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FOP/UNICAMP

Fábio Luiz Mialhe


FOP-UNICAMP
2006
FOP/UNICAMP

ATENÇÃO

Os diapositivos desta
apresentação poderão ser
utilizados de forma integral,
desde que citada a fonte:

Mialhe, F.L. (2006)


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DIAGNÓSTICO
• “É a arte ou o ato de se identificar a doença por
meio de seus sinais e sintomas” (Dicionário Webster,
1967)

• Em cariologia, é o caminho intelectual que integra


as informações obtidas pelo exame clínico dos
dentes, o uso de ferramentes auxiliares para o
diagnóstico da cárie (ex. exame radiográfico), a
conversa com o paciente e os conhecimentos
biológicos.
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Por que o diagnóstico é tão importante?

1. ele forma a base para a decisão de


tratamento

2. ele permite ao profissional aconselhar e


informar o paciente e, em caso de crianças,
seus responsáveis

3. em nível populacional, ele fornece dados


importantes para os planejadores dos
serviços de saúde

Kidd, Mejàre e Nyvad, 2003


FOP/UNICAMP

Diagnóstico e
tratamento da
doença ?

Fonte:
Mondelli,
1984
FOP/UNICAMP

Diagnóstico e
tratamento da
doença ?

Fonte: Mondelli,1984
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Cárie Dentária:

Uma Doença Multifatorial


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Esquema de Keyes (1960)

MICRORGANISMOS
“Tríade de
Keyes”

SEM SEM

CÁRIE CÁRIE
CÁRIE HOSPEDEIRO E
DIETA
DENTES

SEM
CÁRIE
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Esquema de Fejerskov & Manji (1990)

Educação

Fluxo
salivar

Classe
social Renda
Placa Dente
pH
Fluoretos
Capacidade
Tempo tampão

HB
Dieta
Placa Dente
Atitudes Ações
pH

Composição
salivar

Conhecimentos
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Desenvolvimento da Cárie Dentária

Fatores Determinantes
• Composição e freqüência da
dieta
• Fluxo salivar
• Componentes salivares
• Capacidade tampão
• Nível de higiene oral
• Qualidade da placa
• Flúor
Fejerskov & Kidd, 2003
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Desenvolvimento da Cárie Dentária

Fatores Modificadores
• Escolaridade
• Classe social
• Renda
• Comportamentos
• Atitudes
• Conhecimentos

Fejerskov & Kidd, 2003


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O processo de
diagnóstico da cárie
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SAÚDE
Fatores
Biológicos
Hereditários
Ambientais
Socioeconômicos
Culturais
Psicológicos
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A cárie considerada sob três perspectivas


Baelum & Fejerskov, 2003

• Dente/superfície dentária

• Indivíduo

• Comunidade

Mialhe, F.L. 2003


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Coleta de Informações para o


Diagnóstico da Cárie

1. Anamnese

2. Exame clínico intra-oral

3. Exames auxiliares
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1. ANAMNESE
“Histórico dos antecedentes de uma doença”
• Vínculo profissional – paciente
• Considerar personalidade, nível intelectual e
cultural do paciente
• Demonstrar interesse em seus problemas

Dados Coletados
Auxiliam o profissional a identificar fatores de
risco para o início e desenvolvimento do
processo carioso
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1.1. Doenças, medicamentos, terapias -


alteração fluxo/composição da saliva
1.2. Padrão dietético do indivíduo
1.3. Uso de medicamentos que contenham
sacarose ou apresentem baixo pH
1.4. Conhecimentos e atitudes dos pacientes
em relação a saúde bucal
1.5. Hábitos de higiene oral e utilização de
compostos fluoretados
1.6. Nível socioeconômico e cultural
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1. ANAMNESE

1.1. Doenças que podem propiciar


HIPOSSALIVAÇÃO

• Síndrome de Sjögren • Desordens hormonais


• Artrite reumatóide • Diabetes mellitus
• Sarcoidoidose • Doenças neurológicas
• Imunodeficiências • Doença de Parkinson
• AIDS • Lupus Eritomatoso

Dawes, 1996; Nedefors, 2000


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1.1. MEDICAMENTOS que podem provocar hipossalivação

• Analgésicos (narcóticos) • Antineoplásicos


• Antiarrítmicos • Sedativos/ tranqüilizantes
• Anticonvulsivantes • Antiparasíticos
• Antidepressivos • Diuréticos
• Antihistamínicos • Expectorantes
• Antihipertensivos • Reguladores de apetite
• Antinauseantes • Antieméticos
• Antipsicóticos • Descongestionantes
• Ansiolítico • Relaxantes musculares

Dawes, 1996; Nedefors, 2000


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1.2. Padrão Dietético do indivíduo

Profissões que não permitem que o


indivíduo se ausente por períodos maiores
para realizar as refeições

Cobradores, motoristas, caixas,


plantonistas, seguranças

Várias “beliscadas” durante o dia

Risco aumentado ao
início/desenvolvimento cárie
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Fonte: Revista TUDO, Outubro 2002


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1.3. Uso de medicamentos contendo sacarose em


sua composição ou apresentem um baixo pH

Novocilin Eritrex Faclor Amoxil Keflex Ilosone Trimexazol Novatrex


Sacarose 41,30% 35,40% 33,70% 33,62% 29,80% 29,20% 15,75% 0%
pH 5,45 5,29 --- 5,92 --- 5,09 5,97 8,27

Neiva et al., 2001


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1.4. Conhecimentos e atitudes dos


pacientes em relação a saúde bucal

• A percepção da doença, por parte do


indivíduo, é geralmente compreendida em
termos de mudanças na qualidade das
funções bucais e na sua aparência.
• As razões que levaram o paciente a procurar o
profissional da área odontológica em outras
épocas podem revelar informações
importantes sobre prioridades e valores que os
pacientes dão aos cuidados bucais

Brown, 1997
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Revista
Época
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1.5. Hábitos de higiene oral e utilização


de compostos fluoretados

• É importante que o profissional saiba a forma e a


freqüência com que o paciente realiza os
procedimentos de higiene oral, o grau de
importância que ele confefe a esse procedimento
e por que ele realiza esse procedimento de uma
forma ou outra. Em relação ao flúor, qto mais
freqüente e duradouro seu uso, menor será as
perdas minerais
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1.5. Hábitos de higiene oral e utilização


de compostos fluoretados

Fonte: Mialhe, F.L. 2003


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1.6. Nível socioeconômico e cultural

• Peres et al., (2000)


Famílias que recebiam menos de 5
salários mínimos – 4,18 vezez mais
chances de desenvolverem cárie qdo
comparadas àquelas cuja renda era
superior a 15 salários mínimos
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1.6. Nível socioeconômico e cultural

• Blikhorn (1982)
Mães que viviam em áreas menos favorecidas,
qdo buscam os filhos nas creches,
apresentam uma tendência de oferecer doces
às suas crianças como meio de confortar sua
ausênciua. Em casa essas mães permitiam
que seus filhos utilizassem de forma contínua
alimentos açucarados com a mesma
finalidade
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2. Exame Clínico Intra-Oral


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2. EXAME CLÍNICO INTRA-ORAL

2.1. Fluxo salivar (hipossalivação)

2.2. Higienização: Placa e estado gengival

2.3. Fatores Retentivos de Placa

2.4. Diagnóstico Clínico e Radiográfico das


Lesões Cariosas
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2.1. Fluxo Salivar

HIPOSSALIVAÇÃO X XEROSTOMIA

HIPOSSALIVAÇÃO: Diminuição do fluxo salivar

XEROSTOMIA: (grego – “boca seca”) – sintoma,


ou seja, sensação subjetiva relatada pelo
paciente e que pode ter outras etiologias além
da diminuição do fluxo salivar

Nedefors, 2000
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Paciente respirador bucal, apresentando


ressecamento de mucosa labial, queilite angular
e sintomas de Xerostomia
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2.2. Higienização: Placa

Placa formada na
ausência de Sacarose

Placa formada na
Fonte: Pinto, 1999 presença de Sacarose
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2.2. Higienização: Estado gengival

Fonte: Mondelli, 1984


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2.3. Diagnóstico Clínico e Radiográfico das


Lesões Cariosas
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2.3. Diagnóstico Clínico e Radiográfico das


Lesões Cariosas

Detecção e extensão da desmineralização

Avaliação perdas minerais

Atividade da doença
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O processo carioso

No interior de um biofilme localizado sobre a superfície


dentária a atividade metabólica está ocorrendo de forma
constante, podendo o dente perder ou ganhar minerais
. O resultado cumulativo desses processos de des e
remineralização pode ser a perda líquida de minerais,
conduzindo a dissolução dos tecidos dentários duros e,
possivelmente, a formação de uma lesão cariosa.
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O Processo Carioso

tempo
Limiar para detecção clínica

Perda

tempo
Ganho

Limiar para detecção clínica

Perda

tempo
Ganho

Adaptado de Baelum e Fejerskov, 2003


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“Uma lesão cariosa


clinicamente
detectável é resultante
da somatória de
numerosos processos
de desmineralização e
remineralização.”

(Manji et al., 1991)


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Desenvolvimento
Doença

Cavitações

Microcavitações

M. Branca

Sub-Clínico

tempo
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“ A ausência de uma lesão cariosa,


clinicamente detectável, não significa
necessariamente que nenhuma perda
mineral ocorreu, mas apenas ela ainda não
pode ser detectada clinicamente”.
Baelum e Fejerskov, 2003

Fonte: http://blog.dentalcremer.com.br/transformacao-estetica-anterior/
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“Baseado nesses conceitos do

processo da doença cárie, é preferível

falar-se sobre o “controle da doença”

ao invés da “prevenção da doença”.

Baelum & Fejerskov, 2003


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Diagnóstico Clínico Visual


Pré-requisitos para um bom diagnóstico clínico
visual:

Campo visual deve estar:

• LIMPO (Profilaxia profissional ou escovação)

• SECO

• BEM ILUMINADO
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A importância da limpeza dos dentes

Para se detectar uma lesão cariosa, o biofilme que


está causando ou causou a lesão deve ser removido,
pois a placa bacteriana pode “camuflar” a lesão.

Entretanto, é sensato observar e remover a placa


simultaneamente ao invés de apenas removê-la
antes de observá-la, pois suas características são
altamente relevantes para se avaliar a atividade da
lesão.
Baelum & Fejerskov, 2003
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Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


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Estimando perdas minerais


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SECAGEM
SEM ALTERAÇÕES
PROLONGADA NA TRANSLUCIDEZ

ESMALTE NORMAL

SECAGEM ALTERAÇÕES NA
PROLONGADA TRANSLUCIDEZ

POUCA PERDA
MINERAL
½ espessura esmalte afetada
Ekstrand et al., 1997 Adaptação: Mialhe F.L. (2003)
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SECAGEM ALTERAÇÕES NA
BREVE TRANSLUCIDEZ

MAIOR PERDA
MINERAL
Toda espessura esmalte afetada,
podendo estar em dentina

SEM ALTERAÇÕES NA
SECAGEM TRANSLUCIDEZ

GRANDE PERDA
MINERAL
Dentina provavelmente
afetada
Ekstrand et al., 1997 Adaptação: Mialhe F.L. (2003)
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Critérios Clínicos para se avaliar a extensão


da lesão em superfícies oclusais
Ekstrand et al., 1995; 1997; 1998

Escore Critério Clínico Histológico

0 Nenhum ou leve alteração na translucidez do esmalte Nenhuma ou


pequena zona de
após um tempo prolongado da superfície (>5s) desmineralização

1 Opacidade (m.b.) ou descoloração dificilmente Desmineralização do


esmalte limitando
visível na superfície molhada, mas, visível após 50% de sua camada
externa
secagem
Desmineralização
2 Opacidade (m.b.) ou descoloração distintamente envolvendo cerca
visível sem a necessidade de se secar a superfície de 50% do esmalte
e 1/3 da dentina
dentária
3 Quebra localizada na superfície de esmalte opaco Desmineralização
envolvendo o terço
(m.b) ou descolorido e/ou descoloração acinzentada médio da dentina
proveniente da dentina subjacente
Desmineralização
4 Cavitação em esmalte opaco (m.b.) ou descolorido, envolvendo o terço
expondo a dentina subjacente interno da dentina
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Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


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Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


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Critérios Clínicos para se avaliar a extensão


da lesão em superfícies oclusais
Ekstrand et al., 1995; 1997; 1998

Escore Critério Clínico Histológico

0 Nenhum ou leve alteração na translucidez do esmalte Nenhuma ou


pequena zona de
após um tempo prolongado da superfície (>5s) desmineralização

1 Opacidade (m.b.) ou descoloração dificilmente Desmineralização do


esmalte limitando
visível na superfície molhada, mas, visível após 50% de sua camada
externa
secagem
Desmineralização
2 Opacidade (m.b.) ou descoloração distintamente envolvendo cerca
visível sem a necessidade de se secar a superfície de 50% do esmalte
e 1/3 da dentina
dentária
3 Quebra localizada na superfície de esmalte opaco Desmineralização
envolvendo o terço
(m.b) ou descolorido e/ou descoloração acinzentada médio da dentina
proveniente da dentina subjacente
Desmineralização
4 Cavitação em esmalte opaco (m.b.) ou descolorido, envolvendo o terço
expondo a dentina subjacente interno da dentina
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Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


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Critérios Clínicos para se avaliar a extensão


da lesão em superfícies oclusais
Ekstrand et al., 1995; 1997; 1998

Escore Critério Clínico Histológico

0 Nenhum ou leve alteração na translucidez do esmalte Nenhuma ou


pequena zona de
após um tempo prolongado da superfície (>5s) desmineralização

1 Opacidade (m.b.) ou descoloração dificilmente Desmineralização do


esmalte limitando
visível na superfície molhada, mas, visível após 50% de sua camada
externa
secagem
Desmineralização
2 Opacidade (m.b.) ou descoloração claramente visível envolvendo cerca
sem a necessidade de se secar a superfície dentária de 50% do esmalte
e 1/3 da dentina
3 Quebra localizada na superfície de esmalte opaco
(m.b) ou descolorido e/ou descoloração acinzentada Desmineralização
envolvendo o terço
proveniente da dentina subjacente médio da dentina

4 Cavitação em esmalte opaco (m.b.) ou descolorido,


Desmineralização
expondo a dentina subjacente envolvendo o terço
interno da dentina
FOP/UNICAMP

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


FOP/UNICAMP

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


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Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


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Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


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Critérios Clínicos para se avaliar a extensão


da lesão em superfícies oclusais
Ekstrand et al., 1995; 1997; 1998

Escore Critério Clínico Histológico

0 Nenhum ou leve alteração na translucidez do esmalte Nenhuma ou


pequena zona de
após um tempo prolongado da superfície (>5s) desmineralização

1 Opacidade (m.b.) ou descoloração dificilmente Desmineralização do


esmalte limitando
visível na superfície molhada, mas, visível após 50% de sua camada
externa
secagem
Desmineralização
2 Opacidade (m.b.) ou descoloração claramente visível envolvendo cerca
sem a necessidade de se secar a superfície dentária de 50% do esmalte
e 1/3 da dentina
3 Quebra localizada na superfície de esmalte opaco
(m.b) ou descolorido e/ou descoloração acinzentada Desmineralização
envolvendo o terço
proveniente da dentina subjacente médio da dentina

4 Cavitação em esmalte opaco (m.b.) ou descolorido,


Desmineralização
expondo a dentina subjacente envolvendo o terço
interno da dentina
FOP/UNICAMP

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


FOP/UNICAMP

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


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Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


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Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


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Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


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GRÁFICO 1: Validação do critério clínico MICROCAVIDADE

69%

31%

Esmalte Dentina

GRÁFICO 2: Validação do critério clínico MICROCAVIDADE


+ MANCHA BRANCA
22%

78%

Esmalte Dentina Flório et al., 2001


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Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


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SELAMENTO BIOLÓGICO

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)

Clinicamente, o selamento biológico é caracterizado por


uma coloração escurecida no interior das fossas e
fissuras e que ao toque apresenta uma característica
superficial mineralizada não retentiva
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Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


FOP/UNICAMP

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


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“Cárie Oculta”

Se caracteriza por uma lesão em dentina,

aparentemente coberta por uma superfície

hígida de esmalte (Page, 1986; Weerheijm, 1992) , sendo

relacionada, segundo alguns autores, ao uso

intensivo de fluoretos nos dentifrícios (Lewin,

1985; Ball, 1986)


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“Cárie Oculta”

Segundo Rickettts & Pitts (1997), “cárie


oculta” é um termo usado para descrever
cárie oclusal em dentina que passa
desapercebida no exame visual, mas
detectadas radiograficamente.
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Cárie Oclusal

A forma do esmalte das fissuras na oclusal,


esconde o diagnóstico dos estágios mais precoces
da lesão cariosa.
Em superfícies secas, limpas e iluminadas,
observa-se:
 2 linhas de mancha branca ao longo das paredes
 próximo estágio a lesão: 1 linha escura ao longo da base
da fissura (difícil de diferenciar se é coloração exógena ou
lesão dentinária oculta)

 Formação de cavidade: envolvimento de grande extensão


de dentina acompanhado pelo colapso do esmalte
(Pitts, 1991)
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“Cárie Oculta”

Mas, tem sido freqüente o esmalte


permanecer intacto acima de uma lesão de
dentina

Indícios visuais desta lesão:

 mudanças de cor

 opacidade ou translucência do esmalte


delineando a fissura
(Pitts, 1991)
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EXAME RADIOGRÁFICO
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EXAME RADIOGRÁFICO

DESVANTAGENS
sobreposição de contatos interproximais
lesões oclusais não são bem visualizadas, a não
ser aquelas já estendidas em dentina
não é adequado para lesões oclusais confinadas
ao esmalte
substima o processo de desmineralização

Fejerskov, 2003
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Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


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EXAME RADIOGRÁFICO

LESÃO CARIOSA EM ESMALTE

Filme
Raios X
?

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


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LESÃO CARIOSA ATINGINDO A


DENTINA
Filme

Raios X

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


FOP/UNICAMP
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LESÕES CARIOSAS LOCALIZADAS NA FACE PROXIMAL DOS


DENTES POSTERIORES

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


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LESÕES CARIOSAS LOCALIZADAS NA FACE PROXIMAL DOS


DENTES POSTERIORES – REGIÃO CERVICAL

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


FOP/UNICAMP

LESÕES CARIOSAS LOCALIZADAS NA FACE


OCLUSAL DOS DENTES POSTERIORES

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


FOP/UNICAMP

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


FOP/UNICAMP

LESÕES CARIOSAS LOCALIZADAS NA FACE


PROXIMAL DOS DENTES POSTERIORES

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


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Efeito Mach Band

 Fenômeno perceptivo em que o contraste entre uma


área escura e uma mais clara é nitidamente demarcado,
originando uma banda escura.

 Tendência a se gerar resultados FALSO POSITIVOS –


observação equívoca de radiolucidez em dentina, na
junção amelodentinária
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Efeito Mach Band


Fonte: Mialhe, F.L. (2003)
FOP/UNICAMP

Avaliação da Atividade das Lesões

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


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Avaliação da Atividade das Lesões

• Características a serem avaliadas:

•Brilho
•Textura
•Translucidez
•Cor
• Presença e tipo de biofilme
Pitts, 1993
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Superfície dentária como indicador da


atividade da lesão de cárie
Remineralização Desmineralização
Brilhante Opaca

Traslucidez normal Lesão esbranquissada,


pigmentada
Superfície lisa Superfície rugosa, corroída,
aspecto giz
Consistência dura Consistência amolecida

Não cavitação Cavitação


Presença de biofilme
Douglas et al., 1997
FOP/UNICAMP

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


FOP/UNICAMP

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


FOP/UNICAMP

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


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Pacientes cárie-ativos e cárie-controlados

• A evidência mais forte para o diagnóstico da


atividade de cárie é a presença de lesões de
cárie ativas (não cavitadas ou cavitadas) no
momento do exame. É importante o CD
perceber, no momento do exame, quantas
lesões estão localizadas. Além disso,
considerar o número de novas lesões, em
progressão ou restauradas observadas ao
longo dos últimos 2-3 anos tbém é uma
informação importante.

Kidd & Nyvad, 2003


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Paciente cárie-ativo
FOP/UNICAMP
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Caso 10
FOP/UNICAMP

• Pode-se afirmar, como uma regra prática, que na


maioria das populações, um incremento anual de 2 ou
mais lesões de cárie detectadas clínica e/ou
radiograficamente, indicariam alta taxa de progressão
de lesões.

• Múltiplas lesões ativas em regiões da boca onde a


taxa de fluxo salivar é relativamente rápida (incisivos
inferiores e superfícies vestibulares de molares
superiores) sempre sugerem um “status” de alta
atividade.
Kidd & Nyvad, 2003
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•Casos clínicos
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Diagnóstico extensão lesão


Esmalte ou dentina?

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


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Após secagem e profilaxia


Lesão de cárie ativa ou inativa?

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


FOP/UNICAMP

Fonte: Profa. Fernanda Augusta Passianoto de Lima


FOP/UNICAMP

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


FOP/UNICAMP
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Por que novos métodos de diagnóstico?

“Visto que um dos objetivos da Cariologia atual é

diagnosticar as lesões cariosas nos seus estágios

iniciais de progressão ao invés de cavitações

evidentes, é importante que novos métodos sejam

desenvolvidos para esta finalidade e para

monitorarem quantitativamente o processo carioso.”

Verdonschot e Angmar-Mansson, 2003


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1) Métodos baseados no princípio físico da Luz Visível

1.1. TRANSILUMINAÇÃO POR FIBRA ÓPTICA


(Fiber Optic Transilumination – FOTI)

Princípio:
• Dente apresenta diferentes índices de transmissão
da luz, que variam de acordo com seu estado de
higidez.

• Desmineralizações  áreas escuras (baixos


índices de transmissão)

Mitropoulos, 1985; Côrtes et al., 2000; Mialhe, 2003


FOP/UNICAMP

TRANSILUMINAÇÃO POR FIBRA ÓPTICA

(Fiber Optic Transilumination – FOTI)

Mitropoulos, 1985; Côrtes et al., 2000; Mialhe, 2003


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EQUIPAMENTO
 Aparelho: fonte de luz fria 150 Watts
 Controlador da intensidade luminosa
 Cabo e Ponteira (fibra óptica)
- Ponteiras: 0,5 mm (abaixo do ponto de contato) – proximais
2,0 mm (próximo à margem gengival) - oclusais
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FUNCIONAMENTO DE UM CABO
CONTENDO FIBRAS ÓPTICAS

A - capa protetora (plástico)

B - camada intermediária -
A B C impede a saída da luz
(sílica pura)

C – centro do cabo
contendo várias fibras
ópticas (sílica, germânio,
fósforo, alumínio)

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


FOP/UNICAMP

TRANSMISSÃO DA LUZ NO INTERIOR DE UM


FIO DE FIBRA ÓPTICA

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


FOP/UNICAMP

FOTI - Transiluminação por Fibra Óptica

Superfícies Proximais

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


FOP/UNICAMP

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


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Importância do Diâmetro da
Ponteira

Ponteira grossa

Ponteira fina

Fonte: Mialhe, F.L. (2003)


FOP/UNICAMP

Superfície Oclusal

Confirmar presença de
lesões “fechadas” extensas
em dentina

Verdonschot et al., 1992


FOP/UNICAMP

Mialhe, 2003

Mialhe, 2003

Fonte: Mialhe, F.L.


(2003)
FOP/UNICAMP

FOTI - Transiluminação por Fibra Óptica

• Vantagens

• Não utiliza radiações ionizantes (RX) – gestantes

• Não necessita processamento radiográfico

• Útil quandodo há dentes apinhados (sobreposição imagens

proximais ao exame radiográfico)

• Bons níveis de Especificidade

Kidd e Joyston-Bechal, 1997; Fennis et al., 1998; Mialhe 2003


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The relative diagnostic yield of clinical, radiographic and FOTI


examinations in detecting approximal caries in youngsters

Mialhe, F.L.

01

29 0 17
Clinical FOTI
03
29 0

1 09 1
1 0

Legend
57
initial caries enamel 06
cavitation

RX
Submetido ao Brazilian Journal Of Oral Sciences, 2004
FOP/UNICAMP

Laser DIAGNOdent (Kavo)

Kavo DIAGNOdent (Biberach, Germany)


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Método baseado no princípio físico da Fluorescência Tecidual

 Fluorescência Tecidual – Princípio Físico

Energias
menores
“Fluorescência
Tecidual”
Alta energia

Mialhe, 2003
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Introdução

 DIAGNOdent Laser Diodo 655nm 1mW

• Ponteiras
• Displays numéricos
• Alerta Sonoro
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LASER FLUORESCENTE
APLICAÇÃO LUZ LASER (laser diodo 655 nm)
(Ponteira luminosa flexível)

REFLEXÃO DA LUZ

CAPTAÇÃO DA LUZ
(Sensores especiais na ponta da fibra)

COMPONENTES ELETRÔNICOS DO EQUIPAMENTO


(Processamento dos dados)

EMISSÃO DE ALERTA SONORO


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LASER FLUORESCENTE

DIAGNODENT (Kavo)

• superfície limpa e seca


• calibração do aparelho
• ponta tocando a superfície perpendicularmente
• movimentos de varredura e pendular
• 3 aferições por sítio
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O aparelho Detecta
• A fluorescência natural da estrutura dentária
• Pigmentação ao redor de resinas compostas
• Cálculos Dentários
• Partículas de alimento/debris nas fissuras
• O tecido dentário desmineralizado ee também
o hipocalficificado

Milicich, 2002
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LASER FLUORESCENTE

Diagnodent
Regra geral relacionada aos valores
0 a 5 - substância dentária sadia
5 a 10 - lesões iniciais de cárie no esmalte
> 20 - cárie em dentina (lesões iniciais)
> 30 - cárie em dentina (lesões avançadas)

Lussi et al., 1999; Attrill et al., 2001


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LASER FLUORESCENTE
INDICAÇÕES
- lesões cariosas em superfícies oclusais

VANTAGENS
- alta sensibilidade p/ desmineralizações iniciais
- quantifica a perda mineral monitoramento
- método não invasivo
- não causa efeito nocivo ao dente ou a tecidos adjacentes

Lussi et al., 1999; Attrill et al., 2001; Shi et al., 2000; Shi et al., 2001
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Cuidados com resultados


FALSO-POSITIVOS

• Plugs orgânicos
• Compósitos
• Margens pigmentadas dos compósitos
• Cálculos
• Alimentos impactados nas fissuras
• Esmalte remineralizado

Milicich, 2002
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Falsos Positivos
Algumas pastas profiláticas
• Se você não estiver utilizando bicarbonato de
sódio para profilaxia das fissuras, observe se
sua pasta profilática causa alterações nas
leituras, posicionando a sonda do DiAGNOdent
na pasta profilática que você está utilizando

Milicich, 2002
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LASER FLUORESCENTE

DESVANTAGENS

- não diferencia entre lesões ativas e paralisadas


- não diferencia entre cárie e defeitos congênitos
- não detecta cáries secundárias sob rest. metálicas
- alto custo

Shi et al., 2000; Shi et al., 2001, Mialhe, 2002; Baseren, 2003
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Electronic Caries Meter (ECM)

(ECM, Lode, Groningen, NL)


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 Condutância Elétrica Dentária – Princípio

20 30
10
0 40

50

Esmalte Íntegro

Fonte: Mialhe F.L., 2003


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 Condutância Elétrica Dentária – Princípio

20 30
10
0 40

50

Lesão cariosa

Fonte: Mialhe F.L., 2003


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ELECTRONIC CARIES METER

(ECM, Lode, Groningen, NL)

•Bateria – corrente < 3A

•Freqüência 21,3 Hz

•Fluxo ar contínuo – 7,5


l/min

•Escala de valores
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MEDIDA DA CONDUTIBILIDADE ELÉTRICA

INDICAÇÕES

- Detecção de lesões iniciais

- Monitoramento da progressão da lesão

Lussi et al., 1999; Attrill et al., 2001; Shi et al., 2000; Shi et al., 2001
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Considerações Finais
Independentemente do nível de detecção que a
cárie é considerada, permanece o fato de que
são pessoas, na figura do indivíduo, que
procuram os conselhos dos profissionais da
área odontológica, e não as superfícies
dentárias.

Desta forma, o tratamento da doença não deverá


se restringir apenas ao tratamento das lesões.
Baelum e Fejerskov, 2003
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