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T R IB

IÇ A
ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA
R S
MASC
Nº 70033526682
2009/CÍVEL

APELAÇÃO CIVEL. EXECUÇÃO. NEGÓCIOS


JURÍDICOS BANCÁRIOS. EMBARGOS.
PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. COISA JULGADA.
MANUTENÇÃO DA SENTENÇA.
Aplicação do prazo prescricional previsto no CC de
1916, em decorrência da regra de transição (art. 2028
do CC/02). Confronto entre o termo inicial - 1991 e a
data do ajuizamento da demanda.
Prazo prescricional vintenário não implementado na
hipótese sub judice.
Necessidade de preservação da segurança e da
estabilidade das relações jurídicas.
Precedentes do Superior Tribunal de Justiça.
Inocorrência de afronta a coisa julgada, pois a decisão
proferida nos autos da execução extinguiu a demanda
em razão da ausência de título executivo, viabilizando
o manejo da presente monitória.

Apelo desprovido.

APELAÇÃO CÍVEL DÉCIMA SEXTA CÂMARA CÍVEL

Nº 70033526682 COMARCA DE SÃO LUIZ GONZAGA

ODIL VIEIRA DE OLIVEIRA APELANTE

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL APELADO

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos os autos.


Acordam os Desembargadores integrantes da Décima Sexta
Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado, à unanimidade, em
desprover o apelo.
Custas na forma da lei.

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Participaram do julgamento, além do signatário (Presidente), os


eminentes Senhores DES.ª ANA MARIA NEDEL SCALZILLI E DES.
PAULO SERGIO SCARPARO.
Porto Alegre, 28 de abril de 2011.

DES. MARCO AURÉLIO DOS SANTOS CAMINHA,


Relator.

RELATÓRIO
DES. MARCO AURÉLIO DOS SANTOS CAMINHA (RELATOR)
Trata-se de apelação interposta por Odil Vieira de Oliveira em
face de sentença que julgou improcedente os embargos à ação monitória,
promovidos contra o Estado do Rio Grande do Sul, como sucessor da Caixa
Econômica Estadual.
Elabora breve resenha dos fatos e menciona a ocorrência da
prescrição da pretensão principal e dos juros remuneratórios. Aduz a
incidência do disposto no art. 178, § 10, inciso III, do CC de 1916. Assevera
cabível a adoção do prazo trienal de prescrição, inclusive para incidência
dos juros remuneratórios anteriormente a esse prazo. Sustenta ocorrência
de coisa julgada em razão do julgamento anterior da execução. Requer o
provimento.
Contra-razões do Estado as fls. 82/91.
Parecer do Ministério Público no sentido do desprovimento do
recurso.
Vieram-me conclusos os autos.
Consigno que foi atendido o disposto nos artigos 549, 551 e
552, todos do CPC, tendo em vista a adoção do sistema informatizado.
É o relatório.

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VOTOS
DES. MARCO AURÉLIO DOS SANTOS CAMINHA (RELATOR)
Não prospera a inconformidade, devendo ser mantida a
sentença por seus próprios fundamentos.

Com efeito, quando da entrada em vigor do novo Código Civil,


havia transcorrido mais da metade do lapso prescricional previsto no
Diploma anterior para a hipótese sub judice (art. 177, vinte anos),
considerando a data de início de contagem do prazo – em 1991; logo,
aplicável o dispositivo contido no art. 2.028 do Estatuto Civil em vigor (regra
de transição).

Portanto, considerando que o manejo da presente execução


ocorreu em 2007 (fl. 02 dos autos em apenso), não se verifica o alegado
implemento do prazo prescricional (vintenário).

Trata-se de entendimento sedimentado no Superior Tribunal de


Justiça1, a saber:

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO. ATO ILÍCITO.


PRESCRIÇÃO. PRAZO. CONTAGEM. MARCO
INICIAL. REGRA DE TRANSIÇÃO. NOVO CÓDIGO
CIVIL. 1 - Se pela regra de transição (art. 2028 do
Código Civil de 2002) há de ser aplicado o novo
prazo de prescrição, previsto no art. 206, §3º, IV do
mesmo diploma legal, o marco inicial de contagem
é o dia 11 de janeiro de 2003, data de entrada em
vigor do novo Código e não a data do fato gerador
do direito. Precedentes do STJ. 2 - Recurso especial
conhecido e provido para, afastando a prescrição, no
1
No mesmo sentido: REsp 813293 / RN; Ministro JORGE SCARTEZZINI; T4 - QUARTA
TURMA; 09/05/2006; DJ 29.05.2006 p. 265; REVFOR vol. 387 p. 295; REsp 717457 / PR;
Ministro CESAR ASFOR ROCHA; T4 - QUARTA TURMA; 27/03/2007;DJ 21.05.2007 p.
584.
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caso concreto, determinar a volta dos autos ao


primeiro grau de jurisdição para julgar a demanda.
(REsp 838414 / RJ; Ministro FERNANDO
GONÇALVES; T4 - QUARTA TURMA; 08/04/2008;
DJe 22.04.2008)(grifei).

Em igual sentido, a jurisprudência desta Corte:

APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO MONITÓRIA. ESTADO DO


RIO GRANDE DO SUL. SUCESSORA DA EXTINTA
CAIXA ECONÔMICA ESTADUAL. PRESCRIÇÃO
INOCORRÊNCIA. Prescrição inocorrente, pois
ajuizada a lide antes de se completar o prazo reduzido
pelo novo Código Civil. Exegese do art. 2.028 do CPC.
Ausência de demonstração do alegado excesso de
execução, em especial por ausente qualquer
comparativo com os cálculos apresentados. Apelação
improvida. (Apelação Cível Nº 70032913139, Décima
Nona Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS,
Relator: Guinther Spode, Julgado em 09/03/2010)

Por fim, no tocante à alegação de afronta a coisa julgada,


igualmente improcede a irresignação.
Ressalta-se que a sentença proferida nos autos de execução
manejada contra o Estado em face dos ora embargantes, foi de extinção
exatamente em razão da ausência de título executivo a aparelhar o pleito
executivo.
Diante desse contexto, não havendo qualquer decisão acerca
da dívida ou sobre a higidez do contrato, descabe falar em afronta a coisa
julgada, pois o ajuizamento da monitória teve por objetivo sanar as
irregularidades ao promover, o autor, demanda hábil à constituição do título
executivo a partir dos documentos de fls. 03/08.
Com tais razões, nada mais é necessário aduzir para negar
provimento ao apelo.
É como voto.
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DES.ª ANA MARIA NEDEL SCALZILLI (REVISORA) - De acordo com o


Relator.
DES. PAULO SERGIO SCARPARO - De acordo com o Relator.

DES. MARCO AURÉLIO DOS SANTOS CAMINHA - Presidente - Apelação


Cível nº 70033526682, Comarca de São Luiz Gonzaga: "NEGARAM
PROVIMENTO AO APELO. UNÂNIME."

Julgador(a) de 1º Grau: LUIS ANTONIO DE ABREU JOHNSON