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i d e o 1 5 f e v – 1 5 m a i o
p o r t r a i t s 2 0 1 1
d e i n s t i t u t o
r o b e r t m o r e i r a
w i l s o n s a l l e s – r j
P e t e r C e r o n e / J a s o n L o e f f l e r a r r a n j o
E t h e l M e r m a n m u s i c a
D i t a v o n T e e s e a r t i s ta b u r l e s c a / 2 0 0 6
H a n s P e t e r K u h n m u s i c a
de au tomoveis / 2006
N o r m a n P a u l F l e m i n g m e c a n i c o
R o b e r t W i l s o n v o z
R o b e r t W i l s o n v o z T. S . E l i o t / H e i n e r M u l l e r t e x t o
H e i n e r M u l l e r t e x t o H a n s P e t e r K u h n m u s i c a
J e r r y L e i b e r / M i k e S t o l l e r m u s i c a J o h n n y D e p p at o r / 2 0 0 6
I v o r y p a n t e r a n e g r a / 2 0 0 6
M i c h a e l G a l a s s o m u s i c a
M i c h a e l G a l a s s o m u s i c a W i n o n a R y d e r at r i z / 2 0 0 4
Z h a n g H u a n a r t i s ta / 2 0 0 4
R o b e r t W i l s o n v o z
M i c h a e l G a l a s s o m u s i c a D a r y l P i c k n e y t e x t o
A l a n C u m m i n g at o r / 2 0 0 4 L u d w i g va n B e e t h o v e n m u s i c a
J e a n n e M o r e a u at r i z / 2 0 0 5
Ch r i s t o p h e r K n o w l e s v o z e t e x t o
P e t e r C e r o n e / J a s o n L o e f f l e r a r r a n j o Bernard Hermann musica c o m p o n t o d e e n c o n t r o n a r e c e p c a o
M i c h a e l G a l a s s o m u s i c a d e M o n a c o / 2 0 0 6 d e t e r c a a s e x t a , a s 17 h
B r a d P i t t at o r / 2 0 0 4 P r i n c e s a C a r o l i n e p r i n c e s a H a ta mbem v isi ta s gui a da s
ou pelo e- m a il educ at i vo.r j@ims.com .br.
M i c h a e l G a l a s s o m u s i c a P e t e r C e r o n e m u s i c a p e l o t e l e f o n e (21) 32 8 4 -74 0 0
S t e v e B u s c e m i at o r / 2 0 0 4 G a o X i n g j i a n e s c r i t o r / 2 0 0 5 V isi ta s gui a da s medi a n t e agenda men t o
verso frente S e r v i c o E d u c a t i v o i m s - r j
entr ada fr anca
11h – 2 0 h
e feriados
sabados, domingos
13 h – 2 0 h
t erc a a se x ta
w w w. i m s . c o m . b r
Robert Wil son Toda s a s imagens t e l (21) 32 8 4 74 0 0
w i l s o n s a l l e s – r j g av e a 22451– 0 4 0
R e v i s a o F l av i o C i n t r a d o A m a r a l / d e n i s e p e s s o a d e s a o v i c e n t e 47 6
r o b e r t m o r e i r a P r o j e t o G r a f i c o C l a u d i a W a r r a k / R a u l L o u r e i r o rua marques
P r o d u c a o D i s s i d e n t I n d u s t r i e s I n c . / i m s s a l l e s – r j
d e i n s t i t u t o A s s i s t e n t e d e C u r a d o r i a P r i s c i l a S a c c h e t t i n instituto moreira
c o o r d e n a c a o e x e c u t i va S a m u e l T i t a n J r . / O d e t t e J . C . V i e i r a 15 f e v – 15 m a i o 2 011
p o r t r a i t s 2 0 1 1 C u r a d o r i a N o a h K h o s h b i n / M a t t h e w Sh a t t u c k
C o o r d e n a c a o d e A r t e s V i s u a i s de robert wilson
v i d e o 1 5 f e v – 1 5 m a i o R e a l i z a c a o I n s t i t u t o M o r e i r a S a l l e s / video portr aits
el as entr am Sim, são retratos de celebridades. Havíamos acreditado que Andy Warhol É uma operação altamente arriscada. Wilson parece assumir a tarefa com Devemos pegar sua afirmação pela raiz: uma natureza-morta é uma vida Os retratos fazem uso dessa ambiguidade, mais uma vez, embaralham rea­
de v olta no m u n do. . . tinha chegado ao ápice e aniquilado o gênero, tão antigo quanto o próprio alegria e compenetração. Arrisca sua reputação e coloca-se à prova em real (“A still life is real life”, título do texto do artista que acompanha a divul- lidade e ficção, agora num sentido bastante atual. Quanto de realidade e
nos cercam...
penetr am em nossas casas,
retrato, com seus silk-screens — de Marilyn Monroe, Elvis Presley, Cassius experimentações de resultados diversos, encontrando aqui e ali soluções gação da série). Esses que vemos encenando são pessoas que encenam quanto de encenação existe na aliança de Brad Pitt, na maquiagem de
em nossos interiores Clay, Mao Tsé-tung — e screen-tests — de Nico, Edie Sedgwick, Lou Reed realmente memoráveis, imagens com um poder de fixação quase melódico. para nós. De fato, grande parte dos retratados, entre eles Brad Pitt, Zhang Johnny Depp? / A dramaturgia contemporânea, desde Heiner Müller, sou-
P a r e n t- D u c h at e l e t, e tantos outros. Neles, anulava qualquer espaço de alteridade entre artista / Wilson se serve de uma engenhosidade alheia ao campo estrito da arte Huan, Norman Fleming, Steve Buscemi, Jeanne Moreau, em alguma medi- be valer-se do recurso de fundir realidade e ficção com inteligência. E são
De l a prostitution
e retratado, imagem e espectador, e atestava a impossibilidade de profun- contemporânea. Uma qualidade que hoje pertence mais ao campo teatral, da Dita von Teese e, se me permitirem, a pantera Ivory, não ignoram, ao fragmentos de textos de Müller que aparecem nas trilhas sonoras dos re-
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didade no mundo dominado por imagens planas e opacas, de seres inson- mas que por muito tempo foi central àquele das artes visuais. Por falta de contrário, afirmam a presença de seu primeiro espectador, o diretor ou ar- tratos de Ivory (Hamletmachine) e Johnny Depp (Medeamaterial). A dra-
dáveis porque vazios. / Não há espaço aqui para uma história do gênero. bom nome, podemos chamá-la de “barroca”. Ela lhe confere propriedade tista; por consequência, a nossa. Quebram mais uma vez o velho pacto da maturgia de Müller fazia, entre outras coisas, texto de autoria própria e ci-
Basta lembrar alguns de seus marcos: a harmonia de humanidade e natu- singular no tratamento refinado das luzes, na composição precisa e dra- absorção defendido por Diderot no século xviii, base da ficção no teatro e tação condensarem-se num amálgama indiscernível de sonho, lembrança,
reza na Mona Lisa , de Leonardo, o “ser-na-realidade” de Paulo iii, de Ticia- mática do quadro (no sentido mesmo do enquadramento), no domínio da da representação na pintura, tal como analisa Michael Fried. / Dessa ma- eco, ruído. Espaço e tempo da cena teatral se estilhaçavam em mil peda-
no, a prosperidade e a retitude de Maria Trip, de Rembrandt, o abismo entre direção dos atores. O pleno domínio daquilo que constituía o espetáculo neira, os retratos enfrentam um problema central da arte contemporânea, ços. O teatro de Wilson, tributário também de Brecht e de Beckett, que
retratado e público dos autorretratos de Courbet, a ameaça da Olympia , de intrincado de luzes, sombras, cores, volumes, superfícies, perspectivas e o da participação, da solicitação do espectador, sem entregar o jogo do sumariamente poderíamos chamar de pós-dramático, faz uso de todos
Manet, a adequação do modelo ao pintado, na Gertrude Stein, de Picasso, ressonâncias foi fundamental para alguns grandes mestres do final do sé- significado exclusivamente para esse “oponente”, o público. Não é ele esses recursos, somados a arranjos cenográficos sofisticados — mas tudo
que inverte por definitivo as polaridades tradicionais (ao ser interpelado por culo xvi e do século xvii. Foi com esse engenho que Palladio, Caravaggio, quem tem a soberania da construção do sentido, mas tampouco este se é posto a serviço de um realismo sem concessões. / Tudo isso está pre-
um amigo que observara que o retrato não se parecia com a modelo, Picas- Bernini, Vermeer, Rubens, entre outros, alcançaram a capacidade de ence- encontra apenas no interior do quadro. / Voltemos ao fato de que se trata sente nos retratos da série. Com a vantagem, talvez, de serem justamente
so teria respondido: ela se parecerá). / Mas eis que Robert Wilson não se nar o theatrum sacrum da fé ou o theatrum profanum da vida. Algo que de retratos de celebridades. Wilson afirma que são deuses do nosso tempo retratos, de terem esse poder de reverberação, de multiplicação… não são
furta à tarefa de investigar novamente o gênero dado como esgotado, acei- poderia resultar numa monumentalidade extravagante ou num realismo (sempre no texto de divulgação). Deuses causam fascínio e medo. Cele- controláveis. Seus frágeis monstros, ofertados em sacrifício em telas de
ta a encomenda de uma grande companhia e produz retratos que vão além seco e pungente. / Nossa tendência hoje é a de desconfiar em grande bridades são familiares, sabemos de suas vidas, conhecemos seus filhos, alta resolução, provocam um fascínio aterrador. E talvez, se pudéssemos
de fotografias, incluem o cinema e o teatro, reúnem algo do voyeurismo medida dessa encenação. De imediato, a posicionamos do lado oposto ao suas casas, eles frequentam as nossas, nos cercam, nos invadem. Mas perguntar o que querem, responderiam, como a Sibila de Cumas, presa na
das cabines de peepshow e da solenidade dos grandes ícones de igrejas. do realismo. Mas é de realismo que Wilson afirma tratar nesses retratos. também nos aterrorizam, porque nos lembram de tudo o que não somos. sua eternidade: quero morrer, quero quebrar o encanto. / f e r n a n d a p i t ta