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Profa. Dra.

Cristina Pereira Gaglianone

Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição Escolar

Universidade Federal de São Paulo


Projeto de Lei 6848
Dispõe sobre a comercialização e consumo de
guloseimas nas escolas de Educação Básica
Proíbe consumo e a comercialização de:
 guloseimas,
 frituras,
 refrigerantes,
 molhos
 industrializados
 outros produtos calóricos não nutritivos ou que contenham
conservantes.
A Constituição Federal Brasileira de 1988 trata
a saúde como um direito de todos e uma
responsabilidade do Estado, recomendando
a implementação de medidas econômicas e
políticas que visem à redução dos riscos para
doenças e outros danos à saúde.
Alimento e alimentação saudáveis
Alimento Saudável:
 livre de contaminantes e aditivos prejudiciais a saúde
 Fonte de nutrientes essenciais ao organismo

Alimentação Saudável:
 consumo de alimentos saudáveis
 garante oferta equilibrada de nutrientes
 promove saúde e previne doenças
Comer é um dos grandes prazeres da vida e através
da alimentação o ser humano busca também a
própria satisfação.

A seleção da dieta depende tanto da história, cultura


e ambiente quanto das necessidades orgânicas de
energia e demais nutrientes.
Hábito Alimentar
Inclui:
 Qualidade: tipo de alimento
 Quantidade: volume das refeições
 Forma de preparo de consumo

Atende a necessidades:
 Orgânicas
 Sociais
 Afetivas
O estabelecimentos de conceitos e atitudes frente a
alimentação se dá desde o início da vida.

Ao ingressar na escola, a criança passa a ser exposta a


um ambiente que, potencialmente, atua para que
conhecimentos, atitudes, comportamentos e
habilidades sejam adequadamente desenvolvidos.
Fatores que influenciam na
formação do hábito alimentar
Internos:
 Necessidades individuais

Externos:
 Modelos: família, amigos, outros
 Sociedade: padrões culturais
 Oferta alimentar: acesso ao alimento
Acesso ao alimento e alimentação
saudável (Heather, 2005; Ball, 2006)
Crianças: a preferência é o principal fator para consumo
 Preferem consumir os alimentos habituais
 A exposição ao alimento modela as preferência e
consumo
 Alimentos de fácil acesso são incluídos no hábito
alimentar
Efeito vizinhança
 Alimentos vendidos nas proximidades da residência de
crianças e adolescentes tendem a ser incorporados ao
hábito alimentar
Alimentação na escolas dos EUA:
vending machines
A venda de alimentos de alimentos ricos em açúcar ,
gordura saturada e pobre em nutrientes, nas máquinas
automáticas (vending machines) presentes em grande
parte das escolas dos Estados Unidos é apontada como
um dos grandes obstáculos aos programas de combate
a obesidade nas escolas norte americanas
A American Dietetic Association se posiciona em vários
documentos a favor da regulamentação na venda de
alimentos nas escolas
Hábitos alimentares adquiridos na infância
tendem a se solidificar na vida adulta, o que
justifica intervir para a formação de hábitos
saudáveis o mais precocemente possível.
Um olhar sobre a nutrição do
brasileiro
Países como o Brasil, convivem com problemas de
saúde associados à alimentação que vão desde
carências nutricionais, como desnutrição,
anemia ferropriva e hipovitaminoses, a distúrbios
associados ao consumo excessivo de nutrientes ou
desbalanceamento dietético como obesidade e
dislipidemias.

A situação da obesidade vem se agravando em nosso


meio, inclusive entre crianças
Obesidade e doenças associadas
OMS (2002): mudanças na dieta e atividade física,
reduziriam, no mundo:
 80% doença coronariana
 60% diabetes tipo II
 1/3 casos de câncer

USA: o aumento de 2,5 para 3,5 porções diárias o


consumo de frutas ou hortaliças pela população reduz
em 8% novos casos de câncer (Havas -1998)
A transição nutricional
Canadá, Austrália e parte da Europa
 Obesidade infantil : aumento 1% ao ano (anos 90)
Estados Unidos
 crianças de 4 a 5 anos: dobro obesidade (desde 1970)
Chile
 crianças de 6 a 8 anos :dobro obesidade (1987-1995)
Município de Cajamar -SP (2007):
 ingressantes Ensino Fundamental: 17% de sobrepeso
A saúde e a escola
Lei 5692 (1971): Temática Saúde no Currículo Escolar
Conselho Federal Educação (1977): saúde como meta
do processo formativo, intrínseca a própria finalidade
da escola
Parâmetros Curriculares Nacionais (1996):
abordagem da alimentação saudável desde a Educação
Básica
Escola e promoção da alimentação
saudável
 Promoção de Saúde: envolver a Saúde e Educação
(OMS)
 Ministério Saúde e Educação (2006): Portaria
interministerial 1010 – Promoção da alimentação
saudável nas escolas
 Centros Colaboradores em Alimentação e Nutrição
Escolar (Universidades Federais e FNDE/MEC)
 Programas: PNAE, Escola Promotora de Saúde (SP)
Prevenção da obesidade nas
Escolas: Caso Cingapura (TOH, 2002)
Programa para prevenção da obesidade na escolas,
envolveu:
 Mudanças na oferta alimentar nas cantinas
 Diagnóstico da obesidade na população escolar
 Educação alimentar (currículo escolar integrado a oferta
alimentar)
 Atendimento multiprofissional da obesidade

Conseguiu reduzir significativamente a prevalência da


obesidade na população de crianças e adolescentes do país
Projeto RAMM: prevenção da obesidade
em escolas Educação Básica*
Educação Alimentar: currículo e formação professores
 Apesar da inadequação da alimentação oferecida nas
cantinas escolares, intervenções na oferta alimentar na
cantina está fora campo de atuação acadêmico ou
pedagógico.

 Ações efetivas, nessa esfera, devem ser regulamentadas


pelo poder legislativo e fiscalizadas por órgãos
competentes.

* Tese de doutorado(Gaglianone, 2003)


Envolver as escolas na prevenção de doenças como a
obesidade, associada aos hábitos alimentares, exige tanto a
adoção de medidas que garantam a abordagem adequada
do conceito de alimentação saudável no currículo escolar
quanto daquelas que assegurem uma oferta alimentar que
contribua para a formação de hábitos saudáveis. São essas
medidas essenciais, e complementares, a uma efetiva
política de promoção da segurança alimentar e nutricional,
e da saúde, no ambiente escolar.

Cristina Pereira Gaglianone


Brasília, 16 de outubro de 2007