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UFMG - Psicologia

Disciplina:
Tópicos especiais em Psicanálise:
Psicanálise e o tema das Transexualidades

Professora: Sarug Dagir Ribeiro

Livro: Novos fundamentos para a psicanálise


Laplanche - 1988

Capítulo 2:
RUMO À TEORIA DA SEDUÇÃO GENERALIZADA

Discentes:
Adriana Galuppo
Leonardo de Lima Leite
Miguel Luiz De Moraes Tibério

2018
Christopher Dejours - Lendo Freud com Laplanche
Aceita?
Sedução

O que pode ser?


Origem da palavra Sedução
Pode ser também:
A relação de passividade

Eu faço você acreditar que é seu, aquilo que é


meu dentro de você

A passividade da criança em relação ao adulto


Fichamento
Da teoria da sedução restrita à TSG teoria da sedução generalizada

• A sedução como principal fato gerador em


psicanálise
• A sedução sempre é, no pensamento freudiano e no contemporâneo,
vínculo entre o fato (realidade efetiva) e o que se teoriza
sobre esse fato.
• Laplanche retoma quatro características
essencias da teoria da sedução restrita de
Freud: abandonado por ele em 1897
As 4 características essenciais dessa
factualidade da Sedução Infantil

1. A sedução infantil
2. O adulto como agente obrigatório da
sedução
3. A passividade essencial da criança
4. O encadeamento das cenas
• Laplanche retoma na teoria da sedução restrita,
de Freud, a reflexão do movimento que faz
passar da sedução infantil à sedução precoce e
à sedução originária ou…
• A Linhagem da factualidade
• Com vistas a ampliar a noção de sedução e
construir o que, a posteriori, chamaria de teoria
da sedução generalizada
Primeiro elemento essencial da teoria

A Sedução Infantil
Cenas de experiência sexual prematura
• Segundo Laplanche a sedução infantil é concretizada em
cenas de sedução que podem ser reencontradas,
reconstruídas, rememoradas graças ao método analítico.

• Laplanche afirma que a criança nessas cenas está sempre


num estado de imaturidade, de incapacidade, de
insuficiência em relação ao que lhe acontece. Não
compreendendo o que acontece.

• Ela ainda está despreparada (Hilflosigkeit) em níveis de


reação somática, afetiva, psíquica ou intelectual, ou
fantasística.
• O trauma decorre do incidente que acontece por acaso, não
planejado, do eventual, imprevisto, inopinado.

• A defasagem é o descompassso da criança imatura, que se


apresenta sem condições para compreender o lhe acontece, suas
experiências de sedução e, sobretudo, despreparada para o
confronto com a sexualidade adulta.

• A defasagem como terreno do trauma, é portanto, o fato de que o


sujeito não está preparado para aquilo.

• Por causa de seu despreparo, a criança assume uma posição


passiva frente às insinuações e iniciativas do adulto,
experimentando desse modo, a sedução de uma forma traumática.
• Sentimentos de angústia e aflição não permitem que a
criança aja, portanto, de maneira ativa em relação à
sedução, que adquire assim contornos de uma agressão
traumática, a qual irrompe ( entrar com ímpeto, com violência, invadir
subitamente, precipitar-se) o eu da crianca ameaçando-o de
transbordamento, sobretudo, de aniquilamento.

• Assim num primeiro tempo da experiência traumática


de sedução, a criança situa-se numa etapa anterior à
irrupção da sexualidade, numa etapa pré sexual, um
antes tanto absoluto quanto relativo.

• E há vários pré sexuais possíveis, correspondendo às


diferentes etapas da evolução infantil.
Segundo elemento essencial da teoria

O adulto como agente obrigatório da sedução


• Laplanche faz uma releitura das anamneses dos pacientes
de Freud, já que nelas, mesmo que uma criança fosse
posteriormente seduzida por uma criança mais velha, a
primeira experiência de sedução sempre acontecia com
um adulto.
• Laplanche relembra a existência do caráter perverso do
pai da histérica, na teoria freudiana da década de 1890.
• O adulto sedutor não era qualquer um, era alguém
conhecido da criança, assim como um pai – um pai que
apresentava, no entanto, características perversas e agia
de maneira incestuosa em relação à criança.
• O adulto sedutor era visto por Freud até o abandono
da neurótica (1897), como um desviante quanto ao
objeto e quanto à finalidade ( meta, alvo)
• O parceiro da sedução é obrigatoriamente o adulto
• Laplanche marca a presença de um caráter grotesco,
repugnante, incongruente (impróprio), e trágico dessas
relações sexuais num casal ( ou num par)
desigualmente composto
• Sempre o adulto é perverso
• Nas cenas descritas por Freud, complementa
Laplanche, a sedução denota agressão, irrupção,
intrusão e violência.
Teoria da Tradução – Teoria da Sexualidade
Terceiro elemento essencial da teoria

O encadeamento das cenas


• Está ligada às relações existentes entre vários acontecimentos, ou melhor,
entre várias cenas de sedução, que se encontram articuladas ponto a
ponto, através de princípios ou metabolismos mais complexos, tais como
contiguidade, de similitude (semelhança) e diferença, já que as cenas
simbolizam-se umas em relação às outras.
• Deste modo, uma cena remete a uma segunda, mais antiga que a
primeira, que por sua vez, remete a uma terceira e assim sucessivamente.
• Laplanche afirma que a busca freudiana por uma cena originária – a cena
primordial – configurou-se como um dos pontos vulneráveis da neurotica,
como dificudade ou dúvida racional decorrente da impossibilidade
objetiva de obter resposta ou mesmo conclusão para essa indagação,
uma situação sem saída, aporia das cenas. O que determinou o abandono
da teoria em 1897
Quarto elemento essencial da teoria

A passividade essencial da criança


• Laplanche ressalta que, apesar de essencial na
sedução, a passividade também esconde
algumas questões. “Quem seduz quem?”
• Será que a criança seduzida passivamente
também não desempenha um papel
provocador em relação ao gesto sedutor do
adulto?
Onda portadora das mensagens
• Laplanche sugere que a passividade da
sedução não tem relação com uma
passividade comportamental ou gestual, mas
está ligada à questão da inadequação da
criança para compreender, ou melhor
simbolizar a mensagem que é proposta.

• Assim a criança que assiste à cena originária –


observação do coito parental – é tão passiva
quanto aquela que é sexualmente seduzida
pelos adultos.
• Para Freud, pelo menos nessa época, as
repetições das cenas são sempre secundárias
em relação a uma experiência na qual domina
o carárter fortuito, inesperado, portanto, de
novo o aspecto traumático e a passividade.
• Também a criança, na concepção da sedução é
levada a repetir ativamente as cenas.
• Quanto mais o sujeito é ativo e mais volta aos
mesmos lugares, físicos ou psíquicos, para
reviver, reelaborar o trauma, para tentar
traduzir.
TSR - Teoria da Sedução Restrita
• Laplanche (1988) passa a apresentar a TSR a
partir de 3 aspectos complementares:
• Um aspecto temporal
• Um aspecto tópico
• E um aspecto tradutivo
• Que se aplicam ao que ele chama de: sedução
infantil, sedução precoce e sedução originária
• Para Laplanche o termo sedução infantil está a referido
um primeiro Freud, com sua teoria da neurótica, em
que o agente sedutor é descrito como o pai da histérica
• A sedução precoce, por outro lado, refere-se a um
período de recalcamento teórico 1897 e 1964/67. Nela
o pai perverso, personagem mais importante da
sedução infantil, cede seu lugar para a mãe, que passa
ser a sedutora por excelência, essencialmente na
relação pré-edipiana.
• Finalmente a noção laplancheana da sedução
originária (após 1964/67) veicula tanto uma ideia de
que existem significantes enigmáticos, cuja origem é
inconsciente, quanto uma outra ideia que inclui na
sedução originária situações de sedução
A teoria:
Aspecto temporal, O a Posteriori
• Chamada teoria do a posteriori, do trauma em
dois tempos, nela postula que nada se
inscreve no inconsciente humano, a não ser
na relação de ao menos dois acontecimentos,
separados, no tempo, por um momento de
mutação que permite ao sujeito reagir de
outra forma do que na primeira experiência,
ou, melhor, reagir à lembrança da primeira
experiência, de outra forma do que reagiu à
própria experiência.
• Freud chama o primeiro tempo de tempo do terror
(Schreck)
• A lembrança não é em si mesma patogênica, nem
traumatizante
• Só se torna traumatizante pela sua revivescência
• É a própria lembrança e não a nova cena, que vai
funcionar como fonte de energia traumatizante,
autotraumatizante.
• A saída desse autotraumatizante é uma defesa
patológica, o recalcamento
• O recalcamento é pois, estruturante.
Aspecto Tópico
• O aspecto tópico da teoria da sedução infantil
–enquanto um conflito entre o eu e o outro –
deriva, num primeiro tempo, de uma
verdadeira estratégia de ataque externo vindo
do adulto, a primeira cena sexual, sem meios
de defesa adequada, quando muito pode
bloquear o inimigo no terreno, embrulhar a
recordação, mas não recalcá-la.
• Já num segundo tempo, o aspecto tópico da
teoria da sedução infantil é marcado pelo
ataque interno de objetos (significantes
enigmáticos), ao mesmo tempo estimulantes
e perigosos para o eu da criança, que não os
consegue simbolizar. Nesse tempo tem
perfeitamente meios para compreender o que
se passa mas encontra-se voltado para uma
verdadeira guerra interior, Atacado por uma
recordação e não por um acontecimento. A
teoria do ego e de suas periferias.
Aspecto linguageiro Tradutivo
• Remetendo-se à hipótese da dupla inscrição
presente no esquema apresentado na Carta Freud-
Fliess (Carta 52 de 6/12/1896), Laplanche (1988)
afirma que existe um terceiro aspecto da teoria da
sedução infantil – aspecto verbal e tradutivo –
que diferente dos aspectos temporal e tópico,
permeia a, questão da linguagem e dos modos de
comunicação. Laplanche desvela um modelo
tradutivo da constituição subjetiva segundo o qual
o aparelho psiquico se constituía por estratificação,
em que os traços da memória se submetiam, de
tempos em tempos, a uma retranscrição, de
acordo com novas circunstâncias
• Situa o recalcamento na barreira que separa
duas épocas psiquicas
• Conforme o esquema, cabia a cada sistema
uma inscrição
• A hipótese da dupla inscrição baseia-se na
existência de uma separação tópica do
psiquismo: Inconsciente/pré-
consciente/consciente.