorganismos patogénicos em alimentos. São Paulo: v.I. p.30-68, 1988.

ROUQUAYROL, M.Z.; VERAS, F.M.F.; FAÇANHA, M.C. Doenças


transmissíveis e modos de transmissão. In: ROUQUAYROL, M.Z.;
ALMEIDA FILHO, N. Epidemiologia e saúde. 5. ed. Rio de Janeiro:
Medsi, 1999. P. 215-269.

SANTOS, N.R.S. Uso popular de plantas medicinais na região cacaueira da


Bahia. Bairro de São Miguel, Ilhéus. 2001. 132 p. Dissertação (Mestrado
em Desenvolvimento Regional e Meio Ambiente) – Núcleo de Pesquisa e
Pós-graduação, Universidade Estadual de Santa Cruz, Ilhéus-Ba.

TAMBELLINI, A. T.; CÂMARA, V. M. A temática saúde e ambiente no processo


de desenvolvimento do campo de saúde coletiva: aspectos históricos,
conceituais e metodológicas. Ciência & Saúde Coletiva, v.3, n.2, p.47-59,
abr/jun. 1998.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
NÚCLEO DE ESTUDOS DE SAÚDE COLETIVA
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

A FLUORETAÇÃO EM ÁGUA DE ABASTECIMENTO PÚBLICO NO


MUNICÍPIO DE SALVADOR.

Cristina Maria Mota Gesteira

Adaptação da Monografia apresentada ao


Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva
como pré-requisito para a obtenção do
Titulo de Especialista em Vigilância
Ambiental em Saúde

- 2003 -
RESUMO

A fluoretação da água de abastecimento público tem sido considerada


como método mais efetivo e econômico para prevenção da cárie dentária, fato
reconhecido cientificamente. Mas para tal, a taxa de flúor na água deve ser
rigorosamente avaliada, pois a baixa concentração desse íon torna sua
aplicação ineficaz. Por outro lado sua superdosagem pode causar fluorose
dentária em crianças de 0 a 6 anos. Desta forma, o objetivo do presente estudo
foi analisar a situação da fluoretação da água de abastecimento no município
de Salvador, Bahia, verificando se os teores de flúor na água de abastecimento
situam-se acima, abaixo ou na concentração recomendada.

Embora os responsáveis pelas ETA’s que abastecem o município de


Salvador, tenham afirmado que o processo de controle da fluoretação da água
era rigoroso e seguia a legislação brasileira, observou-se que 63% das
amostras encontravam-se inadequadas, considerando-se os riscos /benefícios
da fluoretação da água.

Palavras-chave: Flúor; Fluoretação da água; Heterocontrole; Vigilância da


fluoretação.
314

INTRODUÇÃO

A magnitude do problema da cárie dental demanda, sem dúvida, ampla


utilização de medidas preventivas de alcance coletivo. Dentre os meios de
combate à cárie, a fluoretação das águas de abastecimento público tem
destaque merecido, seu reduzido custo, a comprovada eficácia, a segurança
que oferece e aplicabilidade a grandes grupos populacionais possibilitaram a
sua utilização como uma excelente estratégia no campo da saúde pública.

Na Odontologia, a cárie é considerada, mundialmente, como o principal


problema de saúde pública. Apesar de existirem meios de atuação eficientes
para evitá-la a custo per capita relativamente baixo, atinge todos os países do
mundo, afetando em alguns deles mais de 90% da população, embora com
diferentes perfis de morbidade. Entre as suas conseqüências podem ser
citadas: o dano causado pela perda das unidades dentais, resultando em
insuficiência mastigatória; as alterações na estética facial como causa indireta
de doenças periodontal e maloclusões, que podem interferir diretamente na
formação da personalidade por afetar a auto-estima principalmente dos grupos
mais jovens da população (Chaves, 1986).

Cinqüenta anos depois da primeira fluoretação do Brasil e passados 30


anos desde que uma lei que torna obrigatória a adição de flúor à água de
consumo, 60% dos municípios brasileiros ainda não tem água fluoretada
consumida por sua população. Essa substância tem potencialidade para
reduzir em 60% os índices de dentes cariados, perdidos e obturados (Folha
São Paulo -Folha Cotidiano -Página C 1 - 20/10/2003).

Segundo avaliação preliminar do Ministério da Saúde, a cobertura


populacional da fluoretação da água não passa de 70 milhões de pessoas
(56,4% da população do país). Nenhum morador do Acre, do Amazonas, do
maranhão, da Paraíba e do Rio Grande do Norte teve acesso a esse benefício
até hoje.
315

Tão importante quanto garantir a implantação desta medida é o seu


controle. Os teores de flúor têm que estar dentro de limites pré-estabelecidos
para que esteja assegurada a efetividade e a segurança do método. Disto
depreende-se a necessidade de ações que acompanhem a execução da
medida.

Em face desta realidade, o presente trabalho é uma iniciativa que aborda


os dois aspectos da questão: técnico e o político. A dimensão técnica é
contemplada pela coleta dos teores de flúor na água de abastecimento público
do município de Salvador através de métodos solidamente amparados na
literatura disponível. O âmbito político reside na decisão de estimular o sistema
de saúde a encampar as atividades de vigilância sanitária e ambiental,
cumprindo assim sua missão.

A prevenção da doença dentária pode ser feita pelo controle da placa


dental (higiene oral), o consumo de carboidratos (dieta) e pelo uso racional do
flúor, tendo em vista os fatores relacionados com as dificuldades do sucesso
absoluto das duas medidas o uso racional é imprescindível como meio
complementar para êxito no combate da cárie dental (CURY,1989).

A fluoretação da água de abastecimento público tem sido considerada


como o método mais efetivo e econômico para prevenção da cárie dentária,
fato reconhecido cientificamente. Mas para tal, a taxa de flúor na água deve ser
rigorosamente avaliada, pois a baixa concentração desse íon torna sua
aplicação ineficaz. Por outro lado, sua superdosagem pode causar fluorose
dentária em crianças de 0 à 6 anos. Desta forma, o objetivo do presente estudo
foi analisar a situação da fluoretação da água de abastecimento na cidade de
Salvador, verificando se os teores de flúor na água de consumo público situam-
se acima, ou abaixo ou na concentração recomendada, bem como identificar o
mecanismo de controle operacional executado na ETA (Estação de Tratamento
de Água).

A obrigatoriedade da fluoretação de águas de abastecimento imposta


pela Lei 6.050 de 24/05/74 e Decreto 76.872 de 21/12/75, tem sido uma
medida de saúde polêmica. Defendida por aqueles que vêem como mais uma
316

opção de enfrentamento do problema de alta ocorrência da cárie dentária no


país, é contestada por outros que destacam os seus efeitos prejudiciais à
saúde, como a fluorose dentária ou outras doenças que podem estar
associadas com disponibilidade em excesso de íons de flúor no corpo humano.

A grande maioria dos trabalhos científicos elege a fluoretação das águas


como a medida preventiva de alcance coletivo de maior impacto para controle e
prevenção da cárie dentária. Este método ocupa espaço privilegiado
principalmente, em cidades onde os programas de saúde bucal coletiva não
são efetivos, possibilitando uma redução em torno de 60% na prevalência de
cárie, e as pessoas recebem, permanentemente concentração “ótima” (0,6 a
0,8 ppm de flúor na água).

Caracterização do município de Salvador

Incluída na Região Nordeste do Brasil, situada a 38º 31’ de longitude


oeste de Greenwich e 13º 00’ de latitude sul. Possui uma forma ligeiramente
triangular, com a sua base voltada para o norte e o vértice para o sul, onde se
localiza a entrada da Baia de Todos os Santos. O clima predominante é o
quente úmido, com regime climático tropical moderado e chuvas acentuadas no
outono e no inverno (abril a julho). As temperaturas absolutas variam entre 17º
e 35 º C sendo a média das máximas de 28º C e a média das mínimas 22º C.

REVISÃO DA LITERATURA

No início do século XX cárie dentária era um problema de saúde pública,


na maior parte do planeta. As populações conviviam com infecções, dor,
sofrimento e mutilação. É uma doença multifatorial que possui diversos modos
de prevenção. Dentre essas medidas, em populações onde as condições de
higiene oral causem alta prevalência de lesões cariosas, a fluoretação artificial
da água, como citado anteriormente, é medida importante para interferir nos
processos dinâmicos de desenvolvimento e progressão da cárie (Murray, 1992;
Pinto, 1990; Thylstrup et al, 1995).
317

Mc Kay foi o primeiro a relacionar o flúor à cárie dentária ao observar


que, em Colorado Springs, a maioria das crianças apresentava esmaltes
manchados (mottled enamel) e muito baixa prevalência de cárie. Observou que
as crianças de outras áreas não apresentavam dentes manchados, mas nelas,
a prevalência de cárie era tão alta quanto em outras áreas dos Estados Unidos.
Analisando as condições climáticas e os hábitos alimentares como as razões
dessa diferença, percebeu que a água ingerida por ambos os grupos era a
única diferença entre eles. Aventou a hipótese de que algum elemento químico
existente na água seria responsável pela diferença (Mc Kay & Black, 1916;
Mc.Kay, 1928). A formulação dessa hipótese fez com que se iniciassem
estudos sobre a água em algumas localidades onde a população apresentava
dentes manchados.

Churchill (1931), pesquisando a água de Bauxita, Arkansas, através de


exames espectrográficos, detectou 13,7 ppm de flúor. Chamou-lhe atenção o
fato da população ter passado a partir de 1909, a ser abastecida com água de
um poço profundo recém-perfurado, e as crianças, desde então, apresentaram
dentes manchados. Novas investigações levaram a estabelecer uma
concentração de flúor nas águas que fosse capaz de produzir o máximo
benefício da prevenção de cáries e o mínimo tolerável de fluorose dentária nas
populações expostas.

Dean (1938), que propôs a denominação “fluorose dentária” para os


dentes manchados, chega ao valor de 1ppm, admitindo pequenas variações
associados às características ambientais, sobretudo à temperatura. Neste
estudo, comparou dados secundários sobre prevalência de fluorose dentária
em 26 estados e a relação flúor – cárie - fluorose em 21 estados dos EUA.
Com bases nestes estudos científicos, a tese de que adequadas concentrações
de flúor na água (0,7ppm., p.ex., na maioria do território brasileiro) são capazes
de reduzir a prevalência de cárie em aproximadamente 60%. Esse poder
preventivo do flúor seria confirmado em centenas de estudos realizados em
todo o mundo (Chaves, 1977).
318

O significado dessa descoberta levou Cox (1939) a propor que a


American Dental Association (ADA) recomendasse oficialmente a fluoretação
da água. Isso viria a ocorrer em 1950, quando já estavam bem consolidados os
resultados das primeiras experiências de fluoretação controlada (ADA, 1951). A
Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização Pan Americana da
Saúde (OPAS), o Ministério da Saúde e todas as entidades nacionais
representativas da área odontológica no Brasil recomendam a fluoretação das
águas de abastecimento público nos locais onde há indicação técnica para
aplicar a medida (Viegas, 1989). Segundo o Ministério da Saúde brasileiro a
medida é recomendada por mais de 150 organizações de ciência e saúde,
incluindo, entre outros, a Federação Dentária Internacional e a Associação
Internacional de Pesquisa Odontológica.

O programa de flouretação da água tem sido, então, implementado em


aproximadamente 39 países, atingindo mais de 200 milhões de pessoas.
Acrescente-se a isto um adicional estimado de outros 40 milhões que ingerem
água naturalmente fluoretada (Ministério da Saúde, 1999). No mundo científico,
criou-se uma grande polêmica da utilização da fluoretação das águas de
abastecimento público como método de prevenção da cárie dental. Em
verdade, uso de qualquer substância, mesmo em benefício da saúde
comunitária, sempre gerou controvérsia.

Epidemiologia e Patogenia da Cárie Dental

A cárie dentária é uma doença que acompanha a humanidade ao longo


de sua história, mas com notáveis mudanças em sua ocorrência no último
século. Acompanhando a industrialização, a doença cresceu em prevalência,
afetando praticamente todas as pessoas nas populações relacionadas, e se
tornou um problema de saúde pública no final do século XIX, quando novas
tecnologias proporcionaram a produção de grandes quantidades de açúcar
refinado (Buischi, 1996; Bratthall et al., 1996). O processo cárie afeta mais de
95% da população brasileira, deteriora a qualidade de vida de muitas pessoas,
provocando dor e infecções que, sem tratamento podem agravar outras
319

doenças gerais. Além disso, introduzem uma pesada carga financeira nos
serviços públicos e privados de saúde.

A cárie dental é uma doença infecciosa que resulta na dissolução e


destruição dos tecidos calcificados dos dentes. É caracterizada por uma
desmineralização da porção orgânica, resultando na desnaturação do
colágeno. Ocorre quando há um desequilíbrio do processo dinâmico entre a
estrutura dental e o seu meio ambiente, culminando numa desmineralização
por ácidos orgânicos provenientes da metabolização dos carboidratos pelas
bactérias (Garrone Neto Narciso, 2003).

A instalação da cárie dental se inicia quando os microorganismos


causadores desta patologia colonizam a superfície dentária através da
adsorção às proteínas salivares. Sob condições biológicas favoráveis, estas
bactérias fermentam açúcares e produzem ácidos, capazes de desmineralizar
o esmalte dentário subjacente (Newbrun, 1990; Trystrup, 1998; Pinto, 1992).

A cárie é uma doença transmissível e multifatorial. A sua instalação


depende da presença de três fatores essências ou determinantes que,
interagindo entre si serão capazes de provocar um desequilíbrio no meio bucal,
criando condições favoráveis para o seu aparecimento. Tais fatores são
representados por hospedeiro suscetível, dieta e microbiota, que são definidas
como: o próprio paciente; dieta cariogênica, rica em carboidratos refinados,
principalmente a sacarose e Streptococcus mutans e Lactobacillus. A ação
conjunta desses fatores, ao longo de um determinado tempo, que pode durar
meses ou anos, resulta na cárie. Sem interação desses fatores, a cárie não se
desenvolve. O tempo, saliva, a presença de flúor e a higiene bucal são fatores
modificadores, capazes de dificultar a interação dos fatores essenciais.
(http://www.odontoinfantil.com.br//Artigos% acesso em 25/09/2003).

Flúor e Flouretos

O Flúor é um elemento químico representado pelo símbolo F,


descoberto e isolado por Henry Moissan em 1886. Seu estado natural é gás e
possui grande potência de reatividade química, motivo pelo qual não é
320

encontrado livre na natureza. Ele está sempre associado a outros elementos


químicos compondo inúmeros compostos, solventes ou insolúveis (Buendia,
1996).

O Flúor ou Fluoreto é o 13ºelemento mais abundante na natureza - e,


também, o mais eletronegativo dos halogênicos, grupo que inclui ainda o cloro,
o bromo e o iodo. Com grande capacidade de reagir com outros elementos
químicos e formar compostos orgânicos e inorgânicos, o flúor está presente no
ar, no solo e nas águas. http//(www.terra.pt/bilened/2104/flu car.htm, acesso
em: 26 set. 2003).

O flúor possui uma função chave na prevenção e controle das cáries


dentárias. Em todo o mundo, o flúor foi utilizado na prevenção de cáries de
várias maneiras: pela fluoretação das fontes de água potável, pela sua adição
ao sal, pela sua prescrição, ou através da aplicação tópica de géis ou soluções
e através da ampla utilização dos dentrifícios fluoretados. Não há dúvida de
que a descoberta das propriedades anticariogênicas do flúor constitui um dos
marcos da odontologia (Fejerskov et al., 1994).

Compostos de Flúor Utilizados na Fluoretação de Águas

Teoricamente, qualquer composto de flúor que seja solúvel, liberando,


portanto, íons fluoreto em solução aquosa, pode ser utilizado como agente
fluoretante. Entretanto, existem diversas considerações práticas envolvidas na
seleção do produto a ser utilizado, tais como: eficácia, grau de solubilidade,
custo, continuidade de fornecimento pelo fabricante, distância entre a fonte
produtora e o consumidor, transporte, estocagem, manuseio do composto e
riscos operacionais.

De acordo com a portaria nº 635/Bsb do Ministério da saúde, de


26/12/75, que determina normas e padrões sobre fluoretação de águas de
abastecimento público, são quatro os compostos recomendáveis: Fluoreto de
Sódio (NaF), Fluorita ou Fluoreto de Cálcio (c), Ácido Fluossilícico (H2SiF6) (e
Fluossilicato de Sódio 9Na2SiF6).
321

Os compostos mais utilizados no Sistema de Fluoretação das águas de


abastecimento no Município de Salvador o ácido fluossilícico e o fluossilicato
de sódio.

Características do ácido fluossilícico:

Fórmula H2SiF6
Peso Molecular 144,08
Densidade a 17,5° 1,1748
Ph da solução a 1% 1,2136
Solubilidade infinita

O ácido fluossilícico é um sub-produto resultante da fabricação de


fertilizantes, cujas indústrias localizam-se, principalmente, nas regiões Sul e
Sudeste. Devido à proximidade dos centros produtores, tornando-se mais fácil
a suas aquisição a baixo custo, o ácido fluossilícico é o composto mais utilizado
na fluoretação de águas de abastecimento público nos Estados de São Paulo
Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Goiás, Tocantins e parte de Minas
Gerais. É um líquido incolor, transparente, corrosivo, isento de matérias
suspensão, de odor picante e de ação irritante sobre a pele.

Segundo Buendia (1996), o ácido fluossilícico quando vaporiza se


decompõe em Ácido Fluorídrico e Tetrafluoreto de silício, motivo pelo qual deve
ser mantidos em lugares frescos e ventilados. Devido à sua corrosividade,
todos os recipientes, tubulações, válvulas, que estiverem em contato com ácido
no processo de dosagem, devem ser de material plástico, como PVC,
Polietileno, Polipropileno, Acrílico ou Teflon.

Em caso de contato direto do composto com a pele, bem como evitar


qualquer possibilidade da sua ingestão ou inalação dos vapores desprendidos,
deve-se administrar, o mais rápido possível, um ou dois litros de leite para
beber ou um copo de solução saturada de Hidróxido de Cálcio ou Cloreto de
Cálcio.
322

Características do Fluossilicato de Sódio:

Fórmula Na2SiF6
Peso Molecular 188,05
Peso Específico 1.200 Kg/m3
Umidade 0,5 %
Pureza Comercial 98 a 99%
PH em solução 3,5
Solubilidade 0,762 gramas /100 g de H2O a 25oC

O Fluossilicato de Sódio é um composto produzido a partir do Ácido


Fluossilícico sendo mais utilizado nas Regiões Sul, Norte e Nordeste. Suas
fontes produtoras localizam-se nos Estados de São Paulo e Minas Gerais,
podendo ser produzidos, também, nos Estados do Paraná, da Bahia e de
Alagoas, onde o Ácido Fluossilícico é reaproveitado pela falta de mercado.
Apresenta-se na forma de pó branco ou de cristais finos, de cor branca, não
higroscópio e inodoro. Por ser um composto corrosivo, todas as partes que
dosam o produto devem ser de PVC, Polietileno, Polipropileno ou Teflon.

Agua Fluoretada

A fluoretação visa alterar o processo saúde-doença da cárie dentária,


sendo uma medida ideal de saúde pública por ser eficaz, inócua, de baixo
custo e que tem vantagem de não exigir a intervenção ativa dos beneficiários
(Murray, 1992). Segundo esse autor, a fluoretação é o processo de adição de
fluoretos à água potável com o objetivo de manter a concentração de fluoretos
na faixa de concentração considerada ótima, entre 0,7 a 1,2 miligramas de
fluoretos por litro de água (1mgF /L + 1 parte por milhão), dependendo da
temperatura média anual, sendo que em climas moderados a concentração
ótima é de 1ppm.
323

Fluoretação de águas é o processo pelo qual adicionamos compostos de


flúor às águas de abastecimento público, através de equipamentos dosadores,
a fim de proporcionar o teor adequado de íon fluoreto benéfico para a
prevenção da cárie dentária (Buendia, 1996).

A primeira menção de que se tem notícia recomendando oficialmente a


adição de flúor à água de abastecimento público no Brasil foi feito pelo X
Congresso Brasileiro de Higiene, realizado em Belo Horizonte (MG), em
outubro de 1952. A história do processo de fluoretação de águas, no Brasil, tem
como marco inicial o ano de 1953, quando foi fluoretado o sistema de águas da
cidade de Baixo Guandu (ES), quando a Fundação SESP (Fundação de
Serviços Especiais de Saúde Pública) implantou o primeiro sistema de
fluoretação da água, exatamente um ano após a recomendação do X
Congresso Brasileiro de Higiene. Desde então, expandiu-se gradual e
firmemente, transformando-se na principal medida de saúde pública a nível
nacional (Gomes Pinto, 1993).

Em 1956, Marília, São Paulo iniciou a fluoretação das águas (Buendia,


1984). A terceira cidade brasileira a fluoretar suas águas foi Taquara, no Rio
Grande do Sul, em outubro de 1957. O Rio Grande do Sul foi o primeiro Estado
brasileiro onde se estabeleceu, mediante lei, em 18 de junho de 1957, a
obrigatoriedade da fluoretação das águas de abastecimento público (Pires Filho
et al, 1989). A primeira capital estadual ater suas águas fluoretadas no Brasil
foi Curitiba, em 1958 e também a quarta cidade brasileira (Muniz,1968 apud
Amarante et al., 1993).

O Brasil possui larga tradição nesse campo, iniciada em 1957 e


chegando a 1989 com 1222 cidades protegidas e cerca de 64 milhões de
pessoas bebendo água com flúor. Mas, a massificação da medida é recente e
o país permanece como líderes mundiais na prevalência da cárie dentária
(Gomes Pinto, 1993).

No município de Salvador, segundo informações da EMBASA, desde


1975 até meados de 1989, este serviço fora oferecido a população sendo que,
pela falta do flúor e por ampliarem-se as discussões em relação a fluoretação
324

do sal de cozinha, houve interrupção no processo de fluoretação das águas do


Município.

Durante o II º Seminário de Fluoretação em águas de Abastecimento


Público, realizado em julho de 1996, em Salvador, obteve-se da EMBASA o
compromisso de reativação deste serviço o mais breve possível. Finalmente,
no dia 14 de outubro de 1996, o sistema de fluoretação foi reativado, voltando
Salvador a fazer parte do grupo de cidades com este método.

Atualmente, a extensão da rede de distribuição da água de Salvador é


de 3.229 Km, sob a responsabilidade da ETA (Estação de Tratamento de
Água) Principal - Menino Jesus, com 5.725 m/s, que é alimentada pela
Barragem de Pedra do Cavalo (Rio Paraguaçu).Além das ETA’S Vieira de
Mello e Teodoro Sampaio, localizada na Bolandeira (Boca do Rio),com a
distribuição de 4,086 m/s, sendo alimentada pelo Rio Joanes, Ipitanga .No
Subúrbio Ferroviário, além da ETA Principal contamos com a ETA do Cobre
(Bacia do Cobre) que também fornece água fluoretada.

A substância que vem sendo utilizada pela EMBASA é o ácido


fluossilicico. Vale a pena ressaltar que, nas localidades onde o sistema de
fluoretação foi implantado e houve rigor na manutenção dos teores, além de
continuidade do processo sem interrupções Contudo, a manutenção de índices
aceitáveis, considerando a média das temperaturas mínimas (22ºC) e
máximas (28ºC) do município.

Nos anos 80 houve uma grande expansão da fluoretação das águas no


Brasil, decorrente de decisão governamental federal de apoiar financeiramente
iniciativas nessa área (Viann, et al, 1983) e conseqüência também da eleição
direta de governadores e o surgimento de novos coordenadores estaduais
empenhados em reorientar as políticas nesse setor.

A fluoretação pode integrar-se facilmente nas estações de tratamento de


água, pois representa apenas uma pequena parte do processo; entretanto é
um método indicado para os países com bom nível de desenvolvimento
econômico, pois só é prático se existe abastecimento público de água para
325

número suficiente de moradias; a população bebe essa água em vez da água


de poços individuais ou cisternas; existe o equipamento adequado em uma
estação de tratamento ou do bombeamento; está assegurado o fornecimento
de um produto químico de flúor adequado, conta-se na estação de tratamento
com operários capazes de assegurar a manutenção do sistema e fazer os
registros corretos; existem recursos suficientes para a instalação inicial e para
as despesas de funcionamento (OMS,1992).

Ademais, em muitos países em desenvolvimento o fornecimento


adequado de água potável, em quantidade suficiente e boa qualidade, ainda
constitui, em si um importante problema de saúde pública. Segundo os dados
levantados pela Coordenação de saúde Bucal do Ministério da saúde, em
1995, havia cerca de 65,5 milhões de pessoas em todo o Brasil,
correspondente a 42% da população, que recebiam água flouretada e 61,3 %
recebiam água tratada (Dantas, 1997).

O padrão ótimo recomendado nas condições brasileiras é, em geral, de


0,7ppm F ou 0,7 mg de flúor para cada litro de água. A tecnologia de adição do
composto é bastante simples, bastando um equipamento do tipo dosador
gravimétrico, cone de saturação ou bomba dosadora como componente ligado
numa das últimas etapas de tratamento de água, e, evidentemente o flúor na
forma de sal (fluoreto de sódio ou fluorsilicato de sódio) ou na forma de ácido:
ácido fluorsilícico (Frazão, 1998).

Para o Centro de Controle e Prevenção de Doenças – CDC (1999),


citado por Narvai (2000), a fluoreteção das águas de abastecimento público foi
o principal fator responsável pelo declínio na prevalência da cárie dentária na
segunda metade do século XX. O CDC considerou-a uma das dez maiores
conquistas da saúde pública no século passado.

Dados do Ministério da Saúde demonstram que a medida vem sendo


recomendada por mais de 150 organizações, incluindo a Federação Dentária
Internacional, a Associação Internacional de Pesquisa Odontológica, a OMS e
a OPAS tendo implementado em aproximadamente 39 países, atingindo mais
de 200 milhões de pessoas (Brasil, 1999).
326

Para NarvaI (2000) os principais interessados na fluoretação de águas


de abastecimento público são os segmentos de baixa renda, na medida em
que o benefício vem sendo proporcionalmente maior justamente nos
segmentos que não têm acesso a outros fatores de proteção, considerando
ser socialmente injusto não realizá-la ou interrompê-la.

Entretanto, esse autor afirma que a eficácia preventiva da fluoretação da


água depende da adequação do teor de flúor e da continuidade do processo,
sendo indispensável o controle operacional sobre as estações de
abastecimento de água e a estruturação de um programa permanente de
vigilância sanitária da fluoretação.

Cangussu et al. (2002) admitem que há dificuldade em se manter


sistemas operacionais de monitoramento dos níveis ótimos de flúor na água
através do heterocontrole, seja pela falta de recursos humanos técnico-
operacionais ou de relevância para comunidade, informando que a maioria dos
trabalhos descreve níveis irregulares de fornecimento do flúor em municípios
brasileiros.

Zanetti (2001) acredita que o tema da fluoretação, no Brasil, resume-se


a duas decisões: fluoretar e garantir regularidade e qualidade da medida. Tais
decisões são desencadeadas pela ação de diferentes atores sociais que
possuem em comum a características de serem todos técnicos oriundos de
elites ligada à área do ambiente, da saúde ou de instituições da sociedade civil
restritas à classe de cirurgiões- dentistas.

A eficácia da fluoretação está ligada à não descontinuidade da medida.


Isto significa que deve haver permanente controle da dosificação do produto
químico para manter uma correção uniforme de íons flúor em todos os
momentos e em todas as partes da rede e para isso devem ser instalado
quatro mecanismos de controle de fluoretação: analítico na estação de
tratamento da água, de qualidade e exatidão das análises do flúor, qualidade
da água da rede e da qualidade dos fluoretos empregado (OMS, 1992).
327

Fatores de Risco que Causam a Fluorose Dentária

O uso clínico do flúor para redução da cárie dentária é indiscutível.


Porém, a exposição excessiva a ele durante o período de formação dos dentes
pode levar à fluorose dentária o que implica na necessidade de controle da sua
ingestão.

Silva (2000) esclarece que as doses tóxicas de qualquer medicamento,


em geral, são referidas em miligramas por quilo de massa corpórea (mg/kg),
sendo que para a intoxicação aguda por flúor, Dose Provavelmente Tóxica
(DPT) seria 5mg/kg, a partir da qual seriam indicados a internação e os
cuidados específicos para os pacientes, constituindo-se um tipo de intoxicação
que dificilmente seria causada pela ingestão de água fluoretada.

A fluorose dentária é um distúrbio específico da formação do esmalte


provocado por excesso de consumo de flúor durante o período de formação da
dentição, caracterizada clinicamente por mancha esbranquiçadas, opacas e
embaçadas no esmalte, as quais podem se apresentar em forma de estrias,
manchas colorida e /ou depressões, com tratamento inteiramente limitado ao
uso de procedimentos restauradores que melhorem a aparência cosmética dos
dentes (Fejerskov et al, 1994; Murray, 1992).

Na última década, se tem observado em grande número de estudos


realizados, que em todas as localidades onde há funcionamento de sistemas
de fluoretação no serviço público de abastecimento de água há ocorrência de
toxicologia crônica, na forma de fluorose, classificada no nível “muito leve“ e
“leve“, em parcela significativa da população.

Em regiões com água fluoretada nos limites recomendados pela OMS


(0,7 a 1,5 ppm), estima-se que 10% da população apresente fluorose dentária
nas formas mais leves, o que seria aceitável diante do benefício quanto à
redução da cárie. Essa afirmação surgiu após levantamento epidemiológicos
realizados nas décadas de 30 e 40, sendo que estudos mais recentes, de
diversos países, vêm mostrando que a prevalência de fluorose vem
328

aumentando em regiões com água de abastecimento fluoretada e não


fluoretada (Levy et al, 1995; Cangussu et al, 2002).

A água fluoretada, com percentual de flúor acima dos padrões


permitidos para consumo,entra na corrente sanguínea e se une ao cálcio
formando o fluoreto de cálcio, causando a fluorose e se depositando nos ossos
(www.apcd.org.br/bibloiteca/revisat/1999/set/out/99).

Pendrys,(1991) afirma que a ingestão de flúor tem se tornado acessível


através de fontes voluntárias e involuntárias, incluindo suplementos de flúor ou
vitaminas, dentifrícios fluoretados e outros produtos contendo flúor, além de
substâncias aplicadas topicamente e bebidas preparadas em áreas fluoradas.
Evidências indicam que a ocorrência de fluorose em esmalte tem aumentado
em áreas fluoradas e não fluoradas. Segundo Osuji et al o potencial para
indução de fluorose tem aumentado significativamente devido ao uso
indiscriminado de produtos fluorados.

Uma revisão de literatura acerca de fatores de riscos para fluorose


dentária identificou quatro potenciais fatores: a fluoretação das águas de
consumo, suplementos fluoretados, ingestão de dentifrícios fluoretados (em
crianças com pouca idade) e além disso, sua incidência e gravidade está
associada a outras condições como absorção de flúor pelo corpo,temperatura
ambiente, alimentos e bebidas, amamentação com mamadeiras e no peito,
condições nutricionais (Dean,1994).

A ocorrência e a gravidade da fluorose dentária podem variar entre os


diferentes indivíduos populações, devido à existência de fatores ambientais,
fisiológicos, bem como à maior exposição e disponibilidade a diferentes fontes
de flúor. Tais fatores mesmo em comunidades com águas não fluoretadas,
podem resultar em concentrações aumentada de flúor no fluído corporal,
alterando a manifestação individual em resposta aos efeitos tóxicos do flúor em
tecidos mineralizados (Assis, et al, 1999).

Tanto a prevalência quanto a severidade da fluorose dentária vem


crescendo desde 1945, tanto em áreas com água fluoretada como em
329

localidades não fluoretadas,todavia, a maioria dos estudos apontaram que


estes aumento tem sido maior em áreas não fluoretadas (Clark,1995; Downer
et al.,1994; Clark et al.,1994 ).

Um novo fator tem sido associado à maior incidência e gravidade de


fluorose dentária em áreas com níveis muito baixos de flúor na água.
Indivíduos que moram em altitudes elevadas, de 1500 à 2000m acima do nível
do mar, apresentam–se mais susceptíveis aos efeitos tóxicos do flúor no
esmalte dentário em desenvolvimento.

Aspectos Legais da Obrigatoriedade da Fluoretação de Águas

Um sistema público de abastecimento de água deverá fornecer à


comunidade água de boa qualidade do ponto de vista físico, químico, biológico
e bacteriológico para promover a saúde da população como fundamento de
bem-estar social, direito estabelecido por Lei na Constituição do Brasil.

No Brasil a utilização do método é garantida pela lei 6.050/74, que


estabelece a obrigatoriedade da fluoretação da água de abastecimento nos
sistemas que contam com estações de tratamento. O processo possibilita a
manutenção de concentrações baixas e constantes de flúor na cavidade bucal
para controlar o desenvolvimento da cárie. Entre 1986 e 1996, houve uma
queda de 53% na prevalência de cárie em crianças de 12 anos de idade
provocada pela política de fluoretação, sendo que em 1996 a cobertura de
água fluoretada atingia 42% da população brasileira.

Segundo Murray (1992), a legislação relativa à fluoretação da água pode


está vinculada, obrigando o Ministério da Saúde ou as coletividades de
determinada magnitude à fluoretação da água de abastecimento público, se
esta é pobre em flúor, além delimitar, permitir ou autorizar o Ministério da
Saúde ou ao governo local a prática de fluoretação.
330

METODOLOGIA

Caracterização do estudo

Segundo seus objetivos, o presente estudo pode ser classificado como


uma pesquisa do tipo descritiva, uma vez que pretendeu descrever um fato
(fluoretação das águas de abastecimento) por meio de observação sistemática
das suas características, sem intervenção nas variáveis.

Para tanto, contou-se inicialmente com a obtenção de dados


quantitativos dos resultados diários da Empresa Baiana de Água e
Saneamento S.A. (EMBASA) respeito do sistema de fluoretação empregados
nas ETA’S: Vieira de Mello, Cobre, Teodoro Sampaio e Principal, que
abastecem o Município de Salvador, por 12 meses consecutivos (janeiro à
dezembro) no período de 2002. Foram analisadas amostras da água tratada e
fluoretada nas mesmas, com vistas a avaliar o teor de flúor na água a ser
distribuída à população.

Os dados foram analisados utilizando-se o Programa de Excel, por se


tratar de um estudo descritivo, obtendo-se freqüências simples.

A metodologia seqüencial para medição do íon flúor na água foi


realizada seguindo recomendações preconizadas por Schneider Filho et al
(1992), que se baseiam na dosagem direta dos íons flúor livres na dosagem
direta dos íons flúor com o uso de um eletrodo íon seletivo para flúor, em
conjunção com um medidor de atividade iônica.

As amostras de água foram classificadas segundo o teor de flúor


observado em cada mês. As análises da condição de cada ETA no período de
um ano (2002), foram feitas com base nestes teores e traçadas as médias
diárias e anuais do conjunto de amostras.

O teor de flúor nas amostras foi utilizado para classificá-las como


“aceitáveis” ou “inaceitáveis”, conforme a quantidade de flúor encontrada.
Quando essa quantidade situa-se na faixa de 0,6-0,8 mg F/l (ou ppm) a
331

amostra é considerada “aceitável” e, “inaceitável” quando o teor está fora dessa


faixa.

RESULTADOS

Na ETA Vieira de Mello durante os 12 meses (jan /dez), obteve faixas


de aceitabilidade entre as concentrações mínimas e máximas aceitáveis de íon
flúor determinadas na portaria Ministerial nº 635bsb/de 26 de dezembro de
1975, com média total anual de 0,68 ppm, havendo um declínio nos meses de
maio a julho com valores oscilando entre 0,65 - 0,66 ppm estabilizando durante
os outros meses como representa o Gráfico 1.

Gráfico 1 - Resultado consolidado da Fluoretação ETA


Vieira Mello 2002
0,90
0,80
Teor de Fluor (ppm)

0,70
0,60
0,50
0,40
0,30
0,20
0,10
-
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Meses
2002 Mínimo Máximo

Fonte: EMBASA

Observando o Gráfico 2 pode-se verificar que na ETA Cobre, neste mesmo


período durante o mês de agosto houve um declive muito grande chegando a
um teor de 0,12 ppm, com uma média total anual de flúor de 0,41 ppm,
totalmente fora dos padrões de aceitabilidade.
332

Gráfico 2 - Resultado consolidado da Fluoretação ETA Cobre 2002

0,90
0,80
0,70
Teor de Fluor (ppm)

0,60
0,50
0,40
0,30
0,20
0,10
-
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Meses
2002 Mínimo Máximo

Fonte: EMBASA
A ETA Teodoro Sampaio como mostra o gráfico 3 manteve os padrões
aceitáveis de flúor com média total anual de 0,67. No mês de setembro houve
uma queda chegando a 0,61 ppm no valor do teor de flúor normalizando em
seguida no mês seguinte.

Gráfico 3 - Resultado consolidado da Fluoretação ETA Teodoro


Sampaio 2002
0,9
0,8
0,7
Teor de Fluor (ppm)

0,6
0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
0
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Meses
2002 Mínimo Máximo

Fonte: EMBASA

Observando o gráfico 4 Fluoretação da ETA Principal, verificamos que


oscilações nos valores do teor de flúor nos meses de abril, maio e novembro
com os valores variando de 0,60 - 0,67 ppm com interrupção no mês de junho.
333

Gráfico 4 - Resultado consolidado da Fluretação ETA Principal 2002

0,90
0,80
Teor de Fluor (ppm)

0,70
0,60
0,50
0,40
0,30
0,20
0,10
-
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Meses
2002 Mínimo Máximo

Fonte: EMBASA
A média anual dos teores de flúor das 4 ETA’s em 2002, foi de 041ppm à
0,68ppm, porem merece destaque a ETA Cobre, que obteve teores de flúor
inadequados com quantidades insuficientes do produto variando de 0,02 à
0,22 durante todo período, tornando a medida inócua.

Resultados Consolidado da Fluoretação nas ETA'S Salvador

0,8
0,7
Teor de Flúor (ppm)

0,6
0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
0
ETA V.MELLO ETA COBRE ETA T.SAMPAIO ETA PRINCIPAL ETA'S

2002
Fonte: EMBASA

Segundo os dados do Sistema de Informação da Qualidade da Água para


Consumo Humano da (SISÁGUA) em 2002, o Sistema Integrado Salvador, nas
amostras realizadas durante o período do estudo houve uma grande variação
da concentração de flúor de 20% (janeiro) a 63% (junho) de amostras fora dos
334

padrões, as mesmas possuíam concentrações inadequadas, esses valores


demonstram as grandes incoerências existentes entre as informações
fornecidas pela EMBASA.

Gráfico 6 - Sistema Integrado Salvador 2002


70%
63%
60% 56%

46%
50% 44%
40% 40%
36% 34%
40%
26% 28%
30% 25%
20%
20%

10%

0%
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

Fonte: SISÁGUA

DISCUSSÃO

Embora no Brasil diversos estudos tenham demonstrado a eficácia da


fluoretação das águas de abastecimento público ao longo dos anos, bem como
o seu impacto na prevenção e redução dos índices de cárie da população,
quando utilizada de maneira contínua, adequada e sob o controle de um
sistema operacional e de vigilância efetivos (Basting et al.,1997; Freire et
al,1996; Modesto et al ., 1999); outros tendem a falhar no que diz respeito à
adequação e, outros tendem a falhar no que diz respeito à a adequação
regularidade dos níveis de flúor na água de consumo humano (Calvo, 1996;
Correia et al., 2001; Freire et al.,1996; Modesto et al.,1999).

Diante desse quadro e levando-se em consideração os resultados


obtidos no presente estudo, podem-se identificar grandes distorções no
sistema de controle operacional executado nas ETA’S que abastecem o
município de Salvador. E, ainda que as ETA‘S tenham afirmado existir um
335

controle operacional dos teores de flúor na água tratada em seus reservatórios


centrais, as análises laboratoriais das amostras não demonstraram
regularidade nas concentrações de flúor (Gráfico 5).

A média anual dos teores de flúor de amostras realizadas durante o


período do estudo houve uma grande variação da concentração de flúor de
20% (janeiro) à 63% (junho) de amostras fora dos padrões, certamente
implicaram prejuízo dos benefícios advindos da fluoretação das águas de
abastecimento do município de Salvador (Gráfico 6).

As criticas feitas a fluoretação das águas de abastecimento público tem


um aspecto -clínico- patológico, considerando esta substância causa de
fluorose e agentes de outras doenças sistêmicas, mas envolvem também a
questão ética, de não permitir a livre escolha ao método preventivo e ter efeito
semelhante aos métodos tópicos menos danosos (Stookey, 1993). Entretanto,
quando se descreve a realidade do município, a inexistência de uma política
pública mais ampla voltada para a promoção de saúde bucal, especialmente a
educação em saúde e não disponibilização de outros métodos preventivo para
a maior patê da população, torna-se utópico e inviável a defesa a da
suspensão do método, principalmente de considerarmos o efeito protetor
detectado neste trabalho.

Gráfico 7 -Cobertura populacional benefiaciada pela Fluoretação da água nos municípios


das regiões do Brasil-2003
90
% de população beneficiada

76,5
80
74,5 70,3
70
60,1 56,8
60
50,7
50
32,4 39,95
40
28,1
30 24,3
20
11,8
10 4,2
0
Norte Nordeste Centro Sudeste Sul Brasil
Oeste

regiões do Brasil População Beneficiada


Municípios com água fluoretada

Fonte: OMS
336

Atualmente, não resta dúvida de que o flúor tem um papel fundamental


na promoção da saúde bucal, sendo considerado a pedra angular da
prevenção da cárie dental, tanto em crianças como adultos.

Para o Município de Salvador, considerando a temperatura média anual


(2002) de 28 º C Tomando-se os valores sugeridos por Schneider Filho et al.
(1992), pôde-se determinar que a concentração ótima de flúor na cidade
deverá ser em média 0,7 ppm F (0,6 ppm F a 0,8 ppm F) para que se pudesse
obter o máximo de efeito preventivo, sem preocupações com riscos de fluorose
dental.

Diante dos pontos ressaltados, evidencia-se a urgente necessidade de


ampliação do debate acerca do controle social sobre o sistema de fluoretação
das águas públicas no município de Salvador. A discussão deveria envolver
não somente os órgãos e técnicos vinculados a saúde e ao controle da
qualidade das águas de abastecimentos público, mas si, o conjunto das
organizações sociais, entidades populares e movimentos organizados
interessados na defesa da qualidade de vida e saúde das populações.

CONCLUSÃO

A flluoretação das águas apresenta um enorme potencial de


‘'universalização” fazendo com que as pessoas tenham acesso a água
fluoretada. Esta, talvez seja a mais importante ação de saúde pública. Por
isso, pode se considerar “socialmente injusto” não realizá -la ou interrompê-la.

A eficácia preventiva da fluoretação da água depende da adequação do


teor de flúor e da continuidade do processo. A interrupção, temporária ou
definitiva, faz cessar o efeito da medida. Essa característica faz com que seja
indispensável o seu controle, seja em termos operacionais nas estações, seja
em termos de Vigilância Sanitária. No primeiro caso, deve haver procedimentos
rotineiros de controle operacional e na área de vigilância é imprescindível o
337

heterocontrole, compreendendo como “princípio segundo o qual se um bem ou


serviço qualquer implica risco ou representa fator de proteção para a saúde
pública então além do controle do produtor sobre o processo de produção,
distribuição e consumo deve haver controle por parte das instituições do
Estado”.

Assim, o controle da fluoretação por instituições não envolvidas


diretamente em sua operacionalização é sine qua non para preservar a
qualidade do processo, para que as informações tenham credibilidade e para
que haja confiança no alcance dos objetivos.

A fluoretação em serviço públicos de abastecimento de água é uma


estratégia de prevenção de caráter coletiva que pode ser integrada ao
planejamento local de saúde e realizada junto a programas de prevenção e
promoção de saúde bucal com o objetivo de reduzir a incidência de cárie
dentária.

Portanto, é importante reafirmar a necessidade da manutenção da


fluoretação das águas de abastecimento público como meio mais efetivo de
proteção da cárie dental na Cidade de Salvador, acompanhada do controle dos
teores ótimos da substância para que se evite a superdosagem. A suspensão
deste agente protetor só deve ser cogitada quando existir uma proposta clara
de reformulação da atenção à saúde bucal no município, disponibilizando para
a população outros meios de manutenção da saúde bucal, seja na promoção
ou na proteção específica.

RECOMENDAÇÕES:

Tendo em vista o exposto neste estudo, são apresentadas as seguintes


recomendações:

• Manutenção do sistema de fluoretação das águas de abastecimento,


face aos avanços do quadro epidemiológico no Brasil;
338

• Ênfase no controle e vigilância por órgãos competentes distintos da


empresa responsável pela fluoretação (heterocontrole), devendo a
instância responsável pelo mesmo tornar público, através dos meios
de comunicação, boletins periódicos com resultados obtidos;
• Implantação e Implementação do “Programa permanente da
Vigilância Sanitária e Ambiental da fluoretação das águas de
abastecimento no Estado”;
• Inclusão dos dados sobre fluoretação no Sistema Nacional de
informação sobre Saneamento.
339

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSIS, DE F.G.et al. Mecanismos Biológicos e Influência de Fatores


Ambientais na Fluorose Dentária e a Participação do Flúor na
Prevenção da Cárie.Revisão de Literatura. Rev. FOB,v.7, n.3/4,p.63-70,
jul/dez.1999.
BASTING, R, T.; PEREIRA,A.C. & MENEGHIM, M.C.,1997. Avaliação da
prevalência da cárie dentária em escolares do município de
Piracicaba –SP-Brasil, após 25 anos de fluoretação das águas de
abastecimento público. Rev.de Odontologia da Universidade de São
Paulo, 11: 287 -292.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde.
Área Técnica de Saúde Bucal. Fluoretação da água de
consumo público no Brasil. Brasília 1999. Disponível em
<URL:http://www.saude.gov.br/programas/bucal/inicial.html[2002dez10].
BRASIL.Ministério da Saúde.FSESP. Fluoretação das águas de
abastecimento público. 1975.41p.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de assistência à saúde. Departamento
de Assistência e Promoção à saúde. Coordenação de saúde Bucal.
Levantamento Epidemiológico em Saúde Bucal: 1ª etapa-cárie dental.
Brasília, 1996.
BUENDIA, O.C. Fluoretação de águas: manual de orientação prática. São
Paulo: American Méd, 1996.138 p.
BUZALAF, M. Fatores de risco para fluorose dentária e biomarcadores de
exposição ao flúor.Bauru, 2002.[Tese de Livre – Docência-Faculdade
Odontologia de Bauru, USP].
CALVO, M. C. M.,1996. Situação da Fluoretação de águas de
abastecimento Público no Estado de São Paulo – Brasil. São Paulo:
Dissertação de Mestrado, São Paulo: Departamento de Práticas de Saúde
Pública, Universidade de São Paulo.
340

CANGUSSU MCT, NARVAI PC, FERNANDEZ RC, DJEHIZIAN V. A Fluorose


dentária no Brasil: uma revisão crítica. Caderno de Saúde Pública
2002; 18(1): p.7-15.
CANGUSSU, M.C.T. Cárie Dental - Fatores de Promoção e Proteção em
Adolescentes. 1998. 94p. Dissertação (Mestrado em Saúde Comunitária)
- Instituto de Saúdet aletiva da Universidade Federal da Bahia,Salvador.
CARDOSO, ACC. Fluoretação em águas de abastecimento público:a
ocorrência de cárie e fluorose dentária em dois municípios no
Estado da Bahia. 1999 .145 p.
CHAVES,M.M.et al. Odontologia Social. 3ed. Rio de Janeiro : Artes
Médicas,1986.448 p.
CURY, J.A. Efeito de bochecho com clorexidina(CH) e flúor(F) na redução
de formação de placa e incorporação de flúor no esmalte dental.
Revista Brasileira de Odontologia. v. 51,n.3,p,26-29, maio/jun.1994
FEJERSKOV, O.et al. Fluorose Dentária – Um Manual Para Profissionais de
Saúde. São Paulo: Santos, 1994. 122 p.
FREIRE, M.C.; PEREIRA, M.F.: BATISTA, M.R.S. BARBOSA, M.I. & ROSA,
A.G.F., 1997 Prevalência de Cárie e necessidade de tratamento entre
escolares de 6 a 12 anos de idade, Goiana, Go. Brasil. Revista de
Saúde Pública, 31: 44-52.
KALAMATIANOS, P. A. Aspectos éticos do uso de produtos fluorados em
saúde pública: uma visão dos formuladores de políticos públicas de
saúde e dos tomadores de decisões. 2003. 170p. Dissertação
(Mestrado em Odontologia)-Faculdade de Odontologia de Bauru,
Universidade de São Paulo, São Paulo.
LOPES, E.et all. Fluoretação da água de abastecimento. Faculdade de
Odontologia de Bauru (FOB) – Universidade de São Paulo (USP) 1986,
págs. 1-36.
MAIA, C.L. et al. Controle operacional da fluoretação da água de Niterói,
Rio de Janeiro, Brasil. Cad.Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.19, n.1,
p.61-67, jan-fev, 2003.
341

MAIA, L.C.; VALENÇA, A.M.G.Controle operacional da fluoretação da água


de Niterói Rio de Janeiro. Cad.Saúde Pública, 2003; 19 ( 1 ): p. 61-67.
MENDONÇA, L.L. Epidemiologia e saúde bucal. Belo Horizonte, Impresa
Universitária – UFMG,1990.43p.
MURRAY, J.J. O Uso Correto de Flouretos em Saúde Pública. São Paulo:
Santos,1992 .131p.
NARVAI, P. C. Fluoretação da água: Heterocontrole no município de São
Paulo no período 1990-1999. Rev. Brasileira. Odontologia em Saúde
taletiva 2000,1 (2)50-56.
ORREIA, R.P.;FERREIRA,Jr.,C. .D. & MAIA, L.C.,2001. Análise da
Fluoretação da água de abastecimento Público na Zona Sul do
município do Rio de Janeiro. Pesquisa Brasileira em Odontopediatria e
Clínica Integrada, 2: 32-33.
PENDRYS,D.G. et al.Risk Factors for enamel fluorosis in a fluoridat ed
population.Am.J.Epidemiol., v.140,n5, p.461-471,1994.
PINTO, G.V. Revisão sobre o Uso e segurança do Flúor .RGO, v. 41,n 5, p.
263-266, set/out.,1993.
PINTO, V.G. Saúde Bucal Coletiva. 4ª. ed. São Paulo: Santos, 2000.p .352-395.
RAZÃO, P. Tecnologias em Saúde bucal coletiva. In: BOTAZZO, C.,
FREITAS, S. F.T. (Org.). Ciências sociais e saúdet aletiva. São Paulo:
Unesp, 1998. p. 159-174.
RAZZA, O.FRANK et al. Fatores de riscos que levam a Fluorose Dentária.
Rev. Odontologia. Univ. Santo Amaro, v.3, n.2,p.84-86, jul/dez.1998.
SCHNEIDER FILHO, D.A. et al. Fluoretação da água: como fazer Vigilância
Sanitária? Rio de Janeiro: Rede Cedros, 1993,51p. (Cadernos de Saúde Bucal 2 ).
SEI. Anuário Estatístico da Bahia, 2000. 382 p.
TARZIA, O. Bioquímica do Flúor. FOB-USP, 1986.p.1-25.
ZANETTI, GHG. O policy-making da fuoretação da águas de
abastecimento. [texto “on line “apresentado no II EMFLÚOR ; 2001 nov
9-11. Cabo Frio – RJ] Disponível em, URL:http://www.emflúor.hpg.ig.com.br/texto-
2.htm >[2002fev9].
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
NÚCLEO DE ESTUDOS DE SAÚDE COLETIVA
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

LEVANTAMENTO PRELIMINAR DOS ACIDENTES COM


PRODUTOS QUÍMICOS NO ESTADO DA BAHIA - UMA
CONTRIBUIÇÃO PARA A VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM
SAÚDE DOS ACIDENTES COM PRODUTOS PERIGOSOS

Denise Magalhães da Costa

Adaptação da Monografia apresentada ao


Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva
como pré-requisito para a obtenção do
Titulo de Especialista em Vigilância
Ambiental em Saúde

- 2003 -
RESUMO

O presente trabalho tem o objetivo de fazer um levantamento preliminar


dos acidentes com produtos perigosos no Estado da Bahia através do
levantamento dos acidentes registrados nos processos de emergência do CRA-
Centro de Recursos Ambientais do Estado no período de setembro de 2001 a
setembro de 2003. Nos processos analisados foram verificados acidentes
ocorridos de acordo com o meio de transporte, a localização, os produtos
envolvidos, principais causas e conseqüências para o meio ambiente e para a
saúde.

As conclusões chamam a atenção para o predomínio dos acidentes


marítimos, industriais e rodoviários, sendo os de conseqüências mais graves
para o meio ambiente e a saúde os acidentes industriais e rodoviários. As
causas dos acidentes são predominantemente atribuídas aos trabalhadores.
Foi verificada a ausência do setor saúde nas ocorrências fazendo perceber a
grande lacuna no acompanhamento e intervenção junto às comunidades
expostas ao nível imediato, médio e longo prazo.

A atuação do setor saúde, apesar de incipiente, está começando a se


estruturar nesse sentido, buscando trabalhar articulado com os diversos órgãos
envolvidos no assunto através de um trabalho intersetorial e multidisciplinar.

Este trabalho se constitui num estudo preliminar que será aprofundado e


incorporado ao serviço tendo em vista contribuir para a Vigilância em Saúde
dos Acidentes com Produtos Perigosos.
345
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
INTRODUÇÃO

A Revolução Industrial no final do Século XIX deu início ao crescente


desenvolvimento de novas tecnologias de produção e os acidentes industriais
começam a surgir, despontando como um problema público. A partir da
Segunda Guerra Mundial, o aumento da demanda por novos materiais e
produtos químicos desencadeou na mudança da base de carvão para o
petróleo no processo industrial, dando início à expansão do complexo químico
industrial a nível nacional e internacional. Assim, o incremento global das
atividades de produção gerou um grande aumento na estocagem e
movimentação dos produtos industrializados e de matérias-primas entre os
pólos produtores e entre estes e os centro consumidores. Dentro deste
contexto observa-se um aumento na freqüência e na gravidade dos acidentes
envolvendo produtos químicos perigosos, que se dão tanto no âmbito interno
das indústrias quanto externo, no transporte desses produtos.
Assim, os acidentes com produtos químicos perigosos, mesmo quando
se dão no interior das fábricas, por envolverem substâncias tóxicas, sua ação
não se limita aos muros fabris. Desse modo, os acidentes envolvendo produtos
químicos, dependendo da sua magnitude e periculosidade dos produtos
envolvidos podem ser considerados Acidentes Químicos Ampliados, ou
Acidentes Químicos Maiores, tendo em vista que esses eventos resultam em
explosões, incêndios, e emissões, individualmente ou combinados, que podem
envolver uma ou mais substâncias perigosas, com potencial de causar
múltiplos danos, constituindo assim em sérios riscos à saúde dos
trabalhadores, das comunidades e do meio ambiente.
Acidente Industriais Ampliados ou Acidentes Químicos Maiores ou
Ampliados são definidos como eventos agudos, como explosões, incêndios e
emissões nas atividades de produção, isolados ou combinados, envolvendo
uma ou mais substâncias perigosas com potencial para causar
simultaneamente múltiplos danos, sociais, ambientais e à saúde física e mental
nos seres humanos expostos (FREITAS, 2000, p.17).
346
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
Os acidentes industriais começam a surgir a partir do processo de
industrialização e com o desenvolvimento de novas tecnologias de produção,
que foram se dando nas sociedades contemporânea a partir da Revolução
Industrial. Nesse inicio da industrialização, a tecnologia adotada era a produção
utilizando máquinas a vapor as quais, pôr empregarem alta pressão, só no ano
de 1836 resultaram em 14 explosões co 496 óbitos (MALHADO, 2000, p.25).
A partir da Segunda Guerra Mundial houve um crescente aumento da
demanda por novos materiais e produtos químicos, que veio acompanhado
pela mudança da base de carvão pelo petróleo, conduzindo ao
desenvolvimento e a expansão do complexo químico industrial a nível nacional
e internacional. Paralelo a isso, ocorreu um grande aumento do transporte e
armazenamento desses produtos. Assim, o crescimento global das atividades
de produção, armazenamento e transporte de substâncias químicas, levou ao
aumento do número de trabalhadores expostos aos riscos potenciais de
acidentes, bem como das comunidades no entorno das industrias até em áreas
mais distantes. Ao mesmo tempo observa-se um aumento na freqüência e
gravidade dos acidentes químicos nessas atividades.
A denominação “acidente ampliado ou acidente químico ampliado” tem o
potencial de expressar de maneira mais adequada a possibilidade de
ampliação no espaço e no tempo das conseqüências desses acidentes sobre a
sociedade, a saúde (física e mental) e o meio ambiente, sem desqualificar
outros tipos de acidente, como os de trabalho por exemplo.
Assim, o que caracteriza basicamente esses acidentes é, não apenas sua
capacidade de causar grande número de óbitos, mas também seu potencial de
permitir que a gravidade e extensão dos efeitos ultrapassem os limites
espaciais e bairros, cidades e países; e temporais como carcinogênese,
mutagênese, danos a órgãos-alvo específicos nos seres humanos e às
vegetações, seres vivos e meio ambiente futuro, além dos impactos
psicológicos e sociais sobre as populações expostas.
347
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
Vulnerabilidade e agravamento

Os acidentes ampliados devem ser compreendidos no âmbito socio-


econômico em que ocorrem, ou seja, devem ser considerados, não só os
aspectos técnicos científicos mas principalmente os aspectos sociais e
econômicos que determinam a vulnerabilidade a esses acidentes.
A questão de vulnerabilidade técnica nos países de economia periférica
como o Brasil, interage com o modelo de desenvolvimento econômico por eles
adotado nesses e tem como características ausência de sistemas políticos
democráticos, grande concentração de capital, exploração de mão-de-obra e
abandono ou omissão do poder público no controle e na prevenção dos riscos
industriais. Tais características geraram como conseqüência uma rápida e
desordenada industrialização, o que resultou num intenso e incontrolado
processo de urbanização, acompanhado de grande fluxo migratório do campo
e das regiões mais pobres para os grandes centros urbanos.

A análise interdisciplinar e a prevenção

Geralmente as análises das causas dos acidentes se restringem ao


âmbito das empresas, com enfoque em disciplinas específicas, com
predomínio das engenharias e quase sempre dissociadas uma das outras.

Para uma análise efetiva dos Acidentes Químicos Ampliados que


busque causas e conseqüências de forma responsável e legítima é preciso
ampliar esses limites tendo em vista que os efeitos desses acidentes
ultrapassam os muros das fábricas e ampliam-se no espaço e no tempo, assim
como suas causas não podem restringir-se aos problemas internos e
específicos das engenharias.

O desconhecimento dos condicionantes globais dos acidentes,


expressos pelas políticas mais gerais da sociedade limitam a compreensão da
origem dos acidentes e comprometem suas análises, relevando
excessivamente as causas imediatas (FREITAS & DRUYER, 1999). Além
disso, é preciso valorizar a participação dos trabalhadores no processo de
348
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
análise desses acidentes, pois permite uma aproximação com o trabalho real,
realizado no dia-a –dia dos processos produtivos, e permite avançar para um
gerenciamento participativo dos riscos e na análise dos acidentes.

É preciso superar as concepções monocausais dos acidentes que


tendem a culpar os trabalhadores de modo que, torna-se imprescindível
vincular os eventos aos aspectos sociais e gerenciais/organizacionais na sua
geração, através de abordagens que integrem a dimensão social à dimensão
técnica dos sistemas geradores de risco revelando aspectos que se relacionam
diretamente com as relações de trabalho, que, por sua vez, expressa o estágio
de cidadania e democratização das relações de trabalho numa sociedade.

No campo da saúde pública, as análises dos acidentes devem combinar


abordagens ergonômicas e das ciências sociais e humanas em geral,
ganhando um contorno epidemiológico onde incorpore o entendimento da
relação do impacto sanitário e identifique novos condicionantes para a relação
causa e efeito. Em outras palavras podemos dizer que, para a saúde pública
em geral, e principalmente na área da saúde do trabalhador, trata-se de
entender os acidentes como fenômenos complexos que possuem um amplo
número de fatores que interagem entre si e que exige a utilização e integração
de diversas abordagens específicas, oriundas de diferentes campos do
conhecimento, em um processo de construção de modelos e metodologias
integradas de análises adaptadas ao fenômeno dos acidentes.

Desse modo, torna-se indispensável, não só a interdisciplinaridade nas


discussões e avaliações sobre os acidentes com produtos perigosos, através
da formação de uma equipe multiprofissional, como é de fundamental
importância a participação dos trabalhadores que estão no dia-a-dia no
trabalho real e podem oferecer subsídios para o desenvolvimento de um
trabalho efetivo, legítimo e responsável.

O transporte de produtos perigosos e os acidentes

A questão dos acidentes químicos ampliados envolve também a questão


do transporte desses produtos. Nos últimos anos, o desenvolvimento
349
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
tecnológico das indústrias químicas e petroquímicas resultou em um aumento
significativo na produção, estocagem e movimentação, tanto de matérias-
primas como de produtos acabados, que são transportados dos pólos
produtores para os centros consumidores ou entre as próprias indústrias.

Os acidentes envolvendo transporte de substâncias químicas perigosas


diversas, dependendo de sua magnitude e periculosidade dos produtos
envolvidos, são considerados Acidentes Químicos Maiores, pois “resultam em
explosões, incêndios e emissões, individualmente ou combinados, podendo
envolver uma ou mais substâncias perigosas com potencial para causar
múltiplos danos à saúde e ao meio ambiente" ( ALVES,2000)

Os produtos perigosos em geral são transportados através de rodovias,


mar, ferrovias e dutovias. O transporte rodoviário de produtos químicos tem
sido destacado como um meio bastante utilizado no país e na Bahia, sendo
também ressaltado como o principal responsável pelos acidentes que
envolvem produtos perigosos, resultando sempre em prejuízos econômicos e
em danos sociais e ambientais ²

Desse modo, buscando minimizar os riscos bem como, eliminar ou


reduzir os impactos provocados por esses acidentes com produtos perigosos,
os diversos segmentos da sociedade envolvidos no assunto estão cada vez
mais buscando enfrentar os riscos através da adoção de medidas preventivas e
corretivas.

OBJETIVOS

Levantamento dos acidentes com produtos químicos no Estado da


Bahia, buscando identificá-los quanto à incidência, à localização, ao meio de
transporte, principais causas e conseqüências, bem como às substâncias
envolvidas. Especificamente visa:

• Realizar um levantamento preliminar dos Acidentes com Produtos


Químicos no Estado da Bahia, tendo em vista a colaboração com a
350
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
Vigilância Ambiental em Saúde dos Acidentes com Produtos
Perigosos,
• Colaborar com a implantação do Sistema de Informações dos
Acidentes com Produtos Perigosos.
• Subsidiar propostas de ação voltadas para a prevenção e controle
dos referidos acidentes no Estado.

MATERIAL E MÉTODO

Desenho do Estudo

Trata-se de um estudo descritivo realizado através da coleta de dados


acerca dos acidentes envolvendo produtos químicos no estado da Bahia.

A pesquisa foi desenvolvida utilizando-se como fonte de dados os


Processos Ambientais de Emergência do Centro de Recursos Ambientais:
CRA, que é o Órgão Ambiental do Estado da Bahia. Este foi escolhido como
fonte de dados sobre os acidentes químicos ampliados, considerando que, de
acordo com a Resolução nº 3183/03 o Conselho Estadual de Meio Ambiente-
CEPRAM aprova a Norma Técnica NT-001/2003 que estabelece os critérios e
procedimentos para comunicação imediata ao CRA de situações de
emergências ambientais, sendo as indústrias e transportadoras obrigadas a
comunicarem ao órgão ambiental os acidentes envolvendo produtos perigosos,
constituindo infração grave o seu descumprimento.

RESULTADOS

Foram investigados 87 (oitenta e sete) processos do período de


setembro de 2001 a setembro de 2003. Destes, 78 (setenta e oito) consistiam
em acidentes envolvendo produtos químicos, sendo objeto deste estudo e 09
(nove) não foram considerados para o objetivo deste trabalho por consistirem
351
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
em denúncias não procedentes e processos de acompanhamento de
simulados de acidentes realizados pelas indústrias.

A pesquisa foi realizada na sede do CRA, tendo em vista a


impossibilidade da saída dos processos.

Total de processos analisados: 78 (setenta e oito)


Período que compreendeu o estudo: 02 (dois) anos-set/2001 a set/2003

Definição dos Tipos de Acidentes Adotada para Realização deste Estudo:

- Acidentes Industriais: Acidentes que ocorreram nas dependências


internas das indústrias no processo produtivo;
- Acidentes Marítimos: Acidentes envolvendo derrames e vazamentos
por embarcações em movimento, poluindo as águas e as areias com
pelotas de óleo.
- Acidentes Portuários: Acidentes que ocorreram envolvendo
embarcações estacionadas nos portos; foram destacados dos acidentes
marítimos por envolverem tripulantes e trabalhadores dos portos, bem
como pela gravidade de risco dos eventos, geralmente derrame e
vazamento de produtos inflamáveis e/ou tóxicos em atividade de carga e
descarga;
- Acidentes Ferroviários: Acidentes que ocorreram por tombamento e
descarrilhamento de trem;
- Acidentes Rodoviários: Acidentes com carretas e caminhões
transportadores de produtos perigosos ocorridos nas rodovias;
- Acidentes Dutoviários: Acidentes ocorridos nos dutos transportadores de
produtos químicos;
- Disposição Inadequada de Resíduos: Acidentes envolvendo a
disposição de resíduos químicos, provenientes do processo produtivo,
em local inadequado.
352
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas

Total de acidentes por tipo

TOTAL DE ACIDENTES POR TIPO


6% Industriais
2%
26% Portuários

Marítimos
24%
Ferroviário

Rodoviário

Dutoviário
13%
5% Disposição Inadequada
de Resíduo

24%

Ressaltamos que, o número total de acidentes por tipo ultrapassa o


número total de processos de acidentes, tendo em vista que, os acidentes
marítimos atingem muitas vezes as praias de mais de um município do litoral,
sem que seja identificado, de acordo com os processos, se a procedência foi
de uma ou mais embarcações. Entretanto foi verificada a existência de
processos oriundos de denúncias feitas por mais de um município, num mesmo
dia, com queixa de poluição do mar e das areias das praias.

TIPO DE ACIDENTES POR MUNICÍPIOS

TOTAL DE ACIDENTES POR TIPO E MUNICÍPIOS


Município Indústria Portuário Marítimo Ferroviário Disp.Inad. Rodoviário Dutoviário
Camaçari 09 - 02 - - - -
Cairú - - 03 - - - -
Amélia
Rodrigues - - - - - 02 -
Santo Amaro - - - 02 - - -
Conceição de - - - 02 - - -
Feira
Candeias 02 01 - - 02 - -
353
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
Salvador 02 03 02 - 01 01 -
Ilha de - - 01 - - - -
Itaparica
São Fco. do - 02 02 - - - 01
Conde
Valença - - - - 01 - -
Simões Filho 03 - - 01 01 01 -
Senhor do - - - - - 01 -
Bonfim
Madre de - 05 - - - - 01
Deus
Feira de 01 - - - - 02 -
Santana
Lauro de - - 03 - - - -
Freitas
DiasD’Avila 03 - - - - - -
Mata de São - - 04 - - 01 -
João
Marau - - 01 - - - -
São Sebastião 02 - - - - - -
do Passé
Sto Estevão - - - - - 01 -
Itatem - - - - - 01 -
Conde - - 02 - - - -
Jequié - - - - - 01 -
Ipiau - - - - - 01 -
Teixeira de - - - - - 01 -
Freitas
Itapebi - - - - - 01 -
Juazeiro - - - 01 - - -
Gandu - - - - - 02 -
Itapemirim - - - - - 01 -
Entre Rios - - - - - 01 -
Araças - - - - - 01 -

Conseqüências para o ambiente

Lembramos que, quando se trata de acidentes com produtos químicos,


um mesmo acidente pode contaminar mais de um componente ambiental, o
que foi considerado nesse estudo.
354
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas

CONSEQUÊNCIAS PARA O MEIO


AMBIENTE
Contaminação do solo
2%
19%
33% Contaminação do mar/rio

Contaminação
Atmosférica

Mortandade de
carangueijos e
crustáceos
46%

Com relação à contaminação do solo, foi verificado que, a empresa


responsável pelo acidente em geral, realiza a limpeza do local através da
retirada do solo contaminado e encaminhamento para disposição final
adequada, de acordo com as orientações do órgão ambiental. Essa providência
é obrigatória de acordo com a legislação ambiental.
Quanto aos vazamentos com contaminação do mar/rio, o derrame é
contido e sugado por empresa especializada em socorro com acidentes
químicos ou pela Petrobrás, sendo encaminhado para tratamento e disposição
final adequada, seguindo também a orientação do órgão ambiental, salvo
algumas exceções onde a empresa foi multada.
A contaminação atmosférica foi a que, a curto prazo, atingiu e causou
problemas em maior número de pessoas, apesar de muitas vezes, após
investigação do órgão ambiental, as emissões não terem ultrapassado os
parâmetros permitidos tecnicamente. As condições climáticas estão
diretamente relacionadas ao nível de concentração dessas emissões e,
conseqüentemente, aos problemas de saúde das populações expostas, que
residem próximas à área industrial. A princípio, como as indústrias não estão
infringindo a legislação, esse tipo de evento poderá continuar acontecendo,
sem que se possa tomar nenhuma medida para contê-lo. No entanto é preciso
355
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
que os órgãos de saúde se aproximem e atuem nessa questão considerando
tratar-se de um problema de saúde publica.

Conseqüências para a saúde

TIPOS DE OCORRÊNCIAS NÚMERO DE NÚMERO DE VÍTIMAS


OCORRÊNCIAS
Evacuações 01 Não informado
Ferimentos, escoriações 02 05
Queimaduras de 1º e 2º grau 01 04
Óbitos 04 04
Dores de cabeça, vômitos, 06 Não informado.*
olhos lacrimejantes,
tonturas, coceira,
nervosismo
* Trata-se de ocorrências onde várias pessoas da comunidade foram afetadas,
sendo algumas encaminhadas ao serviço de saúde. Está citado de forma
generalizada.

Vale ressaltar que, com relação às conseqüências para a saúde, os


casos relatados acima foram os que constavam nos processos pesquisados.
No entanto, acreditamos que não corresponda à realidade em termos
quantitativos e qualitativos, tendo em vista que todos os demais casos
envolvendo emissões, derrames e vazamentos de produtos tóxicos não são
relatados se houve ou não queixas de problemas de saúde entre os expostos.
Lembramos também que não existe campo específico para a saúde no
formulário do órgão ambiental e que esses eventos não possuem a rotina de
serem acompanhados por órgãos da saúde.
Outro aspecto importante é a falta de acompanhamento e monitoração
dos expostos a esses acidentes por parte dos órgãos da saúde, o que
compromete ou inviabiliza um diagnóstico mais preciso das conseqüências
para a saúde das comunidades expostas. Considerando a toxidade dos
produtos envolvidos nos acidentes, torna-se imprescindível um estudo
epidemiológico das comunidades próximas aos centros industriais, tendo em
vista a elaboração de um perfil que subsidie de forma mais efetiva, ações
356
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
preventivas e de controle de possíveis doenças que só se manifestam a médio
e longo prazo.

Órgãos envolvidos nos acidentes

De acordo com os dados colhidos nos Processos, foi verificado que as


ocorrências de emergência eram acompanhadas pelo Órgão Ambiental, pela
empresa responsável pelo acidente e por empresa especializada em socorro a
emergências químicas. No entanto, em alguns casos houve relato da
participação de outros órgãos a saber:

OUTROS ÓRGÃOS ENVOLVIDOS NOS ACIDENTES (ALÉM DO CRA)

ÓRGÃOS Nº DE OCORRÊNCIAS

Corpo de Bombeiros 05
Polícia Rodoviária 05
Defesa Civil 02
Dpto.de Meio Ambiente Municipal 02
Secretaria Municipal de Saúde 01
LIMPURB- Limp. Pub.Urb de Salvador 01
SET- Serv.Engenharia de Tráfego 01

PRODUTOS ENVOLVIDOS NOS ACIDENTES


PRINCIPAIS PRODUTOS ENVOLVIDOS EM ACIDENTES PERIGOSOS
Óleo Diesel
Óleo Lubrificante
Alcatrão de Hulha
Soda Cáustica
NO2, SO2, TRS
SI de óleo (óleo externo)
GLP a granel
Amônia
CO2, No2, O3, SO2
Antrafuinona
Pelota de óleo
Hidrocarbono
Ácido Sulfúrico
357
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
Álcool classe 3
Asfalto líquido Gás natural
DOP – Dioctel – Fatalato
Enxofre
Óleo Carbolina
MEG – Monoetilenglicol
Plástico, fibre, ferro, Cilindros
C9 DI – Hidrogenado
Flogard MS 6222
Dianadic DN 2106
Cotrol
Sicamato NA 0560 Cal
Resina TT935
Resina maleica e espessante acrílico
HCL – Ácido cloridrico
Para-Xileno
Ultralub – Éster metílico
Éster e metanol
Acrilato de Étila Paraxileno
Ácido Formico
Picche

DISCUSSÃO

Acidentes rodoviários

Ocorreram em grande número sendo verificado o óbito de um motorista


e quatro encaminhamentos a unidades de saúde, sendo uma das vítimas um
pedestre que foi atingido por uma árvore tombada em conseqüência do
acidente. Este caso nos chama a atenção, pois ocorreu na área urbana de
Salvador, nas imediações da Estação Rodoviária/ Iguatemi, vindo da Av.
Paralela, consistindo no tombamento de um caminhão cilindro transportando a
substância química GLP a granel. Houve vazamento do produto, em pequena
quantidade. Consta como causa que o “motorista perdeu o controle”. O GLP é
um gás altamente inflamável, oferecendo perigo de incêndio e/ou explosão o
que poderia transformar o acidente numa tragédia, considerando
principalmente que o local do acidente é bastante movimentado. O motorista e
358
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
outro passageiro foram levados para o Hospital Geral do Estado-HGE com
escoriações, bem como o pedestre sobre o qual uma árvore caiu devido ao
choque com o caminhão. Este pedestre consta que era um senhor de
61(sessenta e um anos). No relato não informa se houve mais alguma vítima
nem se existiu gravidade no caso do pedestre.Nesse evento estavam
presentes além do CRA, o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar, a Defesa
Civil, a LIMPURB e a SET-Eng. de Tráfego.

Os danos ambientais em conseqüência dos acidentes rodoviários em


geral não são significativos, segundo relatos do Órgão ambiental, considerando
que os produtos derramados são contidos, neutralizados, e/ou removidos pelas
empresas responsáveis pelo transporte do produto, por exigências legais do
Conselho Estadual do Meio Ambiente. Entretanto muito pouco é sinalizado nos
processos em termos de saúde.

No acidente em que houve o óbito do motorista o produto envolvido era


um produto tóxico, a saber, Meg-monoetilenogicol, que, por se apresentar em
baixa pressão de vapor não causou efeitos tóxicos e, devido à sua baixa
mobilidade no tipo de solo, e não haver corpo hídrico próximo. Caso contrário,
poderia ter causado danos graves para a saúde da população. O motorista
faleceu e o outro passageiro foi levado para um hospital próximo, não diz qual,
nem o órgão que o transportou. Também não é esclarecido se o motorista e o
outro passageiro sofreram danos em função do vazamento do produto
transportado. No entanto, nos chama a atenção o fato do produto ter se
espalhado na direção das casas próximas e foi a própria população que
construiu barreiras com o próprio solo a fim de impedir que o produto invadisse
suas residências. Consta que o produto atingiu um curral ao lado de uma
residência e os animais foram retirados; o curral teve que ser demolido para a
retirada do solo contaminado.

Trata-se de um caso grave de risco para a saúde da comunidade


exposta onde a presença do setor saúde se faz necessário tendo em vista o
acompanhamento e monitoramento dessas populações expostas, e demais
intervenções a nível de prevenção e controle dos ricos.
359
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
No que se refere às causas principais dos acidentes rodoviários foram
apontadas em primeiro lugar as precárias condições das pistas de rolamento,
seguida de falhas do motorista tais como: “cochilou no volante”, foi
“ïmprudente”, “perdeu o controle”.Posteriormente vieram as falhas mecânicas
no veículo, pneus estourados, falta de acostamento e desnível acentuado,
chuvas fortes e luzes de outros veículos à noite vindo de direção contrária,
dificultando a visão do motorista. Vale ressaltar que, as falhas dos motorista
são citadas como uma das principais causas dos acidentes, de acordo com
estudo realizado por Alves,Daniel; e outros em “Diagnóstico Parcial das
Condições de segurança... no estado da Bahia/2000 com motorista de cargas
perigosas, onde foram verificadas condições de saúde dos motoristas
inadequadas ao tipo de serviço a saber: pressão arterial alta, nervosismo,
lombalgia, sedentarismo, hábito de bebida alcoólica em 56% dos entrevistados,
uso de medicamentos para evitar o sono - por alguns, dificuldade na visão
entre outros.

Enfim, os acidentes rodoviários expõem de forma bastante grave a


saúde do trabalhador motorista e das populações, principalmente devido aos
vários condicionantes que interferem para a exposição do risco, desde as
condições de conservação das estradas, passando pela desinformação dos
próprios motoristas que muitas vezes não sabem do risco a que estão
expostos, do estado de conservação e manutenção do veículo e a própria
condição de saúde do motorista.

Acidentes industriais

Os acidentes considerados industriais são os acidentes envolvendo


produtos químicos ocorridos nas dependências das industrias no processo
produtivo. De acordo com os dados levantados, estes ocorreram em grande
número e trouxeram conseqüências imediatas graves a saúde.

Entre os acidentes industriais foram verificados três óbitos, do total de


constatados entre todos os acidentes. Foi verificado um encaminhamento a
Unidade Hospitalar devido a acidente com queimaduras de 1º e 2º graus. Os
360
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
óbitos de trabalhadores se deram em conseqüência do rompimento da
tubulação de gás natural com explosões em indústria situada no município de
Candeias. Os três trabalhadores que foram a óbito tinham 37, 39 e 42 anos de
idade e respectivamente 13, 15 e 20 anos de trabalho na indústria. Vale
ressaltar que, nesse caso não é registrado nenhum dano ao meio ambiente e
não diz a causa do acidente.

Das nove ocorrências internas do Pólo Petroquímico de Camaçari, cinco


foram registradas queixas de incômodos e problemas de saúde de moradores
do município de Dias D’Avila e de Camaçari, tais como: mal estar, ardência nos
olhos, nervosismo, pânico, tontura, asfixia, coceira, sendo muitos dos expostos
encaminhados a postos de saúde devido às emissões atmosférica. No entanto,
de acordo com inspeção e solicitação do órgão ambiental, as empresas
apresentaram relatório das emissões, não sendo verificadas emissões acima
dos padrões permitidos legalmente. As causas alegadas pelas empresas foram
sempre atribuídas às condições climáticas como ventos em calmaria e
estabilidade climática, o que prejudicou a dispersão da pluma formada pelas
emissões, resultando em um aumento das concentrações.

Dentre as principais causas de acidentes industriais registradas, estão


primeiramente as falhas na operação, seguida de problemas na operação do
sistema - não sendo especificado se compreende falhas na atuação dos
trabalhadores, posteriormente vem as falhas mecânicas, condições climáticas e
sistema de operação inadequada, isto é, sistema que não atende aos requisitos
de segurança para a saúde do trabalhador e da população. Ex.: “sistema
inadequado de exaustão e desempoeiramento” em fornos industriais.

Com relação às emissões, cabe pontuar as freqüentes queixas de


problemas de saúde sofridos pela comunidade e ao mesmo tempo, a não
ultrapassagem dos parâmetros das emissões permitidos legalmente.
Considerando que as condições climáticas interferem nas concentrações das
emissões e no conseqüente problema de saúde das populações, ressaltamos a
necessidade de equacionar melhor esses parâmetros e/ou controlar as
emissões adequando às previsão metereológica. É uma questão a ser
361
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
discutida e enfrentada tendo em vista que a saúde pública encontra-se
vulnerável ao risco em função das “condições climáticas”.

Verificamos também a tendência a responsabilizar os trabalhadores


pelos acidentes, vindo confirmar as questões discutidas no referencial teórico,
que é uma situação perversa que contribui para escamotear as questões
políticas, sociais e econômico que envolvem os acidentes industriais com
produtos químicos.

Vale ressaltar que, em ocorrência verificada em uma fábrica de gelo


instalada em área residencial de Salvador, onde houve vazamento de amônia
durante a operação, consta no processo que o próprio operador descreve que
a “falha” foi sua que não percebeu que a mangueira estava pressurizada e
desconectou do cilindro contendo amônia. Entretanto o CRA verificou que no
equipamento operado não existia o instrumento para medir a pressão no
sistema de reposição de amônia, o qual é necessário para esse tipo operação.

Essa situação reflete uma condição injusta, fruto de uma ideologia que
tende a responsabilizar os acidentes de forma monocasual culpando os
trabalhadores, fazendo com que, este próprio trabalhador, que é “culpado” e
vitima, assuma e se perceba como o único responsável pelos acidentes.
Reflete também a condição de alienação e desconhecimento de muitos
trabalhadores que não sabem o risco a que estão expostos, todos os dias no
seu dia-a-dia no interior das indústrias.

Fatos desta natureza ocorrem, em grande parte, devido ao descaso


pelos trabalhadores, devido a uma estrutura política, social e econômica
desigual e injusta, refletindo o nível de cidadania da população.

Acidentes marítimos

Foram considerados os acidentes onde ocorre contaminação da água do


mar e da areia das praias com pelotas de óleo com suspeita de serem
provenientes, de acordo com o CRA, da lavagem de tanques de navios
transportadores em alto mar e que se dirigem para as praias. Em geral, nesses
362
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
casos o órgão ambiental é acionado por moradores ou freqüentadores das
praias. O CRA, verificando a procedência, solicita a intervenção da Petrobrás,
que fez a limpeza das praias, bem como a coleta de amostra dessas pelotas e
encaminha para laboratório específico no Rio de Janeiro, a fim de se investigar
os componentes químicos do produto para possível associação com os
produtos transportados pelos navios e a possível identificação das
embarcações responsáveis. Cabe ressaltar que em nenhum processo foi
verificado o retorno com esses dados laboratoriais e a identificação do navio
responsável.

Esse tipo de ocorrência é muito freqüente nas praias do litoral da Bahia,


havendo inclusive várias queixas, provenientes de municípios distintos num
mesmo dia, que ficam registrados num mesmo processo.

A inadequada fiscalização do transporte marítimo no litoral do Estado,


aliada a falta de responsabilização por esses acidentes contribuem para a
freqüência e continuidade dessas ocorrências.

Acidentes ferroviários

Os acidentes ferroviários consistem em descarrilamento e tombamento


de vagões de trem transportadores de produtos químicos. Neste tipo de
acidente foi verificado registro de vítimas, além de danos ao meio ambiente
através de contaminação do solo e do ar.

Em acidente ocorrido entre as estações de Barrinha e Juazeiro, por


exemplo, houve tombamento dos vagões carregando gasolina e óleo diesel,
não sendo especificado a quantidade vazada. O local do acidente, segundo
documentação pesquisada, ficava a cerca de 01 km de residências. Foi feito
isolamento da área, utilizando produto para absorver o óleo, sendo retirado 250
kg do solo contaminado para ser disposto em local adequado. Não havia corpo
d’agua no local. A empresa ferroviária tomou todas as providências devidas
para mitigar os danos. Consta como “causa” deste acidente o descarrilamento
de um vagão intermediário.
363
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
Chamamos a atenção para um outro evento ocorrido na BR – 101,
município de Conceição de Feira, onde houve descarrilamento de três vagões
e tombamento de um deles com derrame de produto Paraxileno, vindo de
indústria do Pólo Petroquímico de Camaçari com destino a São Paulo. O
acidente ocorreu a uma distância de cerca de 9km da zona urbana e, constava
na documentação pesquisada, que não havia residências “muito” próximas ao
local. Também não foi registrado pelo CRA qualquer queixa de moradores
sobre incômodos com o produto vazado. Entretanto o vazamento do Paraxileno
durou cerca de duas horas, sendo feito trabalho de contenção e retirada
durante toda a noite. É relatado, no processo que o Paraxileno é um líquido
incolor e inflamável - é um solvente. O vapor dele é mais pesado que o ar e
pode se espalhar por longas distâncias, formando gases tóxicos e depressores
do sistema nervoso central. A inalação pode causar dores de cabeça, náuseas,
vertigens, confusão, incoordenação, irritação da pele e olhos, além de
fetotoxidade em humanos. Foi vazado cerca de 100 litros do produto.

Verificamos assim, o grave risco a que as populações próximas às


rodovias estão expostas, bem como os trabalhadores envolvidos na contenção.
Chamamos a atenção que, não apenas nesse caso como no primeiro
comentado, onde as residências estavam bem próximas, havia risco de
incêndio entre outros.

Não é especificado que Órgãos estiveram acompanhando e realizando a


contenção e remoção do solo contaminado.

Acidentes portuários

São os acidentes decorrentes de vazamento e/ou derramamento de


produtos perigosos provenientes de navios estacionados em portos para carga
e/ou descarga desses produtos a serem transportados ou no abastecimento de
combustível.

As principais causas citadas deste tipo de acidente foram as falhas na


operacionalização, o que nos remete mais uma vez ao trabalhador como
principal responsável, seguido de defeitos mecânicos. Esses acidentes
364
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
envolvem derrame/vazamento de produto químico no mar, bem como emissões
atmosféricas tóxicas.

Chamamos a atenção para acidente ocorrido no Terminal Químico de


Aratu (Posto de Aratu/Candeis–Ba.) foi verificado caso de vazamento/emissões
do produto Acrilato de Etila durante operação de armazenamento de tanque
que teve duração de uma hora e meia, sendo registrada queixa de problemas
de saúde em crianças numa escola deste município. Não é relatado causa ou
conseqüências para a saúde dos trabalhadores envolvidos nessa operação,
nem nos tripulantes do navio.

Ressaltamos também o vazamento de óleo diesel e óleo lubrificante


proveniente do reservatório de embarcação que trabalha no combate ao
vazamento de óleo no terminal de Madre de Deus. A causa citada foi “falha de
estanqueidade de válvula de fundo” da referida embarcação.

Nessas ocorrências, em geral o produto fica contido em uma barreira de


proteção e é posteriormente sugado e retirado do mar para disposição
adequada.

Consideramos importante chamar a atenção para a falta de dados


quanto as conseqüências para a saúde dos trabalhadores envolvidos nos
acidentes, bem como para a necessidade de acompanhamento, por parte do
setor saúde, das condições e dos riscos a que estão expostas as comunidades
afetadas por estes.

Acidentes dutoviários

São os acidentes ocorridos em dutos transportadores de produtos


químicos. Foi verificado um número pequeno desse tipo de ocorrência,
entretanto esse tipo de veículo para os produtos perigosos oferece risco
permanente onde são localizados tendo em vista tratar-se de instalação fixa.

Chamamos a atenção para uma ocorrência onde se deu vazamento de


gasolina numa dutovia localizada na orla marítima de Madre de Deus que
365
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
passa enterrado na faixa de marés de praia onde consta como causa, furo no
duto transportador do produto.

Esta ocorrência, de acordo com o órgão ambiental, causou “danos


significantivos ao meio ambiente”, sendo contaminado 18 m3 de areias com
hidrocarboneto, que foi recolhido e enviado para disposição adequada. A área
foi interditada, sendo instaladas barreiras de absorção no mar e braçadeira de
vedação. Nesta ação consta a participação do CRA, das empresas
responsáveis pelo acidente e da Coordenação de Meio Ambiente e Secretaria
da Saúde do Município.

Não é citado se houve alguma conseqüência imediata para a


comunidade. Foi registrada, entretanto a dificuldade para localização do
vazamento, o que expôs por mais tempo os trabalhadores e a comunidade
próxima.

Disposição inadequada de resíduos

Foi apresentado como acidente, tendo em vista a ocorrência dessa


prática desencadear acidentes com grande potencial de risco. Chamamos a
atenção para uma ocorrência de disposição inadequada de resíduo químico
oriundo de uma indústria no município de Candeias, em terreno que dá acesso
a um bairro do local. O produto disposto foi DOWTHERM – 6 ou Alucoque, que
se constitui como uma mistura de éteres bifenílicos e óxido difenilo. Trata-se de
um Fluído Térmico usado no aquecimento de piche. O órgão ambiental foi
acionado por moradores da comunidade com queixas de que o odor eliminado
pelo resíduo estava causando problemas de saúde tais como dores de cabeça,
ânsia de vômito, olhos lacrimejantes e alguns moradores já tinham feito
vômitos. A indústria suspeita foi acionada a comparecer no local e assumiu
tratar-se de produto de seu setor produtivo.O médico da empresa prestou
consulta médica a alguns moradores sendo devidamente orientados. Consta no
processo que, o motorista da caçamba informou ter levado o resíduo para
aquele local por conta própria, a pedido de um morador, o qual não
366
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
identificado, sob a justificativa de que o resíduo serviria para tapar buracos da
rua.

Consta no referido processo que o produto pode causar risco imediato a


algum órgão exposto ou na exposição prolongada, trazendo como
conseqüência problemas de saúde como o câncer e danos outros que só se
manifestam após longo tempo, além disso pode causar incêndio e queimadura.

Verifica-se nesse caso, mais uma vez, a tendência aos trabalhadores


serem os responsáveis pelos acidentes e o grave risco a que foram expostos
os moradores da comunidade bem como o próprio motorista e demais
trabalhadores envolvidos na retirada do produto do local. Cabe pontuar a
ausência do setor saúde no acompanhamento das conseqüências a médio e
longo prazo desse tipo de ocorrência, principalmente em casos como este onde
o produto envolvido causa danos imediatos a algum órgão exposto e a médio e
longo prazo.

CONCLUSÃO

Verificamos que, os acidentes com produtos químicos na Bahia


caracterizam-se predominantemente como: Acidentes Industriais (internos às
indústrias) e Rodoviários.
As causas desses acidentes são, em grande parte, analisadas de forma
monocausal e atribuídas aos trabalhadores. Quer seja o trabalhador de
indústria, quer seja o motorista do veículo transportador do produto químico.
Isso só confirma a problemática levantada da revisão de literatura apresentada
no inicio desse trabalho, reforçando a necessidade de uma abordagem mais
ampla e multidisciplinar na análise e na busca de uma proposta de trabalho de
prevenção e controle desses acidentes.
Os aspectos sociais, políticos e econômicos não podem mais ficar de
fora dessa discussão sob pena de não se chegar aos pontos mais relevante
para se enfrentar essa problemática, assim como é de fundamental importância
367
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
da participação dos trabalhadores na discussão das análises dos acidentes e
nas propostas de trabalho preventivo.
As análises monocausais dos acidentes correspondem a uma ideologia
que perpetua o olhar para o “erro” individual, eximindo a sociedade como um
todo, da responsabilidade sobre esse cenário em que nos encontramos.
Precisamos assumir o “erro social” nos acidentes químicos ampliados para que
possa se dar, a partir da interdisciplinaridade e da participação dos
trabalhadores, propostas legítimas e eficazes na prevenção e controle dos
acidentes com produtos perigosos.
De acordo com o exposto, ressaltamos a necessidade da adoção de
programas públicos e privados que visem a melhoria das condições das
rodovias, bem como da segurança dos veículos transportadores de produtos
perigosos. Merece maior atenção os condutores destes veículos, tendo em
vista as precárias condições de saúde que muitos estão submetidos
exercendo essa atividade. Necessário também maior fiscalização das ferrovias,
dutos e das embarcações que fazem esse tipo de transporte.
Quanto aos acidentes industriais é de extrema importância a fiscalização
às condições internas de trabalho e dos equipamentos em operação, tendo em
vista o grande número de ocorrências provenientes de falhas mecânicas e no
sistema operacional.
Chamamos a atenção para a importância do setor saúde nessa
problemática dos acidentes com produtos perigosos, que encontra-se ainda
bastante incipiente mas caminhando no sentido de ocupar de forma efetiva o
seu lugar no controle e prevenção destes.
Lembramos aqui a inserção do setor saúde nessa questão é de extrema
relevância considerando que, os problemas de saúde advindos de acidentes
desta natureza têm o potencial de se ampliarem no espaço e no tempo,
atingindo, a depender da gravidade e magnitude, grande número de pessoas e
apresentando seqüelas a médio e longo prazo.
A Vigilância Ambiental em Saúde dos Acidentes com Produtos
Perigosos está se estruturando na construção de um trabalho intersetorial e
multidisciplinar, atendendo a especificidade e abrangência dessa problemática.
368
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
Entre os aspectos limitantes para a realização desse trabalho
destacamos a complexidade do problema, a falta de um sistema formal de
registro com enfoque nos aspectos de saúde, fazendo com que tenhamos de
buscar em outros órgãos as informações sobre o assunto, além da falta de um
sistema de informações que integre os dados dos diversos órgãos que atuam
nos acidentes.

No Brasil, a infra-estrutura institucional dos órgãos de saúde ainda é


bastante precária e a falta de integração entre eles dificulta a formulação de
estratégias de controle e prevenção dos acidentes com produtos perigosos.

Este trabalho se propôs a fazer o levantamento preliminar dos Acidentes


com Produtos Químicos no Estado da Bahia, contribuindo com a Vigilância
Ambiental em Saúde relacionado aos Acidentes com produtos Perigosos e será
aprofundado e incorporado ao serviço.

RECOMENDAÇÕES:

1) Capacitação e estruturação do setor saúde para a prevenção, controle


e acompanhamento dos Acidentes Químicos Ampliados;
2) Fiscalização efetiva do setor saúde nas realidades internas das
indústrias;
3) Acompanhamento dos trabalhadores - motoristas dos veículos
transportadores de produtos perigosos - pelo setor saúde;
4) Intensificar a fiscalização e conservação das rodovias pelos órgãos
competentes;
5) Maior fiscalização dos navios e trens que transportam produtos
perigosos. pelos órgãos competentes;
6) Elaboração de propostas de esclarecimento e sensibilização para os
transportadores, fabricantes, expedidores, importadores e destinatários do
produto, quanto aos riscos e conseqüências deste tipo de acidente;
369
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
7) Incrementar a discussão sindical acerca da categoria dos motoristas
transportadores de produtos químicos, tendo em vista o risco a que estão
expostos;
8) Buscar parcerias com órgãos e entidades públicas e privadas;
9) Maior controle das condições dos dutos que transportam produtos
químicos;
10) Ampliar o quadro de pessoal aos órgãos de fiscalização para melhor
exercerem suas funções.

REFERÊNCIAS

Bahia. Secretaria do Planejamento, Ciências Tecnologia - Seplantec. Meio


Ambiente: legislação básica do estado da bahia. Salvador: CRA, 1997.
270 p.
______________________________Bahia: nova legislação ambiental.
Salvador: CRA, 2001.186 p.
BRASIL, Ministério dos transportes. Portaria Federal nº 204,1996.
______________________________Decreto Federal nº 96.044 -
Regulamentação para transporte rodoviário de produtos perigosos,1998.
São Paulo.CUT/FUNDACENTRO. Acidentes Químicos Ampliados a visão dos
trabalhadores, Anais...Seminário Nacional dos Produtos Químicos, 1998
FREITAS, Carlos Machado de. Acidentes industriais ampliados: desafios e
perspectivas para o controle e a prevenção. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2000.
JACOBINA, Alexandre. Transporte Rodoviário de Produtos e Resíduos
Perigosos - "abordagem crítica sobre a movimentação de produtos e
resíduos perigosos no brasil, com ênfasepara o modal rodoviário.{s.l.:s.n},
1996
ALVES, Daniel e outros : Diagnóstico parcial das condições de segurança
do transporte rodoviário de produtos perigosos no estado da bahia -
2000.
www.upb.org.br/rodovias.pdf
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
NÚCLEO DE ESTUDOS DE SAÚDE COLETIVA
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

O TRANSPORTE DAS FONTES RADIOATIVAS PARA OS SERVIÇOS DE


MEDICINA NUCLEAR INSTALADOS NO MUNICÍPIO DE SALVADOR/BA

Marly Pedreira Dantas

Adaptação da Monografia apresentada ao


Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva
como pré-requisito para a obtenção do
Titulo de Especialista em Vigilância
Ambiental em Saúde

- 2003 -
RESUMO

DANTAS, Marly Pedreira. O Transporte das Fontes Radioativas para os


Serviços de Medicina Nuclear instalados no município de Salvador/BA.
Salvador: UFRJ; CCS/NESC, 2003. Monografia (Especialização em Vigilância
Ambiental em Saúde).

O presente estudo exploratório desenvolve uma avaliação das condições


do transporte das fontes radioativas a serem utilizadas nos 11 (onze) serviços
de Medicina Nuclear de Salvador/BA, baseando-se nos requisitos exigidos
como meios de proteção e segurança pela legislação pertinente em vigor,
verificando em que medida o transporte atende a esta normatização, levando
em consideração as possibilidades de ocorrência de acidentes durante o
percurso, e conseqüentemente, o risco de contaminação radioativa, causando
danos à saúde humana e ao meio ambiente. Para a coleta dos dados
empregou-se pesquisa bibliográfica, documental e de campo, visando conhecer
a situação existente, visto que, apesar de ser campo de atuação da Vigilância
Sanitária, conforme fica comprovado, esta área nunca sofreu nenhum tipo de
intervenção. Diante dos resultados apresentados, observou-se que diversos
itens pesquisados na operacionalização do transporte das fontes radioativas
contrariam o disposto nas normatizações vigentes, alguns considerados como
infrações graves sob o aspecto da proteção radiológica, cuja negligência pode
ser causa para um acidente radiológico, com comprometimento da qualidade
de vida. O índice elevado de irregularidades observadas nesta pesquisa reflete
a omissão das autoridades regulatórias na área do transporte de materiais
radioativos, e apresenta propostas visando reverter este quadro, com vistas a
uma operação de modo mais seguro e ambientalmente sustentável.
374
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
1- INTRODUÇÃO

Nos dias de hoje, é inconcebível a prática da moderna Medicina sem os


recursos proporcionados pela Medicina Nuclear, área que consiste na
aplicação “ïn vivo” de material radioativo, e que oferece benefícios para todas
as outras especialidades médicas, seja auxiliando no diagnóstico, colaborando
no plano de tratamento, ou orientando e controlando a terapêutica.

Alem disso, devido ao desenvolvimento técnico nas pesquisas de física


nuclear, o campo da Medicina Nuclear tem avançado tecnologicamente à razão
de 15 a 20% ao ano nas duas últimas décadas, facilitando o acesso a esse tipo
de exame (LISBOA, 2002).

Por outro lado, não se pode ignorar os conhecimentos relativos ao risco


potencial à saúde representado pelas substâncias radioativas – os chamados
radionuclídeos – utilizadas neste precioso meio auxiliar, principalmente quando
empregadas de forma pouco cautelosa e imprudente.

Desta forma, a preocupação com as questões sanitárias e ambientais


decorrente do uso de material radioativo, tem levado as autoridades
regulatórias – a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e a Vigilância
Sanitária – à definição de normatizações e instruções estabelecendo padrões
técnicos e procedimentos operacionais de proteção radiológica, que permitam
usufruir dos benefícios da Medicina Nuclear em detrimento do risco associado
a esta prática.

Na maioria dos países, inclusive o Brasil, o Estado tem o monopólio da


posse, da distribuição e do uso de substâncias ou equipamentos emissores de
radiações ionizantes, instituindo o licenciamento de instalações e profissionais.

Assim, tanto a CNEN quanto as Vigilâncias Sanitárias Estaduais


licenciam e realizam inspeções periódicas a tais serviços, visando observar o
cumprimento das exigências normativas no interior dos serviços.

No nosso Estado, legalmente cabe à Secretaria da Saúde do Estado da


Bahia (SESAB), através da Diretoria de Vigilância e Controle Sanitário
375
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
(DIVISA), a competência pela fiscalização, processo que tem um papel
fundamental como mecanismo de controle na garantia do direito à saúde.

Entretanto, as fontes radioativas utilizadas são adquiridas junto ao


Instituto de Pesquisas Nucleares (IPEN), um instituto da CNEN localizado em
São Paulo, expedidas por via aérea e transportadas até chegarem ao seu
destino, os serviços de Medicina Nuclear de Salvador/BA, sem nenhuma
fiscalização e controle de autoridades regulatórias em nosso Estado.

Além disso, as fontes radioativas empregadas não são “seladas”, ou


seja, o material radioativo não está hermeticamente encapsulado, o que
evitaria vazamentos e contacto com o referido material, sob condições de
aplicação específicas.

Neste sentido, o presente trabalho desenvolve uma avaliação das


condições do transporte das fontes radioativas a serem utilizadas nos 11 (onze)
serviços de Medicina Nuclear instalados no município de Salvador/BA,
baseando-se nos procedimentos que são exigidos como meios de proteção e
segurança pela legislação pertinente em vigor, verificando em que medida o
transporte atende a esta normatização, levando em consideração as
possibilidades de ocorrência de acidentes durante o percurso, e
conseqüentemente, o risco de contaminação radioativa, causando danos à
saúde humana e ao meio ambiente.

Mesmo sabendo das limitações de um trabalho monográfico, a nossa


inspiração para esta incipiente produção, teve sua matriz nas inquietações
surgidas durante o exercício como inspetor de Vigilância Sanitária, permitindo
compreender a importância de provocar uma investigação mais profunda ao
tema, uma situação completamente desconhecida, tendo em vista a relevância
sanitária e ambiental que ele aponta, entendo-se o Transporte de Material
Radioativo como todas as operações e condições associadas e envolvidas na
movimentação de material radioativo remetido de um local a outro, incluindo
tanto as condições normais como as condições de acidente.
376
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
Este trabalho não pretende esgotar a discussão sobre o tema proposto,
mas apenas contribuir para despertar a consciência sanitária e ambiental de
todos os usuários envolvidos, sejam autoridades regulatórias, profissionais da
Medicina Nuclear, transportadores, e outros, visando tão somente ressaltar a
importância do atendimento aos dispositivos legais no transporte de fontes
radioativas, os quais podem representar a possibilidade de usufruir os
benefícios proporcionados pela Medicina Nuclear, com risco potencial mínimo.

2 – OBJETIVOS

• Identificar na legislação em vigor os aspectos relativos ao transporte de


materiais radioativos;
• Avaliar o transporte de materiais radioativos para os serviços de
Medicina Nuclear instalados no município de Salvador/Bahia, de acordo
com os requisitos de radioproteção e segurança exigidos na legislação
vigente;
• Levantar os riscos de acidentes radiológicos decorrentes do transporte
de materiais radioativos para os serviços de Medicina Nuclear de
Salvador/Bahia.

3 - REVISÃO DE LITERATURA

3.1. – A Medicina Nuclear

A Medicina Nuclear é a especialidade médica voltada para o diagnóstico


por imagens e procedimentos terapêuticos que utilizam a administração de
determinada molécula ligada à pequena quantidade de material radioativo
(CAMARGO, 1997).

A este complexo chamamos radiofármaco, sendo que o prefixo “radio”


refere-se ao material radioativo, ou radionuclídeo, ligado ao “fármaco”, a
molécula usada como veículo que é captada pelo tecido que se deseja estudar
ou tratar (CAMARGO, 1997).
377
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
A pequena quantidade de material radioativo injetada é detectada por
um aparelho denominado de Câmara de Cintilação, que é um detector de
radiação computadorizado, capaz de acompanhar a evolução do material
administrado, fazendo imagens tomográficas e tridimensionais da região de
referência do estudo.

Segundo Mario Ferreira (2002, p.5), o uso interno de material radioativo


como traçador data de 1927, quando foi injetado o elemento Radônio na veia
de um braço de um paciente, e medido o tempo gasto para o mesmo chegar ao
outro braço, permitindo estimar a velocidade do fluxo sanguíneo de um braço
para o outro.

A Medicina Nuclear oficialmente originou-se em 1948, quando foi


realizado o primeiro radiocardiograma, injetando intravenosamente o Cloreto de
Sódio marcado com o sódio radioativo, utilizando-se um contador Geiger como
detector.

A Medicina Nuclear é mais utilizada para diagnóstico, servindo tanto


para obtenção de imagens radiológicas, como para estudar a fisiopatologia dos
órgãos-alvo, fornecendo com precisão uma avaliação anatomo-funcional de
diversos órgãos e sistemas.

Ainda conforme o mesmo autor, com objetivo terapêutico, na Medicina


Nuclear o radiofármaco é captado pela própria lesão a ser tratada, como por
exemplo, uso de Iodo (I131) para tratar tumores de tireóide. Esta prática é
diferente da Radioterapia, em que o tratamento é realizado com fonte
radioativa externa ao paciente.

3.2. – Os Radionuclídeos

A Radioatividade (“atividade de emitir raios”) foi descoberta por Henri


Becquerel em 1896, quando acidentalmente guardou em uma gaveta uma
rocha contendo urânio, juntamente com um filme fotográfico, o qual foi
sensibilizado por “alguma coisa” que saía da rocha, o que foi chamado de raios
ou radiação (MARTINS, 1997).
378
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
A partir daí, comprovou-se que existem elementos chamados
radioativos, cujos átomos são instáveis, com núcleos muito energéticos, por
terem excesso de partículas ou de cargas. Esses átomos tendem à
estabilização, emitindo energia sob a forma de partículas (Alfa ou Beta) ou de
ondas eletromagnéticas (raios Gama), e transformando-se espontaneamente
em outros elementos químicos. A este processo denomina-se Decaimento
Radioativo ou Desintegração Nuclear.

De acordo com Lisboa (2002, p.28) e Cardoso (p.6-7), as partículas Alfa


emitidas têm carga elétrica positiva, são altamente energéticas e, portanto, têm
elevado poder de ionização. Entretanto, apresentam baixo poder de penetração
(penetra até 5 cm no ar e não penetra na pele). Ela só é perigosa quando
ingerida ou inalada, pois pode ser interrompida com papel e plástico.

As partículas Beta são carregadas negativamente, possuem menor


energia que as Alfa, mas apresentam maior poder de penetração (penetra
vários metros no ar e vários centímetros na pele e nos tecidos). Podem ser
paradas usando-se madeira e lâminas metálicas.

Já a radiação Gama não apresenta carga elétrica nem massa


mensurável, produz ionização fraca, mas tem elevado poder de penetração,
podendo atravessar vários metros de concreto e afetar todas as partes do
corpo humano. Para pará-la é necessário usar materiais mais densos, como o
chumbo.

Os núcleos instáveis de um mesmo elemento químico e de massas (nº


de prótons e de nêutrons) diferentes são denominados de Radioisótopos, e não
decaem ou se desintegram todos ao mesmo tempo.

Ao número de átomos que se desintegram por segundo chamamos de


Atividade, a qual é proporcional ao número de átomos instáveis presentes na
amostra. Sua unidade de medida é o Becquerel (Bq), correspondendo 1 Bq =
uma desintegração por segundo (antigamente utilizava-se como unidade de
medida o Curie, 1 Ci = 3,7 x 1010 Bq).
379
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
Cada elemento radioativo, seja natural ou obtido artificialmente, decai a
uma velocidade que lhe é característica, e que não é alterada por nenhum
agente químico ou físico.

Ao tempo necessário para a Atividade de um elemento radioativo ser


reduzida à metade da Atividade inicial, denominamos de Meia-vida física (T ½)
(LISBOA, 2002).

Na Medicina Nuclear, além da Meia-vida física do elemento utilizado,


deve-se considerar ainda a Meia-vida biológica (TB), que é o tempo necessário
para que a metade do material radioativo administrado no organismo, seja
eliminado pelas vias normais de excreção (LISBOA, 2002).

3.3. – Os Radiofármacos da Medicina Nuclear

Segundo Eliana A. Lisboa (2002, p.31-33), os radionuclídeos


empregados na Medicina Nuclear raramente são usados na sua forma química
simples, sendo incorporados a diversos compostos químicos, levando em
consideração suas propriedades químicas, fisiológicas ou metabólicas, visando
o órgão-alvo.

São chamados de radiofármacos os compostos químicos com


radionuclídeos preparados para uso em humanos.

A grande maioria dos radiofármacos é empregada com objetivos


diagnósticos, e apenas alguns poucos para fins terapêuticos.

Conforme Eliana Almeida, nem todos os elementos radioativos


disponíveis na natureza podem ser utilizados na Medicina Nuclear. Entre os
critérios que determinam os radionuclídeos que podem ser utilizados para fins
médicos incluem-se, principalmente, a Meia-vida física e biológica, o tipo de
radiação produzida e a energia emitida por esta radiação.

A maioria dos radionuclídeos que existem na natureza tem meia-vida


longa, inviabilizando o seu emprego na Medicina Nuclear, que tem preferência
por elementos de meia-vida curta, e são produzidos artificialmente.
380
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
Os principais radionuclídeos empregados na Medicina Nuclear incluem:
(I-131 e I-123); Índio (In-111); Gálio (Ga-67); Tecnécio (Tc-99m); Tálio (Ta-
201), e Samário (Sm-153).

De todos, o mais utilizado é o Tecnécio. As radiações mais úteis na


Medicina Nuclear são as partículas Beta e os raios Gama, considerando as
características próprias das mesmas citadas anteriormente (poder de
penetração e ionização).

Os radionuclídeos emissores de partículas Beta são usados com


objetivos terapêuticos. Entretanto, a maior parte da Medicina Nuclear tem
finalidade diagnóstica, e emprega radionuclídeos emissores de radiação Gama.

Assim, a avaliação diagnóstica e o acompanhamento terapêutico de


diversas doenças podem ser realizadas pela Medicina Nuclear. De acordo com
o órgão-alvo ou o sistema a ser avaliado, existem diversos radiofármacos
disponíveis com indicação precisa, conforme a finalidade:

a) Diagnóstico – descreve a biodistribuição corpórea do radiofármaco,


examinando o estado anatomo-funcional dos órgãos.

• Sistema Cardiovascular – Tecnécio-99m e Tálio-201


• Sistema Respiratório – Tecnécio-99m
• Sistema Músculo-esquelético – Fosfonatos
• Sistema Digestivo – Tecnécio-99m
• Sistema Urinário – Tecnécio-99m
• Sistema Endócrino – Iodo-131; Iodo-123 e Tecnécio-99m
• Sistema Nervoso Central – Tecnécio-99m
• Oncologia – Gálio-67; Tecnécio-99m e Tálio-201

b) Terapêuticos – Emprega-se radiofármacos Beta-emissores, capazes


de interagirem com a matéria, transferindo energia e causando a morte
localizada do tecido, mas atravessando apenas poucos centímetros no tecido
humano. Essa propriedade de produzir dose elevada sobre uma área
localizada e de curto alcance torna a partícula Beta extremamente importante
na Medicina Nuclear.
381
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
• Iodo-131 – tratamento de doenças tireoidianas e carcinoma tireoidiano;

• Samário-153 – eliminação de dor óssea de origem metastática.

3.4. – EFEITOS BIOLÓGICOS DA RADIAÇÃO

Desde os primórdios da descoberta da Radioatividade, os cientistas


aprenderam que a radiação não é apenas fonte de benefícios, mas também
pode ser uma ameaça aos seres vivos se não for tratada adequadamente, e,
por isso, muitos morreram de doenças induzidas pela radiação a que foram
expostos em suas pesquisas (ANDRADE, 2003).

As radiações dos radionuclídeos empregados na Medicina Nuclear são


chamadas Radiações Ionizantes, pois ao interagirem com a matéria, ocorre
transferência de energia, que pode provocar excitação e ionização de átomos,
e determinar uma série de fenômenos e efeitos, na dependência das
propriedades da radiação emitida (ANDRADE, 2003).

Essa radiação, segundo Eliezer Cardoso, pode atingir a matéria através


de dois mecanismos de ação: Contaminação Radioativa (presença indesejável
de materiais radioativos em pessoas, materiais ou locais) ou Irradiação
(exposição de materiais ou pessoas à radiação por fonte externa, sem contato
íntimo com a fonte). Sempre que existe contaminação, também há irradiação
do local em que está depositado o material radioativo. Quando ocorre
contaminação interna de pessoas, seja por ingestão, inalação ou absorção
através da pele, a presença da fonte no interior do organismo é altamente
perigosa, pois provoca uma exposição contínua até que a desintegração cesse,
ou a fonte seja eliminada do organismo. Dessa forma, as fontes radioativas
usadas na Medicina Nuclear, tanto podem causar efeitos por irradiação, como
por contaminação, cuja gravidade está na dependência do poder de
penetração e de ionização, quer seja partículas Beta, quer seja raios Gama.

A ionização é o processo no qual um átomo ou molécula eletricamente


estável, ou seja, com número de prótons do núcleo igual ao número de elétrons
382
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
dos orbitais, se torna instável, adquirindo carga elétrica positiva ou negativa
(OLIVEIRA & MOTA, 1993).

De acordo com Alexandre Andrade, as células quando expostas à


radiação sofrem ação de fenômenos físicos, químicos e biológicos. A radiação
causa ionização dos átomos, que afeta moléculas, que poderão afetar células,
que podem afetar tecidos, que poderão afetar órgãos, que podem afetar a todo
o corpo.

Segundo José Humberto Damante (1980, p.6-14), todos os átomos que


compõem as moléculas dos seres vivos encontram-se em equilíbrio elétrico.
Quando um fóton da radiação colide com um elétron de um átomo, ele pode
removê-lo de sua órbita, originando um íon positivo e por isso instável. Do
mesmo modo, o elétron removido pode se incorporar a outro átomo, formando
um íon negativo. Devido à forte tendência dos íons de buscarem a estabilidade,
eles podem se combinar com radicais livres de origem diversa, formar novas
moléculas ou substâncias químicas, muitas vezes incompatível com a vida da
célula, e resultar em efeitos deletérios e possíveis danos ao organismo
humano.

Deste modo, os efeitos das radiações ionizantes nos tecidos podem ser
por ação direta, quando provocam alterações morfológicas e funcionais ou até
mesmo morte das células, ou por mecanismo indireto, quando as células
sofrem as conseqüências devido à formação de substâncias incompatíveis à
sua fisiologia. As alterações morfológicas podem acontecer tanto no núcleo
(picnose, vacuolização e fragmentação cromossômica), como no citoplasma
(vacuolização, desintegração de mitocôndrias e aparelho de Golgi), e, com
relação às alterações funcionais, podem ocorrer distúrbios tanto na motilidade,
como no metabolismo e na reprodução celular.

Essas alterações podem ser reversíveis e serem reparadas pela própria


célula, sem deixar seqüelas. Entretanto, os danos podem ser irreversíveis,
sendo que a intensidade das reações provocadas nos tecidos está na
dependência da dose recebida, da área do corpo exposta, do tempo de
exposição e da sensibilidade do tecido irradiado.
383
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
Apesar de se estabelecer uma relação de dependência direta entre dose
de radiação e efeito, vale salientar que dificilmente as variadas doses
empregadas para diagnóstico atingem níveis passíveis de causar danos
imediatos, já que existem doses permitidas, abaixo das quais nenhum efeito é
observado. A possibilidade de grandes doses, e conseqüentemente efeitos
intensos, decorre apenas do uso de radiação para fins radioterápicos ou em
explosões atômicas e acidentes envolvendo materiais radioativos, inclusive os
utilizados na Medicina Nuclear.
Em relação à parte do corpo, os danos aumentam à medida que a área
exposta aumenta, isto é, enquanto uma determinada dose aguda pode produzir
apenas um eritema numa área localizada do corpo, esta mesma dose pode
causar a morte de 50% dos indivíduos quando administrada ao corpo todo.
Quanto ao tempo, os efeitos da radiação ao corpo todo parecem mais
graves quando as doses são aplicadas com curto intervalo entre elas. Além
disso, o período de latência, que é o tempo entre a exposição e o aparecimento
dos primeiros efeitos, varia inversamente com a dose, ou seja, quanto maior a
dose, menor será o período latente, enquanto que para algumas exposições
baixas e crônicas pode alcançar até 25 anos.
Relativo à sensibilidade dos tecidos, uma célula sofre mais danos
quando está em reprodução ou quando mais jovem. Além disso, quanto menor
o grau de diferenciação celular dos tecidos, maior a sensibilidade dos mesmos
à radiação. Com base nisso, foi estabelecida a seguinte escala da
radiossensibilidade dos tecidos em ordem decrescente: células sanguíneas,
epitélio, endotélio, tecido conjuntivo, tecido ósseo, tecido nervoso e tecido
muscular.
Assim, ainda de acordo com Damante (1980), os efeitos biológicos são
classificados de diversas maneiras, a depender do aspecto avaliado. Deste
modo, podemos classificá-los em: efeitos somáticos, os que ocorrem e
manifestam-se apenas nos indivíduos irradiados; e genéticos, aqueles que
tornam-se evidentes nos descendentes da pessoa exposta.
Em decorrência das implicações entre dose e área exposta, para fins de
didática os efeitos somáticos são divididos nas seguintes possibilidades:
384
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
a) Grandes doses ao corpo todo - possíveis apenas em casos de
explosões atômicas ou acidentes com energia nuclear. Numa
exposição acima de 100 R, podem provocar náuseas e vômitos em 1
a 2 horas, e em 1 ou 2 semanas depois da exposição, manifestações
de diarréia, indisposição, anorexia, cefaléias, alterações da
contagem de células sanguíneas, diminuição de plaquetas
(fenômenos hemorrágicos), tanto mais graves quanto maior for a
dose, sendo que 600 R pode ser considerada letal.
b) Grandes doses a áreas limitadas do corpo - Possíveis nos casos de
radioterapia causam efeitos reversíveis devido à morte das células
no local atingido. As conseqüências para o organismo estão na
dependência do tecido irradiado, podendo ocorrer, por exemplo,
esterilidade temporária quando a exposição atinge as gônadas ou
eritema e depilação quando a pele é irradiada.
c) Pequenas doses ao corpo todo - Nesta possibilidade está a
população de uma maneira geral, exposta às fontes naturais, e os
profissionais que trabalham com radiações ionizantes, como os
profissionais da Medicina Nuclear. Nestes casos, mesmo
obedecendo ao princípio dos limites máximos permitidos, não se
pode fugir do risco de uma diminuição paulatina da expectativa de
vida.
d) Pequenas doses a áreas limitadas - Possíveis nos exames
radiográficos, o risco decorre da repetição prolongada, isto é,
pequenas doses repetidas por um longo período de tempo, cujos
efeitos são cumulativos, e vão se somando até o aparecimento dos
primeiros sinais e sintomas.

Quanto aos efeitos genéticos, estes são decorrentes de irradiação às


gônadas, com ação deletéria sobre as moléculas de DNA no núcleo dos
gametas, alterando o código genético e originando mutações, podendo
determinar a morte do embrião ou malformações congênitas. Portanto, maior
385
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
atenção deve-se ter à faixa da população em idade reprodutiva, sob risco do
comprometimento de gerações futuras.
Os efeitos biológicos podem ser também classificados em determinísticos
e estocásticos. Os determinísticos são aqueles que sempre ocorrem após
ultrapassar um determinado limiar de dose numa relação direta de causa/efeito,
e são resultantes de morte de células, sendo que a gravidade dos danos
aumenta com a dose. Por exemplo, o limiar de dose para opacificação
detectável do cristalino é 500 mGy em exposição aguda, enquanto que uma
dose de 150 mGy nos testículos provocaria esterilidade temporária (MOTA et
al., 1994).
Já os efeitos estocásticos são aqueles prováveis de ocorrer, a partir de
modificações produzidas em uma única célula, onde os danos se acumulam
com o tempo, e por isso podem apresentar um período de latência de vários
anos. Apesar da gravidade do dano não estar relacionada com a dose, a
probabilidade de ocorrência dos efeitos aumenta, com o incremento da dose,
sem contudo existir um limiar. Por exemplo, a probabilidade do aparecimento
de tumor maligno induzido por radiação aumenta com a dose, mas a sua
gravidade depende do tipo e localização do tecido atingido. Como o câncer
pode ocorrer a partir do dano potencial em uma única célula, apesar da
existência dos mecanismos de defesa e de reparo do organismo, conclui-se
que mesmo pequenas doses poderiam contribuir para o risco efetivo de uma
determinada pessoa, e na medida do possível devem ser evitadas.

Desta maneira, a Medicina Nuclear empregando fontes radioativas


chamadas de abertas ou não-seladas, onde os radionuclídeos não estão
hermeticamente encapsulados, apesar da fiscalização que envolve a posse e
manuseio dos materiais radioativos, não se pode negar o risco potencial de
ocorrência de acidentes durante o transporte deste material para os serviços de
Medicina Nuclear, com possibilidades de contaminação decorrente de
vazamento e contato, podendo provocar um acidente radiológico de proporções
graves, afetando o meio ambiente e a população exposta.
386
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
3.4. – A Legislação de Transporte de Materiais Radioativos

O crescente conhecimento da capacidade das radiações ionizantes em


provocar efeitos nocivos aos organismos vivos, evidenciou a necessidade de
controlar o seu uso, a fim de minimizar os riscos e ao mesmo tempo possibilitar
a utilização em condições adequadas. Com este objetivo surgiram normas
regulamentadoras, permitindo o controle de todos os envolvidos, sejam
profissionais, instituições, população geral e o próprio meio ambiente.
Entretanto, para que este controle seja exercido de maneira eficiente e
eficaz, faz-se necessário o conhecimento da legislação por todos aqueles
diretamente responsáveis pelo uso e aplicação das radiações ionizantes em
todas as áreas.
Diante disto, e fundamentando-se principalmente no direito à saúde, será
feita uma avaliação da legislação em vigor, destacando-se os aspectos
pertinentes, inclusive das normas sanitárias gerais relacionadas, e da
normatização específica internacional e nacional, sobre o tema deste trabalho.
Iniciando-se com a Carta Magna, a promulgação da Constituição
Federal de 1988 constituiu-se em um marco jurídico expressivo para a área da
saúde, instituindo o direito à saúde para todos, considerado como um dos
direitos fundamentais da pessoa humana. Além disso, ao estabelecer dentre os
objetivos fundamentais da República, a promoção do bem de todos, sem
discriminação, também subentende-se assegurado a saúde, num conceito
amplo, como direito social.
O texto constitucional ressalta ainda que o cuidado à saúde é
competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, bem como legislar concorrentemente sobre proteção e defesa da
saúde, possibilitando o aparecimento hierarquicamente das normas gerais,
suplementares e as de interesse local.
Com relação ao texto constitucional específico da área, enuncia a saúde
como direito de todos e dever do Estado, garantido por políticas
governamentais, que visam reduzir os riscos de doenças e de outros agravos,
assegurando acesso universal e igualitário às ações e serviços para promoção,
proteção e recuperação da mesma, os quais integram um Sistema Único de
387
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
Saúde (SUS), com atribuição, dentre outras, de controlar e fiscalizar todos os
procedimentos e produtos de interesse para a saúde, bem como a execução
das ações de vigilância sanitária.
Como as radiações ionizantes repercutem diretamente na saúde,
compete às autoridades públicas, fixar normas, fiscalizar e exercer ações de
controle do seu uso, em obediência a todos esses preceitos constitucionais
destacados anteriormente.
Visando principalmente indicar os caminhos e viabilizar os mecanismos
da efetivação do direito à saúde e da reformulação do setor, em conformidade
com o comando constitucional já citado, foi sancionada a Lei Orgânica da
Saúde (LOS), a Lei nº 8.080 de 19 de setembro de 1990, que regula todas as
ações e serviços, dispondo sobre a promoção, proteção e recuperação da
saúde, além da organização e funcionamento do SUS.
De acordo com a referida Lei, é atribuição do SUS, dentre outras: a
colaboração na proteção do meio ambiente (Art. 6º, Inciso V), o controle e a
fiscalização de serviços e produtos de interesse para a saúde (Inciso VII),
incluídos os serviços e fontes da Medicina Nuclear, e mais especificamente a
participação no controle e na fiscalização da produção, transporte, guarda e
utilização de substâncias e produtos radioativos (Inciso IX). Além disso,
também compete ao SUS a execução das ações de vigilância sanitária, “um
conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de
intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e
circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde,
abrangendo “o controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente se
relacionem com a saúde, compreendidas todas as etapas e processos, da
produção ao consumo”, o que inclui o transporte das fontes para as instalações
de Medicina Nuclear.
Em seguida a LOS estabelece como atribuições comuns à União, aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a definição de mecanismos de
controle, avaliação e fiscalização das ações e serviços de saúde, bem como a
elaboração de normas técnicas, inclusive de proteção da saúde e do meio
388
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
ambiente, onde também estaria incluída a proteção contra as radiações
ionizantes.

Já a Portaria Federal nº 1.565 de 26/08/94, que define o Sistema


Nacional de Vigilância Sanitária, sua abrangência e as bases para a
descentralização da execução de suas ações e serviços, é uma legislação mais
recente, que reforça o disposto na Lei nº 8.080 e preconiza:

...“Art.3º. Entende-se por vigilância sanitária o conjunto de


ações capazes de:
I - eliminar, diminuir ou prevenir riscos e agravos à saúde do
indivíduo e à coletividade;
II - intervir nos problemas sanitários decorrentes da produção,
distribuição, comercialização e uso de bens de capital e
consumo, e da prestação de serviços de interesse da saúde; e
III - exercer fiscalização e controle sobre o meio ambiente e os
fatores que interferem na sua qualidade, abrangendo os
processos e ambientes de trabalho, a habitação e o lazer”.

Em seu Art. 6º estabelece como campo de atuação da Vigilância


Sanitária, dentre outros: a proteção do meio ambiente, os serviços de
assistência à saúde; o transporte de produtos radioativos e as radiações de
qualquer natureza.
Com relação às normas específicas sobre proteção radiológica, o
Conselho Nacional de Saúde, através da Resolução nº 6, de 21/12/88, ratifica a
competência das Secretarias de Saúde Estaduais pelo controle e fiscalização
na área das radiações ionizantes, e caracteriza como infração sanitária a
inobservância de normas da CNEN, inclusive a Norma CNEN-NE-5.01 que
define as diretrizes para operacionalização do “Transporte de Materiais
Radioativos” em todo o território nacional.
Com relação à Norma CNEN-NE-5.01, foi publicada no D.O.U. de
01/08/88, e estabelece os requisitos de radioproteção e segurança envolvendo
o transporte de produtos radioativos, necessários para garantir um nível
adequado de controle de eventual exposição de pessoas, bens e meio
ambiente à radiação ionizante.
389
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
A seguir, destacaremos apenas os itens desta Norma referentes à
radioproteção e segurança, além das responsabilidades e requisitos
administrativos, que podem ser aplicados ao transporte das fontes radioativas a
serem utilizadas nos serviços de Medicina Nuclear.

Controles gerais e requisitos operacionais necessários:

1. Avaliação e controle da exposição à radiação para os trabalhadores


expostos, através de: monitoração individual e de área, de supervisão
médica e afastamento adequado do material radioativo (distância de
segregação de trabalhadores em transporte e de indivíduos do público
em geral);
2. Requisitos e controles para os embalados, modos e meios de transporte
e equipamentos, especialmente relacionados à contaminação e
vazamentos, e exposições à radiação, realizados através de
monitoração, observando-se os limites tabelados (caso necessário fazer
a descontaminação);
3. Informações sobre os riscos e treinamento adequado para os
trabalhadores envolvidos no transporte;
4. Elaboração de um Plano de Transporte que inclua dentre outros itens:
procedimentos de segurança, rotas, riscos de acidentes e medidas de
emergência.

A embalagem e a rotulagem dos produtos também estão definidas nesta


Norma, mas, como no caso das fontes de Medicina Nuclear são realizadas pelo
próprio fabricante, o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN),
órgão da CNEN, não serão objetos deste estudo, entendendo-se que os
embalados já obedecem aos requisitos legais determinados pela própria
CNEN.

No caso de suspeita de que um embalado está danificado ou com


vazamento, deve-se restringir o acesso, e solicitar apoio de técnico qualificado
em radioproteção para avaliar a extensão da contaminação e indicar as
medidas de proteção adequadas.
390
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
O Nível de Radiação Máxima (NRM) em qualquer ponto da superfície
externa de um embalado não deve exceder a 2 mSv/h (200 mRem/h).
O NRM em qualquer posição normalmente ocupada por pessoas não
deve exceder a 0,02 mSv/h (2 mRem/h), a menos que tais pessoas usem
dosímetros individuais.
Os embalados, para fins de reconhecimento imediato do respectivo risco
potencial, devem ser enquadrados em categorias para rotulação, tabeladas
com base no risco do Índice de Transporte e do NRM.

Cada embalado deve exibir os rótulos de risco correspondentes de


acordo com os modelos e cores (I-Branca; II-Amarela; III-Amarela), os quais
devem ser afixados em duas faces externas opostas do embalado.

Cada embalado que contenha materiais radioativos com características


adicionais de perigo deve exibir outros rótulos específicos dessas
características, conforme classificação de risco definida pela ONU para
produtos perigosos.
Os rótulos devem ser preenchidos com as seguintes especificações: o
Conteúdo, com o nome do material radioativo, e a Atividade máxima do
mesmo.
Cada embalado com massa total superior a 50Kg, deve ter seu peso
bruto marcado externamente de maneira legível e durável.
Os embalados, durante o transporte, devem ser segregados de locais
ocupados por pessoas, filmes fotográficos virgens e outros produtos perigosos,
e acondicionados com segurança.

O carregamento total de embalados para transporte, deve ter IT


conforme tabelado e NRM de no máximo 2 mSv/h (200 mRem/h) em qualquer
ponto da superfície externa do meio de transporte, e de 0,1 mSv/h (10
mRem/h) a 2m dessa superfície externa.

Antes de cada embarque do embalado em um meio de transporte,


devem ser realizadas verificações de inspeção e/ou testes.

O veículo transportando embalados deve exibir uma placa de aviso


(“Radioativo” e o símbolo internacional de radiação) na face externa de cada
391
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
uma das duas paredes laterais e da parede traseira da carroceria, sendo
obrigatória a remoção de quaisquer rótulos ou placas de aviso que não se
relacionem com a carga transportada.

Com relação à armazenagem em trânsito, os embalados devem ser


segregados de locais ocupados por pessoas, filme fotográfico virgem e outros
produtos perigosos, e colocados de modo que mantenham entre si uma
distância mínima de 6metros.

A CNEN ou entidades credenciadas por ela, realizará inspeções para


verificar o cumprimento dos requisitos desta e de outras Normas aplicáveis ao
transporte.

Como documentação de transporte, deve constar no envelope:


• Declaração do Expedidor, especificando: o material radioativo; o nº da
classe “7” das Nações Unidas; a inscrição “material radioativo”; o nº
ONU atribuído ao material; forma física e química do material; a
Atividade máxima e a categoria do embalado (I, II ou III);
• Requisitos operacionais para o transporte, inclusive o itinerário;
• Restrições impostas ao transporte;
• Ficha de Emergência, contendo os procedimentos nas situações de
emergência, e com designação de, pelo menos, um técnico em
radioproteção em caso de necessidade.

São responsabilidades do Transportador:

• Exigir do expedidor os documentos de transporte;


• Satisfazer os requisitos específicos aplicáveis ao meio de transporte
constantes dos regulamentos de transporte de produtos perigosos
vigentes no País;
• Implementar as ações de garantia da qualidade referentes ao trânsito,
armazenamento em trânsito e transbordos;
• Fornecer informações claras e por escrito para a equipe envolvida no
transporte referentes à: itinerário detalhado a ser seguido; instruções de
392
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
estacionamento e paradas noturnas; e providências em situações de
emergência (com nome do técnico em radioproteção referendado pelo
expedidor);
• Obedecer a todos os requisitos de radioproteção aplicáveis;
• Utilizar corretamente no meio de transporte o símbolo internacional de
radiação.

Como qualquer transporte em território nacional, também deve ser


observado, além da normatização da CNEN, o prescrito no âmbito do Ministério
dos Transportes, pelo Regulamento do Transporte Rodoviário de Produtos
Perigosos, aprovado pelo Decreto nº 96.044 de 18/05/88, cujos itens
pertinentes ao tema deste trabalho serão destacados a seguir.

Os veículos e equipamentos utilizados no transporte de produtos


perigosos, devem portar rótulos de risco e placas de segurança, durante as
operações de carga, transporte, descarga, transbordo, limpeza e
descontaminação.
Os veículos usados no transporte de produtos perigosos devem portar
os equipamentos de emergência.
O expedidor é o responsável pelo acondicionamento adequado do
produto, devendo suportar os riscos do carregamento, transporte,
descarregamento e transbordo.
É obrigatória a rotulagem das embalagens externamente.

Deve-se evitar o uso de vias em áreas densamente povoadas ou de


proteção de mananciais, reservatórios de água ou reservas florestais e
ecológicas, ou que delas sejam próximas.

O itinerário deve ser programado de forma a evitar vias de grande fluxo


de trânsito e nos horários de maior intensidade de tráfego.
O veículo transportando produto perigoso deve evitar estacionar em
zonas residenciais, logradouros públicos ou locais de fácil acesso ao público,
áreas densamente povoadas ou de grande concentração de pessoas ou
veículos.
393
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
O condutor do veículo deve ter treinamento específico.
Durante a viagem, o condutor é o responsável pela guarda, conservação
e bom uso dos equipamentos e acessórios do veículo, devendo examinar
regularmente as condições gerais do veículo, inclusive a existência de
vazamentos.
A documentação exigida é: Nota Fiscal do produto transportado e a
Ficha de Emergência para o transporte.
O contratante do transporte deve exigir do transportador: veículo e
equipamentos em boas condições operacionais e adequados para a carga a
ser transportada, cabendo ao expedidor avaliar as condições de segurança
antes de cada viagem, entregando os produtos devidamente rotulados,
etiquetados e acondicionados, bem como com os rótulos de risco e painéis de
segurança para uso nos veículos.

Constituem deveres e obrigações do transportador:

• Dar manutenção e utilização adequadas aos veículos e equipamentos;


• Vistoriar as condições de funcionamento e segurança do veículo e
equipamentos;
• Portar os equipamentos necessários às situações de emergência;
• Proporcionar ao pessoal envolvido no transporte: treinamento específico,
exames de saúde periódicos e condições de trabalho adequadas;
• Utilizar adequadamente os rótulos de risco e painéis de segurança;
Com relação à fiscalização para observação do cumprimento deste
Regulamento, é atribuída ao Ministério dos Transportes, o qual estimulará a
cooperação com órgãos e entidades públicas ou privadas mediante troca de
experiências, consultas e execução de pesquisas, com a finalidade, inclusive,
de complementação ou alteração deste Regulamento.

O descumprimento deste Regulamento sujeita o infrator às penalidades


de multa (classificadas segundo a gravidade da infração) e cancelamento do
Registro Nacional dos Transportadores Rodoviários.
394
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas

4 – MATERIAIS E MÉTODOS

Para o desenvolvimento deste estudo, classificado como exploratório


considerando seus objetivos, com base nos procedimentos técnicos
empregados para a coleta dos dados, realizou-se: pesquisa bibliográfica em
livros, periódicos e outros impressos, bem como artigos científicos coletados
em meio eletrônico; pesquisa documental (leis, decretos, normas e
regulamentos outros), cujos dados foram utilizados de forma complementar,
servindo como parâmetro na interpretação dos resultados; bem como pesquisa
de campo através de investigação utilizando-se um Questionário, buscando
tanto o conhecimento direto da realidade, como também possibilitando uma
análise da problemática do transporte de material radioativo, permitindo
estabelecer correlações entre o mesmo e as exigências da legislação em vigor.

Na condução da pesquisa de campo foram realizadas visitas aos


serviços de Medicina Nuclear, visando não apenas buscar as informações
sobre a operacionalização do transporte das fontes radioativas empregadas,
como também garantir com precisão os dados coletados, evitando distorções
na análise e interpretação dos mesmos, os quais serão apresentados
posteriormente.
Para o levantamento, a amostra selecionada como objeto de
investigação compõe-se de todo o universo das instituições de Medicina
Nuclear instaladas em Salvador (BA), perfazendo o total de 11 (onze) serviços,
os quais foram visitados em dezembro/03, e, através de entrevistas com os
395
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
profissionais presentes, coletou-se informações sobre os materiais radioativos
empregados, e principalmente como eles chegavam até o serviço.
Em cada instituição visitada, aplicou-se um Questionário elaborado
especificamente para este estudo.

5 – RESULTADOS

Para a coleta dos dados, foram visitados todos os (11) onze serviços de
Medicina Nuclear em funcionamento no município de Salvador/BA.

Com relação aos radionuclídeos utilizados, estes serviços recebem


freqüentemente os seguintes materiais, distribuídos conforme a Tabela 1.

Tabela 1: Distribuição de Radionuclídeos nos Serviços de Medicina Nuclear de


Salvador/BA - Dezembro/2003
SERVIÇOS Tecnécio-99 Iodo-131 Gálio-67 Tálio201 Samário-153
1 X X
2 X X X X X
3 X X X
4 X X X
5 X X X
6 X X
7 X
8 X X X X
9 X
10 X X
11 X X
396
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
Todas as fontes radioativas são produzidas no Instituto de Pesquisas
Energéticas e Nucleares – IPEN, que também é o órgão responsável pela
embalagem e rotulagem dos produtos, observando as exigências da legislação.

De posse das informações obtidas nas visitas aos serviços de Medicina


Nuclear, verificamos que, para o transporte das fontes radioativas, são
contratadas duas empresas, ambas autorizadas pela CNEN para transporte, e
com sede no Estado de São Paulo. São elas:

• EMPRESA 1 - que atende a 04 (quatro) serviços de Medicina


Nuclear em Salvador/BA; e
• EMPRESA 2 - que presta serviços de transporte às outras 07
(sete) instalações de Medicina Nuclear de Salvador/BA.

Gráfico 1: Distribuição de Serviços de Medicina Nuclear por Empresa


Transportadora – Salvador/BA - 2003

Empresa 1
07 serviços
64% Empresa 2
04 serviços
36%

Estas empresas não mantêm filiais na Bahia, e, portanto, para atender


às necessidades dos serviços de Medicina Nuclear em nosso Estado,
contrataram empresas transportadoras sediadas em Salvador/BA, as quais
efetivamente realizam as operações de transporte, retirando as fontes
397
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
radioativas no Aeroporto Internacional Luis Eduardo Magalhães, e entregando
diretamente nos serviços. As empresas contratadas são:
• TRANSPORTADORA A
Salvador -Bahia
• TRANSPORTADORA B
Salvador - Bahia
Ambas as empresas de transporte retiram as fontes radioativas,
devidamente embaladas e etiquetadas com o rótulo de risco, no Setor de
Cargas das companhias aéreas que transportam (mais freqüentemente Vasp e
Varig), e entregam diretamente nos serviços de Medicina Nuclear.

Quanto à freqüência de chegada dos produtos, os mesmos são


recebidos semanalmente, no horário da manhã em torno de 9:00h., sendo que
uma das empresas recebe e distribui aos Sábados e Terças-feiras e a outra
empresa aos Sábados e Quartas-feiras.

Com relação ao itinerário, uma das empresas cumpre a seguinte rota:


Aeroporto / Av. Paralela / Pau da Lima / Av. Paralela / Av. ACM / Brotas / Av.
ACM / Pituba / Av. Oceânica / Barra / Barra Avenida / Nazaré, com pontos de
parada apenas para as entregas nos serviços.
A outra empresa segue o trajeto: Aeroporto / Av. Paralela / Av. ACM /
Av. Garibaldi / Canela / Av. Joana Angélica / Nazaré, também parando apenas
nas proximidades dos serviços para a descarga.
Os veículos utilizados por ambas as empresas são do tipo utilitário, com
compartimento de cargas separado da cabine do motorista, ano de fabricação
variando de 1999 a 2001. Uma das empresas informa que eventualmente
também utiliza um veículo da marca Volkswagen modelo Kombi, cujo
compartimento de carga não é isolado, oferecendo riscos ao condutor do
veículo.

Conforme as informações dos responsáveis por ambas as empresas,


são realizadas manutenções periódicas nos veículos, com periodicidade
geralmente mensal, checando principalmente os seguintes itens: freios, pneus
e lanternas. Entretanto, não existe um programa de controle das manutenções,
o que dificulta um acompanhamento sistemático.
398
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
Quanto à sinalização dos veículos, uma das empresas não informou e a
outra refere não utilizar nenhum tipo de rótulos de risco ou placas de segurança
quando do transporte de materiais radioativos, o que dificultaria a identificação
do tipo de carga perigosa quando da ocorrência de algum acidente no
percurso, impedindo a adoção imediata das medidas de controle cabíveis para
prevenção de contaminação.
Cumprindo as exigências da legislação, uma das empresas realiza, no
momento da operação de carregamento do veículo, a monitoração dos
embalados e do veículo, utilizando um instrumento detector de radiação, com o
objetivo de controlar a exposição dos envolvidos no transporte à radiação. Nos
embalados são realizadas medidas do nível de radiação na superfície e a 1,0
metro de distância do mesmo, enquanto que no veículo é medido o nível de
radiação nos seguintes pontos:

• Lateral Esquerda Dianteira


• Lateral Esquerda Mediana
• Lateral Esquerda Traseira
• Traseira
• Lateral Direita Traseira
• Lateral Direita Mediana
• Lateral Direita Dianteira
• Posição do Motorista
• Posição do Auxiliar

Já a outra empresa, não realiza nenhuma monitoração, seja dos


embalados ou do veículo.
Cada empresa tem dois condutores de veículos, sendo que todos eles
são habilitados no Curso MOPP – Movimentação de Produtos Perigosos,
cumprindo os dispositivos legais.
Entretanto, observando o conteúdo programático desses cursos, no
nosso entender, a carga horária total em torno de 40 horas, conforme a
Resolução nº 91 de 04/05/99 (que dispõe sobre os Cursos de Treinamento
399
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
Específico e Complementar para Condutores de Veículos Rodoviários
Transportadores de Produtos Perigosos), é extremamente reduzida para
oferecer informações adequadas relativas ao risco dos materiais radioativos, e
o tratamento adequado a este tipo de produto, o que mereceria um treinamento
específico. Ressaltamos que em uma das empresas de transporte, um dos
condutores é Supervisor de Radioproteção.
Quanto à Monitoração Individual, apenas uma das empresas atende a
esta determinação legal, a fim de controlar as doses de radiação recebidas
pelos trabalhadores envolvidos no transporte, e conseqüentemente,
ocupacionalmente expostos. A outra empresa, além de não realizar a
Dosimetria, também não cumpre nenhum programa de controle biológico
através de exames médicos e laboratoriais periódicos para avaliação de saúde
de seus funcionários.
Em relação à documentação de transporte, ambas as empresas
cumprem as exigências da legislação vigente, visto que tais documentos são
recebidos no Aeroporto juntamente com os embalados. Os documentos que
acompanham as cargas são:
• Ficha do Expedidor;
• Ficha de Emergência;
• Ficha de Monitoração da Carga e do Veículo;
• Nota Fiscal;
• Envelope de Transporte.

Quanto aos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e Coletiva


(EPC), uma das empresas informa que sempre tem disponível: Lanterna;
Calços para veículo; Placas com a inscrição “PERIGO AFASTE-SE”; Cones de
sinalização; Cordas; Jogo de ferramentas; Extintor de incêndio portátil; Luva,
capacete e máscara com filtro; Rótulos de risco e painéis de segurança;
Caneta dosimétrica; Detector portátil de nível de radiação; e Dosímetro
termoluminescente (TLD).

A outra empresa informa que não possui nenhum equipamento de


proteção específico para o transporte de materiais radioativos.
400
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
Ainda em inobservância às exigências legais, uma das empresas não
tem Técnico em Radioproteção referenciado para situações de emergência,
mesmo atuando no transporte de material radioativo há 03 (três) anos.

6 – CONSIDERAÇÕES FINAIS E SUGESTÕES

O índice elevado de irregularidades observadas nesta pesquisa, reflete a


omissão das instituições responsáveis pela fiscalização na área do transporte
de materiais radioativos.
Diante dos resultados apresentados, observa-se que diversos itens
pesquisados na operacionalização do transporte das fontes para os serviços de
Medicina Nuclear instalados em Salvador/BA contrariam o disposto nas
normatizações vigentes, alguns considerados como infrações graves sob o
aspecto da proteção radiológica.
A existência do risco é inegável, inclusive pela própria natureza do
produto transportado, mas a negligência encontrada nesta área, acentua a
probabilidade de ocorrência de acidentes.
É inconcebível uma empresa que transporta produtos radioativos, não
ter informações mais específicas sobre os riscos deste tipo de material,
inclusive deixando de cumprir itens considerados fundamentais, como a
Monitoração dos embalados e dos veículos transportadores, procedimento
indicado para avaliar o nível de radiação existente, sendo considerado como
medida básica para controle de riscos, inclusive contaminação e vazamentos.
Visto que as empresas autorizadas pela CNEN, estão sediadas no Sul
do País, e apenas contratam transportadoras locais, sem repasse de
treinamento específico em radiações ionizantes (que não é exigência legal),
bem como de equipamentos de segurança necessários, fica evidente a
necessidade de fornecer educação e treinamento em proteção radiológica para
os envolvidos no transporte, instituindo um programa de treinamento que deve
incluir não apenas os novos funcionários, mas estabelecer também
atualizações e reciclagens periódicas.
401
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
Deve-se salientar que os documentos legais determinam as
responsabilidades individuais, mas deixam claro a questão da co-responsabilidade
entre todos os envolvidos no transporte, cabendo às empresas autorizadas,
treinar e instruir as suas contratadas localmente, com o objetivo de realizar a
operação de modo seguro e ambientalmente sustentável.
Considerando que a Medicina Nuclear está em fase ascendente, com
muitos novos especialistas entrando no mercado, e a consolidação do SUS que
tornou acessível à população este procedimento de alto custo, devemos
considerar que quanto maior a divulgação da especialidade, maior será o
número de exames, e, conseqüentemente, aumento do consumo de material
radioativo (SILVA, 2003).
De acordo com o Princípio da Precaução, quando uma atividade
representa riscos à saúde humana ou ao meio-ambiente, devem ser
estabelecidas medidas de precaução, independente de estar plenamente
estabelecida cientificamente a relação de causa e efeito (MACHADO, 2001).
Desta forma, as exigências legais aplicáveis ao transporte de materiais
radioativos, constituem as precauções mínimas que devem ser observadas
para a prevenção de acidentes, bem como para restringir os efeitos de um
acidente ou emergência envolvendo os veículos transportadores deste tipo de
produto perigoso. Obedecidas as recomendações e os procedimentos definidos
nas normas vigentes, pode-se afirmar que os riscos são minimizados, visto que
não se pode ignorar possíveis percalços durante o transporte, capazes de
comprometer a integridade do material até seu destino final, tais como: colisão,
capotamento, incêndio, roubo do veículo, e outros.
Portanto, é fundamental que os profissionais envolvidos no transporte
estejam adequadamente treinados e atendam aos preceitos legais, não
negligenciando o risco e os possíveis danos.

Assim, faz-se necessário que a Vigilância Sanitária, cumprindo o seu


papel de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde, também incorpore essa
nova atividade, a de controle no transporte de material radioativo, no seu
campo de atuação, absorvendo-a como exercício do seu dever, visto que é da
402
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
sua competência, conforme destacado anteriormente na apresentação da
legislação vigente.

Em nosso Estado, levando-se em conta que as ações de vigilância


sanitária na área das radiações ionizantes são atividades ainda centralizadas
na DIVISA, como sugestão, uma medida de precaução importante seria a
inclusão como documento necessário para o licenciamento inicial ou a
renovação do Alvará Sanitário dos serviços de Medicina Nuclear, do
documento Plano de Transporte, o qual deve conter os procedimentos de
segurança e mais todos os detalhes de como deve ocorrer a operação
envolvendo o transporte das fontes radioativas, o qual deve ser submetido à
aprovação da DIVISA.
Outra sugestão importante seria estabelecer articulação com outras
instituições envolvidas na fiscalização do transporte de produtos perigosos, tais
como órgãos ambientais (principalmente o Centro de Recursos Ambientais –
CRA), de transportes, e demais parceiros, para troca de experiências,
buscando com um trabalho integrado, a elaboração e publicação de uma
Norma Técnica de abrangência estadual, regulamentando a fiscalização do
transporte destes produtos, inclusive definindo as competências dos diversos
órgãos envolvidos no Estado da Bahia.

Apesar de não haver no Brasil registros de fatalidades resultantes de


acidentes envolvendo o transporte de material radioativo, os especialistas em
segurança de instalações e equipamentos radioativos, em todo o mundo,
trabalham com uma máxima em mente: havendo uma única chance de alguma
coisa dar errado, certamente ela vai dar errado. Assim, o caminho nesta área é
o controle, a fim de que os benefícios provenientes do uso correto da radiação
evitem ou superem os danos que poderiam ser causados à saúde humana e ao
meio ambiente, sem comprometimento do nível da qualidade de vida, desta e
de outras gerações.
403
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
7 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALMEIDA, E. Medicina Nuclear – Importância e Indicações. São Paulo: Latin


Med Editora Médica Ltda. Publicação eletrônica. Disponível em:
http://lwww.incx.com.br/lincx/atualização . Acesso em 27/09/03.

ANDRADE, A. Efeitos da radiação em seres vivos. Publicação eletrônica.


Disponível em: http://www.energiatomica.hpg.ig.com.br .Acesso em
14/10/03.

BRASIL. Comissão Nacional de Energia Nuclear. Resolução CNEN-10/96 –


Aprova a Norma CNEN-NE-3.05 – Requisitos de Radioproteção e
Segurança para Serviços de Medicina Nuclear. Diário Oficial da União,
Brasília, 19 de abril de 1996.

________. Comissão Nacional de Energia Nuclear. Resolução CNEN-13/88 –


Aprova a Norma CNEN-NE-5.01 – Transporte de Material Radioativo.
Diário Oficial da União, Brasília, 01 de agosto de 1988.

________. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 6, de 21 de dezembro


de 1988. Aprova as normas gerais de radioproteção. Diário Oficial da
União, Brasília, 5 jan. 1989, Seção I.

________. Constituição da República Federativa do Brasil. Promulgada em


5 de outubro de 1988. Organizada por Juarez de Oliveira. 13ª ed., São
Paulo: Editora Saraiva, 1996, 200p.

________. Decreto nº 96.044, de 18 de maio de 1988. Aprova o Regulamento


para o Transporte Rodoviário de Produtos Perigosos. Diário Oficial da
União. Brasília.

________. Lei nº 8.080 de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições


para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o
funcionamento dos serviços correspondentes e das outras providências.
Diário Oficial da União, Brasília, 1990.

________. Ministério da Saúde. Portaria nº 1.565, de 26 de agosto de 1994.


define o Sistema Nacional de Vigilância Sanitária e sua abrangência,
404
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
esclarece a competência das três esferas de governa e estabelece as
bases para a descentralização da execução de serviços e ações de
vigilância no âmbito do Sistema Único de saúde. Diário Oficial da União,
Brasília, 27 ago. 1994.

CAMARGO, E.E. Hospital Virtual – Medicina Nuclear. São Paulo: Núcleo de


Informática Biomédica da UNICAMP, 1997. Disponível em:
http://www.hospvirt.org.br/mednuclear . Acesso em 29/09/03.

CARDOSO, E.M. Radioatividade. Apostila Educativa. Rio de Janeiro: CNEN.


Disponível em: http://www.cnen.gov.br . Acesso em 09/10/03.

DAMANTE, J.H. Efeitos Biológicos dos Raios-X. In: Ars Curandi em


Odontologia – 1º Curso de Radiologia. São Paulo: Medisa Editora Ltda.
Edição Especial, 1980, p. 6-14.

FERREIRA, M. Curso de Aperfeiçoamento em Física das Radiações


Ionizantes – Terceiro Módulo: Radioproteção. Bahia: CEFET-BA, 2002,
97p.

LAYRARGUES, P.P. Razão e emoção em torno da tecnologia nuclear. In:


Ciência Hoje, Vol. 30, nº 175, 2001.

LISBOA, E.A. Curso de Aperfeiçoamento em Física das Radiações


Ionizantes – Sexto Módulo: Radioterapia e Medicina Nuclear. Bahia:
CEFET-BA, 2002. 49p.

MACHADO, P.A.L. Direito Ambiental e Princípio da Precaução. In Revista


de Ecologia do Século 21. Rio de Janeiro: Edição 84. Disponível em:
http://www.eco21.com.br . Acesso em 01/12/03.

MARTINS, R.A. A Descoberta da Radioatividade. In: SANTOS, C.A. Da


Revolução Científica à Revolução Tecnológica – Tópicos de Histórias da
Física Moderna. Porto Alegre: Instituto de Física da UFRGS, 1997. Pp.29-
49.

MORAIS, R.J. Princípio da Precaução. Biotecnologia, Ciência e


desenvolvimento. Publicação eletrônica. Disponível em:
http://www.biotecnologia.com.br/biochat/artigo .Acesso em01/12/03.
405
O Transporte das Fontes Radioativas para os Serviços de
Medicina Nuclear Instalados no Município de Salvador/Ba
Marly Pedreira Dantas
MOTA, H.C. et al. Proteção Radiológica e Controle de Qualidade em
Radiologia Dentária. Rio de Janeiro: IRD/CNEN, 1994, 54p.

OLIVEIRA, S.V. & MOTA, H.C. Notas do Curso Básico de Licenciamento e


Fiscalização em Radiologia Médica e Odontológica. Rio de Janeiro:
IRD/CNEN, 1993, p.8.

PESSORUSSO, S. Radioatividade. Publicação eletrônica. Disponível em:


http://www.samjack.virtualave.net/trab . Acesso em 14/10/03.

PRASS, A.R. Os riscos biológicos da radiação. Publicação eletrônica.


Disponível em: http://www.zaz.com.br/fisicanet Acesso em 14/10/03.

SILVA, N.C. Perspectivas da Medicina Nuclear na próxima década.


Disponível em: http://www.bionuclear.ufrgs.br . Acesso em 07/12/03.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
NÚCLEO DE ESTUDOS DE SAÚDE COLETIVA
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM VIGILÂNCIA AMBIENTAL EM SAÚDE

MERCÚRIO DE AMÁLGAMA DENTÁRIA: DISPONIBILIZAÇÃO


PARA O MEIO AMBIENTE

Cássia Silene Lima Oliveira

Adaptação da Monografia apresentada ao


Núcleo de Estudos de Saúde Coletiva
como pré-requisito para a obtenção do
Titulo de Especialista em Vigilância
Ambiental em Saúde

- 2003 -
RESUMO

Este presente trabalho visa o conhecimento do amálgama dentário, sua


composição, manipulação e uso, assim como o reconhecimento dos resíduos e
seu destino, lixo e esgotamento sanitário, onde se pode confirmar em estudos
os riscos de uma metilação sutil na presença de fatores facilitadores. Os
métodos utilizados foram visitas em consultórios e faculdade para observações
de procedimentos de trabalho e revisão da literatura existente. As informações
contidas visam estudar a necessidade de remediação, recuperação e
minimização dos resíduos de amálgama dentário. Para isto explorou-se: a
qualidade dos componentes do próprio amálgama; a qualidade profissional dos
serviços de restauração em amálgama; a qualidade dos procedimentos no
processo de trabalho que acabam por gerar mais resíduos quando mal
manipulado; e, a ausência de estruturação para a recuperação do mercúrio do
amálgama dentário.
410
Mercúrio de amálgama dentária: disponibilização para o Meio Ambiente
Cássia Silene Lima Oliveira
OBJETIVO

O objetivo deste trabalho é abordar, através de revisão de literatura, a


questão do mercúrio de amálgama dentário e sua disponibilização para o meio
ambiente, enfocando a necessidade de se rever aspectos como, os
procedimentos técnicos, para minimização dos resíduos, assim como a
reciclagem deste material.

MERCÚRIO

“Mercúrio é o nome químico deste metal pesado de aspecto argêntio,


inodoro, de símbolo Hg, que deriva do latim hidrargyrum” (NASCIMENTO e
CHASIN, 2001). “São sinônimos e nomes comerciais do mercúrio: mercúrio
elementar, mercúrio metálico, hidrargírio, prata líquida, hidrargyrum ou
argentum vivum (latim), mercury (inglês), kwik ou quecksilber (alemão) mercure
(francês), mercúrio (italiano)”. (NASCIMENTO e CHASIN, 2001).

Foram encontrados recipientes pequenos, uma espécie de capsula, que


continha o metal nos túmulos do Egito, datado de 1600 a .C.. Suspeitando-se
que os árabes tenham introduzido essas cápsulas nos túmulos, muitos anos
depois, pois as mesmas eram usadas por eles como amuletos. A aparição
definitiva do mercúrio em relatos históricos vem de Aristóteles (384 – 382 AC),
citando o elemento como uma “prata líquida”. Os egípcios utilizavam mercúrio
como tinta para pintar as imagens de seus deuses. Os alquimistas deram
grande importância ao mercúrio. Representavam-no com o mesmo símbolo do
planeta mercúrio e costumavam fazer experiências com amálgamas. (TABELA
PERIÓDICA)

Existem relatos que o mercúrio foi usado na medicina desde a época de


Aristóteles até a Idade Média. Os antigos chineses acreditavam que o cinábrio
e o mercúrio tinham propriedades medicamentosas que prolongavam a vida.
Vários imperadores morreram de mercurialismo na tentativa de assegurar a
imortalidade, através da ingestão constante desse metal. Os antigos hindus,
por outro lado, acreditavam que o mercúrio possuía propriedades afrodisíacas.
No inicio do primeiro século depois de Cristo, na Grécia, o mercúrio foi usado
411
Mercúrio de amálgama dentária: disponibilização para o Meio Ambiente
Cássia Silene Lima Oliveira
como ungüento medicinal. Foi muito usado como componente de ungüentos ou
pomadas para o tratamento de diversas doenças da pele, assim como
cosmético, pelos romanos (D’ITRI; QUEIROZ; YAMADA et al., apud
NASCIMENTO e CHASIN, 2001).

Ao serem citadas as fontes de contaminação do mercúrio são referidos


entre a industria, agricultura e atividades minerais, também a odontologia, onde
a importância do mercúrio nesta prática está em que este é um dos compostos
básicos da amálgama. Salienta a presença de risco para os profissionais da
área, comenta que para um controle, necessita-se levar em conta os limites
estabelecidos (GALVÃO, 1992).

Inúmeros estudos de experimentação animal comprovam que o


metilmercúrio sofre biotransformação a mercúrio inorgânico, com rompimento
da ligação carbono-mercúrio da molécula. O real mecanismo ainda necessita,
porém, ser esclarecido. Este tipo de desmetilação parece ser mais eficiente em
exposição a longo prazo e ocorre preferencialmente no fígado, baço e
intestinos (NASCIMENTO e CHASIN, 2001).

Segundo VASCONCELLOS (2002), “fetos são particularmente


susceptíveis, pois o mercúrio atravessa a placenta e se acumula nos órgãos da
criança”. O mercúrio metálico é dissolvido no sangue e rapidamente
transportado para os órgãos através de difusão, logo após sua absorção. O
mercúrio metálico é oxidado para íons de mercúrio normalmente nos eritrócitos
e no fígado produzindo efeitos tóxicos depois de tal oxidação (MAGO apud
QUELHAS, 2002). “Estudos metabólicos indicam que a meia-vida no cérebro é
muito maior que em outros órgãos” (WATANABE apud QUELHAS, 2002).

A excreção do mercúrio é realizada através dos rins, por excreção


tubular, através do fígado pela bile, pela mucosa intestinal através das fezes,
por glândulas sudoríparas e salivares, pelo leite materno e uma pequena
porção pelo cabelo. As vias urinárias e fecais são as mais importantes para a
eliminação. A maior parte do mercúrio, após a exposição, será excretado via
bile e fezes. A via favorita é a urinária quando altas doses são usadas
(QUELHAS, 2002).
412
Mercúrio de amálgama dentária: disponibilização para o Meio Ambiente
Cássia Silene Lima Oliveira
Referindo-se ao mercúrio metálico, a absorção nesta forma de mercúrio
se realiza principalmente da inalação dos seus vapores. Quando na forma
líquida, pode ser absorvido pela pele e não sofre uma absorção significativa no
trato digestivo (0,01%). Em caso de administração endovenosa de mercúrio, se
observa de imediato embolia pulmonar (GALVÃO, 1992).

A exposição aos vapores de mercúrio produz uma alta concentração de


mercúrio nos pulmões, sendo absorvido em 80%. Dos pulmões o mercúrio
metálico se distribui pelo sangue e se acumula em altas concentrações no
cérebro e nos rins. A pele, pelo, fígado, glândulas salivares, testículos e
intestinos, mostram também presença de mercúrio, porém em menor
quantidade (GALVÃO, 1992). A via pulmonar é onde principalmente se dá a
absorção do vapor de mercúrio metálico, através da inalação. A percentagem
de retenção nos pulmões varia de 74% a 76% a uma concentração ambiental
de 100 mg/m³ (ZAVARIZ; GLINA, 1992).

O quadro neurológico pode se manifestar através de tremores,


alterações de sensibilidade dolorosa, térmica e tátil, mudanças nos reflexos,
coordenação motora e possivelmente parkinsonismo (ZAVARIZ; GLINA, 1992).

Os compostos orgânicos de mercúrio, por sua liposolubilidade,


atravessam com facilidade as membranas biológicas. Passam facilmente a
barreira hematoencefálica e a placenta. A eliminação deste composto é
realizada através das fezes como via principal e através da urina como via
secundária. A vida média em população exposta se estima de 100 a 190 dias
(GALVÃO, 1992).

“Os compostos metilmercuriais se encontram presentes na cadeia


alimentar, nos lugares onde há contaminação, apresentam uma forte tendência
à bioacumulação em animais (aves de caça, peixes, mariscos, aves e
mamíferos ictiófagos) e em vegetais” (GALVÃO, 1992).

Mercúrio e meio ambiente, transporte, distribuição e transformação

Existem dois ciclos envolvidos no transporte ambiental e na distribuição


do Hg. Um é global e envolve a circulação atmosférica do mercúrio elementar
na forma de vapores, a partir de fontes terrestres para os oceanos. O segundo
ciclo é mais local e depende da metilação dos mercuriais inorgânicos que se
413
Mercúrio de amálgama dentária: disponibilização para o Meio Ambiente
Cássia Silene Lima Oliveira
originam principalmente a partir de fontes antropogênicas. As fases desse
processo ainda são pouco compreendidas, porém, envolvem a circulação
atmosférica do dimetilmercúrio dependem do balanço entre a metilação e a
desmetilação bacteriana (BOENING, 2000 apud NASCIMENTO e CHASIN,
2001).

Alguns mecanismos podem metilar o mercúrio inorgânico, como os


biológico, por microrganismos e fungos; os químico ou abiótico, por meio de
diferentes processos; pela reação com os ácidos fúlvico e húmico, doadores do
grupo metila; numa mistura de acetaldeído, Hg2+ e NaCl (D’ITRI, apud
QUEIROZ, apud NASCIMENTO e CHASIN, 2001).

“A metilação é influenciada por fatores tais como temperatura,


concentração de bactérias presentes no meio, PH, tipo de solo ou sedimento,
concentração de sulfito e condições de oxi-redução do meio e de variações
sazonais” (CHEN YAN et al.,1994,apud VILLAS BOAS, 1997 apud
NASCIMENTO e CHASIN, 2001).“Em águas contaminadas, o mercúrio
encontra-se predominantemente ligado ao material particulado” (WHO apud
NASCIMENTO e CHASIN, 2001).

Do ponto de vista do risco para a saúde humana, as formas mais


importantes do mercúrio são o mercúrio em estado de vapor, os sais de
mercúrio e os derivados de aquil mercúrio, como o metil mercúrio, que é o
derivado mais tóxico, podendo introduzir-se nas cadeias alimentares através
dos peixes (QUELHAS, 2002).

AMALGAMA DENTÁRIO

Histórico

O mercúrio no amálgama tem sido usado para restaurações dentárias


desde 1830, e seu início foi marcado pelo empirismo e desconhecimento de
suas propriedades, o que provocou vários acidentes e uma resolução proibitiva
de seu uso pela ASDS (American Society of Dental Surgeons) em 1845,
posteriormente revogada, o que não impediu uma batalha de conflitos internos
culminando com a quebra da sociedade (VIEIRA et. al., 1993)
414
Mercúrio de amálgama dentária: disponibilização para o Meio Ambiente
Cássia Silene Lima Oliveira
Segundo o autor, citado em 1991, o primeiro amalgama da história
surgiu no início do século XVIII, na França, sendo composto por bismuto,
estanho, prata e mercúrio fundidos, sendo colocados diretamente sobre o
dente. Posteriormente, a plastificação passou a ocorrer a 68° C. Os primeiros a
usarem temperatura ambiente para misturar o amalgama foram o dentista
francês Onessiphore Taveau e o químico inglês Charles Bell, que utilizavam a
prata de moedas com o mercúrio. Devido ao trabalho inescrupuloso dos irmãos
Crawcour de Nova York, de reputação particularmente duvidosa, e
conhecimento apenas superficial sobre odontologia, o uso do amalgama
tornou-se vigorosamente proibido pela Associação Americana de Dentistas na
época, proibição esta, que ficou conhecida como a 1ª guerra contra o
amalgama. No fim do século XVIII, estudos dos professores Towesend, Foster
Flagg e G.V. Black, através do desenvolvimento de composição própria e
técnica para seu uso clínico, revogaram essa proibição. Ocorreram ainda mais
duas guerras contra o amalgama, cuja terceira persiste até a atualidade
(MARKET apud SANTOS).

Composição

O amálgama dentário é uma liga que resulta quando o mercúrio é


combinado com uma liga para amálgama, uma combinação de prata, estanho,
cobre e, algumas vezes, zinco. Esta reação é indicada como segue: Mercúrio +
Liga para amálgama Amalgama dentário (CRAIG, 1983).

O autor destaca que nas últimas duas décadas houve grandes


modificações em relação a este material. E cita a classificação das ligas para
amálgama quanto a sua composição, em ligas convencionais e ligas com alto
conteúdo de cobre. Denominando-se ligas convencionais aquelas cuja
composição obedece às determinações da especificação n°1 da American
Dental Association (1970). A quantificação das proporções de prata no mínimo
de 65%; estanho no máximo de 29%; cobre no máximo de 6%; zinco no
máximo de 2%; mercúrio no máximo de 3% (ARAÚJO)

Citado em 1996, o autor comenta que com o intuito de se reduzir a


utilização do mercúrio na odontologia, renovou-se o interesse no
415
Mercúrio de amálgama dentária: disponibilização para o Meio Ambiente
Cássia Silene Lima Oliveira
desenvolvimento de uma restauração livre de mercúrio, porém com
propriedades físicas comparáveis às do amalgama dental (NAVARRO et al,
apud SANTOS). Dentre os materiais restauradores metálicos livres de
mercúrio propostos como substitutos para o amalgama, podem-se incluir os
materiais que contém gálio em sua composição e o elemento índio
(DESHEPPER; NAKAJIMA apud SANTOS).

Na Suécia em 1998, o governo sueco decidiu suspender o uso de


amalgama para 1999 e por fim a proibição total para 2001, hoje (2002) o
amalgama já foi totalmente abolido dos países europeus (VASCONCELLOS,
2002).

Os organizadores do encontro no Parlamento Europeu em 1999


defenderam a eliminação programada do uso de amalgama no tratamento de
dentes, hoje obedecida e seguida em outros continentes também
(VASCONCELLOS, 2002).

Os vapores de mercúrio liberados estão diretamente relacionados com


cuidados básicos essenciais de higiene que o profissional e pessoal auxiliar
podem lançar mão, durante o uso das técnicas de manipulação, remoção e
armazenamento de resíduos de amálgama (NASCIMENTO apud SANTOS).

A quantidade de mercúrio liberada no ambiente pelo amálgama é


pequena, quando comparada a outras fontes. Apesar disso, os consultórios
odontológicos são freqüentemente incluídos nos planos de redução, já que seu
controle é de fácil execução (FAN apud SANTOS).

A questão da toxicidade do amálgama dentário no mundo


contemporâneo é considerada mais como um problema ambiental do que
individual. A simples remoção de restaurações à amálgama contaminará não o
paciente, mas o solo, rios e oceanos retomando ao homem através dos
alimentos. Partindo desta observação, conclui-se que em décadas posteriores
o uso do amálgama em países desenvolvidos declinará rapidamente, não
apenas pelos efeitos nocivos, mas principalmente face a uma grande demanda
por materiais mais estéticos, à questões ambientais, e pelo crescente
desenvolvimento e aceitação por parte dos profissionais a estes materiais
adesivos à estrutura dental (RAPOSO, 1997).
416
Mercúrio de amálgama dentária: disponibilização para o Meio Ambiente
Cássia Silene Lima Oliveira
A variável referente ao operador é o principal fator com relação ao tempo
de vida da restauração. O uso de ligas e técnicas que possibilitem a
padronização da manipulação e da aplicação do amálgama irá aumentar a
qualidade e o desempenho da restauração final (SKINNER, 1993).

As pesquisas mostram que a quantidade de mercúrio liberada é


principalmente afetada pelo tipo de liga usada. Ligas com alto conteúdo de
cobre ou ditas “não gama-2” são mais estáveis e perdem menos mercúrio em
relação a ligas convencionais, de acordo com (PSARRAS; REYNOLDS apud
SANTOS).

O método mais óbvio para reduzir o conteúdo de mercúrio da


restauração é através da diminuição da relação original mercúrio/liga. Este
método é conhecido como o do mercúrio mínimo ou técnica de Eames, em
reconhecimento ao dentista que desenvolveu este conceito. A mistura original
deve conter uma quantidade de mercúrio suficiente, de modo a propiciar uma
massa coesiva e plástica após a trituração. Mas esta quantidade de mercúrio
deve ser baixa, de maneira a conseguir-se nível aceitável de mercúrio na
restauração sem que haja necessidade da remoção de excessos consideráveis
durante a condensação. O conteúdo final de mercúrio em uma restauração
terminada deve ser comparável à relação original mercúrio/liga, usualmente da
ordem de 50%, podendo ser ainda menor nas ligas com partículas esféricas.
Uma mistura de amálgama preparada com uma relação mercúrio/liga de 6:5
contém 54,5% de mercúrio. A relação mercúrio/liga, recomendada para a
maioria das ligas modernas em forma de limalha, é de 1:1, ou seja, 50% de
mercúrio. Deve-se salientar que poderá haver pequenas variações, positivas ou
negativas, em pontos percentuais. Como nas ligas esféricas, a quantidade de
mercúrio recomendada é de cerca de 40%. O autor comenta que o uso de
pouco mercúrio nas ligas para amálgama com alto teor de cobre aumenta a
resistência. O inverso aconteceria com o aumento da quantidade de mercúrio
que, além disso, também reduziria a resistência à corrosão (ARAUJO, s.d.;
SKINNER, 1993).

SKINNER (1993) cita as possibilidades de dispensadores ou


proporcionadores para o mercúrio e a liga. Os comprimidos ou as pastilhas pré-
porcionadas constituem o método mais conveniente para um proporcionamento
417
Mercúrio de amálgama dentária: disponibilização para o Meio Ambiente
Cássia Silene Lima Oliveira
correto da liga, com as pastilhas pesadas, tudo o que requer é um dispensador
preciso de mercúrio, que como é líquido, pode ser medido em volume, sem que
haja perda apreciável da precisão (SKINNER, 1993).

As cápsulas descartáveis que contém quantidades pré-proporcionadas


de mercúrio e liga, são muito usadas na atualidade, elas contêm a liga tanto na
forma de comprimido como em quantidades de pó, isto associado a uma
quantidade adequada de mercúrio. Salienta-se que apesar de o material pré-
proporcionado ser mais caro, ele é mais conveniente, pois elimina a
possibilidade do extravazamento do mercúrio durante o proporcionamento e,