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COMENTÁRIO AO ACÓRDÃO Nº02937260- APELAÇÃO CÍVEL.

FELIPE LUIZ BASTOS MUSHA*1

Índice

Breve Relato..................................................................................fls.03

Comentários..................................................................................fls.05

Conclusão......................................................................................fls.14

Bibliografia.....................................................................................fls.15

Acórdão.........................................................................................fls.16

1*
Acadêmico de direito do 4º semestre do curso de direito da FMU.

3
1) BREVE RELATO

Trata-se de ação de rescisão contratual, na qual, Companhia Brasileira de


Bebidas,ora Atora, pactua com Excalibur Restaurante e Promoções Ltda., Ré na
mesma, Contrato de Promoção e Outras Avenças.
O presente negócio se baseia na simples obrigação em que a ré, contratada,
se compromete a ceder espaço em seu estabelecimento para afixação de materiais
promocionais da contratante, tais como displays, pôster e cartazes ligados a ponto
de venda.
Encontra-se, expresso, no presente instrumento contratual, o objetivo da
contratante em ressaltar as qualidades dos produtos Antártica, comprometendo a ré
a manter em seu estabelecimento exclusividade pelos produtos do Grupo Antártica.
A ré, por outro lado, receberia pelo adimplemento da obrigação o valor de
R$750.000,00, sendo R$150.000,00 em dinheiro e R$600.000,00 em produtos de
fabricação da contratante, parcelados em 30 vezes no valor de R$20.000,00. Tendo
a obrigação como termo inicial em fevereiro de 1998 a julho de 2000, sendo certo
que o contrato vigoraria por 15 anos, com início em 30.09.97.
Consta no contrato, em sua cláusula VIII, a pena no eventual inadimplemento
de uma das partes das obrigações por elas firmadas; diz que a parte faltosa
indenizará 50% do valor pago pela contratante para a inocente tendo a mesma, a
opção de considerar ou não rescindido o presente contrato.
Distribuída a ação cível de rescisão contratual, alega a autora que até o
presente momento cumpriu as obrigações por ela firmadas, quais sejam, pagar o
valor de R$150.000,00 em dinheiro, bem como a quitação de 11 parcelas no valor
de R$20.000,00 referentes até a data da distribuição da ação, e que em
contrapartida a ré tendo se obrigado a ceder espaço, fornecer com exclusividade,
ressaltar as qualidades do produto e ainda promover espetáculos que levassem o
público ao seu estabelecimento não honrou sua parte no acordo, alegando que a ré
não promoveu shows suficientes para esgotar a mercadoria da marca Antártica
resultando assim na aquisição de novas mercadorias da mesma.
Diz a autora que passados três anos da vigência do contrato, não recebeu
nenhum pedido da contratada para entrega de mais mercadorias, fundamentando
que a ré neste período realizou poucos shows e que por denúncias alertavam que o
consumo de bebidas da marca Antártica era muito inferior do que era remetido,
tendo a contratada de vendê-las no mercado externo.
Relata na inicial que o contrato não alcançou os efeitos mínimos previstos,
que é de se aplicar a teoria da imprevisão, na qual, a autora na hora de celebrar o
contrato soubesse que a ré fosse realizar poucos eventos em sua casa, não o teria
firmado.
A ação de rescisão contratual é proposta, tendo como mérito a quitação do
débito pendente da autora, considerando o valor pago como pagamento integral.
A ré contestou, alegando que cumpriu sua parte no contrato, tendo realizado
diversos e sucessivos eventos, que recebeu em sua casa por volta de 90.000
pessoas, e feito as devidas decorações comerciais da devida marca.
Anexaram em sua peça, contratos celebrados entre os anos da vigência do
contrato, comprovando a realização de eventos.
Em reconvenção, requer a contratada o pagamento de indenização por parte
da contratante, pelo prejuízo que sofreu e vem sofrendo, baseado na cláusula VIII do
contrato.

4
Após os atos processuais de praxe, determinou o magistrado que as partes
se manifestassem a respeito da produção de provas.
Proferida a sentença, Excelentíssimo magistrado a quo, afasta o princípio da
imprevisão, sustentando que as alegações da autora não são suficientes para
aplicá-lo, não obstante, defende que o princípio Pacta Sunt Servanda deve ser
respeitado.
Analisando o presente instrumento nota-se que não foi estipulado entre as
partes disposição que obrigasse a ré a realizar determinado número de eventos.
Nada mais!
Por fim, a ré comprovou o seu cumprimento no contrato, no que diz respeito,
a realizações de eventos chamativos para a divulgação da marca citada; contrária é
a posição da autora em não apresentar provas suficientes, que não sustentam a
aplicação do princípio da imprevisão na presente lide.
A contratante na hora de pactuar tinha o dever de se precaver das eventuais
ocasiões que poderiam ocorrer do negócio firmado, era de seu principal interesse a
divulgação da marca, por meio de eventos que a contratada realizaria.
Ora, sendo o objetivo mor, a divulgação da marca, pecou a autora em não
estipular um número mínimo de eventos que a contratada deveria realizar por certo
período.
Portanto, tenho como entendido que a ré cumpriu a sua parte no acordo,
afastando a previsão do art. 1092, do código Civil de 1.916, não havendo assim a
nulidade da sentença.
No tocante à multa, a contratante é devida nos termos em que pactuada, não
havendo razão para a redução, tendo o magistrado dado correta interpretação à
cláusula VIII do contrato.
Ante o exposto, ao recurso é negado o provimento.

2) COMENTÁRIOS AO ACÓRDÃO Nº02937260

2.1)(...) A autora celebrou com a ré “Contrato de Promoção e Outras


Avenças” (fls. 11/13)(...).
(...) Constou do contrato que o mesmo objetivava ressaltar as
qualidades dos produtos Antártica, obrigando-se a contratada a manter em
seu estabelecimento exclusividade pelos produtos do Grupo Antártica (...).
(...) Como retribuição a contratada receberia da contratante o valor de R$
750.000,00, sendo R$ 150.000,00 em dinheiro e R$ 600.000,00 em produtos de
fabricação da contratante, que seriam distribuídos em 30 parcelas de R$

5
20.000,00, sendo certo que o contrato vigoraria por 15 anos, com início em
30.09.97 (...).

Começo os comentários ao referente acórdão, analisando as sentenças supra


mencionadas localizadas no mesmo; entende-se, em primeira leitura que se trata de
um contrato de prestação de serviços, onde a contratante se compromete com a
contratada em pagar os serviços de divulgação de sua marca, tendo a contratada de
ceder espaço para a exposição dos produtos, vender com exclusividade os mesmos
bem como promover eventos para a tal divulgação.
O preenchimento dos requisitos essenciais para a celebração de um contrato
é cristalino na relação acima exposta; senão vejamos:
Contrato é a combinação de interesses de pessoas sobre determinada coisa;
é a obtenção de um resultado na sua maioria favorável para ambas as partes sobre
determinado objeto por meio de negociação.
De acordo com Silvio Rodrigues, “cada vez que a formação do negócio
jurídico depender da conjunção de duas vontades, encontramo-nos na presença de
um contrato, que é pois,o acordo de duas ou mais vontades,em vista de produzir
efeitos jurídicos.” 2
Já Roberto Senise Lisboa, em outras palavras conceitua contrato da seguinte
forma: “O negócio jurídico bilateral é denominado contrato. Trata-se do ajuste de
vontades por meio do qual são constituídos, modificados ou extintos os direitos que
uma das pessoas tem,muitas vezes em benefício de outra.” 3
Como dito, o fato jurídico acima se classifica como negócio jurídico bilateral
que caracteriza obrigações entre as partes, ou seja, contrato.
Vale dizer, que como um contrato, ele possui quatro princípios básicos que
são:
-Da autonomia, ou seja, é liberdade das partes na estipulação do que melhor
lhes convém;
-Da supremacia da ordem pública, ou seja, a vontade das partes tem como
limite os termos da legislação pertinente à matéria, aos princípios da moral e da
ordem pública;
2
Rodrigues, Silvio. Direito Civil, volume 3: dos contratos e das declarações unilaterais da vontade.30ª Ed., São
Paulo :Saraiva, p.09, 2005.
3
Lisboa, Roberto Senise. Manual de Direito Civil: Contratos, Vol.3. 5ª Ed. São Paulo: Saraiva, p. 31, 2010.

6
-Da obrigatoriedade (Pacta Sunt Servanda), fazer lei entre as partes, este
será citado mais à frente.
-Da boa-fé objetiva, exigência de lealdade, modelo objetivo de conduta.
Definida a relação acima como contrato, exponho minha opinião que o
mesmo se caracteriza como Contrato Aleatório, já que a autora na hora de celebrar
o contrato tinha total ciência no resultado da divulgação da marca pela contratada,
situação que será analisada posteriormente.

2.2)(...)Alegou a autora na inicial... que o investimento de vulto se


justificaria desde que a ré promovesse espetáculos que levassem público ao
seu estabelecimento, que consumisse os produtos entregues gratuitamente,
mas, também, como resultado dos esforços desenvolvidos, obter aquisições
adicionais que seriam assim, compradas pela demandada; que tal não ocorreu
mesmo passados três anos do contrato firmado;que durante esse período a ré
poucas vezes promoveu shows ou eventos, sendo que, segundo denúncias, o
consumo de bebidas da marca Antártica, no local, sempre foi inferior ao que
era remetido, obrigando a demandada a vender no mercado o excedente(...)

Como dito no item anterior, entendo que o presente contrato é aleatório, ou


seja, uma das partes não tem total ciência do resultado da obrigação da outra parte.
A apelante na hora em que celebrou o contrato sabia que tinha a
possibilidade dos seus produtos não serem totalmente vendidos, e como consta na
r. sentença do excelentíssimo juízo a quo, a mesma fundamenta, seu não
esgotamento de mercadoria, por causa dos baixos números de shows realizados
pela a apelada; tinha o dever, na hora da realização do instrumento de contrato,
estipular uma quantia certa de eventos para que a apelada cumprisse, e assim,
ficando satisfeita com a prestação de serviços.
Roberto Senise Lisboa ensina em seu Manual de Direito Civil que, “No
Contrato Aleatório, há a assunção de um risco (Alea) por uma ou ambas as partes,
pois a prestação pecuniária é incerta, inexistindo a equivalência das prestações

7
entre as partes. Uma delas poderá, destarte, vir a ter vantagem sobre a outra, por
fatores não imputáveis a quaisquer delas.” 4
Silvio Rodrigues diz que “Aleatório é aquele contrato bilateral e oneroso em
que pelo menos uma das partes não pode antecipar o montante da prestação que
receberá em troca da que fornece.5”
Fundamentando minha opinião nestes conceitos, defendo a idéia que a autora
se omitiu na hora de firmar o acordo, pois deveria estipular uma quantia para a
contratada cumprir tanto de shows como de venda das mercadorias.

2.3)(...)Constou da sentença que: (...)


(...) o que torna inviável a revisão contratual tal como requerido na
petição inicial, quer em decorrência da absoluta previsibilidade das condições
pactuadas, quer ainda, ante a insuficiência probatória quanto aos fatos por si
alegados e motivantes da invocação da teoria da imprevisão.(...)
(...)o princípio “Pacta Sunt Servanda” deve ser respeitado por aqueles
que contratam validamente entre si(...). (grifo nosso)

Destaco esta passagem da sentença proferida em instância a quo, onde


verifico notável aplicação da doutrina e da lei ao caso concreto.
Coube ao magistrado especificar na sentença a má utilização da teoria da
imprevisão neste singelo contrato, isto porque, a mesma tem como finalidade, alterar
ou extinguir as cláusulas do contrato por meio de um Fato Superveniente, que
como conseqüência levou a um excessivo enriquecimento a uma das partes,
fazendo com que a outra levasse considerável desvantagem.
Fundamentou o juiz em sua decisão, na falta de provas que sustentasse a
teoria proposta, sendo que, para invocar a teoria da imprevisão é necessário que:
celebrado o instrumento de contrato as partes não teriam condições de saber fato
futuro que ocasionasse prejuízo considerável a uma delas, e, consequentemente,
enriquecimento notável de outra.

4
Lisboa, Roberto Senise. Manual de Direito Civil: Contratos, Vol.3. 5ª Ed. São Paulo: Saraiva, p. 133, 2010.
5
Rodrigues, Silvio. Direito Civil, volume 3: dos contratos e das declarações unilaterais da vontade.30ª Ed., São
Paulo :Saraiva, p.123, 2005.

8
Importante ressaltar neste ponto é o surgimento desta teoria no mundo
jurídico, onde foi reutilizada na época da 1ª Guerra Mundial.
A idéia de teoria da imprevisão vem da cláusula medieval “rebus sic
stantibus”, quer dizer “enquanto as coisas estão assim”, que foi ressuscitada na 1ª
Guerra Mundial, quando vários contratos já celebrados obtiveram mudanças
significativas em suas condições de cumprimento. Difere a teoria imprevisão da
cláusula rebus sic stantibus, a exigência de fato superveniente.
Diversas empresas chegaram a decretar falência pela mudança econômica
ocorrida neste período da história.
Com um germe de crise econômica atingindo os países afetados pela guerra,
coube aos juristas da época invocar a cláusula rebus sic stantibus, onde os
contratos tiveram suas condições restabelecidas ao momento que foram celebrados,
para assim existir novamente nos contratos o principio da equidade.
Veja, a causa que resultou na invocação de tal teoria é totalmente diversa do
fato que a apelante pretende utilizar.
Diferente é o meu fundamento sobre a não aplicação desta teoria na presente
lide.
Acredito que o fato apresentado pela apelante não apresentou os requisitos
necessários para a aplicação da imprevisão, senão vejamos:
Como dito, a teoria da imprevisão para ser invocada, depende de um evento
superveniente após a celebração do contrato que resulta em mudanças significativas
para as partes e para a sociedade.
Em conformidade, explica Silvio Rodrigues da seguinte forma:

“A resolução por onerosidade excessiva tem por campo apenas o contrato de


execução continuada ou diferida no futuro, o que equivale a cláusula rebus sic
stantibus, em que se dizia que os contratos que têm duração continuada, ou
dependência de futuro, são entendidos como se as coisas permanecessem as
mesmas, contractus qui habent tractum successivum et dependentiam de futuro
rebus sic stantibus intelliguntur.
A idéia é evitar que nos contratos comutativos em que, por definição, há uma
presumível equivalência das prestações, o tempo desequilibre a antiga igualdade,
tornando a prestação de uma das partes excessivamente onerosa em relação à da
outra. (...)

9
Note-se que o desequilíbrio das prestações deve derivar de acontecimentos
extraordinários e imprevisíveis, pois a fonte inspiradora do codificador de 2002 foi a
teoria da imprevisão. ”6

De acordo com Roberto Senise Lisboa, o fator superveniente tem que ser
totalmente desconhecido para ambas às partes, ou seja, tal fator poderá ser um
caso fortuito, que é imprevisível, mas poderia ser evitado; ou também, a força maior,
inevitável.
Lisboa disserta sobre o assunto nos seguintes termos:
“Trata-se o evento superveniente da teoria da imprevisão de um
acontecimento imprevisível para as partes e a sociedade em geral, o qual acarreta a
onerosidade excessiva, em prejuízo de um dos contratantes.
O fato superveniente que vem a modificar o equilíbrio da relação contratual
deve ser totalmente estranho ao ajuste celebrado, por se tratar de uma dessas
hipóteses:
a) o caso fortuito, que é o fato imprevisível que poderia ter sido evitado, como
o furto, por exemplo; ou
b) a força maior, denominada pelo direito anglo-saxônico act of God, que é
todo fato inevitável que repercute sobre relação contratual. ”7

Passado meu posicionamento sobre a aplicação da teria em mesa, transfiro a


atenção para outro ponto importante mencionado na decisão supracitado, qual seja,
“Pacta Sunt Servanda”.
O princípio da obrigatoriedade dos contratos (Pacta Sunt Servanda), diz
respeito, ao vínculo obrigacional resultante do negócio jurídico firmado pelas partes.
Partindo deste pressuposto, algumas legislações, como por exemplo, a francesa,
vão ao ponto de afirmar que as convenções legalmente firmadas transformam-se em
lei entre as partes.8

6
Rodrigues, Silvio. Direito Civil, volume 3: dos contratos e das declarações unilaterais da vontade.30ª Ed., São
Paulo :Saraiva, p.134, 2005.
7
Lisboa, Roberto Senise. Manual de Direito Civil: Contratos, Vol.3. 5ª Ed. São Paulo: Saraiva, p. 123, 2010.

8
Dispõe o art. 1.134 do Código Civil francês: “Lês conventions légalement formées tiennent lieu de loi à ceux
que lês ont faites”.

10
Ao analisar tal princípio, concluo que sua principal finalidade é a de buscar a
veracidade entre as partes, ou melhor, a confiança.
Ora, se as partes por vontade própria se encontraram e negociaram
livremente, tiveram a escolha de se calar ou falar. Por conseguinte, calando-se, não
se comprometeu a nenhuma obrigação, porém, se manifestou seu interesse
direcionado à outra parte, que também se interessou na proposta, estamos diante
de uma promessa recíproca entra as partes, onde uma se obriga a cumprir a
obrigação que propôs para com a outra.
Roberto Senise Lisboa diz que,
“Pelo princípio da obrigatoriedade (pacta sunt servanda), deve-se assegurar o
cumprimento do contrato, em todos os seus termos, vinculando-se os negociantes
para esse fim.
Surge daí a ideia de que o contrato é “lei entre as partes”, uma vez que elas
não podem se escusar a seu cumprimento. ”9
Silvio Luis Ferreira da Rocha se posiciona da seguinte maneira,
“Atribui-se a duas circunstâncias a força vinculante dos contratos. A primeira
ao fato de o contrato ter sido livremente estipulado ou aceito, o que quer dizer que
as partes concordaram em impor restrições recíprocas à futura liberdade. A segunda
ao fato de o contrato ter sido celebrado no próprio interesse, isto é, os contratantes
estipularam o contrato em razão das vantagens que irão auferir com ele.”10
Bom, visto o conceito do princípio da obrigatoriedade falta compará-lo à
presente lide.
Tendo a contratante total liberdade na hora da celebração do negócio, e
ainda, manifesta condição de ciência, nas eventuais conseqüências que seus
acordos de interesses poderiam causar, pelo atual status no mercado, não é de seu
direito rescindir tal contrato, menos ainda alegando ocorrer fato superveniente.
Corretamente foi o ato do magistrado que preferiu a sentença supracitada,
afastando a teoria da imprevisão proposta pela apelante, e invocando o princípio
pacta sunt servanda, onde as cláusulas estipuladas no instrumento de contrato
devem ser respeitadas.

9
Lisboa, Roberto Senise. Manual de Direito Civil: Contratos, Vol.3. 5ª Ed. São Paulo: Saraiva, p. 92, 2010.
10
Rocha, Silvio Luis Ferreira da. Curso Avançado de Direito Civil, vol.3: Contratos.São Paulo: Editora Revista
dos Tribunais, p.36, 2002.

11
Ademais, indo mais além, é de minha autoria, a opinião de que a contratante,
ao provocar o poder judiciário, agiu de má-fé, ao pedir a rescisão do contrato,
sustentando seu pedido na teoria da imprevisão, sendo que, a contratante pelo seu
destaque no mundo comercial não tinha ciência das conseqüências negativas que o
presente contrato poderia ocorrer.
Utilizando a ideia acima, fundamento desde já a próxima questão a ser
discutida, qual seja, a aplicação da cláusula VIII do contrato, multa, contra a
apelante.

2.4) “Como já exposto, não havia obrigação da ré em realizar


determinado número de eventos e se, ainda assim procedeu, não pode a
autora questionar a qualidade dos eventos e nem a regularidade de suas
realizações.
No tocante à multa, a mesma é devida nos termos em que pactuada, não
havendo razão para redução, tendo o magistrado dado correta interpretação à
clausula VIII do contrato.”

A autora, ao fundamentar sua intenção de rescisão contratual na omissão da


ré de não promover shows, não caracterizou os requisitos para a aplicação da
imprevisibilidade. Paralelamente com a ação proposta houve a paralisação da autora
em relação ao cumprimento de suas obrigações pela distribuição da mesma.
Conforme acórdão, a contratada distribuiu reconvenção pedindo a aplicação
da cláusula VIII do contrato, ou seja, multa de 50% do valor pago pela contratante
para a inocente tendo a mesma, a opção de considerar ou não rescindido o presente
contrato.
Neste caso, lógico foi o ato do magistrado na aplicação da cláusula penal
pactuada pelas partes. Tendo a apelada sustentada sua peça com a teoria da
imprevisão, e, consequentemente, a mesma ser rejeitada, decidiu por bem deferir

12
em parte o pedido da contratada em reconvenção, para a imposição da multa
existente no instrumento de contrato.
Em se tratando de cláusula penal, cabe dissertar alguns conceitos
importantes.
Cláusula penal é um pacto acessório ou principal onde as partes decidem por
estabelecer uma sanção, em dinheiro ou outra utilidade, no caso de eventual
inadimplemento da obrigação por uma das partes.
Roberto Senise Lisboa ensina que,
“Cláusula penal é o dispositivo que incide em desfavor daquele que
descumpriu com as obrigações previstas no contrato.”
É autêntica sanção ou pena civil decorrente da mora, ou seja, da
inadimplência culposa da obrigação contratual no tempo, modo ou lugar
convencionado.”11
Com o conceito do nobre professor, retomo a ideia direcionada á presente
lide, onde, se encontra cristalina a atitude da contratante em não cumprir com suas
obrigações contidas no negócio, com o pensamento de que com a ação proposta
teria sucesso na rescisão contratual.
Sem mais, coube ao excelentíssimo desembargador confirmar a decisão de
instância a quo, e assim obter a equivalência das partes em relação ao pacto que
fizeram, ou seja,

Justiça!

11
Lisboa, Roberto Senise. Manual de Direito Civil: Obrigações e Responsabilidade Civil, Vol.2. 5ª Ed. São
Paulo: Saraiva, p. 188, 2010.

13
Conclusão

Ao analisar tal acórdão, percebo a má-fé de grandes empresas em relações


contratuais, com as de menos envergadura atuando no mercado.
Veja, é explícita, a atitude maléfica da autora, ou seja, a contratante, que,
além de procurar os serviços da contratada, propõe uma ação de rescisão contratual
para alterar os acordos por ela buscados.
Ora, presume-se que quando uma empresa, do porte que a autora possui,
procura outra com intenção de contratar sua prestação de serviço, ela já tenha
pesquisado, analisado e comparado suas características para não fazer um mau
negócio.
Ademais, na sua má tentativa de fundamentar o pedido com a teoria da
imprevisão, conclui que o presente contrato se classifica como aleatório, e por isso
assumiu o risco que poderia ocorrer, posição diversa do magistrado que decidiu
indeferir a aplicação da teoria da imprevisão por falta de provas.

14
Reunidos os pensamentos resultantes da análise deste acórdão, finalizo este
trabalho com a convicta perspectiva, da ótima aplicação do direito material ao caso
concreto pelos magistrados da referente Comarca, onde rejeitou a tentativa da
autora em rescindir o contrato, e mais, aplicar a Cláusula VIII do contrato, implicando
à autora o pagamento de multa pelo seu inadimplemento.

Bibliografia

• Lisboa, Roberto Senise. Manual de Direito Civil: Obrigações e Responsabilidade


Civil, Vol.2. 5ª Ed. São Paulo: Saraiva 2010.

• Código Civil francês

•Rocha, Silvio Luis Ferreira da. Curso Avançado de Direito Civil, vol.3: Contratos.
São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, p.36, 2002.

• Lisboa, Roberto Senise. Manual de Direito Civil: Contratos, Vol.3. 5ª Ed. São Paulo:
Saraiva, 2010.

• Rodrigues, Silvio. Direito Civil, volume 3: dos contratos e das declarações


unilaterais da vontade.30ª Ed., São Paulo :Saraiva, 2005.

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO

15
K TfíJSUNAl DE ESTICA DE SÃO PAULO
„ „ , * \ ! > ACORDAO/DECISÃO MONOCRATICA
176 ^ REGISTRADO(A) SOB N°
A C Ó R D Ã O l llf II! mil IIIII mu mu mu mu mu MI mi
Vistos, relatados e discutidos estes autos de
Apelação n° 992.05.104013-0, da Comarca de Campinas,
em que é apelante COMPANHIA BRASILEIRA DE BEBIDAS
sendo apelado EXCALIBUR RESTAURANTE E PROMOÇÕES
ARTÍSTICAS LTDA.
ACORDAM, em 36* Câmara de Direito Privado do
Tribunal de Justiça de São Paulo, proferir a seguinte
decisão: "NEGARAM PROVIMENTO AO RECURSO. V. U.", de
conformidade com o voto do Relator, que integra este
acórdão.
O julgamento teve a participação dos
Desembargadores ROMEU RICUPERO (Presidente sem voto),
ARANTES THEODORO E DYRCEU CINTRA.
São Paulo,15 de abril de 2010.
JAYME ÓÜEI^OZVjLbkES
IELATOR
PODER JUDICIÁRIO
SÃO PAULO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA
SEÇÃO DE DIREITO PRIVADO
36a CÂMARA
APELAÇÃO COM REVISÃO N.° 992.05.104013-0
APELANTE: Companhia Brasileira de Bebidas
APELADO: Excalibur Restaurante e Promoções Artísticas
Ltda.
COMARCA: Campinas - 10a V. Cível (Proc. n.° 261/00)
VOTO N.° 8552
EMENTA;
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS - RESCISÃO
CONTRATUAL - CONTRATO QUE NÃO MENCIONA A
QUANTIDADE MÍNIMA DE EVENTOS QUE A
APELADA DEVERIA FAZER PARA ATINGIR A
EXPECTATIVA DA APELANTE - AUTORA QUE NÃO
COMPROVOU O DESCUMPRIMENTO DO CONTRATO
POR PARTE DA RÉ - TEORIA DA IMPREVISÃO -
INAPLICABILIDADE - MULTA DEVIDA.
Apelação improvida.
Trata-se de apelação interposta contra a r.
sentença de fls. 339/346, cujo relatório adoto, que
julgou parcialmente procedente ação de rescisão
contratual e parcialmente procedente a reconvenção,
alvo de embargos de declaração que foram rejeitados
(fls. 354) .
Apela a autora, pleiteando a reforma da
decisão, alegando, em síntese, que: celebrou contrato
de promoção e outras avenças com a apelada, pelo prazo
Apelação com Revisão n° 992 05 104013-0
Voton" 8552

PODER JUDICIÁRIO

16
SÃO PAULO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA
SEÇÃO DE DIREITO PRIVADO
de 15 anos, para que a ré vendesse com exclusividade os
produtos da marca Antárctica visando, assim, ampliar a
sua participação no mercado de bebidas e, em
contrapartida, pagaria o valor de R$ 750.000,00, sendo
R$ 150.000,00 em dinheiro e R$ 600.000,00 em produtos
de sua própria fabricação; que a apelada comprometeu-se
a realizar diversos eventos e disponibilizar à venda,
em seu estabelecimento, apenas produtos da marca
Antártica, bem como ceder espaço para fixação de
materiais promocionais da mesma; que efetuou o
pagamento do valor de R$ 150.000,00, bem como R$
221.604,93 em mercadorias; que não obteve o retorno
esperado em face do seu investimento no
estabelecimento, pois jamais recebeu pedido de
aquisição adicional dos produtos; que propôs a presente
ação, postulando a rescisão contratual, com a quitação
de seu débito, tendo em vista a desproporcionalidade
existente e a improbabilidade de obtenção dos efeitos
mínimos desejados e previstos no contrato; que, em
contestação, a ré alegou inexistência de fato
superveniente que justificasse a rescisão, baseando-se
no princípio da força vinculante dos contratos, razão
pela qual apresentou reconvenção, postulando a
manutenção do contrato, pois ele sempre lhe foi
vantajoso; que a sentença deve ser declarada nula, em
face da negativa de prestação jurisdicional ao não
analisar a totalidade das questões entregues a seu
conhecimento, mesmo tendo sido provocado via embargos
de declaração; que deve ser rechaçada a cobrança da
Apelação com Revisão n° 992.05.104013-0
Voton0 8552 '

PODER JUDICIÁRIO
SÃO PAULO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA
SEÇÃO DE DIREITO PRIVADO
multa estabelecida na r. sentença, pois a apelada não
comprovou o adimplemento da sua obrigação,
desrespeitando o disposto no artigo 1092 do antigo
Código Civil, pois deixou de provar que realizou
espetáculos e shows a que se propôs, a fim de tornar
funcionalmente eficiente o contrato firmado; que foram
violados os artigos 458, inciso II do C.P.C., 5°,
incisos XXXV e LV e 93, inciso IX da Constituição
Federal, acarretando a nulidade da sentença; que apesar
de ter alcançado a rescisão do contrato tal como
pleiteado, foi condenada a "ressarcir" à recorrida, a
título de multa, 50% sobre o total já efetivamente pago

17
a esta, estando a decisão fundamentada na inexistência
de rompimento de equivalência entre as partes; que a
prova produzida nos autos não configurou o
descumprimento contratual pela recorrente a justificar
a aplicação da multa prevista na cláusula VIII; que
deve ser aplicado o que dispõe o artigo 333 do Código
de Processo Civil, tendo em vista que a ré não
comprovou a existência de fato impeditivo, modificativo
ou extintivo do direito da autora; que a sentença deve
ser reformada, para o fim de declarar a inexistência da
obrigação de indenizar, com condenação da apelada a
devolver aquilo que recebeu; que, caso não seja este o
entendimento, que mitigue o valor arbitrado a título de
multa.
Recurso tempestivo, preparado e respondido
(fls. 372/382).
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É o relatório.
A autora celebrou com a ré "Contrato de
Promoção e Outras Avenças" (fls. 11/13), figurando a
demandante como contratante e a demandada como
contratada, comprometendo-se esta a ceder espaço em seu
estabelecimento para afixação de materiais promocionais
da contratante, tais como displays, pôster e cartazes
ligados a ponto de venda.
Constou do contrato que o mesmo objetivava
ressaltar as qualidades dos produtos Antarctica,
obrigando-se a contratada a manter em seu
estabelecimento exclusividade pelos produtos do Grupo
Antarctica.
Como retribuição a contratada receberia da
contratante o valor de R$ 750.000,00, sendo R$
150.000,00 em dinheiro e R$ 600.000,00 em produtos de
fabricação da contratante, que seriam distribuídos em
30 parcelas de R$ 20.000,00, no período de fevereiro de
1998 a julho de 2000, sendo certo que o contrato
vigoraria por 15 anos, com início em 30.09.97.
Previa a cláusula VIII que "No caso de
infração ao disposto neste contrato, a parte faltosa
incorrerá no pagamento da multa de 50% sobre o total pago
pela CONTRATANTE, incidente para cada uma das infrações
cometidas, total ou parcialmente, ficando a parte inocente
N

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I
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Voto n° 8552
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com o direito de considerar ou não, simultaneamente,
rescindido o presente contrato. O valor da multa será
corrigido de acordo com o índice e periodicidade que
eventualmente vierem a ser autorizados pelo Governo Federal"
(fls. 12) .
Alegou a autora na inicial que do montante
acordado a ré recebeu R$ 150.000,00 em dinheiro e R$
221.604,93 em mercadorias, restando, ainda, R$
378.395,08 a serem entregues, por mais 19 parcelas
mensais de R$ 20.000,00 cada uma, tal como pactuado;
que foi para expor seus produtos, bem como
comercializá-los, em casa de espetáculo de gabarito,
aberta ao público, que a autora houve por bem investir
verdadeira fortuna; que a ré comprometeu-se a ceder
espaço em seu estabelecimento para a fixação de
materiais promocionais da demandante, bem como
ressaltar as qualidades do produto, além de fornecê-los
com exclusividade; que o investimento de vulto se
justificaria desde que a ré promovesse espetáculos que
levassem público ao seu estabelecimento, que consumisse
os produtos entregues gratuitamente, mas, também, como
resultando dos esforços desenvolvidos, obter aquisições
adicionais que seriam, assim, compradas pela demandada;
que tal não ocorreu mesmo passados três anos do
contrato firmado; que durante esse período a ré poucas
vezes promoveu shows ou eventos, sendo que, segundo
denúncias, o consumo de bebidas da marca Antarctica, no
local, sempre foi inferior ao que era remetido,
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obrigando a demandada a vender no mercado o excedente;
que o contrato celebrado, para a autora, ficou e está
longe de alcançar os efeitos mínimos desejados e
previstos; que, no caso, é de se aplicar a teoria da
imprevisão como implícita em todos os contratos; que se
a autora, ao celebrar o contrato, soubesse que a ré
fosse realizar poucos eventos em sua casa, não o teria

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firmado; que, assim, imperiosa a revisão do contrato,
pois inexiste praticamente a equivalência das
obrigações das partes, rompida pelos eventos aqui
apontados; que, assim, é proposta a presente ação de
rescisão contratual, mediante a qual o contrato firmado
entre as partes deverá ser considerado cumprido em
relação à autora, quitado seu débito pendente,
entendido que os valores já pagos, passariam a
representar o pagamento integral do compromisso
estabelecido, nada mais devendo a requerente.
A ré, em contestação, alegou que cumpriu o
avençado, tendo realizado diversos e sucessivos eventos
em suas dependências, tendo ali recebido um universo
aproximado de 90.000 pessoas, mantendo no local farta
decoração institucional da autora, bem como
comercializando com exclusividade seus produtos.
Anexou à defesa, diversos contratos
celebrados entre os anos de 1.998 e 2.000, comprovando
a realização de eventos.
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Em reconvenção pleiteou a condenação da
autora ao pagamento de indenização pelos prejuízos que
sofreu e vem sofrendo.
Após réplica, contestação à reconvenção e
réplica a essa defesa, determinou o magistrado que as
partes se manifestassem a respeito da produção de
provas, tendo a autora requerido prova oral e
documental.
Foi, então, designada audiência, tendo nela
prestado depoimentos os representantes legais das
partes e ouvida uma testemunha da autora.
Constou da sentença que:
"Tratando-se de contrato bilateral, é de rigor o
cumprimento das condições estabelecidas tanto pela
autora, como pela ré, o que afasta a possibilidade de
alteração das cláusulas inicialmente ajustadas, tendo
em vista a ausência de motivo que tivesse o condão de
autorizar este procedimento, posto que a qualificação
da autora indica que possuía plenas condições de
tomarem ciência do conteúdo do contrato, das condições
de cumprimento e das conseqüências do eventual
inadimplemento, o que torna inviável a revisão
contratual tal como requerido na petição inicial, quer
em decorrência da absoluta previsibilidade das
condições pactuadas, quer, ainda, ante a insuficiência
probatória quanto aos fatos por si alegados e
motivantes da invocação da teoria da imprevisão.
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O princípio yPACTA SUNT SERVANDA' deve ser respeitado
por aqueles que contratam validamente entre si, sejam
pessoas físicas ou jurídicas, desde que não ocorra
causa excepcional e imprevista que autorize a rescisão
com restituição ou que uma das partes não tenha sido
cientificada de todas as implicações decorrentes da
afirmação do contrato, o que não ocorreu no caso em
tela.
Insta recordar que cabia à autora provar a ocorrência
de shows e eventos em regularidade discreta, a ponto
de não alavancar as vendas consoante expectativa précontratual.
É o que dispõe o artigo 333, I, do Código de Processo
Civil, onde se lê incumbir à autora o ônus da prova de
fato constitutivo de seu direito" (fls. 342/343) .
(...)
"Ou seja, a autora precisaria demonstrar em juízo a
ocorrência dos atos ou fatos por ela descritos na
exordial como ensejadora de seu direito, valendo, como
regra geral, a inexigência de comprovação dos fatos
pela ré negados, ante a dificuldade de produção da
prova negativa" (fls. 344) .
Correta se afigura a decisão.
Pelo que se viu do singelo contrato
celebrado, não havia nele qualquer disposição que
obrigasse a ré a realizar determinado número de
eventos, sendo certo que sua obrigação era a de ceder
espaço para fixação de materiais promocionais da
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autora, o direito de uso de um camarote com banheiro
privativo, bem como ingressos gratuitos em número
correspondente à capacidade desse camarote e
exclusividade de comercialização dos produtos do grupo
Antarctica.
Nada mais!
De qualquer forma, a ré acabou por comprovar
que realizou inúmeros eventos no local durante o
período em que o contrato vigorou.
Ora, se tais eventos, no dizer da autora, em
tese, não atingiram a meta por ela desejada, tal
situação não implica reconhecer a teoria da imprevisão
que para ser acolhida demandaria prova muito mais
robusta do que a mera alegação.

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A autora, ao celebrar o contrato, deveria ter
nele consignado um determinado número de eventos, bem
como o tipo desses eventos, não podendo, agora,
sustentar a realização de poucos eventos para, então,
pretender fazer valer a teoria da imprevisão.
Como dito, a ré cumpriu com a sua obrigação,
razão pela qual inaplicável ao caso a previsão do
artigo 1.092, do Código Civil de 1.916, não havendo,
assim, que se falar em nulidade da sentença, por
negativa de prestação jurisdicional.
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Como já exposto, não havia obrigação da ré em
realizar determinado número de eventos e se, ainda
assim procedeu, não pode a autora questionar a
qualidade dos eventos e nem a regularidade de suas
realizações.
No tocante à multa, a mesma é devida nos
termos em que pactuada, não havendo razão para redução,
tendo o magistrado dado correta interpretação à
cláusula VIII do contrato.
Ante o exposto,
provimento.
ao recurso negado
JAYME EI^OZ^LOPES
lator
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