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Rosângela Doin de Almeida

Universidade Estadual Paulista - UNESP

E-mail: rdoin@rc.unesp.br
 A iniciativa de produzir esses atlas partiu de uma
solicitação de professores da rede de ensino público.
 O projeto recebeu financiamento da Fapesp (1997-1998).
 A equipe de trabalho era formada por professores das
áreas de Historia, Geografia e Ciências Naturais desses
municípios.
 A produção de Atlas e mapas exige conhecimento
técnico, sendo elaborados por geógrafos ou cartógrafos.
 A principal questão metodológica consistiu em estabelecer
um desenho de pesquisa a respeito tanto da produção de
atlas para escolares quanto do modus operandi a ser
construído por professores.
 Que caminho metodológico seguir para a produção dos
atlas?
Pesquisa qualitativa – por possibilitar a análise das
condições de produção de conhecimento por professores
em processo de pesquisa.
Pesquisa em colaboração – entre profissionais da rede
escolar e a universidade (metodologia da pesquisa-ação)
Conflitos iniciais – grupo aglutinado: os
membros esperam soluções do líder; grupo de
baixa produtividade.
Substituição de bolsistas no segundo ano da
pesquisa.
Professores adquiriram maior autonomia,
assumindo lideranças
Construção coletiva de uma visão de atlas,
município e escola.
Perfil dos atlas, definido pelos professores:
 Deveriam ser de fácil manuseio
 Deveriam ter dimensões adequadas ao transporte

pelos alunos
 Destinavam-se a alunos de 3ª a 6ª séries, por isso

deveriam possibilitar vários níveis de leitura


 Deveriam portar informações específicas sobre o

município, evitando todo conteúdo publicado em


livros didáticos.
 O design favorece a leitura, conduzindo o olhar da esquerda
para direita.
 O Atlas tem tamanho A4;
 Os temas estão representados em páginas duplas, os mapas
ocupam a página direita e os textos a página esquerda;
 Os mapas ocupam toda a página direita.
 Os mapas, dada a dimensão dos municípios têm escala
1:200.000.
 No lay out das páginas as fotografias abrem o tema e servem
de passagem para os textos.
 Nos temas de Historia incluiu-se uma cronologia, que serve de
eixo para a leitura.
TÍTULO
PÁGINA DUPLA

BOX

texto geral
MAPA

FOTO 1 FOTO 2
PÁGINA DUPLA

TITULO

Dados cronológicos

TEXTO Mapa
figura

BOXE
Linha cronológica
EXEMPLO
Página direita
EXEMPLO
Página esquerda
Localização
(área do
Estado de SP)

Implantação
pontual - Implantação de
O tamanho área (zonal)
da letra
indica o
tamanho do
local
Implantação
linear -
A cor das
linhas indica
o percurso
 Enquete com os professores
 Escolha de temas mais significativos sobre o

município x temas gerais


 Currículo oficial – Cenp (dec. 80) e PCNs (dec.90)
 Processo de escolarização
 Saberes e práticas dos professores que

participavam do grupo.
O recorte temático
O recorte temático

O desenho de cada página proporciona níveis de


compreensão cada vez mais complexos.
1. Entendimento geral do tema (mais sincrético)
2. Leitura de distintas representações, feitas por meios
cartográficos, iconográficos o textuais;
3. Síntese, por meio das relaciones estabelecidas entre
as diferentes representações.
Estes niveles de leitura definiram o que consideramos
como legibilidade da página.
A escolha dos temas a serem abordados apoiou-se em
dois princípios:

1. Priorizarconhecimentos voltados para a construção


de identidade e cidadania.
2. Escolher conteúdos e conceitos de maior
abrangência explicativa no sentido de possibilitar a
compreensão da cultura do lugar e sua
contextualização na cultura mais ampla.
Os focos temáticos das áreas curriculares:
Geografia, Historia e Ciências foram os
seguintes:

a formação territorial, em História


 a urbanização e a vida nas cidades, em
Geografia
 as questões ambientais urbanas, em Ciências
Formação territorial

Como situar a região onde hoje está Rio Claro


no contexto da colonização do Brasil e do
processo de ocupação do território paulista?
Formação territorial

Durante o século XVIII, para o transporte do gado do sul até a


região das minas, foram abertos alguns caminhos.
Entre eles o de Bartolomeu Bueno da Silva (Anhangüera) que
ligava São Paulo a Cuiabá.
Outro caminho foi o de Luís Pedroso de Barros, conhecido
como “o picadão”, que ia de Itu a Araraquara.
Rio Claro surgiu de um pouso em terras entre o caminho do
Anhangüera e o Picadão.
Urbanização e vida nas cidades

Mapas da área urbana dividida em setores:


• Serviços Públicos
• Escolas
• Saúde
 Concentração nos bairros centrais ou mais
antigos
 Segue o sentido norte-sul, acompanhando o

movimento de ocupação da cidade, dado pela


linha da estrada de ferro.
 Um dos principais problemas ambientais da cidade.
 O mapa deve mostrar:

 a distribuição dos equipamentos de saneamento


básico
 a situação das bacias hidrográficas dentro do
município.
 O município capta águas limpas do Ribeirão Claro e
do Rio Corumbataí.
 Na área urbana, esses rios recebem esgotos que os
tornam poluídos.
 As ETEs localizam-se em pontos estratégicos, mas
não resolvem completamente o problema.
Partimos da necessidade de transformação tanto nas
concepções a respeito dos saberes quanto das práticas
dos professores.

Era necessário superar a formação exclusivamente


técnica obtida na Licenciatura por uma nova
epistemologia da prática profissional.

Segundo D. Schön, a idéia do profissional reflexivo.

Por meio da reflexão sobre a ação docente, o professor


elabora seus saberes, ou seja, reflete sobre as
ocorrências e seus significados.
Perrenoud considera que a pesquisa-ação (neste caso,
pesquisa colaborativa) é um caminho para a
transformação dos laços entre a investigação e o
ensino.

Ele introduziu a idéia de bricolage, que tomou de Lévi-


Strauss a respeito do pensamento mítico.

O bricolage não se define pelo material produzido, mas


pelo “modo como é produzido: trabalhar com os meios
disponíveis, re-utilizar textos, situações, materiais”.
Qual o papel da investigação pedagógica?

Levar o grupo de professores continuamente, a


um questionamento (reflexão) sobre o material
produzido.

A intenção era que o modo de produção


bricolage se transforma-se em saberes
fundamentados na investigação.
O “fazer-se pesquisador”, por meio do fazer dos
atlas, pode ser considerado no campo de uma
epistemologia docente, isto é, das relações
entre os professores e os conhecimentos
transformados ou construídos ao longo do fazer
dos atlas.
Agradeço sua atenção !!!